Jovens Talentos Almada

CONCURSO JOVENS TALENTOS EM ALMADA. Até 15 de maio.

APOIAMOS 1

Jovem até aos 35 anos não é nada mau. Eu já não me posso candidatar por uma unh negra! E eu aqui com tanto talento para mostrar! Bom, não vale a pena chorar por leite derramado, se alguma vez quis me candidatar a coisas destas rapidamente a vergonha foi algo que me impediu de participar e arriscar. Bom, se calhar também a falta de algum talento nato para surpreender, mas se não tens nenhuma condicionante destas: menos 12 e mais de 35 anos e tens um talento que pecado é não dar a conhecê-lo ao mundo, pelo menos ao mundo da margem sul, de que é que estás à espera?

Estão aí as candidaturas para a 8ª edição do Concurso Jovens Talentos “Almada Cidade Educadora” e só estão até ao dia 15 de maio de 2017. Por isso, não tens muito tempo para revelá-lo. A Marisa Liz – Amor Electro é a embaixadora desta edição e talento é coisa que não lhe falta. Agora imagina que ela não se tinha candidatado a um concurso. Poderíamos não ter ouvido este vozeirão que tanta companhia já me fez. Mas não vale a pena referir o se não, tens tempo (mas não muito), por isso agarra a oportunidade.

Podes candidatar-te se tiveres entre 12 e 35 anos de idade (inclusive), e residir, ou estudar, ou trabalhar, ou ainda desenvolver alguma atividade relevante no concelho de Almada.

O Concurso Jovens Talentos 2017 é composto pelas seguintes categorias:
– Almada, Cidade Educadora (prémio de 1200 euros)
– Almada Terra do Conhecimento (prémio de 600 euros)
– Almada, Terra das Artes e da Criatividade (prémio de 600 euros)
– Almada, Terra do Empreendedorismo (prémio de 600 euros)
– Almada, Terra do Bem-estar e do Desporto (prémio de 600 euros)
– Almada, Terra Solidária e das Oportunidades (prémio de 600 euros).

Nesta edição, seis candidaturas, independentemente da categoria em que se inserem, serão distinguidas com o Prémio Almada, Jovem Promessa (com o prémio de 300 euros cada).

Estão disponíveis até 15 de maio as Condições de Participação (pdf) e o Formulário de Candidatura em www.m-almada.pt/jovenstalentos

Got talent em Almada. Anda daí.

Nós aqui temos Jovens Talentos.

Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

Mãe

A MÃE NÃO SE ESCOLHE.

agradecemos 1

Mãe é  família. A família não se escolhe. É quem é porque temos laços familiares. Da parte que me toca eu não poderia ter tido melhor sorte. Eu não escolhi a minha mãe e houve vezes que cheguei a querer que ela fosse diferente, ou que eu própria dizia que quando fosse grande não ia ser igual à minha mãe.

O tempo muda-nos. E as vontades, essas não são seguramente as mesmas. Tive a sorte de que o ser divino iluminado e que toma estas decisões escolhesse a minha mãe para ser isso mesmo, minha mãe. E não é que ela me saiu melhor que a encomenda? Tudo o que eu pudesse “mandar vir para minha mãe” veio com tudo e com muitas surpresas extra. Se algum dia não quis ser igual à minha mãe, hoje só queria chegar-lhe aos calcanhares.

Reconheço que não só tenho a melhor mãe do mundo, como as minhas filhas têm a melhor avó do mundo. A super avó. E, muitas vezes sou comparada por elas à minha mãe e adivinhem quem é que fica sempre atrás? Eu. Eu mesma:

-Mãe a avó faz assim! A canja da avó é que é boa. Podemos ir para casa da avó? A avó cozinha muito bem, etc, etc. Vou poupar-vos que a lista é grande!

A minha mãe supera-me em tudo e é o único ser que não me enerva, por me deixar sempre a perder, por saber que nunca vou ter a mesma categoria no exercício das minhas funções de mãe. E se souber que se as minhas filhas vão-me admirar nem que seja por um dia o que eu admiro a minha mãe, vou sentir a minha missão cumprida.

A minha mãe sabe tudo. Sempre foi boa em tudo o que fez. É boa em tudo que faz. Até no que não faz, pois sabe quando não se deve intrometer. A minha mãe sabe sempre o que fazer no papel de mãe. Estou perto de entrar num nova década (quem diria, certo?!) e tive um acidente com alguns danos físicos muito recentemente. Nada de preocupações, a coisa está encaminhada, mas eu com este tamanho, chamei por quem? Voilá! – pela minha mãe. Esse ser mágico que tanto me acarinha, me consola, que ri e que chora comigo. Que não julga, que não cobra e que está sempre lá para mim.

Eu não escolhi a minha mãe, mas ela escolheu-me. Escolhe dar-me tudo, e o tudo tornou-me quem sou. Mas dependente. Dependente da minha mãe. Tenho tanto orgulho naquela pessoa que chega a ser doentio e obsessivo. Não preciso do dia da mãe para lhe dizer estas coisas, mas já que escolheram eleger este dia, porque não aproveitá-lo para isso?

Feliz Dia da Mãe para todas as mães.

Nós aqui temos o Dia da Mãe
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

Ilustração: Desenho da Victória com 5 anos a ilustrar a sua mãe – eu!

