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AFINAL DE QUEM É O COMANDO? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Cada vez mais ouço os pais a dizerem:

”Nunca mais vi as notícias, está sempre nos desenhos animados”,

“Não temos autorização para ver mais nada que não sejam bonecos, ainda por cima agora dão a toda a hora”,

STOP! O que é isto?

Afinal de quem é o comando?
Onde estão os limites e a correta definição dos papéis na família?
Quem gere o tempo familiar e de lazer? São crianças de 5 anos?

Tento sempre compreender e empatizar. É difícil, o tempo é muito pouco e ainda por cima quando estamos com eles vamos contrariá-los? OK…será que o nosso receio é que os nossos filhos deixem de gostar de nós? Deixem de ser felizes?

É aqui que temos de parar e pensar…Embora tenhamos as melhores das intenções , as crianças não têm a maturidade para fazer este tipo de escolhas, e aliás, ficam bastante confusas quando têm de o fazer.

Por vezes, coisas tão simples como o controlo do comando da TV, acabam por ser generalizadas às restantes rotinas.

Senão vejamos, quando chega a hora de ir para a cama, não raras são as vezes em que os adultos não conseguem impor a sua vontade e os miúdos acabam por adormecer frente à TV.

Ao longo do seu desenvolvimento as crianças precisam de entender que existem diferentes papéis, desempenhados por diferentes pessoas. O local onde tudo se ensaia antes de sair para o Mundo lá fora, é mesmo a nossa própria casa, a nossa própria Família.

Um exercício importante que ajuda a compreender os diferentes papéis de cada um, passa-se à mesa de jantar. Mais uma vez, as rotinas assumem um papel de extrema importância na estabilidade emocional e segurança da criança. Cada elemento da família deverá ter o seu lugar definido, os adultos deverão ditar as regras da refeição, quando se inicia e quando acaba. Muitas das vezes e ao longo do crescimento é engraçado verificar como os miúdos tentam ocupar o lugar dos adultos, testando os limites. Recordo sempre o episódio da minha filha que muitas vezes tentava assumir o meu lugar, dizendo “Eu sou a Rainha” e invariavelmente ouvia “ A Rainha do meu coração, mas cá em casa és a Princesa, que a Rainha sou EU”!

Não querendo parecer saudosista creio que todos nos recordamos como era diferente na nossa infância e como eram claros os papéis nessa época. Interromper o Telejornal? Nem pensar…A verdade é que este, é o ensaio do Mundo que os espera lá fora, o professor que lidera a aula, o chefe no local de trabalho…

E pergunto, será que não os estamos a deixar mais felizes quando os preparamos desta forma? Diferentes papéis, limites, competências para resistir à frustração?

Peço desculpa pelo desabafo, mas esta é uma inquietação que me vai incomodando há já algum tempo.

Fiquem bem e boa semana!
Helena Gonçalves Rocha

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SOLIDARIEDADE 360º

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Quando falamos em ser solidário ou em solidariedade, quer queiramos quer não o assunto é sempre muito delicado. Seja que tipo de solidariedade for, ou a que estejamos a praticar com o nosso voluntariado, os nossos sentimentos, dedicações ou a típica “chapada sem mão” dói, e a mim dói-me sempre muito.

O assunto é delicado, mas aqui coube-me dar-vos a conhecer o que vi, o que vivi é algo bem maior e que todos nós podemos apoiar. O assunto são crianças e adolescentes! Sou Mãe de 2+2, por isso é sempre um assunto que “mexe” muito comigo.

No outro dia, através de uma amiga conheci o Padre Gonçalo, vou trata-lo apenas por Gonçalo porque aqui não quero destacar as suas crenças ou religião, mas sim dar relevância ao brilhante trabalho que desenvolve.

Se é daqui, da nossa margem Sul, já ouviu falar certamente do bairro cor de rosa, ou do bairro branco. Estes são aqueles bairros que ficam perto da estação do Pragal da Fertagus a caminho do hospital. E foi aqui que fui ter com o Gonçalo. O dia escolhido não foi ao acaso, foi no dia do meu aniversário, e a companhia foi escolhida a dedo, fui com a Maria (minha filha mais velha) e com o Tiago (a minha cara metade), 2 das minhas algumas muletas!

