palhaços

MASCARADA? OBRIGADA NÃO.

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Carnaval. Momento de folia e diversão. Criança que é criança tem de se mascarar no Carnaval. E é tão giro, para nós pais, vê-los mascarados e poder mostrar as fotos deles fantasiados. Verdade? Giro é, mas tem mesmo de ser assim? Não, necessariamente.

A minha filha de 5 anos não se quis mascarar e ao ler o texto de Evelyn Scheven sobre o Carnaval, abordei esta questão de uma perspectiva diferente.

O carnaval é a época festiva entre a epifania e a paixão. Como tantas festas cristãs, são continuações de antigos hábitos pagãos. A rigidez que a vida nos impõe, pode ser esquecida por algum momento, durante as festas de carnaval. Embora a South Bay tenha uma programação de Carnaval por excelência e que gosto muito de apreciar, o Carnaval não é uma época que me diga muito. Já me diverti bastante em muitos carnavais, principalmente aqui, na margem sul. Mas, é daquelas alturas que ou se está virado para a folia e é até as forças não darem para mais, ou não se está. E aí, passa um pouco ao lado. “Um pouco”, porque este ano tive um pedido surpreendente. A minha filha pediu para se mascarar! De palhaça!

Pára tudo. Mascarar-se?! Ela nunca se quis mascarar, mas este ano quis fazê-lo e apesar do espanto, fui tratar da máscara pedida.

Sexta-feira antes do Carnaval foi a festa da sua escola. Ao acordar nessa manhã ela lançou um olhar de pânico até que conseguiu expressar que não queria mascarar-se. Não percebi se o receio era de dizer que não queria e estar a voltar com a palavra atrás ou se era da possibilidade de ter de ir mascarada. Provavelmente eram os dois. Somos a favor da liberdade de expressão e, por isso, dissemos que ela podia não ir mascarada, sem insistência ou pressão. Vestiu-se normalmente, mas o estado de pânico manteve-se até que conseguiu dizer que não queria ir para a escola, porque iam estar todos mascarados e ela não. A custo consegui convencê-la que ela não tinha de deixar de ir à escola por querer estar diferente, ou mascarar-se, porque os outros o faziam.

Voltando ao texto sobre o Carnaval:
Normalmente o ser humano cria uma máscara social a partir dos seis ou sete anos de idade. Essa máscara é a imagem que a criança sente que as outras pessoas esperam dela. É uma proteção que evita uma série de aborrecimentos.

A Victória tem 5 anos, e deu-me uma grande lição. Ao chegar à escola e ver todos os amigos mascarados sentou-se num canto, claramente a sentir-se “à parte”. Disse-lhe que podia ir buscar o fato de palhaço, para o caso de mudar de ideias. Não quis. Não estava confortável com aquela situação, sentia-se, mas ser parte “do rebanho” (no bom sentido), também não era opção. E, no alto dos seus 5 anos, ela lidou muito bem com a situação. Não foi uma “maria vai com as outras”, apesar de ser a via mais fácil. Como diz o texto “é uma proteção que evita uma série de aborrecimentos.” E, ela enfrentou muito bem a sua “dor de crescimento”.

Temos de reconhecer que a escola e os amigos tiveram um papel muito importante, porque respeitaram e não discriminaram a sua escolha. E é esse espírito de cidadania que temos de ensinar e preservar.

Eu, como mãe, senti-me de coração apertado, mas orgulhosa. Orgulhosa daquele ser que não escolheu a via mais fácil, mas não deixou de se divertir por causa disso. Bem-haja o Carnaval.

Pois como refere o tal texto do Carnaval:

Mas se com o tempo a criança se confundir com a máscara, a proteção vira prisão ou, pior, o adulto se imagina uma outra pessoa, que as condições sociais ou profissionais impõem que ele seja, e que não tem nada a ver com seu eu.
Nesses dias, qualquer um pode ser velho, jovem, rico, pobre, bonito ou feio. Pode-se experimentar uma nova máscara, sem grandes consequências, bastando estar atento para que a brincadeira não exceda limites.*

* Evelyn Scheven
O Caminho de Cristo

Mascarados ou não, nós aqui desejamos um excelente Carnaval.

Nós aqui, temos máscaras. Ou não.
Nós aqui, temos isto.

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