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ATL’S DE VERÃO – COMO ESCOLHER? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Todos os anos o cenário se repete…os miúdos começam as férias “demasiado cedo” e os adultos invariavelmente “demasiado tarde”.

Longe vão os tempos em que no primeiro dia de férias os miúdos eram “empacotados para a Terra” e só regressavam 3 meses depois, um dia antes das aulas recomeçarem. Eu fui uma destas felizardas, até aos 18 anos as minhas férias grandes eram passadas assim, com um enorme grupo de primos e amigos, com os quais construíamos as melhores memórias e aventuras inconfessáveis.

Sempre senti uma pontinha de inveja pelos meus amigos que passavam férias tipo “verão Azul”, todo o santo dia na praia rodeados de amigos. No entanto confesso que ninguém consegue ultrapassar as aventuras nas minas, nas grutas, nas escaladas de montanhas, nos mergulhos gelados no rio proibido, no “roubar da fruta”, nos bailes dançantes, nas boleias partilhadas…Daí ficaram as amizades de uma vida, laços inquebráveis que fazem com que anos depois pareça que foi ontem que tudo aconteceu.

Os riscos controlados, os desafios ultrapassados, longe da vista dos adultos mas com um grupo inseparável, fizeram de todos nós adultos mais seguros e confiantes.

Hoje porém, tudo parece perigoso, os miúdos não correm riscos e pouco ou nada são colocados perante desafios. As semanas de férias disponíveis oferecem atividades seguras e por vezes muito pouco desafiantes…

É urgente que as nossas crianças possam ter mais oportunidades de se mexerem, de explorarem os seus limites, os limites do seu corpo, tenham liberdade de experimentar, de aprender competências desportivas, mas também funcionais, aquelas coisas que poderão ser úteis qualquer dia destes…

Caminhadas desafiantes pela Serra da Arrábida para alcançar o topo mais alto sentindo-se o maior explorador do mundo, noções de socorrismo para que quando aquele “azar” acontece saibamos o que devemos fazer, cozinhar umas maravilhosas bolachas,  pedalar em BTT por entre as serras, aprender a fazer a manutenção da bicicleta, conhecer as diferentes espécies de animais e plantas existentes na Lagoa de Albufeira, experimentar o windsurf e o padell, conviver com os jovens e adultos que frequentam os diferentes espaços da Cercizimbra e concluir que, diferentes somos todos Nós e que cada um é único e especial!

ATL

Estas espetaculares experiências foram me relatadas pela minha filha de 12 anos que este ano frequentou as semanas de férias FUI, dinamizadas pelo Centro de Animação para a Infância da Cercizimbra. Desafio, aventura, risco controlado, possibilidade de convívio entre diferentes idades, desenvolvimento da capacidade de entre-ajuda.  Claro que toda esta “ maluquice” é muito controlada e dinamizada por todos os competentes profissionais que estão envolvidos nestas semanas de férias.  Para todos eles o meu muito Obrigado e espero que a noite do acampamento com jantar partilhado, tendas de “partidas”, jogos e dinâmicas com os escuteiros esteja a correr igualmente bem. Amanhã terei com certeza muitas peripécias para escutar, ou só algumas, porque muitas irão ficar no segredo do grupo…

Estas experiências diversificadas são fundamentais no desenvolvimento das nossas crianças, como tal, antes de os inscrever tente perceber qual o programa de atividades, quem são os profissionais que vão acompanhar os seus filhos e se existe feed back de outros pais e crianças.

Uma boa escolha fará toda a diferença nas memórias de Verão do seu filho e de certo nas suas também!

Helena Gonçalves Rocha

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JÁ CHEGOU O MUNDIAL E A CADERNETA DE CROMOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

É verdade cá temos novamente uma maratona de Futebol, senão é o Euro é o Mundial, não há como negar a cultura futebolística, mesmo para os que não apreciam, dia em que joga Portugal, o país pára e sustém a respiração…

Invariavelmente com cada Campeonato de Futebol vem também a sua própria caderneta de cromos, com folhas reservadas às equipas de cada país. E confesso que por vezes vejo “cada cromo da bola”!

Mas por que raio é que estou eu a falar do Mundial e da caderneta de cromos? É que esta é mais uma oportunidade de aprendizagem a vários níveis. E, se for como eu, que não é grande fã do futebol, aproveite algumas destas dicas para que esta coleção valha mesmo a pena:

# Literacia financeira

– Organize em conjunto com o seu filho um orçamento para a aquisição de cromos semanal (somente um x de pacotes de cromos por semana). Tudo o resto será ele que terá de conquistar, realizando pequenas tarefas para angariar fundos, trocando com os amigos, haja criatividade… (por favor pais, não vale facilitar, nem batotas nem fazer por eles. Se estiver assim tão entusiasmado, compre uma caderneta para si!

# Classificação e organização

– Ajude a organizar os cromos por número, por países. Oriente o seu filho para que vá marcando na lista global que acompanha a caderneta, os cromos que já tem.
– Ajude-o a criar uma nova lista de cromos que estão em falta e oriente-o para organizar os cromos repetidos.

# Motricidade fina

– Oriente o seu filho para que seja ele a descolar os cromos e a colá-los diretamente na caderneta (pode não ficar perfeito, mas é o trabalho dele. Se quiser uma caderneta perfeita, volto a dizer, compre uma caderneta para si!

# Relações interpessoais

– Promova a troca de cromos com os amigos, já existem grupos organizados e tudo. Mais uma vez contenha-se, quem deverá efetivar as trocas serão as crianças e não os pais. Recordo-me há alguns anos quando também tive cadernetas de cromos cá em casa que no bairro próximo de nós se organizavam grupos de trocas aos domingos de manhã e como o meu filho tentava que fosse eu a efetivar as trocas sem sucesso. Foi uma aprendizagem importante e devemos incentivá-los a fazê-lo. Mais uma vez, se quiser trocar cromos no emprego, via net para que a coleção acabe depressa, compre uma caderneta para si!

