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A PÁSCOA E OS RITUAIS FAMILIARES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não havia nada mais certo, assim que se iniciavam as férias escolares aí íamos nós rumo ao alto Minho, para a “terra” dos pais, usufruir de todas as tradições da Páscoa.

A mais apreciada, era sem dúvida, o beijar da cruz. De casa em casa, lá íamos, o grupo de primos e amigos, receber o Sr. Padre e toda a sua comitiva que alegremente entravam na casa de cada um, anunciando “Aleluia, Aleluia, Aleluia”, acompanhado de salpicos de água benta. De seguida, a Cruz de Cristo era oferecida a cada um dos presentes para que a beijasse, recordo-me como se fosse hoje, como a Cruz era enorme para mim e como gentilmente se baixavam para que eu escolhesse onde iria beijar, nos pés, nas mãos (era uma decisão difícil, numa altura em que pouco se pensava em doenças e questões de higiene). O ritual terminava com o dono da casa a oferecer um ovo, que era depositado e transportado num requintado balde de prata.

Os miúdos, de seguida lançavam-se para a mesa dos doces, enchendo os bolsos de amêndoas, provando as especialidades da casa, desde o Pão de Ló, à Rosca Mulata da Tia. Os mais afoitos ainda conseguiam bebericar um cálice de vinho do Porto e fugir rapidamente para a casa seguinte, onde todo o ritual se voltava a repetir. No final, faziam-se contas, quem conseguiu beijar mais, que doces comemos e o relato de todas as peripécias vividas.

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Os rituais familiares são momentos que nos permitem viver e fortalecer ligações afetivas, servindo como recurso fundamental para a manutenção e fortalecimento da família. Os rituais são expressos de forma diferente em cada família, com cada uma a descobrir e a construir os seus, moldando-os à sua imagem.

Devido ao seu carácter repetitivo, os rituais constituem um elemento estabilizador e reconfortante para os membros das famílias, contribuindo para o estabelecimento e a preservação de um sentido coletivo, ou seja, da identidade familiar.

Todas as Páscoas eu sabia o que iria acontecer… e a segurança que isto me trazia…

Assistimos atualmente a uma perda progressiva das rotinas e rituais familiares, estando muitas vezes as famílias desprovidas de um fio condutor, afastadas dos elementos da família alargada.

O reatar de rituais familiares, ou mesmo a criação de novos rituais que façam sentido à família podem inverter esta situação e voltar a dar o fio condutor abalado, tornando-a mais coesa e autónoma.

Confesso que adoro rituais e adequá-los à minha família já quase se tornou um vício. Todos sabem o que acontece nas manhãs de Domingo. Todos sabem que na Noite de Natal se joga o jogo da Cadeira, os mais novos e os mais velhos. Todos sabem como os aniversariantes são acordados logo pela manhã. Enfim, são muitos os rituais já criados, mas muitos mais podemos inventar, na certeza que são estas memórias, estas certezas, esta segurança que podemos transmitir aos nossos filhos e quem sabe possam transmitir aos netos.

Os rituais são parte essencial da vida familiar, permitem apaziguar ansiedades, permitem tratar a sua Família como única e criam História e Memória.

Que tal aproveitar esta época festiva e iniciar uma nova tradição? Quem sabe, esconder ovos pela casa ou pelos caminhos circundantes, e partirem todos à Caça dos Ovos?

Para todos Vós uma Santa Páscoa e gozem a companhia uns dos outros!
Helena Gonçalves Rocha

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SOMOS TODOS IGUAIS OU TODOS DIFERENTES? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana comemorou-se a 21 de Março, o Dia Mundial da Síndrome de Down, este dia foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2006. Amplamente divulgada, a data tem por finalidade informar sobre o tema e reduzir a origem do preconceito. Por outras palavras, combater o “mito” que teima em transformar uma diferença num rótulo, numa sociedade cada vez mais sem tempo, sensibilidade ou paciência para o “diferente”.

Há alguns anos atrás descobri uma fotografia do meu grupo de jardim de infância dos anos 70 onde figurava um dos meus colegas portador de síndrome de Down, fiquei muito satisfeita pois guardo muito boas recordações da minha educadora Filomena, das corridas no pinhal e não tenho qualquer memória de qualquer um de nós ser Diferente, pois na verdade não o éramos, todos gostávamos de brincar, todos gostávamos de “fazer trabalhos” e fazer visitas de estudo. Alguns eram louros, outros usavam cabelo comprido, eu usava uns grandes óculos e andava sempre com nódoas negras nas pernas, outros gostavam de estar sossegados no recreio, afinal seríamos todos muito diferentes.

Helena Gonçalves Rocha

Tão diferentes que anos mais tarde, já no secundário, uma colega desse tempo me reconheceu e confessou que nunca mais se havia esquecido de mim. Uau.. Porquê? Porque costumavas andar atrás de nós com as lagartixas que apanhavas no pinhal!… Ups…

Na verdade, acredito que desde a primeira infância a educação para a diferença e o respeito pelo outro deveriam ser condições imprescindíveis na educação que delineamos para os nossos filhos.

A escola inclusiva, a escola que dá resposta a todos consoante as suas necessidades, promovendo a interação entre todos com todas as suas diferenças, foi sempre uma realidade para mim. Os valores, os ensinamentos que cada criança retira deste tipo de experiência é inestimável.

Os miúdos estão tão habituados a serem tão diferentes entre si a juntar a isso têm um adulto que medeia estas relações e os ajuda a perceber as diferenças e os ensina a respeitá-las e perceber que todos somos importantes e que podemos sempre apoiar e ajudar o nosso colega, tudo, mas tudo,  se torna mais fácil.

