Helena Gonçalves Rocha

O MEU FILHO É CONDICIONAL DEVO MATRICULÁ-LO NO 1º ANO? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Aos 6 anos “manda a lei “ que as crianças sejam matriculadas no 1º ano do 1º ciclo. Até aqui tudo parece muito simples. Habitualmente o ano escolar inicia-se em meados de Setembro e se nesta data a criança ainda não tiver completado os 6 anos? Pois bem, aí a decisão de o matricular ou não fica a cargo dos próprios pais.
As crianças nascidas entre 16 e 31 de Dezembro são denominadas de “matrícula condicional”, quer isto dizer, que os pais podem assumir a condição de não os inscreverem e quer também dizer que serão os últimos a terem prioridade nas vagas do 1º ciclo, ou sejam são “condicionados” às vagas existentes nas escolas.
E se o nosso filho contempla os 6 anos até 15 de Setembro, não há hesitação possível, tem de ser e tem de ser mesmo. Está na hora de ir para a escola, doa a quem doer! Mesmo que achemos que o nosso filho não está minimamente preparado para enfrentar este novo desafio e que ainda não tem maturidade para o fazer. E nesta altura, também nós Pais nos preparamos para esta nova etapa e para a necessidade de apoiar muito o nosso bebé que teima em não crescer e que agora tem mesmo de ir para a Escola.

Mas quando nos é dada a hipótese de optar, vai para a Escola ou faz mais um ano de Pré-escolar?
Aqui todos os dilemas aparecem, qual a opinião da educadora? O grupo dos colegas vai todo? E se ele fica sozinho sem conhecer ninguém? E o pediatra o que acha desta transição?
Difícil mesmo é sermos obrigados a optar… Pois bem, são dezenas as famílias com quem já analisei esta situação e sem dúvida que não há uma resposta certa. Depende…depende de quê?
Será muito importante, os Pais, que são quem melhor conhecem o seu filho, equacionarem várias condicionantes antes de tomar a decisão. Pois para tomarmos uma decisão acertada é crucial termos acesso a toda a informação.
É essencial percebermos que existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento os 7 anos são considerados a idade-chave.

Helena Gonçalves Rocha
A maturidade e prontidão escolar dependem bastante do desenvolvimento emocional e comportamental e também do seu “currículo” de experiências de aprendizagem. Cada criança terá a sua “bagagem de experiências de aprendizagem”, que influenciará de forma global o seu desenvolvimento.
É muito importante avaliar a capacidade da criança em focar a sua atenção e manter-se em tarefa, o 1º ciclo é bastante exigente neste domínio.
E por fim, mas com uma enorme importância, as competências emocionais requeridas: a capacidade de adiar uma recompensa; conseguir esperar pela sua vez; seguir regras de convivência; tolerar a frustração; a curiosidade/interesse em aprender e finalmente…perceber que já não é para brincar.

Assim deverá pesar todos estes aspectos e decidir em consciência com o que considera ser mais benéfico para o seu filho. O insucesso derivado de uma aprendizagem prematura, conjuntamente com a adaptação ao novo meio social, pode desencadear uma grave perturbação que pode afetar toda a escolaridade. E, decerto não é o que desejamos para  o nosso filho. O facto de ficar mais um ano no pré-escolar até completar os 6 anos, permitirá que adquira mais algumas competências através do brincar, tornando-o mais apto para as outras exigências.
Optar pelo ingresso no 1º ciclo pelo motivo de acompanhar os amigos, poderá não ser o melhor, pois muitas das vezes a diferença de quase um ano entre eles é o suficiente para originar experiências de insucesso dos quais os queremos proteger.

Esta semana falava com uns pais que me diziam, mas assim ele vai ficar sempre atrasado em relação aos outros…Pois, não é mesmo assim, as crianças que fazem anos no último trimestre do ano acompanham sempre a idade do grupo, ou seja, terminarão o  1º ano com 7 anos feitos e no final da escolaridade obrigatória, ou seja no 12º ano, terão, como todos os outros 18 anos.

Atraso não é nenhum, na minha opinião, será mais um ganhar tempo de qualidade, tempo de brincar, tempo de crescer.

Posso partilhar convosco que também eu me deparei com esta decisão com o meu filho nascido no final de Dezembro, que estava motivadíssimo para o ingresso no 1º ciclo. No entanto, decidimos oferecer-lhe mais um ano de brincadeira, mais um ano de crescer, para que a experiência escolar não viesse a ser uma frustração. Na altura ele questionava bastante porque não podia acompanhar os seus colegas e aí a resposta sempre foi muito simples: Só vai para o 1º ano quem tem 6 anos. Tens 6 anos?