# Conhecimento do Mundo ( Geografia e cultura)

– Aproveite  para localizar no mapa as diferentes equipas que vão colecionando, fale um pouco sobre a sua cultura.  Saber onde fica a Argentina, quais são as suas tradições, que tipo de clima têm por lá, vai com certeza aumentar a curiosidade do seu filho sobre todos os países que participam no Mundial de Futebol 2018.

# Promover a leitura e a escrita

– De acordo com o nível de escolaridade do seu filho pode solicitar-lhe que elabore listas, por exemplo, ou que identifique todos os países que começam com determinada letra ou quem são os jogadores que têm no nome a letra L. Só tem que puxar um pouco pela sua criatividade.

# Promover os conceitos matemáticos

– Regularmente podem quantificar todos os cromos e fazer o cálculo de quantos faltam para terminar. Podem organizar os cromos por ordem crescente ou decrescente.

Afinal uma coleção de cromos, não é só uma coleção de cromos pode mesmo conter infinitas oportunidades de aprendizagem.
Experimente e ficaria mesmo muito contente de saber quais as atividades que conseguiu fazer e reinventar. E lembre-se, se quiser aquela coleção de cromos mesmo perfeitinha, compre uma para si!

Bom Mundial de futebol 2018 e que ganhe Portugal!

Helena Gonçalves Rocha

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“QUASE METADE DOS ALUNOS DE 2º ANO COM DIFICULDADES MOTORAS”. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Espanto? Claro que não… Será que é desta que se vão conseguir acordar consciências? Será que é desta que se vai entender que as crianças precisam de movimento, que as crianças precisam de brincar, que as crianças precisam de descobrir o seu próprio corpo?

(Movendo-se, não através de fotografias ou de o visionamento de um vídeo sobre o tema.)

Será agora que os miúdos podem finalmente mexer-se? Confesso que começo a ficar cansada de tanto adulto impaciente com a irrequietude dos miúdos, com tanto adulto a querer que fiquem sentados e sossegados (mesmo que seja aos 3 anos, parece impossível…), de tanto adulto a sugerir a toma de medicação porque os miúdos se mexem demais.

Bom, será que as provas de aferição vão ter alguma utilidade? Será que finalmente os adultos, pais e educadores, irão perceber que para além da Matemática e da importância das Línguas Estrangeiras, os miúdos têm que conhecer e dominar o seu corpo até ao final das suas vidas?

Será que estes resultados nas provas de aferição, aliado ao facto de sermos os vice-campeões europeus em obesidade infantil, vão finalmente gerar mudanças?

E quando me refiro a mudanças, não coloco o único enfoque na forma como a educação física é lecionada no 1º ciclo, sim, claro que este é um fator importante, mas, não será muito mais importante a forma como os pais e educadores priorizam a atividade física na rotina diária das crianças?

Não será mais importante que os recreios estejam equipados com materiais e atividades que desafiem as nossas crianças, que lhes permitam uma adequada exploração motora?

Não será mais importante para as nossas crianças que aos fins de semana as idas ao shopping sejam substituídas por longas caminhadas pela Natureza?

Será que temos noção da verdadeira dimensão que devemos atribuir ao facto de um terço dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras manifestarem dificuldades em participar num jogo de grupo. Será que percebemos qual a verdadeira dimensão em termos futuros? Será que percebemos que no futuro o trabalho de equipa está em risco?  Será que entendemos que as interações geradas na prática de desportos coletivos na infância e adolescência são verdadeiras Faculdades para a vida no treino das competências sociais?

Será que damos a devida importância ao facto de 46% dos alunos não terem conseguido dar seis saltos consecutivos à corda e como este é um factor determinante ao nível do equilíbrio e planeamento motor, factores estes intimamente relacionados com a Atenção.

Sim, com a Atenção, agora já despertei a vossa própria Atenção, não é? A Atenção que permite à criança aprender e permanecer na tarefa. Sabia que o equilíbrio é um factor fundamental para o desenvolvimento desta capacidade?

É hora de mudar, é hora de priorizar a saúde física e mental das nossas crianças.

Brinquemos mais, arrisquemos mais, permitamos mais contato com a Natureza, permitamos mais desafios, mais jogo livre e mais autonomia!

Helena Gonçalves Rocha

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Foto:D.R

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UM SONHO QUE VIROU SORRISO. Por Catarina Laborinho

visitamos

Imaginem um mix, um Consultor Financeiro de uma prestigiada multinacional e uma Educadora de Infância que alimentava este sonho desde criança. Dá-se o clique, e o Sonho virou Sorriso, e foi assim que há 12 anos nasceu o Parque dos Sorrisos.

Tanto a Laura como o Luís tinham o mote bem definido, “o futuro começa aqui!”. E foi aqui que começou esta jornada.

Para quem anda no comboio da Fertagus, Estação dos Foros de Amora e agora também no Pragal, já reparou certamente no Parque dos Sorrisos, por outro lado pode ainda não ter reparado na dimensão do mesmo, mas garanto-vos que é de ficar impressionado.

Tive o prazer de conhecer os 2 espaços preparados para os mais pequenos, e, se anda à procura de um colégio para o seu filho, passe num dos dois porque vale a visita.

O espaço localizado na estação dos Foros de Amora, com estacionamento privativo para a tomada e largada das “mercadorias” mais delicadas, os nossos filhos, encontra-se inserido num espaço equivalente a 10 lojas. Isto disto assim não diz lá muito, mas converter em m2 estamos a falar em 700m2 de área coberta. “Caneco” a sério?!?!? É verdade, quem por ali passa nem dá por isso, já que só tem acesso ao espaço exterior, e esse tem aproximadamente 330m2 – também já é considerável – já dá para fazer altas corridas de triciclos :) Espaço há, e os triciclos também!

Na estação dos Foros de Amora, o colégio tem uma particularidade interessante, foi adaptado e pensado para ser “desmontado”, ou seja, sempre que há necessidade as paredes são recolhidas ficando quase todo ele em open space, permitindo uma maior interação nas típicas festas temáticas que todos nós temos durante o ano letivo. Vantagens? Muitas! Custos? Elevadíssimos! Mas se é para “fazer de raiz que seja bem feito” diz o gestor.

