PortinhoArrabida

O PORTINHO DA ARRÁBIDA ESTÁ PARA PORTUGAL COMO PORTO FINO ESTÁ PARA ITÁLIA.

gostamos 1

Há muito tempo que não ia ao Portinho da Arrábida. Ir com as miúdas para aquela praia é uma logística que exige ginástica e nem sempre há força de vontade ou vontade de fazer força! Mas, assim que apanhámos as miúdas de férias com os avós (“Patroas fora, dia santo na loja!”), pegamos na duas rodas e rumamos a este destino maravilhoso.

E foi o melhor que fizemos. Realmente não é melhor spot para se ir de carro. Há poucos lugares de estacionamento e os acessos a este meio transporte está condicionado. Embora eu gostasse muito de tirar mais partido e prazer das viagens de mota, assumo aqui e agora, que o medo é uma cena que neste caso me assiste. Gostava que a história que aqui pudesse relatar sobre a viagem fosse uma cena cool, descontraída e de braços abertos a aproveitar o vento a bater na cara, mas não. É uma viagem de tensão, aflição e onde o prazer só se obtém por chegar rápido e estacionar com uma perna às costas. Ponto. De facto, o percurso em duas rodas para mim é só triste. Da grande paixão e miúda destemida que andou à boleia na Harley Davidson do pai, onde chegou a adormecer, que enfernizou a vida dele e da mãe para ter a carta de mota e que conseguiu, à miúda que caiu a primeira vez que saiu de mota, panica cada vez que à pendura ultrapassa outra viatura e que vai a rezar o caminho todo foi um ápice. Se eu gostei desta transformação? Não. Mas é o que temos.

Olhemos então para o que temos bom – o Portinho da Arrábida. É um local mágico. Passar um dia neste oásis é um carregamento de energias e de bem estar que se entranha e apodera-se de nós. O dia começou com neblina o que causou algum receio de boicote aos planos do papo para ar. Nada que não tenha sido ultrapassado quando marcámos mesa no restaurante DuPortinho e o Teixeira (como é chamado pelos amigos) nos disse:

– Não se preocupem, isto vai abrir.

Tinha razão.

Portinho da Arrábida

Abriu o sol como se não houvesse amanhã. Destapou os barcos, barquinhos e barcões e deixou avistar-se Tróia, Comporta e arredores. E aí foi desfrutar. Desfrutar de tudo o que ali se tem direito – mar calmo, bom peixe, boas entradas, bom acompanhamento, uma vista que nos transporta para cenários idílicos. E de repente, começamos a comparar aquele spot a Porto Fino. Ok não temos o estacionamento privativo nem as lojas tipo as da Av. Liberdade. Mas a paisagem não lhe fica atrás. Ah, não fica não.

Perdi a conta às vezes que fui ao banho (o belo chinelo de plástico é obrigatório, pois o caminho das pedras não é para mim). Foi um dia espetacular.

Fiquei contente de ter voltado e com muita vontade de repetir o programa. Não há-de faltar muito.

Nós aqui temos o Portinho da Arrábida.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar
Foto: Lisbon South Bay blog

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