AULA ABERTA

DIA DE AULA ABERTA NUMA ESCOLA DO CONCELHO

aplaudimos

Hoje foi dia de aula aberta e nós fomos lá.

O dia de hoje começou de uma forma muito diferente. A minha filha Maria, que anda numa das escolas aqui na nossa South Bay, teve uma aula aberta na disciplina de EV (educação visual) e nós, duas gerações, estivemos presentes.

O projeto, idealizado pela disciplina de HGP (História e Geografia de Portugal), consistia na construção de uma casa de Castro. E o que é isso perguntam vocês? Lá teremos que recuar uns valentes séculos…

Os Castros eram povoados fortificados situados em lugares estratégicos que facilitavam a defesa da população, localizados na sua maioria no topo de penhascos ou de montes que forneciam centros de comércio e aldeamentos seguros. A cultura castreja desenvolveu-se com a chegada dos celtas a partir do século IV a.C.

CASTROS

Muitos castros remontam ao período Neolítico e não eram usados como centros de comércio, mas sim para guardar e proteger animais. Durante a Idade do Bronze, os castros sofreram uma evolução e passaram a incluir casas e celeiros, bem como armazéns subterrâneos e caves, para depois se tornarem um elemento mais militar com entradas guardadas ao longo da Idade do Ferro.

Os castros eram estruturas fortes e resistentes, com uma forma circular, forrados a pedra e telhado de colmo e foi isso que nós fomos tentar fazer :)

O avô Fernando começou o projeto. Primeiro tivemos que fazer a estrutura circular com alguma resistência para comportar o peso das paredes de pedra. Usamos cartolina e uns paus  para lhe dar alguma sustentabilidade. Depois tínhamos que fazer o telhado com palha. UI, o verdadeiro desafio. Colar palha a palha estava fora de questão, então o nosso Einstein Fernando encheu o teto da casa de cola e encheu-o de palha. Rápido, muito rápido, e o teto está feito!!

DIA DE AULA ABERTA

DIA DE AULA ABERTA

Quanto à parede o método foi o mesmo, mas aqui a dificuldade era outra, já que quando fosse montada as pedras que não estavam coladas poderiam acabar por cair. E isso não podia acontecer. Lembrei-me que nos meus tempos de projetos de faculdade utilizada laca de cabelo para “colar” algumas coisas. Desta vez não utilizamos laca mas sim um tipo de verniz também em spray. Devia ter dado um jeitão no século IV . Empestámos a sala, mas era por uma boa causa.

A parede essa, ficou a colar, mas o projeto estava praticamente finalizado e o nosso desafio realizado. Agora cabe à Maria acabar em grande mais este desafio colocado pela escola.

A Maria ficou feliz, a Mãe (euzinha) também e claro o avô Fernando o verdadeiro “Macgyver” também, e muito!!

Obrigada Professora de HGP e Professor de EV, nós aqui gostámos muito.

Nós aqui temos aula aberta com muito orgulho e prazer.
Nós aqui temos isto.

Texto e Fotos: Catarina Laborinho

Feira Medieval Corroios

PROGRAMA DA III FEIRA MEDIEVAL CORROIOS. 4 a 7 maio.

aplaudimos

aqui anunciámos a Feira, mas faltava o Programa das Festas. Não queremos que te falte nada e por isso seguem os detalhes porque começa já amanhã e não queremos que falte pitada.

5ª Feira – 4 de maio 

14h30 – Abertura da feira
Das 14h30 às 16h00 – Visitas das escolas aos acampamentos de recriação histórica:
14h30 – Cetraria, uma arte nobre | Os gigantes da caça
15h30 – Treino de armas pelos nobres cavaleiros
15h00 – Cortejo musical
15h30 – Trupe de malabaristas
16h30 – Bufarinheiros
18h00 – Cortejo
19h00 – Os malabaristas mostram as suas artes – Palco Mestre d’Avis
20h00 – Hora da ceia pelas tabernas do mercado
21h30 – Apresentação dos cavaleiros e Cetraria de galanteio – Palco Carlos Paredes
22h00 – Os Seres da floresta
22h30 – As trapalhadas dos malabaristas
23h00 – Quadro de fogo – Palco Carlos Paredes
23h30 – Os Troveiros – Palco Mestre d’Avis
24h00 – Encerramento

6ª Feira – 5 de maio

14h30 – Abertura da feira
Das 14h30 às 16h – Visitas das escolas aos acampamentos de recriação histórica:
14h30 – A arte de bem cavalgar e treino de armas pelos Nobres cavaleiros
15h30 – Cetraria, uma arte nobre | Os gigantes da caça
16h00 – Bufarinheiros, medicina natural – Palco Mestre d’Avis
18h00 – Os trovadores e a bailarina
19h00 – Bailado dos Senhores da Corte – Palco Mestre d’Avis
20h00 – Hora da ceia pelas tabernas do mercado
21h00 – Trupe de malabaristas – Palco Mestre d’Avis
21h30 – Grande torneio pela vitória na Batalha dos Atoleiros – Palco Carlos Paredes
22h30 – Bailado dos Senhores da Corte – Palco Mestre d’Avis
23h00 – Os Seres da floresta
As tropelias dos malabaristas – Palco Mestre d’Avis
Trabucos e a sua música – Palco Carlos Paredes
23h30 – Quadro de fogo – Palco Carlos Paredes
24h00 – Encerramento

