garrafão

CENAS TRISTES NA PONTE :-(. Por Marlene Gaspar

corremos

Eu sei que estamos em pleno século XXI, que há coisas que damos como dado adquiridas e que este blog só pretende transmitir o melhor da margem sul. Mas hoje não estou para dourar a pílula e por isso vou chamar os bois pelos nomes.

Esta manhã estava a subir para a Praça das Portagens na Ponte 25 de abril em direção a Lisboa e uma sujeita, no banco do pendura de um C3 cinza prata abre a janela e manda um papel para o chão! Sim, senhores, um papel para o chão. Eu estava no carro atrás e abismada, buzinei e disse como se alguém me ouvisse:

– Não se manda papéis para o chão.

A dita pessoa esbraceja, vira a cara e percebi que ela não me estava a dizer coisas queridas e fofas, embora (felizmente) não tenha ouvido uma única palavra. O carro onde esta pessoa abrandou e foi para uma faixa ao lado da que eu seguia e o senhor que estava ao volante abriu o vidro. E eu disse de forma simpática (sim, eu consigo ser):

– Não se manda papéis para o chão.

Esta pessoa, veio para mim com ar de que se me apanhasse à frente me ia descabelar e entrar numa “luta de galos” que eu claramente sairia a perder, não tenho dúvidas e não vale a pena armar-me em boa, porque o meu nome é Marlene Gaspar e não Lara Croft. Mas tendo em conta a bolha de segurança criada pelos dois veículos saiu-lhe apenas um:

– Então vai lá tu apanhar!

Ora bem, tendo em conta a imagem que eu já estava a visualizar de poder levar uma coça, pode dizer-se que foi razoavelzinho. Não deu para responder, porque não há resposta para este tipo de abordagem, mas ocorreram-me algumas cenas, tais como:

– Nós não andámos juntas na escola.

– Eu até apanhava, porque não me caiem os parentes na lama, para apanhar um papel, porque por causa de uma atitude parva é o ambiente que perde. Mesmo pedido de uma forma só estúpida e de quem se está literalmente a borrifar para os outros, esquecendo-se que também faz parte dos outros. Mas, não dava. Fazer uma cena dessas colocava-me em perigo e todas as pessoas que vinham atrás de mim (e em hora de ponta na ponte, meus amigos, é muita gente)!

Por isso segui caminho. Lembrei-me ao abrandar no garrafão que muitas vezes dou-me conta das inúmeras beatas que as pessoas largam ali e pensei. Uma beata não é biodegradável. Se ainda mandas beatas para o chão, pensa que não o deves fazer. Se queres fumar dentro do teu carro, do teu espaço, tens todo o meu apoio, agora não venhas largar a beata no chão. Nem na praia, nem num vaso, nem junto a uma árvore. Guarda a cena, arranja um cinzeiro portátil, sê criativo, mas não sujes o planeta. Isto é um desrespeito. Não quero ser falsa moralista, mas oiço algumas vezes que acumulo cenas menos simpáticas no carro, porque deitar pela janela é como pisar um traço contínuo. Não se faz. Não se pode fazer.

Recordei outro episódio, mas neste caso a viagem era no sentido contrário, onde um fulano, num Renault Clio antigo preto, largava pedaços de papel pela janela. Apitei e aconteceu uma cena semelhante. Só que o desfecho foi diferente. Eu ouvi bem de que é que fui chamada, e das palavras que posso reproduzir foi “vai” e “mãe”, o resto a minha religião não me permite. E, juro, que tive medo, muito medo. Não sei se não saiu uma pinguinha pernas abaixo, porque ele pediu-me para encostar e eu achei que aquilo já não ia ser só uma luta de lama com puxões de cabelos que eu ia claramente perder, aquilo era cena para ficar mal tratada. À séria. Felizmente ficou por ali, porque dei um bocadinho de gás e tive a sorte de “desaparecer” do seu alcance.

Moral da história: vamos ser amigos do ambiente na margem sul e em qualquer lugar. O planeta agradece e nós também.

Espero que entendam esta mensagem como um alerta e que não vos suscite qualquer vontade de dar uma tareia neste corpinho, porque na verdade eu não dou muita luta e só quero mesmo ser do bem.

Nós aqui temos pessoas preocupadas com o ambiente.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar
Foto: JN

2 replies
  1. Diana
    Diana says:

    Olá Marlene, algumas pessoas acham que atirar um papel pela janela é o de menos (principalmente pessoas de gerações anteriores à minha, em que o ambiente e essas coisas estranhas não eram uma preocupação). Para quem tem essa atitude…e provavelmente não são os leitores deste blog, mas imaginem que têm as janelas de casa abertas e todo o lixo que é atirado pelas janelas dos carros….entra pelas janelas da vossa casa. Sentiam-se invadidos? Seria horrivel? Mas é isso mesmo só que na casa que é de todos nos…o planeta.

    Responder
    • Lisbon South Bay Blog
      Lisbon South Bay Blog says:

      Olá Diana, obrigada pela partilha. Com a informação que há hoje temos de mudar velhos maus hábitos que não são bons para ninguém.
      Votos de uma Páscoa Feliz.

      Responder

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