O ponto de encontro foi no Centro Juvenil Padre Amadeu Pinto. Quando chegámos encontrámos a turma da manhã que ia para a piscina do Inatel. A manhã estava feia, mas para eles a diversão é o principal ingrediente para mais um dia de férias, não fossem eles, como quaisquer outros, loucos por diversão entre amigos e é isso que diariamente o Gonçalo e a sua equipa de 40 voluntários semanais + 2 “funcionárias residentes” lhes proporcionam. Atualmente o centro apoia 90 crianças, e está situado em 4 apartamentos do r/c de um prédio, todos eles foram adaptados de modo a que as crianças entre os 6 e os 14 anos sintam ali o conforto e o acompanhamento, “criando vincos de amizade de modo a ganharem os devidos valores que tão importantes são para o seu futuro”, segundo o Gonçalo.

O Centro surgiu da visão dos padres Jesuítas que, dando aulas nas escolas dos bairros sociais do Monte de Caparica e Pragal foram-se apercebendo que muitas crianças ao saírem da escola ficavam totalmente entregues a si próprias e vulneráveis aos mais diversos perigos. Iniciaram assim um projecto de educação formal e informal através de actividades de apoio ao estudo. Em 2010 abriu as suas portas com instalações autónomas para actividades de estudo, lúdicas e artísticas, desenvolvendo a componente desportiva em conjunto com algumas associações e clubes desportivos.

Desde o início o centro “vive” apenas com o apoio de benfeitores, voluntários e mecenas.

Um conhecido colégio daqui da nossa margem é responsável por oferecer o pão para os lanches das crianças, o apoio ao estudo é dado voluntariamente por professores que leccionam em algumas escolas do nosso concelho, a Fertagus oferece os bilhetes para as pequenas viagens destes grandes guerreiros e ainda os passes das duas “funcionárias residentes” que diariamente se deslocam até ao centro. Segundo o Gonçalo, “se a Fertagus não nos oferecesse o passe seria impossível elas chegarem até aqui”.

Fertagus

Uma ida ao Jardim Zoológico promovida pela Fertagus

Por outro lado o Gonçalo, juntamente com uma escola de Surf, conseguiu promover esta atividade para as crianças. O contacto com o mar a natureza e o desporto são os principais pilares para todos nós (não fosse eu também adepta deste desporto). Curiosamente, e num momento de brincadeira, uma das crianças do centro fez uma espargata, assim sem mais nem menos e hoje, já tem no seu CV a medalha de campeã nacional de ginástica onde diariamente treina numa conceituada academia, aqui, na Margem Sul. Já para não falar na Telma Monteiro que não precisa de grandes apresentações.

Estes são apenas exemplos do apoio, carinho e dedicação que algumas empresas dão ao centro.

Mas aqui no centro também há espaço para brincar! O centro tem uma “gaRRagem” na rua de trás onde estão todas as brincadeiras disponíveis para cada idade. Para os mais velhos há bicicletas, algumas delas oferecidas pela Fertagus quando estas aparecem nos perdidos e achados (nesse dia alguém estava com a cabeça na Lua :), mas ainda bem), patins em linha, skates, jogos dos mais variados tipos, espaço para pinturas, bonecas… brinquedos que qualquer um de nós poderia oferecer.

Fertagus

O lema é “Fazer o Bem, Bem Feito” e é isso que diariamente o Gonçalo tenta fazer. Educar para a Sabedoria, Educar para a Sensibilidade, Educar para a Expressividade, estes são os 3 pilares para que no amanhã estas 90 crianças ao abrirem a janelas das suas casas vejam o brilhar do sol da mesma maneira que todos nós.

Obrigada por ter estado desse lado.
Obrigada Fertagus por nos ajudar a ter chegado até ao Padre Gonçalo Machado.
Obrigada Gonçalo pelo seu brilhante trabalho e por conseguir gerir uma equipa tão grande e sempre com um sorriso no rosto.

PS. e para acabar o dia ainda da melhor forma comprámos 6 t-shirts lá para casa (sim, lá em casa somos 6) assim, de uma forma tão simples, ajudámos o centro mais um bocadinho.

Se quiser ajudar o centro, está sempre aberto para vos receber.
+ informações
cjpamadeupinto@gmail.com
https://www.facebook.com/cjpamadeupinto/

Texto: Catarina Laborinho
O Lisbon South Bay Blog agradece ao Padre Gonçalo Machado e à Fertagus por nos ter deixado “viver” este grande momento .

