Fatima2018

PEREGRINOS DA MARGEM SUL FAZEM ENTRADA TRIUNFAL EM FÁTIMA

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Isto não é para quem quer, é para quem pode.

Perdi o conto às vezes que ouvi e provavelmente disse esta frase e depois deste fim de semana, aprendi que em relação à decisão de fazer uma peregrinação, é precisamente o contrário. Isto é mesmo para quem quer. Como disse a Ermelinda, uma peregrina do nosso grupo: “quem quer ir arranja motivos, quem não quer arranja desculpas”. Mai nada.

Depois de há 2 anos ter iniciado a minha primeira experiência como peregrina e de lamentar o ano passado não ter as condições físicas para o fazer, consegui mais uma vez, voltar a por o pé na estrada e pôr-me ao caminho para mais uma prova superada – ir a Fátima a pé.

Desenganem-se se acham que me atrevi a vir daqui, da margem sul. Em equipa vencedora não se mexe, e por isso segui o mesmo percurso da última vez. Saí da Fundada e tivemos 2 dias para chegar ao destino. Mas fiquei emocionada como a chegada do grupo de Fernão Ferro a Fátima. A margem sul entrou em grande estilo. Chegou, viu e venceu. A entrar pelo lado sul, vinham num grupo de mais de 150 pessoas, vestidos de igual (t-shirt azul), a cantar e numa espécie de marcha. Passo certo, organizado e com um ar de conquista emocionante. Consegui encontrar 2 pessoas conhecidas, que estavam concentradíssimas num momento tocante que fez eriçar os pelos de todos os passantes, que no passeio aplaudiam esta entrada triunfal. Aí está, a margem sul a mostrar como é que se faz, “jogam noutra liga – estão na champions”. 5 dias a rolar, mais de centena e meia de quilómetros só para vos dizer – Parabéns peregrinos de Fernão Ferro – sois os maiores!

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Foto: grupo de Peregrinos de Fernão Ferro no Facebook

Já eu estou na distrital, mas honradamente posso declarar “missão comprida”. E cumprida, claro. Fui com o mesmo grupo da última vez, que tinha alguns elementos novos e para além da excelente companhia do meu pai, tivemos connosco, o meu primo Luís que não podia ter sido melhor companhia.

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O dia 13 de maio em Fátima e a nossa chegada ao Santuário

Na verdade, o que senti da primeira vez não foi igual. Foi mais místico e talvez um pouco mais emocionante. E, porquê? Acho que foi por não saber ao que ia e tudo era novidade. Mas este ano foi mais prazeroso. Estava mais preparada (embora ida aos treinos tenha sido abaixo dos mínimos olímpicos, mas felizmente não comprometeu), tomei mais precauções e previdências e fui mais a curtir. A admirar e a com toda a convicção que a chegada era já ali.

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Chegada no dia 1 dos 3 estarolas

A conclusão que nós os 3 estarolas (o meu pai, o Luís e eu) chegámos foi que a nossa experiência foi muito mais de luxo que sacrifício. Ora, vejam – no primeiro dia depois de algumas dezenas de quilómetros no lombo, chegámos à pousada “do costume” e estivemos mais de 40 minutos numa espécie de piscina termal, com água gelada que dava aquele power nas pernas, que acalmou os músculos mais fervorosos. Seguiu-se um banhinho quente e uma boa travessa de caracóis para a abertura da época. Noite tranquila, WC privado e um pequeno-almoço com tudo a que se tem direito, antes de nos lançarmos novamente à estrada.

O dia seguinte, foi mais do mesmo. Não tivemos o banho, mas os mimos da minha mãe lá em Fátima e meus amigos, não há nada melhor no mundo que a comida e o colinho da mamã. A juntar a isto tudo, tive o prazer de conseguirmos chegar todos sem mazelas, com dores – no pain no gain. De poder usufruir da experiência da caminhada, da partilha e da generosidade de todos os que nos acompanharam. Aquelas pessoas com quem se criam laços para a vida e que nem sabemos bem explicar. Querem maior luxo que este?

Depois disto, a minha tarefa no santuário, foi seguramente fácil – A-GRA-DE-CER. E, já que a Nossa Senhora está ali para isso mesmo, também para pedir. Pedir que nos ajude a ser melhores e a desejar que todos possamos contribuir por um mundo melhor.

E a segunda peregrinação já cá canta. Esta ninguém me tira.

Nós aqui temos peregrinação.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

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