Não resisto a partilhar alguns episódios convosco, da minha vida pessoal e também da minha vida profissional. Sempre desenvolvi o meu trabalho nos contextos naturais das crianças, ou seja, um dos locais que visito regularmente são as salas de jardim de infância e posso dizer-vos que este é um dos meus locais de aprendizagem preferidos. As crianças com a sua ingenuidade e forma pura de ver e interpretar o mundo que as rodeia, recordam-nos sempre como tudo pode ser tão simples, sim porque quando crescemos temos uma tendência a complicar o que é simples.

Pois bem, numa das minhas intervenções em jardim de infância o João (nome fictício) com 4 anos ainda não conseguia andar sozinho, então, juntamente com a sua educadora de infância encontrámos variadas estratégias para que ele ao longo do seu dia fosse praticando as diferentes habilidades necessárias para que conseguisse alcançar esta meta. Uma das atividades consistia em levantar-se do chão e ir marcar a sua presença no mapa da sala, pois bem, quando eu lhe pedia que se levantasse, o João, invariavelmente, dizia que não. Assim que um colega lhe estendia a mão o Senhor João levantava-se com a maior das alegrias e sorrindo, executava a tarefa na perfeição. E aqui estávamos nós a ligar o “complicómetro”, claro está, que seria mais natural ser um colega a prestar este apoio em vez de um adulto “especial”. Sempre a aprender…

Agora quando vou às salas pergunto sempre quem são os meninos que são mais “ajudadores”, que são mais atentos aos outros, eles são ajudas inestimáveis e levam consigo um amor ao outro e uma solidariedade que os fará de certo adultos diferentes.

Helena Gonçalves Rocha

Não esqueço também quando o meu filho mais velho tinha na sua turma um menino autista, sem linguagem verbal. O meu filho sempre foi muito curioso e como tal sempre que eu chegava bombardeava-me de perguntas sobre o comportamento do Pedro (nome fictício) e qual a forma mais fácil para que ele próprio também o pudesse ajudar. Um dos comportamentos do Pedro mais difícil de entender era quando ele se entretinha a destruir as brincadeiras que os outros meninos faziam no recreio, aí, o meu filho já achava que era maldade, e mesmo querendo ajudar era muito difícil para ele, com 5 anos, entender que pudesse ser qualquer outra coisa. Foi nessa altura que lhe expliquei que o Pedro, que tinha autismo, provavelmente teria este comportamento porque não sabia como brincar com eles, e esta era a forma que ele encontrara para comunicar, mas que se ele o ensinasse como fazer, ele conseguiria aprender e poderiam brincar sem ver tudo destruído. E assim foi. Durante muitas semanas jogou-se à apanhada no recreio com o Pedro, repetidas vezes, quase sem conseguirem parar, com um Pedro muito, muito feliz.

Certo dia quando o fui buscar ao jardim de infância estava o meu filho sentado na cadeira, com o Pedro sentado no chão a abrir-lhe e fechar-lhe as pernas. E eu, mãe cheia de pressas, chamo-o: Vamos embora filho! Diz até amanhã! Ao que ouço a seguinte resposta muito prontamente: Ó mãe, tu não estás a ver que o Pedro está a brincar? E está a gostar tanto…

E nesse momento, eu desacelerei e vi como o meu filho estava atento ao outro e às suas necessidades e como para ele era importante o Pedro estar feliz. E claro está fiquei muito feliz pelo menino que assim estava a crescer e fiquei muito feliz pelo Pedro tinha arranjado um amigo.

As meninas são habitualmente mais solidárias e empáticas e a minha filhota não é excepção, já na escola primária conseguia encontrar sempre as causas possíveis para justificar o comportamento do seu amigo Gonçalo (nome fictício) e teimava, porque teimava que havia de ser ela a ensinar-lhe algumas matérias e a acalmá-lo sempre que fosse necessário.  Via-o como um dos outros colegas, simplesmente mãe, precisa de uma ajudinha extra!

Helena Gonçalves Rocha

Mais uma vez reforço, estas experiências são altamente enriquecedoras para termos adultos melhores, mais empáticos e solidários com o Outro.

Experimente fazer esse exercício com o seu filho. Quem ajudaste hoje? Reparaste se todos tinham com quem brincar?  Todos nós temos diferentes ritmos de aprendizagem numa ou noutra área, podemos sempre ajudar alguém naquilo que temos facilidade e podemos sempre aceitar a ajuda do outro para podermos melhorar. E não se esqueçam de tratar os outros como gostariam de ser tratados.

Estes são ensinamentos que começam agora, quando eles ainda são pequeninos e que mais tarde os irão ajudar a viver em sociedade, a aceitar as suas diferenças e as diferenças do outro, porque afinal todos temos os mesmos objetivos: ter oportunidades, educação, trabalho, amigos e amor. Afinal somos todos muito iguais quando apenas queremos ser Felizes!

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DIETA 4 PASSOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

4 Tempos sem ecrã = 4 Passos para melhorar
Lançamos hoje um desafio, a dieta 4 passos, 4 Tempos sem Ecrã = 4 Passos para melhorar.

Mas afinal, que ideia é esta? Ao longo dos anos e com um agravamento excessivo no último ano, as famílias recorrem ao tempo de ecrã de uma forma abusiva, trazendo esta utilização abusiva um grande impacto negativo no desenvolvimento das crianças, quer ao nível do desenvolvimento da linguagem, como também na regulação emocional e no desenvolvimento cognitivo.

Acredito que todas as famílias o fazem sem qualquer noção do enorme impacto negativo que possa causar no desenvolvimento dos seus filhos, fazem-no porque os miúdos pedem, porque muitas vezes no final do dia é tão mais fácil entretê-los deste modo, fazem-no porque muitas vezes os próprios adultos já permanecem horas infindáveis em tempo de ecrã sem terem qualquer percepção deste fenómeno.