FERTAGUS, LSBblog

Família

5 COISAS PARA FAZER EM FAMÍLIA ESTE VERÃO. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Uma vez que o clima de férias veio para ficar pensei partilhar convosco 5 coisas da bucket list de Verão para poder fazer em Família. Sou grande fã do Pinterest, e aí é certo que encontra centenas de buckets list de Verão que o deixariam completamente extenuado, algumas delas possuem mais de 100 itens para concretizar. Eu não aguentaria fazer tantas atividades.

Aqui ficam o TOP 5 das coisas que habitualmente fazemos durante o Verão enquanto Família.

Vá acampar. Os benefícios desta atividade são inúmeros para toda a família. Somos forçados a desacelerar, usufruir da Natureza, apreciar as pequenas coisas. Somos forçados a praticar o minimalismo (menos roupa, menos tralha, mais organização), sempre que vimos de uma temporada a acampar aprecio a capacidade que temos de viver com tão pouco. Fomenta-se o espírito de cooperação e o respeito pelo outro.  O facto de não existirem paredes e de partilharmos espaços próximos, obriga-nos a ser mais tolerantes e respeitar o ritmo de cada um. Por fim, uma das maiores vantagens é o facto de passarmos tempo juntos na Natureza.

Acampar

Explore a água. Nadando, mergulhando, andando de barco, stand up padlle, o importante é usufruir deste elemento maravilhoso. Aproveite para iniciar novas atividades, atreva-se e vá surfar, todos juntos em família, de certo uma experiência memorável!

surf

Encontre um novo local para visitar na sua cidade. Seja museu, castelo, miradouro, parque ou jardim, o que importa é estarmos juntos e descobrir em conjunto.

Visitar amigos e família distantes. É sagrado, todos os verões lá vamos ver as tias, os primos e restante família e que bom que é conhecer as nossas origens, ouvirmos as mesmas histórias vezes sem conta. Deste modo construímos também a nossa História de Família.

Ver o Pôr do Sol. Esperar pacientemente até que finalmente o Sol desapareça no horizonte, seja no mar ou atrás das montanhas. Como o meu filho dizia: “São todos tão diferentes, mas são todos um espetáculo!”.

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Fotografia: Zee Anna Photography

Qual é a sua atividade de Verão preferida para fazer em Família?

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.

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SOZINHA(O) COM OS MIÚDOS NAS FÉRIAS…VERSÃO LOW COST. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Sejam mães ou pais “solteiros” ou casais em que uma parte fica presa aos compromissos profissionais, fazer férias sozinha (ou sozinho) com os miúdos é sem dúvida um desafio particular.

Foi nesta condição que passei sempre quinze dias de férias com os meus filhos, com idades diferentes e com desafios e expetativas muito divergentes, a maioria das vezes.

No entanto, as Férias deveriam ser isso mesmo, um tempo sem compromisso, sem horários determinados, em que cada momento deveria ser aproveitado com a maior das satisfações.  É no período de Férias, que muitas vezes notamos como Eles cresceram e é neste período em que realmente estamos disponíveis para Eles e Eles sabem-no.

Seria excelente ter muito dinheiro, viajar para um destino paradisíaco e fazer centenas de atividades divertidas…se calhar, sim…Mas com o Pai a trabalhar e nós em versão Low Cost, teríamos de ser Criativos e aproveitar bem cada momento.

Claro que a possibilidade de comprar diversão é fantástica, mas na verdade eu acredito que o que os miúdos mais precisam e desejam é que nós estejamos verdadeiramente lá para Eles, sem telemóveis, sem compromissos, sem horários, sem pressas.

Deixo-vos algumas sugestões Low Cost, mas com diversão garantida:

– Combinem um piquenique ao luar, seja na praia ou na relva lá de casa. Encomendem pizzas ou sushi (agora até os miúdos gostam) e entretenham-se a contar as estrelas, ver constelações e esperar uma estrela cadente para pedir um desejo.

piquenique ao luar

– O programa dos transportes públicos é sucesso garantido. Abandonem o carro e dediquem-se a explorar os transportes da cidade, estude o itinerário para que tudo bata certo. Vários percursos possíveis mediante a idade dos seus filhos:

a) Inicie o percurso em Sto António da Caparica de bicicleta pela ciclovia até à Trafaria. Apanhe o barco até Belém. Pode optar por prosseguir pela ciclovia até Alcantâra, passando pelo Museu da Eletricidade (gratuito) e terminando com umas boas fotos debaixo da ponte. Ou então, dirigir-se no sentido de Oeiras, fazendo a zona de Belém com tudo o que pode encontrar pelo caminho, desde o Centro Cultural de Belém, com o Museu Berardo (gratuito), os Jardins de Belém, os Pastéis de Belém, o Planetário, os Jerónimos. Não esquecer água, um lanchinho e o cadeado para as bicicletas.