Sábado – 6 de maio

15h00 – Abertura da feira
Início das tarefas nos acampamentos
As Nobrérrícas deambulam
16h00 – Os trovadores e a bailarina
16h30 – Anyma, os leprosos
17h00 – Cortejo
Demonstração de armas – Palco Mestre d’Avis
18h00 – O contador de moedas
19h00 – Os malabaristas mostram as suas artes – Palco Mestre d’Avis
20h00 – Hora da ceia pelas tabernas do mercado
21h00 – Cetraria de galanteio – Palco Carlos Paredes
21h30 – Torneio pela vitória na Batalha de D. Nuno Álvares Pereira – Palco Carlos Paredes
22h30 – Bailado dos Senhores da Corte – Palco Mestre d’Avis
23h00 – Albaluna e a sua música – Palco Carlos Paredes
24h00 – Encerramento

Domingo – 7 de maio

12h00 – Abertura da feira
14h00 – Início das tarefas nos acampamentos
Trupe de malabaristas
15h00 – Isolda e a Gárgula
– Os trovadores e a bailarina
15h30 – O bobo e a boneca de trapos
16h00 – Cortejo
17h00 – Bailado dos Senhores da Corte – Palco Carlos Paredes
17h30 – Cetraria de galanteio – Palco Carlos Paredes
18h00 – Torneio em comemoração da retirada de D. João de Castela – Palco Carlos Paredes
19h00 – Os trovadores e a bailarina
20h00 – Hora da ceia pelas tabernas do mercado
21h00 – Bailado dos Senhores da Corte – Palco Mestre d’Avis
21h30 – Os seres da floresta
As tropelias dos malabaristas – Palco Mestre d’Avis
22h00 – Quadro de fogo – Palco Carlos Paredes
22h30 – Os trovadores e a sua música
24h00 – Encerramento

Não te esqueças, decorre o ano da graça de 1384. Veste-te a preceito.

FeiraMedievalCorroios

Nós aqui temos Feira Medieval.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

Festas de Corroios

FESTAS DE CORROIOS JÁ TÊM CARTAZ. 18 e 27 agosto.

aplaudimos

É só em Agosto? É. Mas, aqui não se perde tempo para anunciar quem vem animar os palcos nas Festas de Corroios 2017. São 3 palcos e muitos artistas que vão atuar de 18 a 27 de agosto e há músicos para todos os gostos e feitios. Ora vejam:

Palco Carlos Paredes

Dia 18 – Capitão Fausto + Rua Direita [Vencedores do XXII FMM Corroios’2017]
Dia 19 – XXXIII Festival de Folclore de Corroios
Dia 20 – Carlos Leitão [Noite de Fados]
Dia 21 – Remember Revival Band
Dia 22 – Quim Barreiros
Dia 23 – Moonspell
Dia 24 – Diogo Piçarra
Dia 25 – The Gift
Dia 26 – Nelson Freitas
Dia 27 – GNR

Palco Liberdade

Dia 18 – Grupo de Sevilhanas Rocieras de Alcochete
Dia 19 – Grupo Coral Gerações – Algueirão
Dia 20 – SAHARA – Dance Studio
Dia 21 – Associação Grupo Coral e Instrumental “Ventos & Marés”; Grupo Coral e Instrumental; “Moinho de Maré”
Dia 22 – Johnny’s Band
Dia 23 – Grupo Coral Instrumental “Os Sempre Jovens”; Grupo Coral e Instrumental “Cantar é Viver”; Grupo Cavaquinhos “Os Rouxinóis”
Dia 24 – Professora Virgínia Gonçalves e suas Classes de Dança
Dia 25 – Grupo Nafisah – Danças Orientais; Grupo Sway – Danças de Salão; Grupo Hip Hop
Dia 26 – Noite Cultural do CCRAM
Dia 27 – Sevilhanas; Cavaquinhos e Concertinas; Grupo Coral “Os Rouxinóis”

Palco Arraial

Dia 18 – Duo Musical Ritmos
Dia 19 – Duo Musical H. C. Som
Dia 20 – Duo Musical Maravilha
Dia 21 – Trio Musical Clave
Dia 22 – Trio Musical Novo Ritmo
Dia 23 – Trio Musical Ipanema
Dia 24 – César Silva
Dia 25 – Trio Musical Ludgero
Dia 26 – Cátia Sofia
Dia 27 – Duo Musical Victor Ginja e Beto

E para já é isto, mas há medida que houver mais novidades, avisamos. Marquem já na agenda que as Festas de Corroios são dignas de parar tudo.

CartazFestasCorroios

Nós aqui temos Festas de Corroios.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

BenficaMargemSul

FAIR-PLAY NA MARGEM SUL.

aplaudimos

Numa altura em que o nosso futebol atravessa dias negros fora de campo, fortemente impulsionadas por quem tem responsabilidade de fazer precisamente o contrário como os dirigentes, a comunicação social, etc, tudo o que divulgue mensagens de fair-play merece a nossa salva de palmas.

Este anúncio não é só uma lufada de ar fresco e um golpe de marketing (dos bem feitos, por sinal), é uma mensagem de esperança e de partilha. Não interessa a tua cor. Clubística ou de pele. E como o palco desta mensagem é aqui, na margem sul, não podia deixar de o partilhar.