A interação em ambos os espaços tem a mãozinha do “mecânico”, “carpinteiro”, o homem dos 7 ofícios lá de casa, ou seja, o “Avô” do Parque dos Sorrisos, o Pai do Luís. É preciso fazer um barco em esferovite, o “avô” faz! Parece o meu Pai! É Sr. faz tudo! Qual é o avô que não quer participar nas atividades dos netos? Os “netos” que por ali andam não são todos dele, mas é como se fossem, o ambiente familiar em que se vive é tão reconfortante que nós mães, gostamos sempre mais, não é verdade?

Já na estação da Fertagus do Pragal o cenário é completamente novo. Numa primeira fase o Parque dos Sorrisos esteve igualmente num espaço de galerias, mas “não nos identificávamos com o mesmo” comentou o Luis, e há um mês foram de malas e bagagens para um edifício novo mesmo em frente à estação (do lado do estacionamento). É impossível não reparar nele, é verde água e são mais 400 m2 área coberta e 250m2 de exterior. Mesmo novo já está “forrado” com marcas dos mais pequenos, desenhos, trabalhos e afins, o cenário típico de um colégio em plena ebulição. Barulho? Claro que há, mas qual é o colégio onde não se encontram crianças a correr a saltar e a  brincar de alegria?! Qualquer um que se preze esta é uma constante, e aqui não é exceção.

É notória a felicidade dos mais pequenos, o que para nós Mães é um descanso quando sabemos que os nossos mais que tudo ficam bem entregues.

Parque dos Sorrisos

Há 12 anos, quando a Laura e o Luís passaram para 3D este projeto, o principal objetivo era proporcionar um espaço que fosse prático, ou seja, tendo em conta que o nosso dia-a-dia é uma constante loucura, onde num qualquer pit stop não demoramos menos de 20’, a ideia seria deixarmos os mais pequenos já a caminho do trabalho e sem grandes desvios. Foi exatamente isso que há 12 anos os levou a abrir o 1º colégio na estação da Fertagus.

Atualmente, na estação dos Foros de Amora, o horário de funcionamento é das 7 às 20h. Na estação do Pragal, o horário é mais reduzido, “mas porque ainda não houve necessidade de o alargar” – é das 7 às 19.30h.

Quanto aos adereços dos mais pequenos, esqueça tudo, é aqui que nós sorrimos :) O Parque dos Sorrisos trata de tudo, ou seja, só temos mesmo de deixar os rebentos. Fraldas, pomadas, toalhitas, lençóis, e outras tantas panóplias de coisas e coisinhas com que nos temos que preocupar quando eles ainda são de berço, aqui, não é preciso! E se é mãe sabe bem a jeitaça que isto dá :)

Se anda à procura de um colégio para o seu filho, se apanha o comboio numa destas estações – Foros de Amora ou Pragal – e não só claro, aproveite para visitar o Parque dos Sorrisos. Vale cada minuto. Vá por mim. AH, mas se vem de longe, não se esqueça que pode igualmente fazer ali um pit stop de 10’, em vez dos típicos 20 ou 30’, já que o comboio da Fertagus é de pontualidade britânica, já uma amiga da minha mãe dizia!

Nós aqui gostámos d’Isto
Nós aqui temos Parque dos Sorrisos

Texto: Catarina Laborinho
Fotos: Parque dos sorrisos

FERTAGUS, LSBblog

 

ADOLESCENTES

ELES CRESCERAM. DESBLOQUEADORES DE CONVERSA PARA ADOLESCENTES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Já há algum tempo partilhei convosco algumas dicas para que conseguissem “arrancar” alguma informação sobre o dia-a-dia dos vossos filhos (reveja aqui o artigo); tipo perguntas mágicas naquela idade de jardim de infância e de escola primária. Mas eles cresceram, não foi?

Muitas vezes é bem verdade que não conseguimos acompanhar a atualidade dos temas de conversa, #naopercebonada #souumamaefixe. Bah!! Altamente fora de moda!

A verdade é que mesmo quando crescem os miúdos gostam mesmo de ser ouvidos, mais do que ouvir “grandes sermões” sobre limpeza e arrumação de quartos, métodos de estudo e o que serás tu no futuro senão estudas agora.

A adolescência é uma etapa bastante desafiante para todos, Pais e Filhos, e nem sempre a comunicação corre da melhor forma. Enquanto Pais temos de aceitar que eles estão a crescer e mantermos a nossa atitude de escuta bem activa.

Para além de os podermos ouvir, de que modo podemos “tentar” entrar no seu mundo?

Quando não há assunto, podemos sempre introduzir alguns temas desbloqueadores de conversa. Ora vejam:

# Qual foi o sonho que já tiveste que nunca mais vais esquecer?

# Qual foi a coisa mais embaraçosa que já te aconteceu? ( pode acrescentar a sua própria história embaraçosa)

# Se pudesses ser um personagem de um filme ou livro, quem serias?

# Se pudesses fazer uma coisa todos os dias para o resto da tua vida sem teres de te preocupares com as despesas, o que seria?

# Se pudesses ser o melhor do mundo numa coisa o que escolherias?

# Se pudesses escolher ver o mundo em 3 cores, quais seriam?

# Qual é a tua memória favorita de quando eras pequenino?

# Se pudesses mudar o teu primeiro nome qual é que escolhias?

# Se pudesses jantar com 5 pessoas vivas ou já mortas, quem escolherias?

 Escolha 3 para pôr em prática esta semana e depois conte-nos como correu.

 

Helena Gonçalves Rocha

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Helena Gonçalves Rocha

AS BOAS MÃES E AS MÃES BOAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Aproxima-se mais um Dia da Mãe e torna-se inevitável abordar a questão: Afunal o que é uma Boa Mãe ou, o que torna uma Mãe Boa?