Barco 1

b) Inicie o percurso em Cacilhas, apanhe o barco para o Cais do Sodré, aproveite para apreciar a paisagem, indique as 7 Colinas, o Castelo de S.Jorge. Chegados ao Cais do Sodré é hora de irmos viajar debaixo da terra, aqui poderemos optar por uma voltinha maior de metropolitano, apreciando cada uma uma das suas estações (sabia que são das mais bonitas da Europa), podemos sair em Palhavã e explorar os Jardins da Gulbenkian. Aqui existem sempre atividades, mas convém consultar os horários e calendários previamente. Se optar por uma volta mais curta, poderá sair na Baixa-Chiado e dirigir-se para apanhar o elétrico até ao Castelo de S. Jorge. No Castelo também existem sempre atividades para os mais novos.

Tour Lisboa

c) Inicie o percurso em qualquer estação da Fertagus da Lisbon South Bay e atreva-se a atravessar a ponte de comboio, é uma emoção! Saia em Sete-Rios e vá passar o dia ao Jardim Zoológico de Lisboa (consulte o horário dos espetáculos para não falhar nenhum). Não se esqueça de fazer a mítica viagem de teleférico por cima de todo o Zoo.

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– “Geocaching”, a caça ao tesouro moderna que os miúdos vão adorar.

caça ao tesouro

Estas são as regras do jogo:
Alguém (normalmente quem conhece muito bem o local) esconde uma cache – pequena caixa com papel para deixar o nome e a data. Tenho encontrado muitas caixinhas cilíndricas dos rolos fotográficos, mas também já descobri algumas caixas maiores que tinham pequenos presentes (quem quiser pode trocar por outro de igual valor)

Alguém (com ajuda de um aparelho com ligação GPS e algumas pistas deixadas na internet) vai tentar encontrar a caixa e deixa lá o registo dessa visita.

O objetivo, ou seja, a recompensa, é apenas esse – descobrir uma cache escondida. Até porque em regra geral ela está em locais muito bonitos e tantas vezes esquecidos ou até pouco acessíveis. Os esconderijos podem e devem ser “esquisitos”, tais como: bancos de jardim, placas de sinalização, troncos de árvore, lagos, caixas de água, postes de electricidade…

Numa época recheada de tablets, jogos de consolas, portáteis e telemóveis tactéis para mim este jogo consegue aliar o melhor do passado e do presente e tem muitas vantagens. A começar pelo custo (gratuito), mas também por ser uma actividade para ser praticada ao ar livre, em qualquer aldeia ou cidade do mundo, e claro é completamente segura e divertida para todas as idades.

Divirtam-se e aproveitem bem estes momentos de preguiça, boas férias!

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passeio BTT

ATL’S DE VERÃO – COMO ESCOLHER? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Todos os anos o cenário se repete…os miúdos começam as férias “demasiado cedo” e os adultos invariavelmente “demasiado tarde”.

Longe vão os tempos em que no primeiro dia de férias os miúdos eram “empacotados para a Terra” e só regressavam 3 meses depois, um dia antes das aulas recomeçarem. Eu fui uma destas felizardas, até aos 18 anos as minhas férias grandes eram passadas assim, com um enorme grupo de primos e amigos, com os quais construíamos as melhores memórias e aventuras inconfessáveis.

Sempre senti uma pontinha de inveja pelos meus amigos que passavam férias tipo “verão Azul”, todo o santo dia na praia rodeados de amigos. No entanto confesso que ninguém consegue ultrapassar as aventuras nas minas, nas grutas, nas escaladas de montanhas, nos mergulhos gelados no rio proibido, no “roubar da fruta”, nos bailes dançantes, nas boleias partilhadas…Daí ficaram as amizades de uma vida, laços inquebráveis que fazem com que anos depois pareça que foi ontem que tudo aconteceu.