Se estamos arrependidos? Nem pensar. Se teria corrido melhor se tivesse entrado com 5 anos? Nunca saberemos. Mas a oportunidade de brincar mais um pouco foi-lhe dada sem pressas de chegar à mesma meta de todos os outros.

Muitos de vocês, como eu, conhecerão crianças que ingressaram com 5 anos e que são atualmente jovens estudantes de sucesso, mas acredito que esta é mais a excepção do que a regra. É mais comum conhecer alunos que ficaram retidos no 2º ano de escolaridade por não conseguirem acompanhar o grupo, mais tarde no 6º ano ou no 7ºano. E optando pela regra das probabilidades se podemos prevenir esta taxa de insucesso e a decisão nos cabe a nós, porque não fazê-lo?

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

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7 replies
  1. Adelina Canhota
    Adelina Canhota says:

    Concordo em parte com o texto e os respetivos comentários, mas concordo principalmente com o último comentário. Pois a meu ver a escola do primeiro ciclo devia ser completamente reestruturada, de forma a ser um ensino lúdico. Aprender a escrever não é nada fácil para a maioria e, vamos ser sinceros obrigar uma criança a estar sentada à desenhar uma repetição de letras é um tédio! Nos dias de hoje quando se fala tanto em sedentarismo e obesidade. Que devíamos ser mais ativos, bla, bla, bla… Nós obriga mos as crianças a estar sentadas numa da idade com imensa energia. Depois temos os meninos “hiperativos” eles são meninos/as normais! O ensino que lhes proporcionamos é que está errado. Temos os meninos com défice de atenção, mas quando estão a fazer e a ver coisas que lhes interessam são tão ou mais atentos do que os outros. Em relação à idade ideal para entrar para a escola, voltamos ao mesmo assunto se o ensino fosse lúdico essa questão se calhar não se colocava. Aquilo que tenho observado como mãe e pessoa atenta a estas questões, concluo que o desenvolvimento psicológico de cada indivíduo é completamente variável. Parece – me ser variável até à entrada na adolescência, também esta variável. Portanto, para concluir penso que o ministério da educação juntamente com todas as entidades relacionadas com as crianças deveriam estudar um novo plano, complementarmente reestruturado para o ensino do primeiro ciclo.

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  2. Sikvia
    Sikvia says:

    O meu filho fez 2 anos de pre escola, porque eu assim o entendi. As crianças devem ter tempo para brincar, para crescer e ganhar maturidade. Entrou na 1ª com 6 e, dois meses depois fez os 7. Nem parecia o mesmo menino. Foi a melhor escolha que eu fiz.

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  3. carla
    carla says:

    Boa noite , o meu filho nasceu a 17 de Outubro e não teve vaga na escola. Da sala do Pré-escolar apenas ele e uma colega não entraram. Disseram-me que eram condicionantes. No entanto sei de crianças que ainda não tinham completado os 6 anos porque só faziam em Dezembro e puderam ingressar nesse mesmo ano mas noutra escola da mesma cidade onde moramos . E a mim foi-me dito que ele só poderia frequentar aquela escola pois era a da área de residência dele. Não achei justo pois fez com que ela acabasse por estudar já com 7 anos na primeira classe atrasando um ano. Felizmente nunca perdeu um ano e já está no 9 ano.

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  4. Margarida Belo
    Margarida Belo says:

    Bom dia. Não é que seja experiente como mãe, porque não o sou e isso da experiencia também é relativo, mas não concordo com o que está escrito. No entanto, a minha grande duvida é, se não tiver os 6 anos feitos não pode ingressar na escola ou isso é livre arbritio dos pais?

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  5. Débora Tinoco
    Débora Tinoco says:

    Concordo com tudo, exceto que no 1°ano já não é para brincar. Mal irá o mundo quando uma criança não puder brincar. E a escola (e, já agora, os alunos) tinha tudo a ganhar em manter estratégias lúdico pedagógicas, pelo menos durante o primeiro ciclo, ao invés de forçar o pensamento abstrato e a linguagem científica. Certamente, com mais tempo para brincar no primeiro ciclo haveria mais sucesso escolar verdadeiro e menos meninos tristes com a aprendizagem. Mas para isso, era preciso que alguem no min. Da educação tivesse, algum dia, visto uma criança.

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