Já aqui assumi várias vezes que sou Benfiquista (e não um candeeiro!), mas para os mais distraídos assumo a minha preferência. Mas o engraçado é que este anúncio chegou-me por um adepto de outro clube. Algum efeito positivo já começou a acontecer.

Um bem-haja a quem teve a ideia.

Nós aqui temos fair-play.
Nós aqui temos isto.

Vídeo: SLB
Texto: Marlene Gaspar

RitaMarrafaCarvalhoLSBb

RITA MARRAFA DE CARVALHO E A SUA LIGAÇÃO À MARGEM SUL

gostamos 1

Foi um prazer ler este artigo no Jornal Económico e por isso partilho mesmo aqui no Lisbon South Bay blog.

“O Seixal foi a escolha da jornalista Rita Marrafa de Carvalho para um passeio. Viveu neste concelho mais de 20 anos e foi também aqui que deu os primeiros passos na carreira que abraçou.

Rita Marrafa de Carvalho: A “privilegiada um bocadinho beta” levou-nos à multicultural Margem Sul

A rádio era aqui, não era professor?”. A pergunta é retórica. Rita sabe a resposta. “E conti responde-lhe Manuel Pires, que acompanha a visita. Hoje já não está na Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no Seixal, onde nos encontramos, mas naquela época, quando Marrafa de Carvalho estudou por aqui era ele o presidente do conselho diretivo. “Foi ele que tratou desta visita”, recordara-nos, minutos antes, ainda no carro, a jornalista da RTP. “Telefonei-lhe, disse-lhe que queríamos fazer esta reportagem aqui e perguntei-lhe a quem tinha de ligar para pedir autorizações. E ele respondeu-me: ‘Já não estou na escola, mas eu trato de tudo. Dá-me meia e eu já te ligo’”, conta com um sorriso, quase infantil. E tratou. Tratou e faz questão de acompanhar a visita guiada.

Estamos na biblioteca. As persianas estão fechadas e quase não entra luz no amplo espaço corrido a armários cheios de livros. As mesas, imaculadamente limpas e arrumadas, estão vazias. “Estamos em férias escolares, é natural que a escola esteja vazia”, justifica-se o professor, como que adivinhando os nossos pensamentos. Rita segue na frente. Segura de cada passo, reconhece cada recanto. Vira à direita para uma ponta da biblioteca. “Mas a rádio agora é mais pequena. Isto vinha até aqui”, recorda. Isto é a uma parede de contraplacado, que reduziu para metade o espaço ocupado pela rádio da escola. “Verdade”, anui o professor. “Mas o resto está igual”, diz Rita Marrafa de Carvalho com uma gargalhada. Os gravadores, a mesa de mistura antiga, gasta, já sem os botões originais. Rita pega um microfone. “Tão levezinho, parece de brincar”, diz com uma gargalhada. Coloca-se na base, puxa a cadeira castanha e senta-se. A mão direita está em cima dos botões da mesa de mistura e a jornalista ensaia uma emissão de rádio para a objetiva do Nuno Canhoto. Foi ali que tudo começou.

Mas… voltemos ao início. O convite do Jornal Económico havia sido aceite na hora. A marcação ficou primeiro para uma terça. Haveria, dois dias mais tarde, de ser mudada para quinta. Rita, 39 anos, escolheu como pano de fundo para o Sair Com um regresso às origens. “Margem Sul. Vamos à Margem Sul. Foi lá que cresci. Vamos à baía do Seixal e à escola onde estudei”, informa.

Hora combinada, ponto de encontro marcado junto à Igreja da Memória, na Ajuda, em Lisboa. Uma questão de conveniência. Escriba, fotógrafo e Rita moram no mesmo raio de um quilómetro.
Marrafa não vem sozinha. Com ela, Mariana, a filha mais velha, 11 anos. Vamos todos juntos no carro. Rita entra para o banco do pendura. Depois das saudações da praxe, informa: “Há duas coisas que tenho de fazer, uma é acabar de comer e outra é maquilhar-me”, diz, enquanto mastiga ligeiramente um pão que vai a meio. “A situação não é nova para mim”, avisa, enquanto puxa a pala que tem à frente, para ajustar o espelho que lhe permitirá retocar-se. “Sempre que saio em reportagem de última hora, na RTP, e não tenho tempo de me maquilhar, é no carro que o faço. Os meus colegas já sabem que não há curva mais arriscada que me perturbe. Sai sempre bem”.

Do banco de trás, ouvem-se os primeiros cliques, sinal de que o repórter fotográfico já começou a trabalhar. O gravador está ligado em cima do tabliê e vamos conversando no modo informal e descontraído, normal entre duas pessoas que são amigas há mais de uma década.
“O Seixal era a escolha óbvia para esta reportagem. Vivi lá 20 e tal anos. Foi lá que fiz o meu liceu, que foi dos tempos mais felizes da minha vida. Foi lá que comecei na rádio e televisão escolar, com o Rui Unas. Depois foi lá que comecei a fazer rádio local, na rádio Seixal. E ainda porque foi lá que comecei a trabalhar na Sigma 3, para o Alta Voltagem e para o Curto Circuito. E, já agora, foi lá que comecei a tocar, num bar do Seixal que já não existe e que era giríssimo, todo em vidro, no meio da baía”, enumera. Bem vistas as coisas, não havia escolha melhor.