Os riscos controlados, os desafios ultrapassados, longe da vista dos adultos mas com um grupo inseparável, fizeram de todos nós adultos mais seguros e confiantes.

Hoje porém, tudo parece perigoso, os miúdos não correm riscos e pouco ou nada são colocados perante desafios. As semanas de férias disponíveis oferecem atividades seguras e por vezes muito pouco desafiantes…

É urgente que as nossas crianças possam ter mais oportunidades de se mexerem, de explorarem os seus limites, os limites do seu corpo, tenham liberdade de experimentar, de aprender competências desportivas, mas também funcionais, aquelas coisas que poderão ser úteis qualquer dia destes…

Caminhadas desafiantes pela Serra da Arrábida para alcançar o topo mais alto sentindo-se o maior explorador do mundo, noções de socorrismo para que quando aquele “azar” acontece saibamos o que devemos fazer, cozinhar umas maravilhosas bolachas,  pedalar em BTT por entre as serras, aprender a fazer a manutenção da bicicleta, conhecer as diferentes espécies de animais e plantas existentes na Lagoa de Albufeira, experimentar o windsurf e o padell, conviver com os jovens e adultos que frequentam os diferentes espaços da Cercizimbra e concluir que, diferentes somos todos Nós e que cada um é único e especial!

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Estas espetaculares experiências foram me relatadas pela minha filha de 12 anos que este ano frequentou as semanas de férias FUI, dinamizadas pelo Centro de Animação para a Infância da Cercizimbra. Desafio, aventura, risco controlado, possibilidade de convívio entre diferentes idades, desenvolvimento da capacidade de entre-ajuda.  Claro que toda esta “ maluquice” é muito controlada e dinamizada por todos os competentes profissionais que estão envolvidos nestas semanas de férias.  Para todos eles o meu muito Obrigado e espero que a noite do acampamento com jantar partilhado, tendas de “partidas”, jogos e dinâmicas com os escuteiros esteja a correr igualmente bem. Amanhã terei com certeza muitas peripécias para escutar, ou só algumas, porque muitas irão ficar no segredo do grupo…

Estas experiências diversificadas são fundamentais no desenvolvimento das nossas crianças, como tal, antes de os inscrever tente perceber qual o programa de atividades, quem são os profissionais que vão acompanhar os seus filhos e se existe feed back de outros pais e crianças.

Uma boa escolha fará toda a diferença nas memórias de Verão do seu filho e de certo nas suas também!

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PRÓXIMO ANO, AUMENTA O TEMPO DE RECREIO E DIMINUI O TEMPO EM SALA DE AULA. IUPI!!! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana a grande novidade divulgada pelo Ministério de Educação é que, no próximo ano letivo, os alunos do 1º ciclo terão mais meia hora de intervalo diária, ou seja, menos duas horas e meia semanais em sala de aula.

Finalmente foi reconhecida a importância do Brincar no desenvolvimento da Criança e na sua capacidade de aprender. Todos sabemos que o tempo de atenção de uma criança é reduzido e que a diversidade e variabilidade de contextos e conteúdos são promotores de uma melhor capacidade de aprender.

Aliás não há muito tempo, escrevia sobre a importância dos intervalos, quer para o desenvolvimento psicomotor, quer como promotor de desenvolvimento de competências sociais, que tantas vezes ficam esquecidas no processo de formação pessoal do “Aluno”.

Fui a primeira a ficar exultante com esta notícia, finalmente as crianças podem brincar e pôr em prática tudo aquilo que vão aprendendo. Definitivamente o tempo de recreio é um tempo de excelência para que o próprio professor observe e interaja com os seus alunos e retire informação pertinente sobre as dinâmicas entre os pares, capacidade de resolução de problemas e possa também ter oportunidade de pôr em prática os conteúdos aprendidos em sala de aula.

É tão importante que as crianças nesta etapa de desenvolvimento tenham oportunidades de brincar num espaço desafiante, não é só importante “correr para libertar energias”, é importante brincar ao faz de conta, é importante testar novas competências motoras: saltar, trepar, balancear, equilibrar-se, ter oportunidade de correr alguns riscos controlados. Para tal é urgente que se repensem os espaços de recreio, dotá-los de materiais móveis que permitam a construção e criatividade ( tipo arcos, bolas, blocos de construção, material simbólico), de equipamentos de desafio motor ( traves de equilíbrio, barras para se pendurarem ). A verdade é que quando olhamos para a grande maioria dos recreios escolares vemo-los desprovidos de materiais e completamente “almofadados”, retirando toda a oportunidade de risco e desafio, componentes essenciais para o desenvolvimento da auto-estima das crianças.

