HELENA GONÇALVES ROCHA

JÁ POSSO IR BRINCAR? E OS TRABALHOS DE CASA, JÁ ESTÃO FEITOS? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Este é o excerto de um diálogo ouvido quotidianamente em muitas casas portuguesas. Por esta altura, e porque já decorreu um mês de aulas, os miúdos começam a perceber que isto é mesmo a sério.

O assunto dos trabalhos escolares levados para casa é um tema que me inquieta há décadas, mais ainda quando os meus filhos ingressaram no 1º ciclo e o confronto com a execução destes TPC passaram a ser uma dura realidade.

Dir-vos-ei que sou uma ferverosa defensora dos trabalhos de casa, sim, aqueles trabalhos que envolvem os diversos elementos da família e que possibilitam trabalhar as competências funcionais do quotidiano, demonstrando que aquilo que se aprende na escola é efetivamente útil no nosso dia-a-dia.

Eu sei que este é um tema bastante polémico e garanto-vos que ao longo do percurso escolar dos meus filhos fui tentando defender o seu direito de brincar e o meu direito de equilibrar a dinâmica familiar do final do dia. Posso dizer-vos que valeu a pena, que fui ouvida em alguns dos meus argumentos, e que progressivamente os trabalhos para casa foram instituídos ao final da semana. Como tal, valerá sempre a pena manifestar as nossas preocupações e argumentos em defesa do direito de brincar, sim, porque infelizmente, e cada vez mais, o tempo de Brincar fica esquecido.

Gostava no entanto, de vos deixar algumas ideias sobre o tema trabalhos de casa, para que possamos estar mais dotados de argumentos e lutarmos contra as ideias feitas ( basta da conversa:  é porque na escola dele é assim…) , pois acredito que em conjunto pais, educadores, professores, poderemos fazer diferente e com toda a certeza Melhor.

As crianças passam demasiado tempo na escola, para terem ainda de trazer o trabalho da escola para dentro de casa. Há crianças que saem de casa às 7h30m da manhã e só voltam 12h depois. Passam mais tempo na escola do que os pais nos seus trabalhos.

Claro que queremos acompanhar as suas aprendizagens, mas mais do mesmo é que não. Mesa, cadeira e fichas já têm suficiente. Em casa existem outras formas interessantes de desenvolver o que se aprendeu, cozinhando, fazendo listas de compras, caçando letras pela casa, pondo a mesa e contando talheres, enfim, haja imaginação.

O regresso a casa deve ser o regresso ao tempo em família, ao mimo, à brincadeira, ao não fazer nada, aproveitar o seu quarto, os seus brinquedos. Ora se quando chegamos a casa exaustos, com tudo o que ainda há para fazer, temos de pacientemente (se é coisa que não existe ao final do dia é paciência) sentar na secretária e insistir para que façam mais uma cópia, aperfeiçoem a letra…tem tudo para não correr bem. Até porque, depois dos Trabalhos de casa, ainda há os “trabalhos da casa”, arranjar tudo para o dia seguinte, roupas, lanches e afins.

HELENA GONÇALVES ROCHA

Não está provada qualquer correlação entre a realização dos trabalhos de casa e o sucesso escolar. Existem diversos estudos que comprovam que maior número de TPC realizados não correspondem a um maior êxito escolar.

O melhor motor para a aprendizagem é a curiosidade.  É sabido que é a curiosidade que despoleta o movimento, a criança move-se porque tem curiosidade de conhecer, de descobrir, de explorar. Mais tarde, à medida que vai adquirindo conhecimento a criança tem necessidade de pôr em prática esse conhecimento e correlacionar conceitos e para isso o que precisamos? De tempo, tempo livre, tempo de descoberta, tempo de ócio, para que novas coisas possam surgir. Depois de um dia intenso de escola, o tempo de “não fazer nada, não fazer mesmo nada” deve ser encarado como um tempo sagrado pela importância que assume no desenvolvimento infantil, quer ao nível cognitivo, quer emocional.

É essencial Brincar. Muito, mesmo muito. Todos os dias. Porque será que assim que ficamos preocupados com os resultados escolares o que salta logo é o brincar?  Será suficiente o intervalo da manhã e da hora de almoço? Claro que não .

Uma boa brincadeira é o maior motor de aprendizagem, da leitura, da escrita, das competências sociais.

Pais, mães, não nos acomodemos. É nossa responsabilidade ajudar os miúdos a crescerem, mantendo acesa a motivação e curiosidade sobre o Mundo, a vontade de aprender.

Desaceleremos um pouco… temos mesmo de garantir mais tempo de brincadeira às nossas crianças, para que possam crescer de forma harmoniosa. Porque Brincar é o que se faz quando se é Criança, não é Trabalhar…

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.

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