Nos dias que correm a pressão é imensa, uma “Boa Mãe” deverá despender de tempo de qualidade com os seus filhos, nutri-los adequadamente, pouco açúcar, sem alimentos processados e cheio de super alimentos o mais biológico possível. Deverá também exercer uma parentalidade positiva, evitar elevar a voz e respeitar os seus filhos em todas as suas diferenças. Nunca deverá esquecer de proporcionar a devida diversidade cultural, um pouco de música, dança, museus e muitas exposições. Para que tudo possa correr na perfeição deverá praticar o mindfulness com os seus filhos e manter abertos os canais de comunicação.

Nos tempos que correm não esquecer que também deverá ser uma “Mãe Boa”, ou seja, praticar desporto, manter-se o mais fitness possível, apresentando os melhores glúteos das redondezas e abdominais de betão.

Irra!!! Jamais me recordo da minha querida Mãe falar sobre parentalidade positiva, ou de ouvir falar em diversidade cultural aos fins de semana que não tivessem a ver com o interesse dos adultos. Nem sequer tínhamos hipótese de escolha, íamos e apreciávamos se quiséssemos e senão quiséssemos, íamos na mesma e incomodávamos o menos possível.

Relativamente à alimentação, recordo-me das iscas duas vezes por semana porque faziam bem, comer sopa a todas as refeições, sim porque: “O teu mal é fome!” e não tocar em refrigerantes nem em pastilhas que são muito prejudiciais à saúde.

Quanto a ser uma mãe fit, recordo-me da minha Mãe fazer ginástica e nos incentivar a praticar desporto. Sempre por uma questão de saúde e não para ficar a Mãe mais gira lá da rua.

Helena Gonçalves Rocha

Acredito que a minha Mãe nunca se debateu com dúvidas existenciais sobre se estaria a educar-nos na Perfeição, fazia o melhor possível e sei hoje, que fez um excelente trabalho. Muito amor e carinho, sempre a fazer-nos sentir muito especiais! Com muitas regras e limites, mas hoje aprecio e invejo, com uma tolerância fora do normal!

Muitas vezes tento perceber, para conseguir imitar nesta altura que sou mãe de adolescentes, como é que ela conseguia ser tão tolerante e paciente. Como conseguia dar-nos sempre uma mensagem positiva e de esperança nas nossas adversidades?

Hoje, todas nós Mães, sofremos uma grande pressão social para sermos as Mães Perfeitas, verdade que não me parece existir tal conceito. Até porque ser Mãe passa muito por uma grande dose de intuição e confiança, cada filho ensina-nos a ser Mãe à nossa maneira.

Está na hora de lermos menos, ouvirmos menos tantos conselhos acertados e está na hora de libertar-nos a verdadeira intuição, ouvirmos as nossas próprias emoções e lembramo-nos que para além de Boas Mães somos também Boas Pessoas.

E Boas Pessoas educam Boas Pessoas!
Helena Gonçalves Rocha

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criança perdida

O QUE ENSINAR AO SEU FILHO PARA QUANDO SE PERDER. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

De repente está uma em vez de duas crianças. Começo a entrar em pânico à medida que vou olhando em volta. Eu ainda agora o vi, há um segundo atrás. Caminho rapidamente e ele não está em lado nenhum. Será que o meu maior medo se tornou realidade? Perdi o meu filho?

Infelizmente quase todos os pais de crianças pequenas já vivenciaram estes segundos de pânico, que parecem horas intermináveis. No supermercado, na praia, no meio da multidão ou no meu caso, no meio de uma pacata e espaçosa loja, quando a minha filha de 3 anos decidiu esconder-se entre as roupas penduradas e aguardar calmamente que fosse encontrada.

É importante que os pais percam, e mais tarde ganhem, algum tempo a pensar o que deverão ensinar aos seus filhos no caso de se perderem.

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Dependendo da idade do seu filho, poderá adequar a informação que quer que o seu filho detenha quando efetivamente estiver perdido.

Ele precisa saber o nosso número de telefone
Aprender o nosso número de telefone para que nos possa ligar ou pedir a um adulto para o fazer. Algumas crianças são demasiado pequenas para conseguirem decorar o número, mas podemos sempre arranjar uma pulseira onde pode estar inscrito o número.

Ele precisa saber o nosso primeiro e último nome
Muitas crianças quando se perdem são interpeladas por um adulto, “ Como se chama a tua Mamã?” e a criança responde “Mamã”. Como tal deveremos insistir para que saiba o nosso nome e apelido.

Estas são as minhas sugestões para ensinar a uma criança em caso de se perder:

1. Fica onde estás
Andar às voltas pode levar-te para longe do sítio onde te vimos a última vez. Quanto mais te afastares mais difícil será encontrar-te.

2. Procura um pai ou mãe com filhos.
Encontrar um pai com filhos é importante. Um adulto sem crianças pode não ter o mesmo sentido de urgência. Também não terão a mesma experiência com crianças pequenas aflitas ( para além de que, nem todos os adultos são de confiança). As meninas têm mais tendência para procurar uma mãe mas convém sempre lembrar que um pai com crianças também pode ser muito útil.

3. Grita o nosso nome
Gritar pelo nosso nome, ou nome completo, não é Mamã, nem Papá, vai ajudar a chamar a nossa atenção. Nós normalmente identificamos as vozes dos nossos filhos, mas ouvir chamar o nosso nome tornará as coisas mais fáceis num ambiente ruidoso ou cheio de gente.

Sempre que vá a um local novo ou cheio de gente, convém rever as regras com os seus filhos. Se estiver num sítio tipo EuroDisney, deverá rever estas regras todos os dias antes de entrar.

Espero que ninguém se perca, mas ficamos todos mais confiantes quando já sabemos o que fazer.
Partilhe connosco as suas experiências. Já lhe aconteceu? Quais são as suas estratégias?