Lanço este desafio nesta altura porque começa a ser demasiado o número de crianças que apresenta forte impacto no seu desenvolvimento em consequência desta utilização abusiva do ecrã. Lanço este desafio também porque já o fiz anteriormente com algumas dezenas de famílias cujos filhos apresentavam alterações de comportamento e dificuldades na regulação emocional e que após terem aceite este difícil desafio ( as primeiras semanas são duras), descobriram outras crianças lá em casa, capazes de se auto-regularem, colaborarem com os adultos e descobrirem novos focos de interesse.

DIETA 4 PASSOS – 4 Tempos sem ecrã = 4 Passos para melhorar!

#1 Sem ecrã logo de manhã

#2 Sem ecrã durante o horário das refeições

#3 Sem ecrã antes de dormir

#4 Sem ecrã dentro do quarto de dormir

 

#1 Sem ecrã logo de manhã

Os ecrãs (TV, telemóvel, tablete, jogos de computador) são captadores de atenção. A atenção é essencial para as aprendizagens escolares. Os ecrãs hiper-estimulam a atenção involuntária. A criança fica desperta pelos estímulos sonoros e visuais ultra-rápidos que se vão alterando no ecrã. Ao fim de 15 minutos a sua atenção esgota-se.

Uma criança que veja televisão (ou outro tipo de ecrã) logo de manhã esgota o seu sistema de atenção antes de ir para as aulas. Ora uma criança que já “esgotou” a sua atenção, é uma criança que se apresenta irrequieta, faladora, que deixa cair as suas coisas e que…já não se consegue concentrar.

Este mecanismo dificulta o desenvolvimento da sua atenção voluntária, condição essencial para o desenvolvimento das tarefas escolares.

Não resisto a partilhar uma experiência pessoal, por volta dos 3 anos, eu, como muitas outras mães, deixava o meu filho ver um bocadinho de desenhos animados enquanto eu me arranjava, posso dizer-vos que a rotina matinal não era nada fácil, pois os meus de transição eram guerras pegadas, o vestir era difícil, o pequeno almoço era difícil, a saída de casa era difícil…tudo era muito esforçado. Até ao dia que eu decidi experimentar acabar com a TV pela manhã e posso dizer-vos que o milagre aconteceu, deixamos de ter guerras e tudo passou a correr de forma muito mais fluida. Desde esse episódio que esta estratégia de, TV de manhã Não, é uma das que partilho primeiro com as famílias e amigos, porque efetivamente a testei exaustivamente.

#2  Sem ecrã durante o horário das refeições

A televisão ligada durante as refeições familiares impede que fale com os seus filhos e que eles falem consigo. Uma criança que cresce com a televisão ligada permanentemente terá um vocabulário mais pobre, uma linguagem menos rica. Nas crianças com idades entre os 15 meses e os 2 anos  a TV ligada diariamente multiplica por 3 a probabilidade de aparecimento de atrasos no desenvolvimento da linguagem.

O conteúdo ansiogénico de certos programas televisivos ( as notícias em particular) têm repercussões no comportamento e na regulação das emoções das crianças, pois muitas vezes são demasiado jovens para os entender, mesmo que o adulto lhe explique as suas emoções não se irão modificar. Todos os sabemos as imagens de guerra, violência e miséria que quotidianamente passam na televisão.

 #3  Sem ecrã antes de dormir

O sono que resulta após uma criança  estar exposta a imagens animadas, mesmo que adaptadas, caso das Baby TVs  e outras do género, será um sono de pouca qualidade uma vez que esta atividade não é calmante para o cérebro. É demasiado estimulante emocionalmente. O ecrã difunde uma luz azul (LED) que inibe a melatonina, hormona reguladora do sono, impedindo a criança de adormecer naturalmente.

Como tal, terminar com os ecrãs duas horas antes de ir para a cama.

#4  Sem ecrã dentro do quarto de dormir

A presença de ecrãs dentro do quarto de dormir diminui o tempo de sono da criança. Com a televisão, o computador, o tablete, o telemóvel, dentro do quarto de dormir, os pais deixam de ter a oportunidade de controlar o que o seu filho vê. Mesmo que verbalmente lhe dê orientações para que não aceda a determinados conteúdos, a verdade é que as crianças não têm maturidade suficiente para não o fazerem.

Sem ecrãs no quarto, a criança aprende a desenvolver competências essenciais: atividades sensório-motoras, jogos de regras, leitura, jogo simbólico, grafismos, todas estas atividades são necessárias e essenciais para o desenvolvimento do pensamento, da atenção e da socialização.

Por outro lado, o facto de terem estes factores distrateis junto a si durante toda a noite é altamente perturbador, e impede-os de conquistarem uma noite de sono com qualidade. São imensos os relatos de pais que a meio da noite vêem uma luz que irradia do quarto dos filhos, e verificam que os filhos permanecem em comunicação durante toda a noite. Ou mesmo quando ainda pequenos, acordam a meio da noite e sem capacidade de se auto-regularem para voltarem a adormecer, optam por acender a televisão?

Retire os ecrãs dos quartos de dormir, deixe os telemóveis a carregar fora dos quartos, institua regras, a qualidade de sono de todos os elementos da família irá agradecer.

Perante estes 4 passos aceita o desafio?
Por onde irá começar?
Qual será o passo mais fácil?

Garanto-lhe que vai valer muito a pena, também lhe garanto que não vai ser nada fácil!
Se precisar de ajuda, estamos por cá para ajudar, partilhe connosco!

