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HIPERATIVIDADE OU BICHO CARPINTEIRO

Helena

“Não pára quieto um bocadinho…”, “Senta-te, se faz favor! “, “ Pára de correr!”

Esta semana foi notícia recorrente a medicação excessiva tomada pelas crianças portuguesas. A hiperatividade e défice de atenção será a entidade culpada por esta toma excessiva de medicação. Esta semana fomos obrigados a pensar um pouco sobre este assunto, afinal o que se passa? Será esta a doença do século? Será a medicação a única saída para conseguirmos aumentar os tempos de concentração das crianças e diminuir a sua atividade?

Antes da medicação será que podemos tentar descobrir a causa deste movimento louco e desenfreado?

Os miúdos muito ativos  fazem-no sem sentido, correndo sem destino, parando quando encontram um obstáculo e esbarrando com ele.

As crianças de hoje têm muito pouco tempo para se mexerem, constantemente lhes é solicitado que permanecem quietos. E o mais inquietante é que esta exigência é feita desde muito cedo. Ouço pais de crianças com 3 anos a dizerem-me que ele não se concentra ou que só pára quando tem o tablet ou telefone.

Esta concentração/atenção é uma concentração falsa, digamos que os seus cérebros estão em modo Stand by, não lhes é exigido que pensem, que interajam, apenas que sejam recetores de imensos estímulos contínuos que os mantêm aparentemente despertos.

Aquilo que  desejamos é que consigam parar sem os ditos aparelhos e que consigam organizar este movimento desenfreado.

A Hiperatividade com défice de Atenção existe e requer um diagnóstico cuidado. Quanto aos hiperativos carecem de uma análise cuidada e deverá procurar ajuda assim que suspeite dessa situação, porque antes da medicação muito pode haver para fazer. E nalguns casos a medicação poderá ajudar temporariamente a permitir que o seu filho adquira estratégias de organização e contenção.

Nem todos os miúdos muito ativos são Hiperativos, há que ter bastante cuidado nesta distinção.

A sociedade obriga a que os miúdos controlem o seu nível de atividade cedo demais, têm muito pouco tempo para se expressarem livremente. Teremos de admitir que cada vez mais cedo exigimos às crianças que estejam quietas e se saibam comportar, que aprendam tudo antes de tempo.

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O desenvolvimento infantil tem uma cadência, uma sequência, antes de correr, tenho de saber andar, antes de pintar dentro dos contornos, tenho de borrar e aprender as cores. Então porque queremos que façam tudo antes do tempo? É essencial, para que mais tarde consigam ter um movimento controlado e planeado que anteriormente tenham experimentado todo o tipo de movimento, caído e levantado.

Por vezes é difícil para nós adultos assistir a tanto movimento, chegamos a ficar cansados só de os ver. Chega a ser uma coisa aflitiva. Temos duas hipóteses para encarar a situação:

  • Inibimos o movimento e exigimos a imobilidade. E parece que acabamos de ativar uma bomba relógio.
  • Acompanhamos o movimento dando-lhe sentido. E o que é isto? Se uma criança corre sem rumo, podemos solicitar-lhe que nos diga quantas vezes vai correr até aquela parede. Outra vez poderemos pedir-lhe que nos diga de que modo o vai fazer, saltando, passos à gigante, pontas dos pés? Este tipo de solicitação obrigará a criança a parar, pensar e planear e no final poderá ainda relatar como executou a tarefa.

Estudos recentes da Universidade de Groningen na Holanda, referem que as crianças aprendem melhor quando em movimento. Aprender matemática dando saltos, ou soletrar as letras do seu nome à medida que dá passos de gigante, permitem uma melhor acomodação dos conhecimentos. Quando todo o corpo está em movimento, os níveis de atenção estão aumentados e as memórias visuais e quinestésicas (palavra difícil que diz respeito às sensações do corpo) ficam retidas na memória muito facilmente.

Na minha prática clínica é habitual andar de skate para alcançar letras, fazer jogos de palavras com bola enquanto corremos incessantemente e garanto-vos que os resultados são garantidos e temos miúdos motivados.

Conclusão:
Dê sentido ao movimento do seu filho, estimule-o a praticar desporto, a aventurar-se na Natureza. Temos que os deixar ser ativos, muito ativos!

Ter como prioridade diária Brincar, Brincar e Brincar!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
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Fotografias: D.R.

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