Uma boa semana para vocês e bons passeios,
Helena Gonçalves Rocha

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jardim infancia

COMO ESCOLHER O JARDIM DE INFÂNCIA IDEAL? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

 

A passagem do ambiente familiar para um outro contexto em que a criança passa mais tempo ao cuidado de outras pessoas do que connosco é habitualmente um período de transição e mudança difícil. Muitas vezes mais difícil para os pais que têm a noção que a sua escolha e decisão poderá ter um importante impacto no desenvolvimento da criança.

A verdade é que tudo correrá melhor se confiarmos nas pessoas e instituição à qual entregamos o nosso filho durante um largo período do dia. Como tal é muito importante que este local se aproxime o mais possível das nossas crenças e valores. Pais diferentes procuram coisas diferentes, e há uma escola para cada pai e não existem jardins de infância perfeitos, no entanto existem uns que estão mais em sintonia com aquilo que nós privilegiamos.

Quando for fazer as suas visitas, a alguns dos locais elegidos, depois de ponderar o que é realmente importante para vós enquanto família, deverá levar em conta alguns factores importantes que o poderão ajudar a tomar a decisão mais acertada.

Adaptação: Todas as crianças, mais tarde ou mais cedo, acabam por se adaptar, mas isso não significa que o processo tenha sido o desejável. A grande diferença pode estar na forma como a instituição promove a adaptação. Há locais que respeitam o ritmo da criança e dos pais e há outros que sugerem (ou até impõem) que a adaptação seja feita logo nos primeiros dias, mesmo que a criança se mostre visivelmente angustiada. Recordo-me sempre da minha cara de horror quando em resposta à minha pergunta: E então como vamos fazer a adaptação? Me responderam: basta trazer o cobertor dela e uns lençóis e pode começar já amanhã!

Para que a separação seja a menos traumática possível, aconselho sempre uma abordagem gradual, contrária à “terapia de choque” ou “penso rápido”, em que nos primeiros dias a mãe ou pai podem estar presentes na sala, sem grandes pressas ou pressões, e em que o tempo em que a criança permanece no local vai evoluindo conforme a intuição dos pais. Mesmo que posteriormente ela fique a chorar, já existirá uma ligação prévia com o local e com as pessoas e não será um espaço totalmente novo e assustador. Assim, é sempre bom informar-se previamente se existem dias definidos para a adaptação ou se esta é ajustável às necessidades de cada criança, sem pressões ou agendas.

Acolhimento: Para além da adaptação inicial, importa ainda saber se ao longo do ano as crianças são entregues e recolhidas na recepção ou se há liberdade para os pais irem à sala, nem que seja num horário específico ao início e fim do dia, sobretudo na faixa etária das crianças que frequentam a creche. Embora em alguns sítios seja prática comum não haver acesso às salas, com argumentos vários que vão da higiene até à segurança, o que resulta dessa prática é uma barreira entre a família e a instituição, que acaba por ser um preditor dos valores em que assenta a direcção pedagógica. Uma direcção que aposta na relação e que quer efectivamente constituir uma ponte com a família, não coloca esse tipo de regra e prefere gerir situações delicadas que possam surgir dessa abertura do que vedar à partida o acesso dos pais. Quando se deixa uma criança numa creche ou jardim de infância, é importante perceber que não se está apenas a receber a criança, mas também a família, ou seja, acolher aquela criança é também saber acolher os pais e as suas angústias, trabalhando no sentido de os deixar progressivamente mais seguros e confiantes e, eventualmente, comunicando o que possa ser feito para melhorar diversos aspectos. Uma creche aberta sabe que a creche é um prolongamento da família e que quanto maior proximidade existir entre os educadores, os pais e as crianças, numa relação o mais informal possível, maior é o vínculo que se estabelece entre todos. A verdade é que quando há essa liberdade, com o passar do tempo, acaba por ser um processo natural os pais não precisarem de passar para lá da porta da sala, para além de que é muito recompensador para os pais, depois de um dia inteiro sem os filhos, poderem assisti-los no seu ambiente com os amigos quando os vão buscar.

Espaço exterior: Quando temos um bebé de poucos meses, nem sempre pensamos muito nesta questão. Isso muda muito rapidamente quando eles começam a andar e percebemos que estarem várias horas confinados a uma sala não é nada positivo. É visível a tensão de uma sala quando as crianças passam demasiado tempo lá dentro. Há creches que não têm espaço exterior e que compensam essa falta com as idas ao parque. Acontece que uma ida a um parque ali perto de vez em quando, ou até mesmo todos os dias, é muito pouco. Os miúdos precisam de brincar e explorar ao ar livre mais do que uma vez por dia e de preferência bastante tempo. Incluo ainda no espaço exterior a necessidade de existirem elementos da natureza, por oposição a um espaço estéril, com um piso todo por igual, demasiado “limpo”. Areia, terra, árvores ou plantas são essenciais, enquanto que um espaço arquitectónico de linhas rectas estilo “capa de revista” não acrescenta felicidade às crianças. Não se deixe deslumbrar pela beleza do local ou pelas condições físicas do espaço, mas pela qualidade de interacções que o seu filho pode ter no mesmo. Num espaço menos artificial, elas ficarão bastante mais sujas e, certamente, muito mais felizes. Claro que, relativamente a este tema eu sou claramente suspeita pois é um dos factores que mais privilegio. Cada vez mais as nossas crianças precisam do contacto com a Natureza e de brincar no exterior, recordem-se do reforço das imunidades!

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Sala: Aqui privilegia-se uma sala que seja ampla, arejada, luminosa e que não esteja demasiado “atafulhada”. É comum as creches terem cores muito garridas o que torna o espaço visualmente cansativo para quem lá passa parte do dia. Nesta mesma sala, onde eles possam circular livremente e onde as mesas e as cadeiras não ocupem quase tudo, é bom que a disposição dos brinquedos permita às crianças ter acesso a diversos espaços diferentes de brincadeira (espaço de pinturas, espaço de livros, espaço de brincar ao faz de conta com cozinha, bonecos, etc). Uma sala que oferece diferentes opções para a criança ir brincando com aquilo que lhe apetece é muito mais positivo do que ter as coisas guardadas em móveis para que seja a educadora a oferecer o que se vai fazer em cada momento.