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Segundo o Professor Carlos Neto, afirmava ainda esta semana sobre esta temática:

“As crianças que mais brincam no recreio e que mais socialização fazem, também aprendem mais na sala de aula. Ou seja, este tempo maior no recreio pode ter uma contribuição fundamental nas aprendizagens escolares.”

 E segundo os nossos parceiros do Norte da Europa, dos quais já muito se falou sobre o êxito do seu modelo educativo, são os primeiros a prolongar, privilegiar e valorizar os tempos de recreio e brincadeira. Não tenhamos receio de seguir os bons exemplos ao mesmo tempo que combatemos um dos maiores flagelos atuais, o sedentarismo infantil.

Os pais têm de ser exigentes na promoção da qualidade dos espaços exteriores das escolas dos vossos filhos, acreditem que aí se aprende melhor. No entanto, ainda há muito por fazer e podem ser os pais os primeiros a solicitar essa priorização e a envolverem-se em projetos conjuntos com a comunidade educativa de forma a melhorar a qualidade dos recreios escolares.

Uma criança que Brinca, que gasta as suas energias, que improvisa com os seus pares, que socializa, será, sem dúvida alguma, uma Criança mais disponível para aprender!

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“SERÁ QUE AS CRIANÇAS NÃO SE PODEM ABORRECER?”. Por Helena Gonçalves Rocha

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Ufa! Que chatice, não tenho nada para fazer…

Hoje em dia, esta frase quase deixou de ser ouvida, parece existir uma “lei contra o aborrecimento infantil”.

Assim que ouvimos estas palavras, logo encontramos soluções: vai fazer isto, joga aquilo… Parece que não podem aborrecer-se, não podem mesmo esperar sem fazer nada, sem fazerem mesmo nada…

O aborrecimento traz a criatividade! Quantos de nós fizemos desenhos infindáveis nas toalhas dos restaurantes enquanto aguardávamos que os crescidos terminassem a refeição e a “bendita” da conversa?

Levante o dedo o último que presenciou um cenário semelhante a este nos últimos tempos. Quantos cantámos, contámos carros, sinais de trânsito para ajudar a passar o tempo?

Quando a criança se aborrece tem uma tendência natural para resolver esta inquietude, criando, inventando novos personagens, novos jogos, novas configurações, claro está se lhe dermos oportunidade para que o faça.

Será que é mesmo a nossa vontade, inibir a capacidade de resolver problemas dos nossos filhos, a capacidade de lidar com a frustração?

Será que é mesmo a nossa vontade entregar os nossos filhos às babysitters eletrónicas, assistindo passivamente à sua quietude iluminada por um feixe de luz imenso projetado na sua face?

Aborrecida

Como sempre dizia o Pai cá de casa, são os extraterrestres a tomarem conta de nós…

Será que temos coragem de não dar a solução fácil? De permitir que as crianças encontrem soluções para se entreterem, estimulando assim as suas competências de resolução de problemas e contrariando a atual tendência da satisfação imediata.

Deixo-vos este desafio, a próxima vez que o seu filho lhe pedir o tablet ou telemóvel porque não tem nada para fazer, surpreenda-o…dê-lhe um papel e um lápis ou sugira-lhe que procure outra solução.

Se vai ser fácil? Desconfio que não…Mas garanto que vai valer a pena a médio, longo prazo. O seu filho irá ser estimulado a criar, a imaginar, a resolver novos problemas.

Gostava mesmo que partilhassem connosco as vossas experiências, pode ser?

Fico à espera.
Até para a semana, divirtam-se!
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BURNOUT PARENTAL

BURNOUT PARENTAL. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Nesta altura do ano tudo nos parece Demais… Demasiado barulho, Demasiado movimento, Demasiado calor, Demasiado trabalho e as férias começam a surgir como uma ténue luzinha bem longe, lá longe ao fundo do túnel…

Quem tem filhos pequenos sabe que esta sensação de que tudo é demasiado, não surge unicamente nesta altura do ano.