Sigamos então, num dia de primavera a cheirar a verão, para o Seixal, esse albergue de talento, de onde partiram várias figuras dos media e do espectáculo. “A Escola Secundária do Fogueteiro, para onde vamos, e que agora se chama Secundária Manuel Cargaleiro, inaugurada em 1985, juntou, em gerações diferentes porque temos idades diferentes, o Rui Unas, os irmãos Rosado, o Nélson e o Sérgio dos Anjos, o Pedro Teixeira, o Jorge Picoto, Os Alcoolémia, a Cláudia Mergulhão, uma manequim fantástica, que foi uma das musas do estilista José Carlos”, vai enumerando Rita, enquanto, já do lado de lá do Tejo, nos vai guiando por dentro do Fogueteiro. “Agora naquela rotunda viras à direita”. O carro vai seguindo em marcha urbana. “Ali à esquerda, há uma fábrica que vende as melhores bolas de Berlim de sempre. Do mundo inteiro. Sempre que aqui venho, e quando posso, como uma. Não é nada de cremes de pasteleiro, sabe mesmo a ovo”, elogia. “À volta, passamos por lá”. Fica a promessa.

De repente, Rita Marrafa de Carvalho ainda se lembra de mais um VIP, anónimo nos tempos da escola: “Ah, quem andava na escola também era o Diogo Morgado, com quem eu partilhava o autocarro. Mas eu saía nas Paivas e ele seguia para Cruz de Pau”. O condutor-jornalista não resiste à piada. “O quê? O Jesus Cristo ficava na Cruz de Pau?”. Marrafa dá uma gargalhada sonora, como se nunca lhe tivesse ocorrido a graçola. “Não é maravilhoso?”, pergunta.

A escola dos afetos
Chegámos. Mas não chegámos sozinhos. No exato momento em que estacionamos o carro no parque, um outro se junta à direita. Rita acena, enquanto fecha a janela. “É o professor Pires”. A porta do carro abre-se, mas a jornalista ainda solta um grito. “Espera, tenho de colocar um pouco de bâton”. Seja. Finalmente pronta, sai e cumprimenta o professor com dois beijinhos.

“Temos ainda uma grande ligação com os professores da altura”, justifica Marrafa. “Esta era uma escola dos afetos, uma escola cultural que tinha clubes dinamizados pelos professores. Clube da Literatura, Clube da Música, Clube do Ar Livre, Clube do Teatro. E nós tínhamos sempre muitas atividades”, recorda.
Manuel Pires vai abrindo caminho na visita guiada. Estuga o passo e complementa: “E ainda somos assim. Esta é uma escola muito ativa”. As paredes, cheias de trabalhos dos alunos, alguns bem artísticos, inspirados no génio que dá nome à escola, não permitem desmentir o professor.

“Há um estigma muito tonto em relação à Margem Sul”, diz Rita Marrafa de Carvalho. “Esta escola era absolutamente multicultural. Tínhamos os ‘betos’ todos da Verdizela e Belverde, como tínhamos a malta mais heavy e rock, como eram os Alcoolémia, como tínhamos os miúdos que viviam perto do bairro da Jamaica. Era, e presumo que ainda seja, multicultural, estávamos completamente enraizados. Uma escola transversal em termos sócio-económicos”.

E Rita, onde se integrava ela? A pergunta solta a gargalhada sonora que se lhe reconhece. “Como era uma escola muito vocacionada para as artes, vinha muita gente dos arredores ali para o Fogueteiro. O ambiente era muito bom. Onde é que eu me integrava?”, pergunta, para responder, de seguida: “Como era uma tipa profundamente irritante, porque era muito expansiva e proactiva, e a minha turma era de gente muito atinadinha, eu dava-me mais com os ‘betos’. Eu era um bocado ‘beta’, ainda hoje me dizem que sou um bocadinho (risos). Depois tive um bocado aquela onda beta-hippy e usava uns brincos com pena de pavão, uma cruz da paz e cantava Doors”. Depois, diz, normalizou.

Rita vai parando durante a visita. Já ali voltara desde que abandonara a escola, portanto, nada lhe cheirava a surpresa. “Não volto recorrentemente, mas de vez em quando, sim, até porque já fizemos, entretanto, aqui umas festas”, esclarece. Mas hoje, perto de fazer 40 anos (“não sei se rie, se chore…”), e mãe de dois filhos (a já citada Mariana, 11 anos, que vai segurando na mala da mãe, a cada foto que é tirada, e Miguel, de cinco), Rita olha para as paredes azuis e brancas da escola com uma certa saudade. “Fui muito feliz aqui. Nós éramos uns privilegiados. Toda a gente acha que a Margem Sul é um subúrbio manhoso, mas não é verdade. Eu nunca fui assaltada, nunca me envolvi em qualquer arruaça, andei sempre em transportes públicos até muito tarde. Apanhava o último barco e saía em Cacilhas. E nunca me aconteceu nada. Essa história da Margem Sul é um mito urbano”.

