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DICAS PARA O SEU FILHO FALAR CONSIGO Por Helena Gonçalves Rocha

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Os pais queixam-se muitas vezes que os seus filhos não lhes contam nada, ou então que contavam tudo o que se passava durante o dia e que de repente deixaram completamente de falar e que a única coisa que recebem de reposta quando lhes perguntam “ Como correu o teu dia?” é um simples e “alegre” grunhido “Bem”.

A verdade é que as competências comunicacionais, ou antes, a relação de confiança necessária para que estas conversas aconteçam, começam a ser trabalhadas logo nos primeiros anos, muito antes da idade do armário, muito antes da chegada à adolescência.

Quando o seu bebé chora e ternamente o coloca no colo, está a dizer-lhe que pode confiar em si e que está ali para Ele. À medida que ele vai crescendo e que vão surgindo novos desafios, sejam eles as amizades, a pressão da escola, as situações de bullying, esta relação de confiança torna-se vital. Um dos nossos papéis enquanto pais é ajudar os miúdos a organizarem tudo aquilo que lhes aconteceu ao longo do dia. Inicialmente eles não dispõem das competências cognitivas necessárias para o conseguirem fazer sozinhos e como tal, lá estamos nós para os apoiar.

Antes dos 6 anos:
Vai buscá-lo à creche ou ao jardim de infância e pergunta-lhe: Então, o que fizeste hoje?  e invariavelmente a resposta é : “Não sei” ou “Brinquei”. Isto se conseguir resistir à clássica pergunta de: “O que almoçaste hoje?”, aí tenham dó mas não há criança que resista a tão interessante tema.  Bom, a verdade é que por esta altura os miúdos já conseguem compreender muita, muita coisa, mas expressar verbalmente tudo aquilo que desejam já requer muitas competências de linguagem que ainda não estão adquiridas e, como tal, acabam por sintetizar toda essa informação num tipo de resposta que irá assegurar o contentamento dos seus pais :” Brinquei” ou “ Não sei”.

O truque aqui passa por conhecer um pouco a rotina do seu filho e fazer perguntas mais específicas que o ajudem a elaborar a resposta. “Qual a foi a história que contaram hoje no tapete?” “Com quem brincaste na casinha?” “O que fizeste hoje na área das construções?”

Caso queira saber como o seu filho se sente, tente observar o seu comportamento e questione-o. Por exemplo, pode dizer “ Reparei que hoje estavas com uma carinha triste, o que se passou?” Por esta altura convém não sobrevalorizar a resposta, nem criar alarmismo, o ideal é ajudar a criança a compreender os comportamentos e emoções de quem a rodeia e mostrar uma atitude empática e compreensiva, de modo a que na próxima vez o seu filho saiba que pode contar consigo e que não vai ser criado todo um drama à volta da questão. Aos poucos pode ir passando algumas estratégias de possíveis resoluções para o problema apresentado.

Helena Rocha

Idade escolar
Dica fundamental: não abra um interrogatório de 20 perguntas assim que o vai buscar à escola. Depois de um dia inteiro na escola é tudo aquilo que um miúdo não deseja.

Assim ,perca algum tempo só “a estar”, ou seja, demonstre-lhe “estou aqui para ti.

“ Estava com saudades tuas, parece que já cresceste um bocadinho desde hoje de manhã”.

A azáfama, a correria depois de os irmos buscar à escola é inacreditável: vai para a natação, vai ao futebol, vai para o inglês, faz os TPC, toma banho, janta e…vai dormir. Algures aqui no meio teremos de arranjar um tempo “só para estar”, antes de dormir dez minutos de conversa, na viagem de regresso da escola, nos primeiros quinze minutos em casa…a tarefa é…“só estar”, descermos ao seu nível, abrirmos os braços, abrirmos bem os nossos ouvidos para escutar e abrirmos o nosso coração.

Um bom desbloqueador de conversa será partilhar também partes do nosso dia, demonstrando que todos nós, independentemente da idade, temos bons e maus dias.

E aprenda a Escutar, as pequenas e as grandes coisas, pois os pequenos detalhes que eles tanto valorizam se forem realmente escutados, darão oportunidade para que quando surja algum problema eles saibam que têm no Pai ou na Mãe alguém que os escuta.

Helena Rocha

Pré – adolescentes e Adolescentes:
É verdade, é mesmo inevitável que eles cresçam.

Já não precisam,  e muitas vezes não querem, que  estejamos  fisicamente presentes em muitas partes dos seus dias.

Mas continuamos a ser muito necessários para o suporte emocional. E se queremos manter a porta aberta para que continuem a partilhar connosco é fundamental, continuar o exercício de Escuta, ouvir, ouvir, ouvir. E por muito que possa custar, focar menos nos resultados ou nas soluções.

A tendência natural quando nos é exposto um problema é apresentar de imediato estratégias de resolução, pois bem, com a apresentação destas estratégias vêm também os juízos de valor. E espanto, dos espantos, ninguém gosta de ser julgado e muito menos um adolescente.