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O MEU FILHO É CONDICIONAL DEVO MATRICULÁ-LO NO 1º ANO? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Aos 6 anos “manda a lei “ que as crianças sejam matriculadas no 1º ano do 1º ciclo. Até aqui tudo parece muito simples. Habitualmente o ano escolar inicia-se em meados de Setembro e se nesta data a criança ainda não tiver completado os 6 anos? Pois bem, aí a decisão de o matricular ou não fica a cargo dos próprios pais.
As crianças nascidas entre 16 e 31 de Dezembro são denominadas de “matrícula condicional”, quer isto dizer, que os pais podem assumir a condição de não os inscreverem e quer também dizer que serão os últimos a terem prioridade nas vagas do 1º ciclo, ou sejam são “condicionados” às vagas existentes nas escolas.
E se o nosso filho contempla os 6 anos até 15 de Setembro, não há hesitação possível, tem de ser e tem de ser mesmo. Está na hora de ir para a escola, doa a quem doer! Mesmo que achemos que o nosso filho não está minimamente preparado para enfrentar este novo desafio e que ainda não tem maturidade para o fazer. E nesta altura, também nós Pais nos preparamos para esta nova etapa e para a necessidade de apoiar muito o nosso bebé que teima em não crescer e que agora tem mesmo de ir para a Escola.

Mas quando nos é dada a hipótese de optar, vai para a Escola ou faz mais um ano de Pré-escolar?
Aqui todos os dilemas aparecem, qual a opinião da educadora? O grupo dos colegas vai todo? E se ele fica sozinho sem conhecer ninguém? E o pediatra o que acha desta transição?
Difícil mesmo é sermos obrigados a optar… Pois bem, são dezenas as famílias com quem já analisei esta situação e sem dúvida que não há uma resposta certa. Depende…depende de quê?
Será muito importante, os Pais, que são quem melhor conhecem o seu filho, equacionarem várias condicionantes antes de tomar a decisão. Pois para tomarmos uma decisão acertada é crucial termos acesso a toda a informação.
É essencial percebermos que existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento os 7 anos são considerados a idade-chave.

Helena Gonçalves Rocha
A maturidade e prontidão escolar dependem bastante do desenvolvimento emocional e comportamental e também do seu “currículo” de experiências de aprendizagem. Cada criança terá a sua “bagagem de experiências de aprendizagem”, que influenciará de forma global o seu desenvolvimento.
É muito importante avaliar a capacidade da criança em focar a sua atenção e manter-se em tarefa, o 1º ciclo é bastante exigente neste domínio.
E por fim, mas com uma enorme importância, as competências emocionais requeridas: a capacidade de adiar uma recompensa; conseguir esperar pela sua vez; seguir regras de convivência; tolerar a frustração; a curiosidade/interesse em aprender e finalmente…perceber que já não é para brincar.

Assim deverá pesar todos estes aspectos e decidir em consciência com o que considera ser mais benéfico para o seu filho. O insucesso derivado de uma aprendizagem prematura, conjuntamente com a adaptação ao novo meio social, pode desencadear uma grave perturbação que pode afetar toda a escolaridade. E, decerto não é o que desejamos para  o nosso filho. O facto de ficar mais um ano no pré-escolar até completar os 6 anos, permitirá que adquira mais algumas competências através do brincar, tornando-o mais apto para as outras exigências.
Optar pelo ingresso no 1º ciclo pelo motivo de acompanhar os amigos, poderá não ser o melhor, pois muitas das vezes a diferença de quase um ano entre eles é o suficiente para originar experiências de insucesso dos quais os queremos proteger.

Esta semana falava com uns pais que me diziam, mas assim ele vai ficar sempre atrasado em relação aos outros…Pois, não é mesmo assim, as crianças que fazem anos no último trimestre do ano acompanham sempre a idade do grupo, ou seja, terminarão o  1º ano com 7 anos feitos e no final da escolaridade obrigatória, ou seja no 12º ano, terão, como todos os outros 18 anos.

Atraso não é nenhum, na minha opinião, será mais um ganhar tempo de qualidade, tempo de brincar, tempo de crescer.

Posso partilhar convosco que também eu me deparei com esta decisão com o meu filho nascido no final de Dezembro, que estava motivadíssimo para o ingresso no 1º ciclo. No entanto, decidimos oferecer-lhe mais um ano de brincadeira, mais um ano de crescer, para que a experiência escolar não viesse a ser uma frustração. Na altura ele questionava bastante porque não podia acompanhar os seus colegas e aí a resposta sempre foi muito simples: Só vai para o 1º ano quem tem 6 anos. Tens 6 anos?

Se estamos arrependidos? Nem pensar. Se teria corrido melhor se tivesse entrado com 5 anos? Nunca saberemos. Mas a oportunidade de brincar mais um pouco foi-lhe dada sem pressas de chegar à mesma meta de todos os outros.

Muitos de vocês, como eu, conhecerão crianças que ingressaram com 5 anos e que são atualmente jovens estudantes de sucesso, mas acredito que esta é mais a excepção do que a regra. É mais comum conhecer alunos que ficaram retidos no 2º ano de escolaridade por não conseguirem acompanhar o grupo, mais tarde no 6º ano ou no 7ºano. E optando pela regra das probabilidades se podemos prevenir esta taxa de insucesso e a decisão nos cabe a nós, porque não fazê-lo?

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MARÇO JOVEM, É A TUA CENA. Por Catarina Laborinho

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O mês de Março está à porta e com ele vai chegar mais uma vez o MARÇO JOVEM 2018 promovido pela Câmara Municipal do Seixal.

E perguntam vocês, e isso é?

Pois é, vai ser um mês sem parar com atividades para os mais jovens que virá animar as escolas secundárias do concelho, bem como alguns espaços públicos com concertos, danças, desportos náuticos e radicais, stand-up comedy, workshops e muito, muito mais.

A primeira escola a abrir este mês vai ser a Escola Secundária Dr. José Afonso, mais conhecida por “Cavaquinhas” (pelo menos no meu tempo) já na próxima segunda-feira dia 5 de Março, depois o meu querido Fogueteiro (saudades desses tempos… isto não volta mesmo para trás?!?!), no dia 6… e assim sucessivamente. Todos os dias uma atividade numa escola perto de nós.

Para conhecer o programa completo clique aqui.

