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DIREITA OU ESQUERDA: A IMPORTÂNCIA DA LATERALIDADE NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Helena

Todos conhecemos alguém que hesita sempre que lhe é dada uma ordem de orientação verbal: “Vira à esquerda!” Hesitação e resposta… “Qual esquerda?”

Descobrir se é destro ou esquerdino (canhoto) parece ser muito simples e natural. Mas, nem sempre isso acontece e a verdade é que encontramos muitas crianças com a sua lateralidade mal definida.

Lateralidade

Algumas crianças podem vir a encontrar dificuldades no seu quotidiano devido às dificuldades na lateralidade.

“Os meus pais achavam que eu era destra. Como tal, 27 anos depois sou esquerdina e tenho vários problemas provenientes de uma lateralidade mal definida”- este é o testemunho de uma estudante de Reabilitação Psicomotora que tardiamente descobriu a sua predominância lateral inata. “Tenho um sentido de orientação desastroso, um equilíbrio péssimo. Seguro muito mal no lápis. Tenho uma letra horrível e quando era miúda era constantemente gozada pois não conseguia agarrar uma bola”

Como se desenvolve a lateralidade?
É durante o desenvolvimento do ser humano  que a Lateralidade se manifesta. Apesar de ser congénita, ela não surge de forma súbita, mas sim aos poucos.

A partir dos 4/5 meses o bebé já utiliza as duas mãos. É o primeiro sinal de coordenação. Aos 7/8 meses, ele começa a passar os objetos de uma mão para a outra e toma consciência de que tem duas mãos. Por volta do ano e meio, começa a praticar a coordenação bimanual: uma mão suporta e a outra manipula.

A definição da lateralidade é um processo muito rápido para algumas crianças, no entanto há outras que passam por um processo mais lento. De forma geral, a lateralização definitiva alcança-se por volta dos 7 anos de idade, independentemente de muitas crianças atravessarem a ambilateralidade e vários episódios de flutuação antes de obterem a lateralização esquerda ou direita. Até lá podemos começar a observar e interrogar.

A preferência não ocorre só por uma das mãos, mas sim também por um dos pés ou ainda por um dos olhos.

Este processo está intimamente ligado com a especialização hemisférica funcional, a nível neurológico, como tal, é muito importante respeitar e consolidar a predominância lateral manifestada pela criança.

Sabe-se que crianças esquerdinas sofreram bastante ao longo dos tempos, uma vez que eram consideradas aberrações, principalmente na escola, onde eram severamente punidas, com seus braços esquerdos atados pelos professores. Cultural e sociologicamente, ser esquerdino estava associado ao diabo e a coisas maléficas, como tal as crianças eram contrariadas na sua lateralidade, o que mais tarde ocasionava dificuldades na aprendizagem e na orientação espacial.

A minha irmã, “canhota contrariada”, ainda hoje escreve com a mão direita e faz tudo o resto com a mão esquerda, cortar, pintar, coser…

Lateralidade

 

Hoje em dia, já não assistimos a este tipo de fenómeno, no entanto a percentagem de esquerdinos é largamente inferior aos destros. O que condiciona a forma “natural” de ensino de habilidades manipulativas, como o escrever, cortar com tesoura, uma vez que as competências manipulativas de um esquerdino são claramente diferentes de um indivíduo que utiliza a mão direita. Por outro lado, o mundo ainda continua a ser dos destros, existem muito poucas tesouras para esquerdinos ( as outras quando utilizadas por um canhoto, mastigam o papel) e a posição do papel e a própria postura de sentado de um esquerdino é claramente distinta. Recordo-me sempre de uma colega de faculdade que utilizava duas cadeiras com tabuleiro para poder escrever, uma vez que todas elas possuíam tampo à direita e escrever assim sendo “canhoto”, é mesmo obra do Diabo!

A percentagem de destros é largamente superior aos esquerdinos. Claro que, é bem mais simples um esquerdino ensinar outro esquerdino, mas não poderemos ficar à mercê da sorte, para que o processo de ensino – aprendizagem tenha sucesso.  Como tal é urgente dar formação a educadores e professores no sentido de os dotar de estratégias e competências que lhes permitam efetivar este tipo de ensino, a postura, a posição do papel, enfim um sem número de habilidades que sem dúvida são muito distintas das competências utilizadas pelos destros.

A boa e correta definição da lateralidade caminha a par de uma  boa escrita, envolvendo a orientação espacial e temporal. Para que mais facilmente consigamos suportar a predominância lateral  é fundamental observar os gestos das crianças em situações do quotidiano, como por exemplo, ao:

  1. Encher o copo de água, sendo que a mão dominante abre a torneira e a outra segura o copo;
  2. Pentear o cabelo;
  3. Recortar, sendo que a mão dominante segura a tesoura e a outra o papel;
  4. Organizar o material na mochila;
  5. Escovar os dentes, a mão dominante será a que coloca a pasta dentífrica sobre a escova, e também a que fará os movimentos de escovagem

Esta correcta lateralização irá desenvolver um papel muito importante no desenvolvimento da criança, permitindo-lhe adquirir uma boa noção de corpo e de espaço, assim como de manipulação dos objetos.

Para que a lateralidade se possa definir sem problemas, deveremos ter o cuidado de proporcionar atividades diversificadas à nossa criança, explorar as digitintas, pintar, desenhar, fazer plasticina, construir Legos e deste modo, no seu próprio ritmo, a criança irá manifestando a sua predominância lateral.

Lateralidade

Se acha que o seu filho está com problemas de lateralidade ou pensa que terá uma lateralidade mal definida, não hesite em contactar um especialista, numa consulta de Psicomotricidade poderá esclarecer as suas dúvidas quanto ao desenvolvimento psicomotor e encontrar estratégias para promover a Lateralidade, que mais tarde lhe permitirão uma correcta aprendizagem da leitura e da escrita.

Helena Gonçalves Rocha

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