Por esta altura um dos melhores locais para desenvolver uma conversa é mesmo nas viagens de carro, onde eles não são obrigados a estabelecer contacto visual. Por outro lado, poderá reservar algum tempo da sua semana para fazer uma actividade com o seu filho, quer seja praticar um desporto de interesse de ambos ou ver a série de Tv favorita.

Nesta idade continua a ser muito importante ter atenção à linguagem corporal e sempre que sentirmos que algo não vai bem, disponibilizarmo-nos para ouvir. “Quando achares que estás preparado estarei aqui para te ouvir”

Esta atitude de Escuta, estes laços de confiança e relação têm mesmo de ser iniciados logo desde cedo. Desligue o telefone, desça  ao nível do seu filho e escute o que ele tem para dizer. Vai ver que vai valer muito a pena!

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Bom Fim de semana!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
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Fotografias: D.R.

 

Helena

SABER ESPERAR NA ERA DIGITAL por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Hoje escrevo um pouco em jeito de desabafo, há coisas que me inquietam de forma muito inquietante, desculpem a redundância, mas é isso mesmo. Refiro-me ao poder das tecnologias e mais especificamente ao telemóvel, ou antes, ao computador de bolso, uma vez que telefonar deverá ser a função menos executada nestes aparelhos.

A capacidade de saber esperar é uma competência essencial no processo de ensino-aprendizagem, é uma competência essencial na relação entre as pessoas, é uma competência essencial para uma equilibrada auto-regulação emocional.

A capacidade de olhar nos olhos do Outro é também uma competência essencial no processo de ensino – aprendizagem, senão olhamos, não imitamos, senão olhamos não aprendemos. Olhar o outro é claramente, uma competência essencial na relação entre as pessoas, permite entender o Outro, entapizar com o Outro.

Olhando atentamente à nossa volta percebemos que tudo parece estar a mudar. Os locais de espera, consultórios, filas de supermercado, paragens de autocarro, restaurantes, estão agora repletos de indivíduos que deixaram de esperar para estar a fazer algo mais: enviar emails, ver o Facebook, conversar no Messenger, jogar um joguinho, ir ao Instagram, tirar selfies,  tirar selfies com filtros do Snapchat, tudo menos praticar o exercício de esperar.  E creio que esta realidade é transversal a quase todas as gerações, no entanto, e talvez porque as minhas áreas de interesse são o desenvolvimento infantil e as dinâmicas familiares, é com as crianças e jovens adolescentes que muito me preocupo. Porquê? Porque deixaram de praticar o exercício da espera, deixaram de ter oportunidade de se aborrecerem, deixaram de olhar em volta, observar os outros, deixaram de ter de exercitar a paciência e o aborrecimento e consequentemente ativarem a sua criatividade.

Recordo-me do meu caminho para a escola onde ía inventando mil coisas, quer com aquilo que ia vendo ao longo do caminho, como apenas absorta nos meus pensamentos, por vezes demasiado criativos. E questiono eu…os jovens de agora têm oportunidade de fazer este exercício? Caminham pouco, mas quando caminham fazem-no de cabeça baixa olhando para outra realidade diferente daquela onde vão pousando os pés.

A capacidade de saber esperar é importantíssima, a Natureza que nos rodeia move-se por ciclos, temos que esperar pela Primavera e suas flores, temos de esperar pelos diferentes ciclos, manhã, tarde, noite, temos que esperar que o dente caia, temos de esperar que venha outro em seu lugar…. Hoje assistimos à geração do Aqui – Agora, ou talvez seja, o Eu Quero e É Já! A verdade é que quase tudo se passa a esta velocidade estonteante, longe vão os tempos em que tínhamos de nos levantar do sofá para mudar o canal da televisão, ou em que discar o número do nosso melhor amigo era um verdadeiro teste à paciência quando o número tinha muitos 0 e 9, e em que o disco do telefone demorava uma eternidade a voltar ao local inicial.

Helena

Não estou com isto a defender que nada deveria mudar ou que tudo isto é mau, nada disso. As vantagens são aos milhares, mas preocupa-me que estejamos a perder o contato ocular com os nossos jovens, que se estejam a afastar do meio envolvente, que estejam com cada vez mais problemas de visão, nomeadamente a miopia por falta de exercício da visão ao longe e que ouçamos os mais pequeninos dizerem: “Ó pai deixa lá isso anda lá para aqui…”

Os adolescentes de agora não cresceram com todas estas tecnologias, não mexeram em tablets e telefones aos 2 anos, não esperaram na mesa de restaurante com um telefone nas mãos, nem foram consolados com um telefone sempre que ameaçavam aborrecer-se e fazer birra. Preocupa-me e gostava de vos passar também esta inquietação com os pequeninos que estão a crescer assim, sem saber esperar e sem olhar o Outro.

É urgente voltar a conectar as crianças e jovens com a Natureza!
É urgente ensinar e treinar as nossas crianças no exercício de esperar!
Partilhem connosco as vossas estratégias e dicas, juntos iremos conseguir Educar Melhor!

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