Alimentação: Convém perceber se os alimentos são confeccionados no local ou são trazidos de fora. Se existe cuidado e diversidade no planeamento da ementa semanal e se são respeitadas as restrições de cada criança. Onde são dadas as refeições e quem são os adultos que as acompanham. É incentivada a autonomia na alimentação, de que forma?  Caso este seja um critério que prioriza, não tenha receio de solicitar a ementa, ver uma refeição ou quem sabe ser convidado para almoçar.

helena gonçalves rocha

Etapas/ritmos/transições: Todas as creches têm no projecto educativo a contemplação do respeito pelo ritmo das crianças. Acontece que, na prática, há ideias diferentes sobre o que é isto de respeitar o ritmo e facilmente encontramos bebés com 6 meses de idade a cumprir horários de sestas e de refeições. É importante que haja flexibilidade para ter bebés a dormir, a comer, a brincar ou a fazer a sua higiene em momentos muito diferentes, até que estes atinjam a maturidade suficiente para seguir um horário mais previsível. E isso acontece com alguns aos 9 meses, com outros aos 12 e com outros aos 15. Há os que começam a dormir apenas uma sesta por dia a certa idade e outros que mantêm a necessidade de duas sestas mais tempo. Até podem conseguir seguir esse ritmo, mas a questão é sempre: a que custo.

Por outro lado, se tivermos em conta os mais crescidos, há por vezes uma pressão mais ou menos subtil sobre o suposto timing em que a criança deve largar a fralda, a chucha ou comer perfeitamente com os talheres. Todas as crianças saudáveis atingem essas etapas, pelo que apressá-las só porque têm determinada idade pode ser muito contraproducente. Há médicos que alertam para o facto de existirem muitos casos de obstipação infantil devido à retirada precoce das fraldas e, no entanto, há muitas instituições que definem que aos 2 anos é suposto todos conseguirem largar as fraldas.

Afecto: Neste ponto é importante que não exista demasiada rotatividade de cuidadores e que o bebé/criança possa ter uma educadora e uma auxiliar previsíveis. Apesar de formalmente ser assim, nem sempre o é na realidade e entre múltiplos estagiários e afins, aquele bebé habituado ao colo dos pais, de repente anda constantemente em colos diferentes. Mesmo entre educadora e auxiliar, geralmente a criança tem uma que é a sua referência, com quem se sente mais segura.

Conhecer pessoalmente a educadora e a auxiliar da sala e poder observar um pouco a dinâmica da sala, pode também ser muito tranquilizador.

Perceber que atendem ao choro com empatia, que dão colo com a mesma facilidade com que distribuem lápis de cor, que acalmam a criança que está mais vulnerável, em vez de transmitirem discursos como “isto é só mimo” ou “não se podem habituar muito ao colo” pode ajudar a perceber qual o comportamento mais expectável quando nem sequer estamos presentes. Ainda existem crenças de que, por exemplo, um bebé se deve habituar a consolar e adormecer sozinho no berço, mesmo que esteja a chorar.

Métodos educativos: Embora os profissionais de educação, durante a sua formação, tenham acesso às teorias de desenvolvimento infantil e a formas positivas de lidar com os desafios das criança, é muito comum que depois acabe por imperar o senso comum. Há práticas educativas como os gritos, os castigos, as recompensas, os rótulos (preguiçoso, mimado, mau) ou o autoritarismo que estão claramente apontadas como nada pedagógicas e, no entanto, são praticadas e aceites diariamente. Se algumas atitudes menos positivas podem ser compreensivas, pois não é fácil estar todo o dia com crianças e o desgaste pode ser imenso, já não é tão compreensível que estas estejam na base de certos princípios. Por exemplo, se uma educadora acha que é muito útil uma criança ficar num canto da sala porque empurrou outro miúdo, isto já reflecte a abordagem da mesma noutro tipo de situações. Estas reacções a comportamentos menos desejados por parte das crianças são muito pouco construtivas. Não existem soluções mágicas mas dá muito mais trabalho oferecer competências sociais às crianças e que estas tenham acesso a exemplos que, a longo prazo, realmente ensinam alguma coisa.

Resumindo, perceber qual é a abordagem da creche às manifestações naturais das crianças pode ser uma forma muito interessante de perceber as bases de funcionamento do local.

Internet/Redes sociais: Este tópico pode parecer um absurdo, mas eu diria que é bastante útil e permite uma excelente triagem que poupa visitas presenciais. Se o local em questão tiver um site, um blogue ou uma página do facebook, pode ser muito curioso observar que tipo de conteúdos partilham. Ainda a propósito do sono, se por exemplo uma creche partilha um artigo de que é muito importante os bebés aprenderem a dormir sozinhos, mesmo que para isso tenham de chorar, o mais provável é que isso seja prática comum nessa mesma creche. São vários os temas educacionais que geram polémica e discórdia, pelo que é bom tentar perceber se a creche ou jardim de infância tem ideologias semelhantes àquilo em que acredita ou se, pelo contrário, está no sentido oposto às suas crenças.

A direcção pedagógica identificar-se mais com um estilo de conteúdo em detrimento de outro é bastante revelador dos valores da instituição.

Flexibilidade da direcção e dos profissionais: Neste ponto, é possível que só tenhamos uma noção após o nosso filho frequentar o local em questão. Faz toda a diferença estarmos perante uma direcção flexível, aberta, que valoriza as opiniões dos pais de outra que tem um funcionamento mais fechado, rígido e sem grande margem para adaptações constantes, conforme as crianças que acolhem. Sentirmo-nos ouvidos e compreendidos é meio caminho andado para que se crie uma relação positiva entre pais e profissionais, sendo a criança quem beneficia disso directamente. Há profissionais que não admitem sugestões, que se sentem imediatamente colocados em causa ou que responsabilizam sempre os pais por qualquer coisa que surja fora de certos padrões. Há outros que são mais empáticos, tentam ver o nosso ponto de vista e mesmo que não concordem fazem por respeitar as diferenças e conviver com as mesmas. É curioso verificar que os mesmos pais, mas com crianças diferentes, podem também ter experiências diferentes na mesma instituição. Isto acontece porque as crianças não são iguais e enquanto uma se pode ter adaptado lindamente ao funcionamento da instituição, outra pode precisar que a instituição se adapte mais a ela e que seja mais flexível. Isto mostra que é necessário haver abertura suficiente para lidar com a imprevisibilidade e com o facto de não existirem receitas iguais para todos nem verdades absolutas.