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Se num destes dias, a meio do dia, ligar ao seu filho(a) e achar que está numa festa, é verdade, mas a festa é mesmo na escola 😉 Toca aproveitar este mês que vai chegar carregado de coisas girase ajudar a carregar energia a meio do ano letivo.

Nós aqui temos o Março à porta
Nós aqui temos isto

Texto: Catarina Laborinho
Fonte e Foto: Câmara Municipal do Seixal.

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E QUANDO ELES NÃO QUEREM SABER DO PAPEL E DO LÁPIS? Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

O seu filho não quer saber de desenhos, pintar ou escrever? Diz que não gosta, não sabe ou arma uma birra quando lhe propõem uma atividade de papel e caneta?

Pois…não está sozinho. Cada vez existem mais crianças que rejeitam este tipo de atividade, os pais dizem “eu também não tinha jeitinho nenhum” ou “está tudo muito bem desde que não lhe dêem uma folha e um lápis”. Reconhece este discurso?

Os motivos que levam a que estas situações aconteçam podem ser múltiplos e variados, desde as dificuldades manipulativas, ou seja, uma dificuldade real na coordenação dos movimentos finos exigidos para a realização deste tipo de tarefa, até uma auto-crítica muito elevada que faz com que a criança tenha receio de arriscar com medo que fique pior do que imaginou ou muito diferente dos seus colegas.

A primeira causa requer a intervenção e apoio de um profissional especializado que o poderá apoiar e recomendar as atividades e exercícios mais adequados a cada caso de forma a ultrapassar a dificuldade observada. A segunda causa é por vezes a mais difícil de ultrapassar pois quando a criança receia tentar a escrita, habitualmente não aceita ajuda para o poder fazer e então?

Quem por aqui costuma passar já reparou que raramente me detenho nos problemas e que aprecio bem mais o enfoque nas soluções. Assim sendo como poderemos ajudar estas crianças “resistentes à escrita”?

Antes de mais, habitualmente pegamos no papel e no lápis com um propósito, apreciar as cores que se unem e se afastam, que se misturam e que separadas ou unidas formam uma bela obra de arte.

Esta fase é fundamental, apreciar o movimento das cores, o movimento dos lápis, apenas para brincar com o papel, com as cores, em papéis grandes, em superfícies grandes, quadros, papéis gigantes. É muito errado quando precocemente restringimos os movimentos amplos das crianças no papel, cada vez mais cedo observo pais e educadores a exigirem aos miúdos de 2, 3, 4 anos, “pinta por dentro, não saias do risco”. Antes da criança poder controlar os seus movimentos finos e precisos da mão tem que experimentar a amplitude, o chegar mais longe, mais alto, mais largo. Por isso, tantas e tantas vezes, quando me pedem que ajude estas crianças começamos sempre por este movimento amplo e exploratório.

De seguida passamos à fase da representação do concreto e surgem os primeiros desenhos da figura humana, desenho este que se vai desenvolvendo e pormenorizando ao longo das diferentes fases do desenvolvimento da criança.

E aqui como poderemos novamente apoiar e ajudar? Pois bem, nós só representamos aquilo que conhecemos. Como tal é imprescindível que a criança conheça o seu corpo e as diferentes partes que o constituem. Como? Agindo sobre ele e fazendo-o agir. Brincando, dando cambalhotas, enrolando a cabeça e as pernas, dando abraços com os seus braços compridos, pontapeando bolas com as pernas e pés e depois, de seguida estamos prontos a representar isso tudo no papel. Outra forma de podermos apoiar a criança na sua representação gráfica do corpo é utilizando o espelho e gradualmente e em conjunto desenharmos as diferentes partes “Olha, na cabeça eu tenho dois olhos, eu desenho um e tu podes desenhar o outro? E orelhas, quantas temos? Eu ponho aqui uma, tu pões a outra?” E por aí fora até chegarmos aos pés.

Essencialmente mesmo será o adulto deixar a crítica bem longe, não são permitidos “ Não é assim , é assim!” “Cabelo verde que grande disparate, não vês que é castanho?” A criatividade e a fantasia estão em fase de desenvolvimento e a criança que receia tentar, precisa de experimentar sem julgamento. O perfeccionismo e o hiperrealismo virão mais tarde, temos muito tempo!

Se estas dificuldades surgem na fase em que a criança é apresentada às letras e à escrita, aí teremos mesmo de utilizar a nossa grande criatividade e apelar à diversificação de materiais de escrita e de superfícies. Ou seja, é válido escrever na areia, na terra, na lama, com paus, com pedras. Construir letras com diferentes materiais flores, folhas, lã, enfim o que a nossa imaginação ditar e para onde a criança nos orientar. O facto de seguirmos a ideia original da criança será, com toda a certeza, garantia de possível sucesso.

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Nesta fase é muito importante que a escrita não esteja unicamente relacionada com objetivos académicos, ou seja, preferencialmente deve entrar nas brincadeiras (quando brincamos ás casinhas podemos fazer uma lista de compras, podemos ajudar lá em casa a fazer a lista das faltas, deixar recados) e principalmente suscitar uma grande motivação para a escrita, os miúdos adoram decifrar mensagens secretas e deixarem mensagens secretas para os próprios adultos decifrarem.

Surpreenda os seus filhos e deixe mensagens escritas a giz no passeio lá de casa, vai ver que vão querer retribuir!

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Se tiver dúvidas relativamente a este tema não hesite em consultar um profissional especializado, na área da Psicomotricidade, que terá com certeza todo o gosto em esclarecê-lo e apoiá-lo nas suas dúvidas e dificuldades.

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Fotografias: D.R.