O síndrome de Burnout  Parental  não está relacionado com a interação dos pais com os filhos, mas sim com tudo aquilo que se traduz com o trabalho em educá-los, mantê-los nos seus horários, transportá-los  para as suas atividades, supervisionar os trabalhos de casa, garantir que têm uma boa alimentação. A síndrome de burnout parental surge muitas vezes nos primeiros anos de vida da criança por toda a exigência física e social e mais tarde na transição para a adolescência em que as exigências parentais mudam radicalmente quase de minuto a minuto.

Na sociedade atual a exigência é extrema, terás de ser uma Mãe exemplar, uma profissional de sucesso, uma dona de casa exímia e uma esposa dedicada e disponível, será que alguém aguenta?

A verdade é que na maioria das vezes acreditamos que sim e dedicamo-nos a cada uma destas áreas com o mesmo empenho e dedicação e…estranho, muito estranho mesmo, como há poucas Super Mulheres, começamos a acusar sinais de extremo cansaço, falta de paciência e acima de tudo uma sensação de frustração porque parece que seria expectável que fizéssemos tudo de forma exemplar.

Os pais sentem que não cumprem os seus objetivos, não estão a fazer o que é suposto, as exigências profissionais não se compadecem da exaustão física e emocional sentidas, a casa deixa de estar arrumada na perfeição e a paciência de repente desaparece…

A verdade é que a pressão social é muita para que Eduquemos na perfeição e quando começamos a acusar este cansaço, a frustração aumenta e o Burnout Parental instala-se.

BURNOUT PARENTAL

Existem no entanto algumas estratégias que podem prevenir este Burnout Parental.
Quando se tem filhos o perfeccionismo tem que ser banido das nossas vidas, “feito é bem melhor do que perfeito”.

Peça ajuda
Delegue tarefas no pai, no avós, nos tios. ( sim , não fica tão bem feito como se você fizesse, mas fica feito). Podem ser tarefas domésticas ou mesmo o baby sitting.

Pense em si
Planeie uma atividade semanal para fazer o que mais gosta, cuide de si, só assim estará apta a cuidar dos seus filhos.

Simplifique e priorize
O que será mais importante, a cozinha a brilhar ou uns momentos de verdadeiro riso e brincadeira com o seu filho?
Não complique, reconheça os seus limites, não consegue mesmo chegar a tudo aquilo que idealizou.

Estabeleça uma rotina
Com filhos pequenos  as rotinas são algo que trazem muita segurança e simplificação do dia a dia.

Priorize o tempo de casal
Quando os miúdos estiverem na cama, aproveite para conversar e namorar. Restabeleça a intimidade. Faça planos em conjunto, planos a dois, organizem um programa semanal a dois (mesmo que seja em casa, uma massagem conjunta, um jantar à luz das velas)

Divirta-se em família
Aproveite os pequenos momentos e solte umas gargalhadas, afinal não tarda nada e eles já cresceram. E isto é tão verdade..aproveite o momento, concentre-se na relação com os seus filhos e não no “embrulho”. Estão sujos? Mas estiveram todos a rir e rebolar na relva? Viva a sujidade e os momentos bons!

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.

Helena Gonçalves Rocha

OS MIÚDOIS NÃO DORMEM O SUFICIENTE. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não quero Dormir!
Quantas horas afinal e porque é assim tão importante?

Desde cedo ouvia a minha mãe dizer:
– O teu mal é sono! Dorme um bocadinho que depois já ficas melhor!

Mais tarde, enquanto avó repetia:
– O mal dele é sono! Vê-se logo quando não dorme…

E, claro está, que como em muitas outras coisas, eu acabei por lhe dar razão e repetir não as mesmas, mas quase as mesmas palavras:
– Nota-se logo quando não dorme o suficiente! Enquanto dormes estás a crescer, não vês como estás alta?

Os bebés, as crianças e os adolescentes necessitam de uma quantidade de sono significativamente maior relativamente aos adultos, de modo a suportar o seu rápido desenvolvimento físico e mental. A maior parte dos pais sabe que as crianças em crescimento precisam de uma boa noite de sono, mas a maior parte desconhece o número de horas necessárias para cada idade e qual o impacto que pode causar a falta de 30 ou 60 minutos de tempo de sono.

