correr

HÁ CORRER E CORRER.

corremos

Chamar “correr” ao que faço é provavelmente um desprestígio para quem o faz verdadeiramente (e não estou a referir-me apenas aos profissionais, não precisamos chegar a esse nível)! O mais indicado será dizer “os passitos acelerados que dou”, mas na falta de melhor expressão vamos chamar “correr”, sem ofensa para os que efetivamente o fazem.

A minha forma de ver o ato de correr é diferente do status quo e procuro satisfazer-me para além da prática do exercício físico! Ela acaba por acontecer, mas, não é o que me move.

Em primeiro lugar, tenho de partilhar que estou muito orgulhosa, pois este ano, “corri” todos os dias. À minha maneira, mas todos os dias (Ano Novo, Atitude Nova). E o que é isto de ser “ à minha maneira”?

Como para alguns, correr era bom, mas era para os outros. Seria impensável acordar, levantar-me mais cedo, pensar em sair de casa para correr. Não gostava de o fazer, saia-me os “bofes de fora”, a “dor de burro” aparecia enquanto o diabo esfrega um olho e fica-se toda desgrenhada! Mas, a necessidade aguça o engenho (mais uma vez, não se pode propriamente qualificar como “engenho”). Andei anos no ginásio, mas praticar máquinas e aquele enclausuramento não me satisfaziam. O ar livre tem efeitos terapêuticos no estado de espírito e comecei a fazer caminhadas. Daí a começar a “correr” foram uns passinhos, ou melhor vários passinhos. Alternar a caminhada com a corrida foi o princípio até conseguir fazer o percurso inteiro “a correr”. A velocidade deste ato é que “mancha o meu curriculum nesta matéria”, pois não sei quantificar, mas é lenta, muito lenta.

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Os comentários que oiço poderão tornar mais fácil de entender, uns mais simpáticos que outros, mas dá para perceber a ideia:

# Olha lá, isso não dá para ir mais rápido?!” (altamente motivador!)

# Devagar se vai ao longe (risos, sim, risos, quando eu estou a “correr” e não a andar!)

Facilmente se percebe que a competição a esse nível não interessa e fisicamente também não é por aqui que se ficará “boa como o milho”. Então porque é que “corro”? Porque é o meu momento de meditação. É o meu momento de libertação e de arrumar ideias. É o meu momento. É um momento que eu gosto de estar só. E este momento tem imenso impacto para um (bom) dia. E é por isso que tenho o privilégio de sair de casa e a envolvência da Lisbon South Bay proporcionar todas as condições para isto: a natureza, o percurso (ser plano), a “vizinhança”, o não haver trânsito. E é por isto que não vou correr com mais alguém, e é por tudo isto que o “correr” me traz bem-estar, sem impacto “visível” no corpinho.

Sabiam que a frase:

ANOTARAM A DATA DA MARATONA dita ao contrário se lê da mesma maneira?

Esta curiosidade expressa muito bem este contexto. Moral da história – há sempre diferentes perspectivas, interpretações e abordagens. E é importante estarmos (de) bem com a nossa.

Nós aqui temos condições para correr. Nós aqui temos isto.

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