 

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TRUQUES PARA QUE O SEU FILHO DURMA FINALMENTE A NOITE TODA! Por Helena Gonçalves Rocha

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Dormir… sonhar com uma cama… pestanejar frequentemente… ter dificuldade em manter uma conversa… apresentar uma cara tipo-panda, com as maiores olheiras de todo o sempre…

Enfim… quem tem episódios de privação de sono saberá do que estou a falar. Normalmente estes períodos de privação de sono estão associados aos  pais de crianças pequenas que habitualmente não têm uma noite inteira de sono. Aliás se perguntarmos a estes pais o que mais desejariam: irem jantar fora a dois ou dormirem uma noite inteira? Não hesitamos muito na resposta correcta e rapidamente imaginamos dois adultos a atirarem-se desesperadamente para cima de uma cama para DORMIR.

Uma boa higiene do sono, sim, é mesmo assim que se denomina todo o conjunto de hábitos associados à rotina de dormir.  Nesta higiene do sono  incluímos:

– 1 hora antes de deitar os movimentos da casa deverão começar a abrandar;
– Reduzir a intensidade da luz e som ( inclui afastamento total dos ecrãs tv, telemóvel, tablet); apagar as luzes intensas do tecto, reduzir o som;
– incluir rotinas repetitivas: a mesma hora de deitar, lavar os dentes, ler a história e dormir.

No entanto, este tipo de rotina nem sempre é suficiente para garantir uma noite completa de sono, existem alguns Truques extra que poderemos experimentar e são eles:

Difusor de óleos essenciais, 
Os óleos essenciais ajudam a melhorar o padrão de sono. Podem ser utilizados num difusor no quarto durante a noite e podemos também realizar uma massagem com pressão nos pés da criança durantes alguns minutos mesmo antes de ir para a cama.. Um dos óleos recomendados para este efeito é o de lavanda e madeira de cedro, mas poderá tentar outro que considere mais relaxante e calmante.

Cobertor de peso
Algumas crianças não processam a informação oriunda dos seus sentidos da mesma forma que as outras, evitando estes estímulos ou procurando-os. Muitas crianças têm necessidades sensoriais únicas e podem responder bem à utilização de um cobertor de peso, sem terem qualquer tipo de diagnóstico específico. Porém, as crianças com Autismo, com perturbações de ansiedade, com perturbações do processamento sensorial, com perturbação da hiperatividade e défice de atenção e desordens graves do sono, são aquelas que obtém uma resposta mais eficaz quando utilizam o cobertor com peso.

Helena Gonçalves Rocha

Porquê? O que têm todas elas em comum?
Todas apresentam baixos níveis de serotonina e um sistema nervoso ativo.

E como funciona o Cobertor de Peso?
Através da Pressão de Toque Profundo, que consiste numa pressão gentil por todas as partes do corpo, que poderá ser atingida de várias formas, através dos Abraços, das Massagens, da utilização de Coletes de Peso ou de Cobertores de Peso.

E o que faz a Pressão de Toque Profundo?
1. Aumenta a libertação de serotonina
A serotonina é um neurotransmissor que desempenha papéis essenciais no nosso corpo, como por exemplo:
# Inibidor comportamental
# Apetite
# Agressividade
# Sono
# Humor
# Desenvolvimento cerebral
# A serotonina também está envolvida no processo de produção da melatonina, tão importante na regulação de um padrão de sono saudável.

2. Diminui a atividade do sistema nervoso
E quais os benefícios da utilização do Cobertor de Peso?
# Reduz a ansiedade
# Melhora o sono
# Adormece mais rápido
# Reduz a ansiedade
# Sono profundo
# Menos movimentos durante a noite

E como posso saber se o meu filho beneficiará da utilização do Cobertor de Peso?
Se responder afirmativamente a pelo menos duas destas três questões, estamos no caminho certo.

1. Adora dormir ou ficar debaixo das mantas;
2. Gosta de se “enfiar” em espaços pequenos ou colocar-se por trás dos móveis;
3. Tem dificuldade em relaxar e ficar sentado tranquilamente.

Este cobertor de Peso funciona também muito bem nos adultos para reduzir os níveis de stress, a ansiedade e  a insónia.

E como quando estamos desesperados para dormir vale a pena experimentar tudo, deixo estas sugestões para que se atrevam a experimentar e depois…depois queremos saber como correu, pode ser?

Pode ser? Psst! Pode ser?
ZZZZZzzz!
Noites e até amanhã!

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.

CRIANÇAS

EXERCÍCIOS PARA MANTER AS CRIANÇAS COM ATENÇÃO E FOCADAS. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

“Mas como é que este miúdo pode estar com atenção senão pára quieto?”

“Como não parou quieto durante toda a aula, vai ficar o intervalo na sala para poder acabar o trabalho!”

Estas são frases que costumamos ouvir com frequência da boca de professores e pais, como tal, é com uma boa dose de espanto e incredulidade que me ouvem dizer:

“Os miúdos precisam de movimento, mais mexidos” não conseguem estar com atenção se estiverem completamente parados!”

As crianças precisam de movimento! O sistema vestibular é o sistema sensorial que processa e controla o movimento. O “painel de controlo” que ajuda as crianças a compreenderem o equilíbrio, a postura, o posicionamento vertical e o alerta necessário para uma resposta adequada ao movimento está localizado no ouvido interno. E agora adivinhem lá como é que este sistema se ativa? Através do movimento, é claro!

Tal como os adultos, as crianças começam a distrair-se quando têm de permanecer quietos durante um período de tempo mais longo. Como é que você se mantém alerta quando tem de estar sentado numa reunião ou a ouvir uma conferência durante um largo período de tempo? Ao início, estamos despertos e atentos, mas passado algum tempo de estarmos sentados quietos a nossa atenção começa a dispersar-se.

De modo a mantermos o foco, talvez nos endireitemos na cadeira, cruzemos e descruzemos os braços, cruzamos as pernas ou rodamos o pescoço. Só estes pequenos movimentos são suficientes para estimular o sistema vestibular, dando-nos feedback da nossa postura e do nosso estado de alerta e auxiliando-nos a retomar o foco de atenção.

