GarciadeOrta

O GARCIA DE ORTA TROUXE A MINHA CARA DE VOLTA!

agradecemos 1

Quando falei da minha higienização (podes ver aqui) recebi vários pedidos para contar a história da minha deslocação do maxilar. Na verdade… foram só dois, mas para verem que para mim o que conta não são os números, e sim as pessoas, cá vai.

Quando tudo parecia perfeito num dia na margem sul, onde estava sozinha na Praia do Castelo a acordar de uma bela soneca com uma vista de sonho, eis que acontece o inesperado. Bocejo e … desloco do maxilar! Não sei o nome técnico, mas o que se sucedeu foi um estalido e a boca ficou literalmente ao lado, sem abrir nem fechar.

sonecanapraia

Soneca na praia

Não contem com uma foto dessas para registar o momento, porque simplesmente não existe e ai da alminha que se lembrasse de imortalizar esse momento! Já conviver com a memória é o que é!

Procuro de imediato os óculos de sol para fazer de espelho. A imagem refletida não podia ser pior. Quem és tu? Não sou eu. Começa a apoderar-se de mim a fraqueza e a vontade de desmaiar, chorar e pedir ajuda. Mas a quem? Quem nos vir naquele estado vai “panicar” só de olhar! Ligo para o Ruca e eis o meus espanto quando apenas balbucio monossílabos e não consigo dizer uma frase. Do outro lado:

– Não percebo nada, escreve uma mensagem!

Que estúpida, claro uma mensagem! Relatei como pude e o “Fitipaldi” apareceu rapidamente. Passou por mim acelarado, mas como estava deitada não me viu. Balbuceei como pude e quando olhou para mim esteve mais de 5 minutos a rir na minha cara num esforço desesperado e inútil para se conter. Fomos rapidamente para o hospital, e assim que me vi no espelho do carro chorei compulsivamente. Estava completamente deformada. Não era eu. Mal consegui pronunciar – vou ficar assim? Resposta dele, a disfarçar algum nervosismo que também sentia:

– Não, o João Pinto levou um murro do Paulinho Santos e ficou ótimo. Chorei ainda mais!

No hospital encontrei um médico espanhol atrevido e divertido com a situação. O Ruca serviu de tradutor, por razões óbvias e depois saiu. O doutor espanhol meteu-me os polegares no canto da boca e num estalido estridente – pelo menos na minha cabeça, encaixou o maxilar no sítio. Foi uma dor intensa seguida de alívio. Mas, o mais surpreendente ainda estava para vir. O doutor espanhol olha para mim e diz:

– Humm, temos uma nova cara!

Estava lá perto. Não era nova. Mas era a minha. Tão bom. A partir daí foi sempre a descambar! Descer o nível e não subir o interesse!

Não lhe tirando o mérito de competentemente me ter resolvido o problema, a cara voltou quase ao que era. Quase porque inchou e do lado onde foi pareceu que estava um abcesso. Mas, pelo menos, a boca estava onde devia estar. Centrada. Debaixo do nariz e acima do queixo. Valeu-me todas as Nossas Senhoras que evoquei e o anti-flamatório que, com o tempo e a toma possível, me trouxe a minha cara de volta.

Problema resolvido. Mas, antes de sair, oiço o doutor espanhol na sua língua a fazer o dispensável comentário que acabou com o respeito lhe tinha. Aqui vai traduzido para português, porque eu ao contrário do Jorge Jesus não hablo espanhol, ainda:

– Agora nada de comer nozes nem fazer sexo oral! – e pisca-me o olho!

– Oi? O que é que ele disse? Acho que o meu cérebro também se deslocou e ficou sem capacidade de reação. Ainda lhe disse, não, foi na praia, mas ele ripostou com um olhar como quem diz:

– Ya, ya, ya – conta-me dessas que eu finjo que acredito.

E eu saí. Sem respeito, mas com o meu eterno agradecimento – um bem-haja para o Doutor Espanhol, de quem não guardei o nome.

Nós aqui temos o Hospital Garcia da Orta.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

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