Enfim, os critérios são pessoais e únicos e não há critérios mais acertados ou menos. Cada família é uma família, é importante que se mantenham fiéis àquilo que acreditam e ao contexto ambiental, social e valorativo onde querem que o vosso filho esteja integrado todos os dias.

Escolham com a cabeça, mas, também com o coração. Existem locais que nós entramos e sentimos que estão reunidas as condições, não é prefeito, mas sabemos que ali conseguimos ficar descansados.

E depois, não esqueça, depois do seu filho estar adaptado e vocês também, lembrem-se que a escola também é vossa e que as propostas e sugestões poderão ser oportunidades de melhoria e que cada vez mais as escolas têm de ser uma união entre as Famílias e os Educadores.

Boa sorte, boas visitas, não esqueça de falar com outros Pais, este período não é de todo mais fácil! Mas uma palavra de esperança, vai melhorar…e na próxima transição, vocês já terão muito mais ferramentas para poderem escolher de forma mais tranquila.

Vai correr bem!

Helena Gonçalves Rocha

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A PÁSCOA E OS RITUAIS FAMILIARES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não havia nada mais certo, assim que se iniciavam as férias escolares aí íamos nós rumo ao alto Minho, para a “terra” dos pais, usufruir de todas as tradições da Páscoa.

A mais apreciada, era sem dúvida, o beijar da cruz. De casa em casa, lá íamos, o grupo de primos e amigos, receber o Sr. Padre e toda a sua comitiva que alegremente entravam na casa de cada um, anunciando “Aleluia, Aleluia, Aleluia”, acompanhado de salpicos de água benta. De seguida, a Cruz de Cristo era oferecida a cada um dos presentes para que a beijasse, recordo-me como se fosse hoje, como a Cruz era enorme para mim e como gentilmente se baixavam para que eu escolhesse onde iria beijar, nos pés, nas mãos (era uma decisão difícil, numa altura em que pouco se pensava em doenças e questões de higiene). O ritual terminava com o dono da casa a oferecer um ovo, que era depositado e transportado num requintado balde de prata.

Os miúdos, de seguida lançavam-se para a mesa dos doces, enchendo os bolsos de amêndoas, provando as especialidades da casa, desde o Pão de Ló, à Rosca Mulata da Tia. Os mais afoitos ainda conseguiam bebericar um cálice de vinho do Porto e fugir rapidamente para a casa seguinte, onde todo o ritual se voltava a repetir. No final, faziam-se contas, quem conseguiu beijar mais, que doces comemos e o relato de todas as peripécias vividas.

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Os rituais familiares são momentos que nos permitem viver e fortalecer ligações afetivas, servindo como recurso fundamental para a manutenção e fortalecimento da família. Os rituais são expressos de forma diferente em cada família, com cada uma a descobrir e a construir os seus, moldando-os à sua imagem.

Devido ao seu carácter repetitivo, os rituais constituem um elemento estabilizador e reconfortante para os membros das famílias, contribuindo para o estabelecimento e a preservação de um sentido coletivo, ou seja, da identidade familiar.

Todas as Páscoas eu sabia o que iria acontecer… e a segurança que isto me trazia…

Assistimos atualmente a uma perda progressiva das rotinas e rituais familiares, estando muitas vezes as famílias desprovidas de um fio condutor, afastadas dos elementos da família alargada.

O reatar de rituais familiares, ou mesmo a criação de novos rituais que façam sentido à família podem inverter esta situação e voltar a dar o fio condutor abalado, tornando-a mais coesa e autónoma.

Confesso que adoro rituais e adequá-los à minha família já quase se tornou um vício. Todos sabem o que acontece nas manhãs de Domingo. Todos sabem que na Noite de Natal se joga o jogo da Cadeira, os mais novos e os mais velhos. Todos sabem como os aniversariantes são acordados logo pela manhã. Enfim, são muitos os rituais já criados, mas muitos mais podemos inventar, na certeza que são estas memórias, estas certezas, esta segurança que podemos transmitir aos nossos filhos e quem sabe possam transmitir aos netos.

Os rituais são parte essencial da vida familiar, permitem apaziguar ansiedades, permitem tratar a sua Família como única e criam História e Memória.

Que tal aproveitar esta época festiva e iniciar uma nova tradição? Quem sabe, esconder ovos pela casa ou pelos caminhos circundantes, e partirem todos à Caça dos Ovos?

Para todos Vós uma Santa Páscoa e gozem a companhia uns dos outros!
Helena Gonçalves Rocha

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SOMOS TODOS IGUAIS OU TODOS DIFERENTES? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana comemorou-se a 21 de Março, o Dia Mundial da Síndrome de Down, este dia foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2006. Amplamente divulgada, a data tem por finalidade informar sobre o tema e reduzir a origem do preconceito. Por outras palavras, combater o “mito” que teima em transformar uma diferença num rótulo, numa sociedade cada vez mais sem tempo, sensibilidade ou paciência para o “diferente”.

Há alguns anos atrás descobri uma fotografia do meu grupo de jardim de infância dos anos 70 onde figurava um dos meus colegas portador de síndrome de Down, fiquei muito satisfeita pois guardo muito boas recordações da minha educadora Filomena, das corridas no pinhal e não tenho qualquer memória de qualquer um de nós ser Diferente, pois na verdade não o éramos, todos gostávamos de brincar, todos gostávamos de “fazer trabalhos” e fazer visitas de estudo. Alguns eram louros, outros usavam cabelo comprido, eu usava uns grandes óculos e andava sempre com nódoas negras nas pernas, outros gostavam de estar sossegados no recreio, afinal seríamos todos muito diferentes.