Então, imaginem se nós formos capazes de dar mais oportunidades às nossas crianças de se levantarem e de movimentarem ao longo do dia de escola. Talvez consigam manter a atenção para o professor durante maiores períodos de tempo. Talvez se mostrem mais calmos e com um comportamento mais adequado para a sala de aula. E talvez participem mais e estejam mais envolvidos nas aprendizagens, mostrando aos professores aquilo que sabem! Para algumas crianças, isto poderá fazer toda a diferença!

E ficam algumas ideias simples de movimentos de alerta e foco:

1# Levantar e esticar!
2# Levantar-se e ir beber água. Um pouco de movimento combinado com uma experiencia sensorial oral pode ser o suficiente para voltar a captar a atenção da criança após um longo período sentada.
3# Deixe os miúdos terem um tempo para saltar na Fisioball…rolar, saltar, deitar de estômago.
4# Anunciar: “Em pé por 5 minutos!” – informe os miúdos que deverão trabalhar de pé durante 5 minutos.
5# Providencie muitas oportunidades aos estudantes de trabalharem em posições alternativas, como por exemplo deitado no chão, em pufs, encostados à parede.
6# Providencie intervalos extra!
7# Faça intervalos de movimento ou intervalos de dança. Ligue a música e toca a dançar, escolha músicas com coreografias que lhe permitam para além de reativar o sistema de alerta, desenvolver conteúdos (partes do corpo, números, letras)

CRIANÇAS

Não esqueça que associando movimento aos conteúdos que pretende ensinar, a criança conseguirá manter a atenção e aprenderá e reterá a informação com mais facilidade.

E por favor, pare de mandar os miúdos estarem quietos, os miúdos precisam mesmo de mais movimento, precisam de brincar no recreio para depois quando voltarem à sala poderem manter-se com mais atenção.

Helena Gonçalves Rocha

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Mother Smiling at Son --- Image by © Image Source/Corbis

A CRIANÇA E OS OUTROS – COMO PROMOVER A EMPATIA. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Mas afinal o que está a acontecer?

Passamos indiferentes perante alguém que precisa de ajuda? Um idoso carregado de sacos? Alguém que tropeça e cai mesmo na nossa frente?

Ou, e foi com certeza este episódio que me trouxe até aqui, derrubo um café a ferver por cima da mão, dou um grito, acusando a queimadura, a mesa fica toda suja, escorrendo café. Tentando diminuir o estrago, vou limpando a mesa, ao mesmo tempo que seguro a trela da cadela na outra mão. Não queria acreditar, eu sozinha, e as mesas circundantes todas ocupadas, ninguém levantou a cabeça, ninguém prestou ajuda…mais…quando regressei com novo café, que fizeram questão que voltasse a pagar, a minha mesa já estava ocupada, por pessoas que assistiram placidamente a toda a situação. O que se passa? Fazemos parte de planetas diferentes? Somos só nós e o nosso umbigo  que importam?

Rapidamente penso nas crianças de hoje e reflito se será esta mensagem que queremos passar aos adultos de amanhã. Deixa lá, finge que não vês, o que interessa é que tu consigas. Que medo…

A verdade é que as crianças aprendem essencialmente por imitação, e os adultos são os seus principais modelos. Criança vê os pais fazerem, criança tentará imitar na primeira oportunidade.

Pois bem, fui educada com o lema de “Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti e não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem”, tão simples quanto isto!

Falamos de EMPATIA! Segundo o dicionário de língua portuguesa é a faculdade de compreender emocionalmente (pessoa, objeto); capacidade de se identificar com outra pessoa.

Pode ser difícil ajudar as crianças a aprenderem sobre a Empatia. Não é algo que elas aprendam sem qualquer orientação – especialmente nesta sociedade autocentrada em que vivemos. Mas vai com certeza valer a pena orientarmos as nossas crianças nesse sentido.

Mas afinal como podemos ensinar a criança a ter Empatia?

Ensinar uma criança a ter empatia envolve a capacidade de esta se preocupar com os sentimentos dos outros e conseguir analisar as situações através da perspetiva das outras pessoas. No fundo, implica calçar os sapatos do outro…A Empatia é uma caraterística complexa para se ensinar a uma criança, mas através do nosso modelo e com os incentivos adequados, esta caraterística poderá desenvolver-se ao longo do tempo.

Aqui ficam alguns exercícios / estratégias que poderá experimentar:

Elogie o seu filho quando ele mostrar empatia.

  • “ Que simpático da tua parte teres deixado o menino andar no baloiço. Ele ficou muito contente. Eu reparei, ele estava a sorrir.”
  • Recompensar o seu filho pelo seu comportamento empático poderá ajudá-lo a desenvolver uma Empatia natural. 

Pergunte ao seu filho como acha que os outros pensam ou se sentem perante determinada situação.

  • Se virem algo de mal acontecer com outra pessoa, aproveite para perguntar como é que ele acha que essa pessoa se sente. Por exemplo, um menino está a comer um gelado e deixa-o cair no chão, pergunte:” Como é que tu te sentias se isto acontecesse contigo?”

Ajude o seu filho a desenvolver um sentimento de preocupação.

  • Por exemplo, se ele mencionar que um colega da sua turma tem muitas dificuldades, faça perguntas sobre isto. Pergunte: “ Porque achas que tem dificuldades? Não consegue estar atento? Não está a perceber esta matéria?”
  • Poderá sugerir ao seu filho que tente ajudá-lo na aula ou depois da aula. Atividades como esta ensinarão o seu filho a demonstrar carinho e interesse pelas outras pessoas. 

Dê o modelo, demonstre empatia para com o seu filho.

Se você só falar sobre empatia, e não a praticar, dificilmente ele irá aprender. É recomendável que você ensine pelo exemplo e mostre o que é ser empático, na prática.