Faz uma pausa. “Pronto, está bem, se fores falar para zonas como a Quinta da Princesa, para o Feijó, equaciono essa possibilidade de ser um sítio um bocadinho diferente, mas esta zona onde cresci, não”, relata a jornalista, filha de uma professora e de um engenheiro “que teve sempre cargos de direção”. “Uma classe média que vivia bem”, resume, acrescentando que viveu numa casa “onde sempre houve livros, onde houve sempre música e instrumentos”. “Em termos culturais nunca me faltou nada. Os meus pais tocavam vários instrumentos, viajávamos, líamos muitos. O meu pai pintava e ainda hoje pinta, talvez não tanto quanto gostaria. A minha mãe é uma leitora compulsiva. O meu avô era maestro e compositor. O meu tio tocava e ainda toca na banda da Carris. Portanto, tinha ali um ninho muito confortável”, recorda.

“Não era uma aluna marrona”
Do 7º ao 12º ano, antes de entrar na Universidade Nova para tirar Ciências da Comunicação, aquela escola foi dela. “Era boa aluna. Não era daquele tipo marrona, mas estudava. A minha mãe sempre me ensinou que a melhor forma de estudar era escrevendo. E, portanto, eu estudava, escrevia a matéria, lia-a para um gravador de cassetes e, às vezes, adormecia a ouvir a minha voz a debitar matéria. Mas aquilo funcionava”, diz com uma voz segura.

A Educação Física era uma exceção. “Não era particularmente boa”, diz, eufemisticamente, numa confissão quase cúmplice. “Tirava um 3 e ficava feliz; também não me esforçava assim muito. Os 3 a Educação Física talvez tenham sido os únicos que tirei. Era uma aluna de muitos 5, mas os meus pais eram muito irritantes (gargalhada). Eu chegava a casa, cheia de orgulho, com um 5 para lhes mostrar e eles respondiam-me: ‘muito bem, não fizeste mais do que a tua obrigação’”.
Mariana segue na peugada da mãe. Ouve atentamente as suas histórias, se bem que “muitas delas já conheça de cor e salteado”. Também ela é boa aluna. Quando entra na sala 83, num dos seis pavilhões que compõem a secundária Manuel Cargaleiro, a filha mais velha de Rita corre para o quadro branco. “Isto agora é tudo moderno. Onde é que está a ardósia? E o giz?”, pergunta Rita, na brincadeira.

As mesas estão dispostas normalmente, como em todas as salas de aula. Pedimos a Rita que se sente no “seu” lugar. “Não consigo”, responde. Naquele tempo, “a disposição da sala era outra. Era em U, todos se viam, e os professores percorriam a sala toda”. Ainda assim, puxa uma cadeira, despe o casaco e senta-se, como aluna aplicada. Deixa-se fotografar.
A visita segue completa. “Aqui é a sala dos professores”, anuncia Manuel Pires. Rita complementa: “Olha só para a categoria do bar! Aqui nunca podíamos entrar, era sagrado”. Mais dois passos. “Olha, ali era a secretaria. Isto está igualzinho, que giro. Eu, esta parte não tinha voltado a ver”.

O passado é uma coisa bem arrumada na vida de Rita Marrafa de Carvalho. Literalmente. “Tenho todo o meu percurso escolar guardado. Cadernos de apontamentos, livros, dossiers, tudo por anos”, diz, com o ar mais normal do mundo. Perante o espanto do repórter, Rita volta à carga. “Acho que é normal, não é? Então, ia deitar fora? Está tudo arrumado em casa da minha mãe”. Mariana ri-se: “Ainda me vão fazer falta. Vais ter de me empresar os apontamentos”, diz. A mãe responde-lhe: “Claro, meu amor, devem estar muito atualizados”.

Os anos passaram. Rita volta a falar dos 40 a que vai chegar em breve. “Vou fazer uma festona. Ainda por cima porque são 20 de RTP”, conta a jornalista, que entrou na então 5 de Outubro como… locutora de continuidade. “Eu tinha 19 anos, ia fazer 20 em breve. Não comecei na informação, porque estava na faculdade. Como já trabalhava na produtora do Unas, fui fazer continuidade. Só podia aos sábados e domingos, porque tinha aulas. Aquilo era feito em direto, naquele tempo. Eu tinha de estar pronta para entrar no ar às oito da manhã, dentro da cabina de som da régie, para dar toda a programação do canal 1”, conta. Faz uma pausa de dois segundos, coloca a voz e exemplifica: “Muito bom dia, damos então início à emissão de hoje da RTP1, dia 13 de abril de 2017. Começamos, como é habitual, com o espaço infanto-juvenil, com o episódio do Batman. Depois à uma da tarde, não perca toda a atualidade com o Jornal da Tarde”. Mariana ri-se. “Nunca te enganavas?”, pergunta. “Sim, disse muitos disparates, em direto, claro, mas faz parte. Eram oito da manhã”. Ainda conciliou a faculdade, a locução na RTP e a apresentação do Curto Circuito no extinto CNL. “Era uma loucura. Até porque houve uma altura, curta, que ainda estava com isso tudo e na rádio Seixal, mas tive de optar”.

A informação viria mais tarde. Primeiro, quando acabou o curso, num estágio curricular na RTP: “Estagiei os três meses no Regiões, que é hoje o Portugal em Direto”. Foi uma escola, não tem dúvidas. “Fiz de tudo, vi de tudo. Aprendi imenso com aquela equipa, aprendi muito da importância dos meios de comunicação regionais, como são verdadeiras pérolas e fontes de informação para pequenas e grandes histórias”, diz. O estágio chegou ao fim e Rita não ficou. Voltou para o CNL durante um ano, a fazer o Curto Circuito, mas “já estava farta do entretenimento”. O telefone tocou por essa altura. “Eram o José Rodrigues dos Santos e o Carlos Fino, que estavam na direção, a dizer que tinham visto reportagens dos últimos estagiários, que tinham gostado muito das minhas e se eu estava disponível”.