Uma das razões pelas quais é díficil detetar se as nossas crianças estão a dormir horas suficientes é pelo facto das crianças sonolentas não abrandarem à medida que vão ficando com sono. Na verdade, a falta de sono pode confundir-se com sintomas da perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA). As crianças comportam-se como se não estivessem cansadas, resistindo à hora de deitar e tornando-se cada vez mais ativas à medida que a noite continua. Tudo isto pode acontecer, apenas porque a criança está cansada.

Helena Gonçalves Rocha

Quem não assistiu a episódios de crianças cheias de sono, que correm desenfreadamente, vão de encontro a tudo e que entram em guerras de desafio com o adulto?

A National Sleep Foundation, recomenda que as crianças entre 1-2 anos durmam 11 a 14h, entre os 3-5 anos, 10 a 13 horas, em idade escolar 6 aos 13 anos deveriam dormir 9 a 11 horas, os adolescentes, dos 14 aos 17 anos entre 8 a 10 horas e o jovem adulto, 18 aos 25 anos deveria dormir entre 7 a 9 horas.

Como é possível verificar, as horas diárias de sono recomendadas vão variando ao longo do desenvolvimento da criança. E, de uma coisa estamos certos, o sono é um ponto crítico no funcionamento diário das crianças.

Uma boa noite de sono prepara as crianças para estarem atentas a novas experiências, relacionarem-se positivamente com os outros e construírem competências de memória e de atenção. Quando a criança dorme, o seu cérebro está ativamente a formar novas conexões, permitindo-lhes estar fisicamente mais relaxadas e mentalmente despertas quando acordadas. Lá está a velha máxima, enquanto dormes estás a crescer.

Os investigadores nesta área relacionaram os maus hábitos de sono com um maior risco de obesidade, dificuldades de memória e atenção e fraco rendimento escolar nas crianças em idade escolar. Para além disso, o sono insuficiente foi também associado com elevados níveis de agressão, podendo afetar negativamente as relações interpessoais com os pares e família.

Como tal, temos mesmo de zelar para que as nossas crianças tenham uma boa quantidade de sono que lhes permita desenvolver harmoniosamente.

E para que ocorra uma boa higiene do sono, teremos de ter em conta alguns hábitos importantes:

  • A rotina de deitar inicia-se uma hora antes do previsto. Aqui, a atividade deverá começar a diminuir, as luzes e sons devem começar a baixar e o contato com qualquer equipamento eletrónico deverá ser completamente inibido, inclusive a televisão.
  • No quarto de dormir não deverão existir equipamentos eletrónicos (TV, Tablets, telemóveis) para que possamos garantir uma boa higiene do sono.
  • Deverá ser acordado entre os pais uma rotina de deitar. Lavar os dentes, despedir-se dos bonecos, ler uma história (já na sua cama), beijinho e ó-ó!

Com os votos de uma boa noite, sonhos cor de rosa, às bolinhas!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
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PAIS SEM PRESSA? SIM, É POSSÍVEL. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Já aqui falei do tempo e da qualidade de vida que temos com os nossos filhos. Recuperando o artigo onde falo sobre este tema, (veja aqui) tive oportunidade de voltar a falar na importância do Slow Parenting [Pais Sem Pressa].

O Magazine Notícias de ontem publicou um artigo onde eu e outras mães falamos desta mesma qualidade cujo objetivo prende-se no facto de tentarmos desacelerar a vida dos nossos filhos e esticar o tempo para estarmos juntos (veja artigo completo aqui). Se preferir ler em suporte papel tente recuperar o suplemento do JN e DN da semana passada.

«Hoje em dia a pressão da perfeição faz que os pais queiram preparar os seus filhos o melhor possível. Preenchem os seus horários com todas as atividades possíveis para serem os melhores»

Ao que acrescento, é necessário sermos nós próprios a desacelerar, ouvirmos e escutarmos a criança, valorizarmos as pequenas coisas e pequenas conquistas, “perdermos Tempo” a ensinar-lhes pequenas coisas.

Fotografia de Diana Quintela/Global Imagens

Fotografia de Diana Quintela/Global Imagens

Porque eles são Capazes, mas têm mesmo de ter oportunidade de Experimentar, Errar e Tentar outra vez!
Vá sem Pressa! Pais sem Pressa, são de certo Pais mais Felizes e Tranquilos!

Helena Gonçalves Rocha

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