Olhar nos olhos

A IMPORTÂNCIA DE OLHAR NOS OLHOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Olhar nos olhos é um dos primeiros marcos de desenvolvimento alcançado pelos bebés, e é verdade que é também um dos momentos mais emocionantes! É neste momento que os pais percebem que o seu Bebé finalmente os “vê” e que eles são importantes e reconhecidos. Quando os olhos dos pais e do bebé se encontram, acontece algo muito especial, é estabelecida uma conexão emocional. O olhar trocado entre pais e filhos é uma experiência compartilhada que transmite informações sobre interesses e ligações recíprocas, bem como troca de gestos, expressões faciais e sorrisos.
É, sem dúvida, um primeiro enamoramento que se vai desenvolvendo ao longo do crescimento da criança.

Porém, nos dias de hoje, algo assombra este primeiro enamoramento, esta troca de olhares cúmplices…Na minha prática profissional diária sou confrontada com bebés de olhar esquivo, crianças que parece que não ouvem, pois não olham, crianças com dificuldades de manutenção da atenção, dificuldades na interação e controlo de impulsos e basta olhar à nossa volta e deparamo-nos com:

Um bebé que é embalado ao som da música e imagem de um ecrã; um bebé que chama “mãe, mãe” e que ouve a voz, mas não recebe o olhar de sua mãe pois esta não pode, de forma alguma desviar o olhar do ecrã… Crianças que só comem com um tablet à frente, crianças que só adormecem à frente do ecrã, crianças que fazem birras demoníacas quando são privadas do ecrã…

PÁRA TUDO!…

E a relação onde está, a troca de olhares?
Mais tarde então deparamo-nos com meninos que não param que não prestam atenção, quando muitas vezes têm muita falta de treino de “Olhar”.

Olhar nos olhos

Mas como podem os pais encorajar o contato visual, a troca de olhares?
A troca demorada de olhar entre pais e bebés são naturais e alegres. No entanto, cada bebé, pai e mãe têm suas próprias características, necessidades e tendências e é preciso tempo para encontrar o equilíbrio certo para todos os envolvidos.

Aqui estão algumas dicas sobre como ajustar e mediar o mundo para o seu bebé, levando em consideração as suas particularidades, tendências e necessidades:

Não espere um olhar longo e focado.

Você não pode forçar um bebé a fazer contato visual especialmente quando ele está com fome, cansado ou incomodado. Existem formas maravilhosas para encorajar gentilmente o olho no olho quando o bebé está contente e alerta.

Nos primeiros meses de vida, segurar o bebé cerca de 20-30 centímetros de distância da face do adulto facilita o olhar e o foco.

Quando o bebé estiver olhando diretamente para o pai, mãe ou cuidador, é uma oportunidade de interagir, sorrir, cantar, falar e gesticular no campo de visão da criança, mesmo que pareça estranho no início. Estas interações significativas são registradas na mente do bebé e afetam seu desenvolvimento.

Geralmente é melhor esperar até que o bebé olhe para o pai, mãe ou cuidador para, em seguida, estabelecer a comunicação. Quando ele olhar, não tente desviar o olhar antes que ele o faça.

A troca demorada de olhares é especialmente benéfica para estabelecer laços afetivos quando acompanhado de toque e / ou voz.

Quando o bebé olha para os pais ou para um objeto, apontando e nomeando, o desenvolvimento da linguagem flui com maior facilidade.

A face humana é um forte estímulo visual. Bebés, por vezes, precisam de uma pausa no fluxo do rico volume de informações que lhe são oferecidas. Quando o bebé vira a cabeça ou desvia o olhar, não é um sinal de desinteresse ou rejeição, mas sim a sua maneira de dizer “preciso de parar um bocadinho, eu necessito de algum tempo para processar tudo”.

É importante respeitar a capacidade sensorial do bebé. Alguns bebés são mais sensíveis à estimulação sensorial e podem evitar o contato visual com mais frequência. Outros bebés podem realmente precisar de estimulação intensa, a fim de se concentrarem e apreciarem gestos mais visíveis e caretas engraçadas.

E mais tarde? Como podemos ajudar a criança que parece não ouvir? Que corre, corre e nunca nos fixa nos olhos?

Utilizo habitualmente uma estratégia meio divertida com os miúdos mais velhos, fito-os nos olhos e digo “Look me in the eyes”, acompanhado do gesto de interacção entre os olhos e de um ar bem ameaçador. Ridículo? Talvez, mas resulta… É uma coisa meio de filme policial…

A versão para os mais pequenos passa pelo “Estou te a ver…”.

Estas estratégias que se associam a gestos e “dizeres meio descabidos” são ótimos para a criança reter na sua memória auditiva e visual e como qualquer criança tudo o que pareça “palhaçada” acaba por dar vontade de fazer.

Outra sugestão passa por, sempre que a criança solicita algo, aproveitarmos a oportunidade e aguardarmos que ela nos olhe nos olhos para acedermos ao seu pedido.

Reforçar positivamente sempre que a criança realiza uma troca de olhar.

Por vezes as situações não tão simples e será necessário consultar um especialista, mas habitualmente as situações de inatenção, irrequietude e “falta de ouvido” resolvem-se com um simples Olhar. Criança que não olha aprende com muito mais dificuldade.

Não esqueça o olhar é o primeiro marco de desenvolvimento e interação emocional do bebé, tratemos com cuidado com este momento especial.

Caso experimente estas estratégias ou tenha dúvidas relativamente a este assunto, não hesite e partilhe connosco!

Helena Gonçalves Rocha

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