Caiu como sopa no mel. Fez um estágio profissional. “E fui ficando, fui ficando, fui ficando. E lá estou, muito feliz, sempre com desafios novos”. Na televisão pública já fez de tudo: grandes operações no terreno, coordenação, apresentação, enviada-especial. “Eu não sou muito de escolher o momento alto da minha carreira. Não creio que haja isso. As carreiras fazem-se todos os dias, com trabalho, com esforço, com dedicação, mas é evidente que a reportagem que fiz no sudoeste asiático, depois do tsunami de 2004 na Indonésia, que matou 200 mil pessoas, foi muito impactante a vários níveis. Foi um trabalho que me marcou muito, é evidente”.

Estamos na baía do Seixal. Ali, Rita começou a tocar, ali Rita passeava com os colegas e amigos. E é ali que Rita posa de novo para a fotografia. Com Lisboa à vista, Rita olha o horizonte. E garante que “o melhor está sempre para vir”.
De regresso a casa, a jornalista da RTP fala da música e de como as cantigas a preenchem. “Quero continuar a fazer o que gosto: a contar boas histórias, a cantar, a escrever livros, a dar aulas. Sou uma privilegiada por fazer o que gosto. E ao longo da minha vou tentar não me esquecer disto, não me esquecer de continuar a fazer o que me dá prazer”.
Pena é que, já em Lisboa, nos tenhamos lembrado de um esquecimento fatal: as Bolas de Berlim, as tais “melhores do mundo”, ficarão para outro dia…”

in Jornal Económico

 

 

TheGuardianLSBb

THE GUARDIAN RECOMENDA PORTUGAL NO GERAL E A MARGEM SUL EM PARTICULAR.

aplaudimos

A TSF publicou um artigo do The Guardian que recomenda como “lado selvagem de Portugal” e não são locais turísticos. E não é que alguns deles são da margem sul? Bom, isto há-de ser como a Ana Moura ou a Sofia Escobar – primeiro são reconhecidos internacionalmente e só depois é que se dá valor. Que seja, nós aqui, não nos importamos. Assim, passemos a citar o artigo, no que se refere à margem sul.

“O artigo carrega nos elogios. “Longe dos empreendimentos turísticos na costa, Portugal é um lugar mágico onde o tempo não existe”, lê-se.

O jornal quer ver os turistas britânicos a entrar pelo país dentro. E tem sugestões: “para o norte e para o interior há montanhas selvagens e lagos cintilantes; Para o sul e oeste existem olivais empoeirados, praias secretas e cavernas escondidas; E em toda parte vai encontrar aldeias rústicas, grandes penedos, bosques mágicos e castelos nas colinas”.

O The Guardian avança com três propostas a partir dos três principais aeroportos no continente. A proposta é tentadora “descubra um país onde os pastores fazem pão, os aldeões fazem vinho, mel e azeite e a hospitalidade não acaba”. (…)

A segunda sugestão atira-se à “Costa Azul de Setúbal”. Começa-se no Portinho da Arrábida, visita-se a ilha de Pedra da Anixa e a caverna Lapa de Santa Margarida, passa-se também pela Quinta do Anjo e ainda se come qualquer coisa em Azeitão. A ida ao Cabo Espichel e à Praia da Baleeira também são recomendados. E depois é Setúbal. Choco frito, lambuza-se o jornal.

O artigo foi escrito por Edwina Pitcher, autora do livro Wild Guide Portugal, de onde estes roteiros foram retirados.

Nós aqui estamos no The Guardian.
Nós aqui temos isto.

Texto: TSF
Nota introdutória: Marlene Gaspar
Foto: Wild Guide Portugal / Direitos Reservados

FestivalLiberdadeLSBb

FESTIVAL LIBERDADE É GRATUITO E É NA MARGEM SUL. 16 e 17 junho.

aplaudimos

Ainda ontem aqui falamos dela e nunca é demais dedicar-lhe atenção. No outro dia ouvi de quem defendia afincadamente que nunca se é rico ou magro demais. Se quanto a estas tenho dúvidas, quanto à liberdade, não – nunca se é livre demais (a menos que estejam a falar das minhas filhas. Essas só terão liberdade aos 40 anos, 38 vá. Até lá vão andar aqui debaixo da saia da senhora sua mãe. Tenho dito!). Exageros à parte, em mês da liberdade é bom que saber que não se festeja só nesta data.

O Festival Liberdade é na margem sul. Mais propriamente em Setúbal. Ainda falta um bocadinho, mas nada como colocar na agenda. 16 e 17 de junho no Parque Urbano de Albarquel.

Xutos & Pontapés e Amor Electro são os cabeças de cartaz. Bezegol e Diogo Piçarra abrem a primeira noite do festival, na sexta-feira, que será encerrada pelos Amor Electro de Marisa Liz. No sábado, é a vez de Capicua e Supernova animarem o público numa noite que será fechada pelos Xutos & Pontapés.