Helena Gonçalves Rocha

Tão diferentes que anos mais tarde, já no secundário, uma colega desse tempo me reconheceu e confessou que nunca mais se havia esquecido de mim. Uau.. Porquê? Porque costumavas andar atrás de nós com as lagartixas que apanhavas no pinhal!… Ups…

Na verdade, acredito que desde a primeira infância a educação para a diferença e o respeito pelo outro deveriam ser condições imprescindíveis na educação que delineamos para os nossos filhos.

A escola inclusiva, a escola que dá resposta a todos consoante as suas necessidades, promovendo a interação entre todos com todas as suas diferenças, foi sempre uma realidade para mim. Os valores, os ensinamentos que cada criança retira deste tipo de experiência é inestimável.

Os miúdos estão tão habituados a serem tão diferentes entre si a juntar a isso têm um adulto que medeia estas relações e os ajuda a perceber as diferenças e os ensina a respeitá-las e perceber que todos somos importantes e que podemos sempre apoiar e ajudar o nosso colega, tudo, mas tudo,  se torna mais fácil.

Não resisto a partilhar alguns episódios convosco, da minha vida pessoal e também da minha vida profissional. Sempre desenvolvi o meu trabalho nos contextos naturais das crianças, ou seja, um dos locais que visito regularmente são as salas de jardim de infância e posso dizer-vos que este é um dos meus locais de aprendizagem preferidos. As crianças com a sua ingenuidade e forma pura de ver e interpretar o mundo que as rodeia, recordam-nos sempre como tudo pode ser tão simples, sim porque quando crescemos temos uma tendência a complicar o que é simples.

Pois bem, numa das minhas intervenções em jardim de infância o João (nome fictício) com 4 anos ainda não conseguia andar sozinho, então, juntamente com a sua educadora de infância encontrámos variadas estratégias para que ele ao longo do seu dia fosse praticando as diferentes habilidades necessárias para que conseguisse alcançar esta meta. Uma das atividades consistia em levantar-se do chão e ir marcar a sua presença no mapa da sala, pois bem, quando eu lhe pedia que se levantasse, o João, invariavelmente, dizia que não. Assim que um colega lhe estendia a mão o Senhor João levantava-se com a maior das alegrias e sorrindo, executava a tarefa na perfeição. E aqui estávamos nós a ligar o “complicómetro”, claro está, que seria mais natural ser um colega a prestar este apoio em vez de um adulto “especial”. Sempre a aprender…

Agora quando vou às salas pergunto sempre quem são os meninos que são mais “ajudadores”, que são mais atentos aos outros, eles são ajudas inestimáveis e levam consigo um amor ao outro e uma solidariedade que os fará de certo adultos diferentes.

Helena Gonçalves Rocha

Não esqueço também quando o meu filho mais velho tinha na sua turma um menino autista, sem linguagem verbal. O meu filho sempre foi muito curioso e como tal sempre que eu chegava bombardeava-me de perguntas sobre o comportamento do Pedro (nome fictício) e qual a forma mais fácil para que ele próprio também o pudesse ajudar. Um dos comportamentos do Pedro mais difícil de entender era quando ele se entretinha a destruir as brincadeiras que os outros meninos faziam no recreio, aí, o meu filho já achava que era maldade, e mesmo querendo ajudar era muito difícil para ele, com 5 anos, entender que pudesse ser qualquer outra coisa. Foi nessa altura que lhe expliquei que o Pedro, que tinha autismo, provavelmente teria este comportamento porque não sabia como brincar com eles, e esta era a forma que ele encontrara para comunicar, mas que se ele o ensinasse como fazer, ele conseguiria aprender e poderiam brincar sem ver tudo destruído. E assim foi. Durante muitas semanas jogou-se à apanhada no recreio com o Pedro, repetidas vezes, quase sem conseguirem parar, com um Pedro muito, muito feliz.

Certo dia quando o fui buscar ao jardim de infância estava o meu filho sentado na cadeira, com o Pedro sentado no chão a abrir-lhe e fechar-lhe as pernas. E eu, mãe cheia de pressas, chamo-o: Vamos embora filho! Diz até amanhã! Ao que ouço a seguinte resposta muito prontamente: Ó mãe, tu não estás a ver que o Pedro está a brincar? E está a gostar tanto…

E nesse momento, eu desacelerei e vi como o meu filho estava atento ao outro e às suas necessidades e como para ele era importante o Pedro estar feliz. E claro está fiquei muito feliz pelo menino que assim estava a crescer e fiquei muito feliz pelo Pedro tinha arranjado um amigo.

As meninas são habitualmente mais solidárias e empáticas e a minha filhota não é excepção, já na escola primária conseguia encontrar sempre as causas possíveis para justificar o comportamento do seu amigo Gonçalo (nome fictício) e teimava, porque teimava que havia de ser ela a ensinar-lhe algumas matérias e a acalmá-lo sempre que fosse necessário.  Via-o como um dos outros colegas, simplesmente mãe, precisa de uma ajudinha extra!

Helena Gonçalves Rocha

Mais uma vez reforço, estas experiências são altamente enriquecedoras para termos adultos melhores, mais empáticos e solidários com o Outro.

Experimente fazer esse exercício com o seu filho. Quem ajudaste hoje? Reparaste se todos tinham com quem brincar?  Todos nós temos diferentes ritmos de aprendizagem numa ou noutra área, podemos sempre ajudar alguém naquilo que temos facilidade e podemos sempre aceitar a ajuda do outro para podermos melhorar. E não se esqueçam de tratar os outros como gostariam de ser tratados.

Estes são ensinamentos que começam agora, quando eles ainda são pequeninos e que mais tarde os irão ajudar a viver em sociedade, a aceitar as suas diferenças e as diferenças do outro, porque afinal todos temos os mesmos objetivos: ter oportunidades, educação, trabalho, amigos e amor. Afinal somos todos muito iguais quando apenas queremos ser Felizes!

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