  • Demonstre empatia com o seu filho, expressando preocupação e simpatia quando ele se magoar ou estiver triste. Pode dizer qualquer coisa como: “ Por favor, anima-te. Eu fico triste ao ver-te assim.”
  • Se ele vir este tipo de comportamento em si, ele será mais propenso em ser empático com os outros, primeiro pela força do hábito e depois como manifestação de emoção genuína.

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Ensine o seu filho a ver as coisas do ponto de vista das outras pessoas.

  • Por exemplo, se estiver uma menina a brincar sozinha no recreio, peça ao seu filho para imaginar como ele se sentiria se estivesse no seu lugar. Será que gostaria que alguém o convidasse para brincar?

Incentive o seu filho a fazer algo de bom para alguém.

Pode ser algo bem simples, como telefonar para os avós, ajudar a levar as compras do vizinho, dar um elogio à irmã.

  • Este tipo de atividade vão ajudar o seu filho a desenvolver um senso de responsabilidade para com os outros e a ganhar um sentimento de satisfação cada vez que ajuda alguém.

Experimentem e comentem, por favor!
E mais, lanço-vos o desafio de propor aos vossos filhos (e quem sabe a vós mesmos), de fazer alguém sorrir todos os dias com uma das suas ações.

Helena Gonçalves Rocha

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abraço

O PODER DO ABRAÇO. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Experimente fechar os olhos e imagine um abraço, ser envolvida por uns braços quentes e reconfortantes, como se sente? Protegida, segura, envolta, amada, o seu batimento cardíaco começa a ficar alterado?

E é tão bom, não é? Imagine agora que é abraçada por alguém que ama, está agora no seu porto de abrigo? Já está a suspirar?
E se experimentar abraçar alguém? Alguém que precisa mesmo de um abraço, alguém que se aninha em si e se aconchega…
O poder do abraço é tão forte que mesmo que só o imaginemos parece que já conseguimos usufruir dos seus benefícios.
Mas afinal quais são os super-poderes do Abraço?

#1 Os Abraços fazem bem à saúde

Estudos mostram que os abraços têm o poder de reduzir os batimentos cardíacos e a pressão arterial, além de diminuir o risco de doenças cardíacas. Isto ocorre, pois a pele possui uma rede de centros de pressão que ficam em contato com o cérebro através de nervos conectados a vários órgãos, inclusive o coração.

Os abraços diminuem também o nível de cortisol, conhecida também por hormona do stresse.

O excesso de cortisol no cérebro (em resposta a situações de stresse) afeta o desenvolvimento do sistema límbico, que controla e gere as emoções, e interfere também com a capacidade da criança para aprender e crescer. Assim, o toque tem um papel significativo na capacidade da criança regular as suas próprias respostas ao stresse.

Altos níveis de cortisol podem prejudicar a saúde, para além do stresse causado, é também responsável pelo aumento de peso e pela dificuldade em emagrecer. Logo, Abraçar ajuda a perder Peso!!!

#2 Os Abraços tornam as pessoas mais felizes

Dar ou receber um abraço é a forma mais simples de fazer o corpo libertar oxitocina, conhecida como a hormona do amor e da felicidade. Ela aumenta os sentimentos de apego, conexão, confiança e intimidade e ajuda a curar a solidão, o isolamento e até a raiva.

O abraço é processado pelo sistema nervoso como uma recompensa, e por isso tem um impacto importante na mente humana, fazendo com que tenhamos uma sensação de felicidade e alegria. Não importa se estamos abraçando ou sendo abraçados, a simples conexão física com o outro já nos torna mais felizes.

Os abraços ainda ajudam a cultivar a paciência e demonstrar apreço, além de estimular a liberação de dopamina, a hormona do prazer, e serotonina, a hormona do bem-estar, amplamente associada ao bom humor.

abraços

#3 Os Abraços reduzem o stresse

Estudos encontraram evidências de que pessoas que foram mais abraçadas na infância demonstram menos sintomas de stress na vida adulta. A afeição física também ajuda a atenuar nossas reações a situações stressantes e contribui para reduzir a ansiedade.

Outro benefício é o fato de que abraçar alguém relaxa os músculos, ajudando a libertar e diminuir a tensão no corpo, deixando-nos mais calmos e relaxados.

#4 Os abraços oferecem proteção

O toque carinhoso de um abraço ajuda a criar uma sensação de segurança, já que nos sentimos totalmente protegidos quando abraçamos alguém que amamos. Além disso, cientistas encontraram evidências de que os abraços ajudam a reduzir nossas preocupações e medos existenciais.

Estudos também mostram que as sensações táteis dos abraços protetores que recebemos de nossos familiares na infância se mantêm no sistema nervoso quando nos tornamos adultos, e ajudam a aumentar nossos sentimentos de confiança, autoestima e amor próprio.

Afinal um abraço não é “só” uma reconfortante manifestação de afeto, é um ato quase mágico, com um poder que tem tanto de ancestral e profundo como de inesperado.

Há algum tempo tive oportunidade de vivenciar numa sessão de Biodança a experiência do Abraço, “…abrace um desconhecido, sinta esse abraço”, confesso que de início achei um pouco estranho, mas que à medida que ía sentindo diferentes abraços , todos estes benefícios que enumerei tomavam conta de mim. Quantas as vezes ao longo do dia pensamos, “precisava mesmo daquele Abraço” e como já vem sendo habitual, lanço-vos um novo desafio: dê e recolha abraços ao longo do seu dia, promova o bem-estar do Outro e o seu próprio bem estar.

Como diria a terapeuta familiar Virgínia Satir:
Precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver
Precisamos de 8 abraços por dia para manter.
Precisamos de 12 abraços por dia para crescer.

Já agora, um abraço a todos…

Helena Gonçalves Rocha

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