E o bom disto tudo é que a entrada é gratuita. Vá contam-se pelos dedos de uma mão os que assim são, certo?

Nós aqui temos Festival Liberdade.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

Fonte: CM Jornal

25deabrilAlmadaLSBb

LIBERDADE PARA OUVIR CAMANÉ E THE GIFT

aplaudimos
aqui falámos de Liberdade e nunca é demais celebrá-la. Mantê-la. Querê-la e não contê-la. Liberdade é um valor maior. Ser livre é tão libertador que nos exige alguma responsabilidade pelas nossas escolhas, mas por mais que às vezes as opções não sejam fáceis, nada como saber que fomos nós que decidimos. Por isso podemos escolher como celebrar o 25 de abril. A não fazer nada, a tratar de cenas, a contar carneiros, ou então a assistir a bons concertos e que valem a pena. Mas a escolha é vossa, é tua. Nós aqui tomamos a liberdade de te apresentar o programa de Almada, que como sabemos, não deixa e bem, passar a data em branco.
A Praça da Liberdade (localização óbvia e apropriada) na noite de 24 de abril liberta o fado do extraordinário Camané, fogo-de-artifício e o concerto dos fabulosos The Gift. The Gift, ou “o presente”, porque há por aqui quem nos segue que fique muito ofendido com designações em inglês! Não queremos nada disso. Não queremos ninguém ofendido por escolhas nossas. Não gostam? Eu respeito. Mas respeitem a liberdade que tivemos na escolha. Nós aqui, gostamos de “Lisbon South Bay blog”, nós aqui escolhemos isto.
Faz-me lembrar episódios antes das minha filha mais velha nascer, onde também ouvi algumas opiniões menos entusiásticas relativas à nossa escolha do nome para a pequena. Respetei. Mudámos a nossa decisão por causa disso? Não. Mas, por “causa das tosses”, a segunda filha teve 3 dias no hospital sem nome. Agora estou a brincar, teve mesmo 3 dias no hospital a ser chamada de princesa, mas não “por causa das tosses”, mas pela dificuldade dos pais em chegar a um consenso.
Parentesis à parte, quando leio alguns comentários, alguns ofensivos (até à minha pessoa!) só porque se usa uma designação em inglês na designação do blog, e que fundamentei aqui o motivo, parece que se trouxe o mal ao mundo, neste caso à margem sul! Acho que o trabalho feito até agora, mostra precisamente o contrário. Goste-se ou não do nome. Mas, têm toda a liberdade de gostar ou não, de opinar ou não. Se a escolha for ofender, aí já estou fora. Mas vamos ao programa das festas do 25 de abril, que foi essa a razão que aqui me trouxe hoje.

Programa das Festas  

Um concurso que pretende valorizar a música de intervenção e o seu papel histórico na luta pela Liberdade, mas também homenagear todos os que se bateram pela Democracia em Portugal.
Local Fórum Municipal Romeu Correia – Auditório Fernando Lopes-Graça, Almada
Músicas de Abril na voz de Nuno Ramos, acompanhado por Luís Borralho e Diogo Santana. Um evento intimista e acolhedor para recordar os grandes temas que marcaram a história.
Local Auditório Costa da Caparica
Preço 5 €
Não é fácil falar de José Afonso quando uma das suas armas era a palavra. Todas são pequenas para tamanha obra. Faz 30 primaveras que só ficou a obra, a força da palavra, a melodia pura e bela e a saudade. Obrigado Zeca!
Local Fórum Municipal Romeu Correia – Auditório Fernando Lopes-Graça, Almada
 
Dois nomes fortes da música portuguesa vão estar em Almada para celebrar a Liberdade.  Camané apresenta-nos o seu novo trabalho – Infinito Presente, acompanhado por José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola e Paulo Paz no contrabaixo.
Depois do espetáculo de fogo-de-artifício, à meia-noite, sobem ao palco os The Gift, para dar a conhecer Altar, produzido pelo icónico Brian Eno e misturado por Flood, e que convida o público a dançar e a vibrar.

Local Praça da Liberdade, Almada

Desfile do 25 de Abril – 25 de abril 2017 – 9h

No âmbito das comemorações do 25 de abril realizam-se a cerimónia e o desfile popular promovidos pelas Freguesias e Movimento Associativo junto à estátua aos Perseguidos na Praça do MFA, com intervenções e deposição de coroas de flores junto à estátua aos Perseguidos. Segue-se um programa de animação para todos, a partir das 11h, na Praça S. João Baptista, em Almada.
Local Praça do MFA e Praça S. João Baptista, Almada

Vozes da Liberdade – 21 de abril a 7 de maio 2017
A sonoridade da liberdade constrói-se como base de um discurso expositivo através de multimédia, expressão plástica/pintura, testemunhos, instalações, performances, música, fotografia, cartazes (…) através do olhar dos alunos e em homenagem ao 25 de Abril de 1974
Local: Oficina de Cultura, Almada

Atividades nas Bibliotecas Municipais – Durante todo o mês de abril de 2017
Local: Biblioteca Municipal Central, Almada
Biblioteca Municipal José Saramago, Feijó
Biblioteca Municipal Maria Lamas, Caparica
Nós aqui temos Liberdade.
Nós aqui temos isto.
Texto: Marlene Gaspar
Fonte: CMA