BrunoCaires

BRUNO CAIRES A ERGUER O AMORA

Nada como abrir ler as notícias e ver notícias do nosso filho da terra com um artigo digno de campeão, como é o nosso Bruno Caires. Como de costume, partilhamos o que é mesmo bom e por isso aqui vai o artigo do DN para quem ainda não leu ou para reler, porque vale mesmo a pena.

“É coordenador do futebol juvenil do clube do concelho do Seixal, onde deu os primeiros passos na modalidade. Comparado a Paulo Sousa, passou pelo Benfica e pelo Sporting

Como diz o ditado, o bom filho à casa torna. É esta a história de Bruno Caires, antigo médio defensivo que deu os primeiros passos no Amora, precisamente o clube para o qual voltou quase duas décadas depois, há quatro anos, para assumir a coordenação da formação.

“É com grande gratidão e apreço que estou no Amora. Grande parte da minha família é daqui e é onde me sinto bem”, começou por dizer ao DN. “Juntamente com outras pessoas ligadas ao futebol e não só, criámos uma empresa chamada Friends & Company, em 2009, que gere o Leão Altivo e, de há quatro anos para cá, o futebol juvenil do Amora. O Leão Altivo tem tido resultados bastantes bons no futebol 7 do distrito de Setúbal e tem dado atletas a Sporting e Benfica. O Amora também tem tido resultados excelentes, uma vez que já colocámos os juvenis e os juniores nos campeonatos nacionais”, explicou o campeão europeu de sub-18 em 1994, que chegou a treinar equipas jovens nos dois clubes do concelho do Seixal.

“O meu dia-a-dia é dedicado a 120% à Academia do Amora. E não estando diariamente no Leão Altivo, tudo temos tentado para que possa evoluir. A exigência é cada vez maior, fruto dos resultados em crescendo”, contou, ainda que temendo uma estagnação. “Temos muitas equipas para treinar das 18.30 às 23.00 e os campos estão ocupados. Temos feito um grande esforço, mas precisamos de mais horas de treino. Com o projeto da renovação do Estádio da Medideira, esperamos poder contar com mais campos”, disse o ex-futebolista, que também é vice-presidente do Amora, emblema “em franco crescimento” e que “por manifesta infelicidade não está no Campeonato de Portugal”. “Queremos aproximar-nos do patamar do Vitória de Setúbal”, vaticinou, ambicioso.

Memórias de “títulos e troféus”

Questionado sobre as melhores memórias da carreira, Bruno Caires fala dos “títulos e troféus” ganhos, todos eles enquanto ainda era bastante jovem. “Toda a minha juventude na formação do Benfica foi fantástica. E pela seleção nacional fui campeão europeu sub-18 (1994), 3.º classificado no Mundial sub-20 (1995) e 4.º no Europeu sub-16 (1992). Essa geração lutou pelos primeiros lugares em todas as competições. E estar numa equipa como o Benfica e vencer a Taça de Portugal (1995-96) foi ótimo”, confessou o antigo centrocampista, que teve um grande desempenho e fez uma assistência na conquista do Jamor, frente ao Sporting, naquela que para muitos foi a melhor exibição da sua carreira. “Não. Foi uma de muitas. Tinha 20 aninhos e ficou na retina das pessoas, devido ao mediatismo do jogo. O favorito era o Sporting, mas fizemos um grande jogo”, recordou.

Por se destacar no Benfica e na posição mais recuada do meio-campo, o antigo jogador era muitas vezes comparado a Paulo Sousa. “Era normal, jogávamos na mesma posição. O Paulo Sousa era um dos melhores a nível mundial e ser comparado a ele era sinal de que estava a fazer um bom trabalho”, disse.

Após duas boas temporadas de águia ao peito, rumou ao Celta de Vigo, num negócio que rendeu 3,5 milhões de euros aos encarnados. Na Galiza, contudo, teve um revés, quando sofreu uma lesão gravíssima, uma rutura de ligamentos cruzados no joelho direito. “São sempre situações difíceis. Afetou a minha maneira de jogar, porque precisava de jogar muito para estar a um bom nível. Entretanto, o futebol evoluiu e hoje um jogador não precisa de estar sempre a jogar para estar num bom nível”, lamentou, admitindo que “não foi por isso” que não foi mais além na carreira.

Com o intuito de jogar para recuperar o nível de outrora, voltou a Portugal pela porta do Sporting, em 2000. “As oportunidades não surgiram e não me consegui mostrar”, lembrou o antigo médio, que esteve vinculado ao emblema de Alvalade durante quatro anos mas apenas por duas vezes jogou pela equipa principal dos leões, tendo alinhado em 42 partidas pelos bês verde e brancos, na antiga II Divisão B – pelo meio, representou ainda o Maia e o Sporting da Covilhã por empréstimo. Depois de uma temporada ao serviço do Louletano, em 2004-05, encerrou a carreira.

Apesar de não ter sido feliz de leão ao peito, diz que ficou “a gostar do Sporting, uma grande casa”, pela qual tem muito “carinho”. Ainda assim, é pelo Benfica que o coração bate mais forte. “Foram muitos anos lá, é normal. O meu pai [Eurico Caires] também jogou no Benfica [durante a formação e em 1971-72 enquanto sénior] e parte da minha família é benfiquista”, confessou.

Agora que já passaram 12 anos desde que pendurou as botas, Bruno Caires faz um balanço positivo da carreira. “Só tenho de louvar fazer aquilo de que gostava. Os meus pais sempre me apoiaram e nunca fizeram qualquer tipo de pressão. Não me arrependo de nada. O treinador pode decidir a meu favor ou de um colega, é normal. Só tenho a agradecer a quem confiou em mim”, disse, agora com menos preocupações.

“Quando jogávamos tínhamos outras preocupações, como a nível do descanso. Agora não há tanto rigor na comida e nas horas de sono. Foram muitos anos de estágios”, feliz por ser coordenador do futebol juvenil do Amora, uma função que se “encaixa” na sua “ideia de vida”.

Nada como ver ou rever a nossa conversa com este jogador.

Nós aqui temos o Bruno Caires.
Nós aqui temos isto.

Fotografia e realização de vídeo: Joel Reis
Texto: David Pereira in DN

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