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Homem Árvore

PERDIDO NAS ÁRVORES

TEMOS ISTO 1

Toda a criação é feita em três actos. O psicodrama individual de potência, movimento e expansão é um espelho reluzente das leis universais da tríade cósmica. Zeus, Athena e Hera. Deus, Pai e Espírito Santo. Brahman, Vishnu e Shiva. Uma lógica poeticamente matemática expressa também nos três corpos de Buda: o espaço infinito do Dharmakaya, o campo mental de formas puras do Shambogakaya e a materialização dos elementos terra, ar, água e fogo no Nirmanakaya. E foi a lógica do três, ou do terceiro incluído, se evocarmos também a perspectiva holística e transdisciplinar, que une partícula, onda, céu, terra e ser humano e senta à mesma mesa o cientista, o poeta e o místico, que inspirou o acto de criação de Zito Colaço, dando à luz a exposição Lost in The Trees.

Homem Árvore

Homem Árvore

Para dar início à sua obra, o fotógrafo também teve de passar por três estágios de ascensão. E para que estes três níveis se harmonizem são sempre inevitáveis a morte e o renascimento. O perder-se para encontrar-se de Florbela Espanca. Porque Kaos e Ordem sustentam o jogo de sombras da existência até que a visão luminosa e unificadora do Três se manifeste em toda a sua plenitude. Por isso, não é de estranhar que o Zito tenha percorrido o seu labirinto interior, túnel de luz e treva, até que a exposição pudesse nascer com a força de todas as explosões criativas, do Big-Bang à formação de estrelas e planetas, do hominídeo ao homo sapiens, dos primitivos tambores tribais às sonatas de Mozart. Três momentos, três notas rítmicas que fizeram ecoar a melodia de Lost in The Trees. Primeiro, perdeu-se quando numa hora de intervalo em pleno exercício da sua profissão, ou seja fotografar por encomenda sob ordens diárias e rotineiras de várias redacções e produtos similares de media, a sua objectiva avariou. O olhar sobre o mundo, profissional e pessoal, do Zito acabara de desfocar-se. Desfoque que, em vez de ser um contratempo, converteu-se na possibilidade de focar a realidade a partir de um outro ponto de observação. E o novo enfoque deu-se justamente durante essa penosa mas necessária hora de sofrimento e recriação, em que o fotógrafo, para jogar ao jogo de fazer tempo até ao novo telefonema profissional, descobre Sophia de Mello Breyner e abre uma nova página no seu novo manual de focagem: “A árvore antiga/Que cantou na brisa/Tornou-se cantiga”. A história de uma árvore tão gigantesca quanto milenar que, apesar de ser cultuada e respeitada pelos habitantes de uma pequena ilha, impedia os raios de Sol de entrar na comunidade e condicionava o modo de vida dos autóctones, acabando por ser sacrificada, para que novas árvores, folhas e frutos florescessem e partissem rumo fora na madeira de um barco que se tornara sagrado. A árvore renascia em novas formas de vida. E este renascimento o Zito pressente-o quando vê pela primeira vez que o desfoque podia ser nada mais do que um outro enfoque. Um ângulo cinestésico que oferece ao Zito o seu segundo processo de focagem. A sua objectiva havia acabado de renascer. E o Zito também.

Focado numa visão mais ampla, à medida do desfoque técnico da academia, reaprendeu a olhar o essencial do mundo. A nossa passagem pelo Planeta como uma casa, uma morada, um palácio que deve ser tratado com respeito. Um palácio de árvores centenárias, bosques verdejantes e luz cristalina e dourada, que respira ao ritmo do Sol e do Mar. Mata do Medos, ou dunas, como se falava antigamente, por onde as vagas do ar e da água brincam com a terra, o elemento feminino, a contraparte do um, o dois, para chegar ao três. A esta união se chama na Tradição o Amor. E foi preciso o Zito perder o foco dos condicionamentos sócio-culturais e psicológicos bem como dos preconceitos dos juízos de cátedra e diploma na mão, mas que nunca buscam a arte, a paixão e o risco, condimentos essenciais do amor, para focar o Mundo “tal qual” ele é, o que lhe permitiu aproximar a lente da realidade “tal qual é”, expressão budista e vedantina da visão não-dual, igualmente constante da Presença crística, judaica ou islâmica, que é o nossa meta-percurso primordial, expansivo e eterno…

Coelho da Mata

Coelho da Mata

E esse regresso primordial ao feminino da Mãe-Terra, ao Amor de Gaia, ao fogo da paixão que germina no silêncio contemplativo, ou pelo menos numa etapa dele, o Zito aprimorou ainda mais o olhar para focar ainda melhor o essencial do mundo, etapa iniciática de sentido ascendente consubstanciada na redenção, no aconchego, no colo das árvores que ouvem, observam e falam. E neste terceiro estágio em que as árvores são árvores mas são também seres que sentem “tudo de todas as maneiras” (pedindo emprestado o sentir pessoano), o Zito contemplou o jogo terreno, o teatro da vida onde observador e observado se confundem, fotografando aqueles momentos em que as árvores são. E são simplesmente porque “entre a árvore e vê-la onde está o sonho”. E o sonho do Zito chama-se fotografar todas as florestas e bosques do Mundo. Prosseguindo no sonho mas em estado de vigília. Porque Lost in The Trees é um sonho acordado que nos convida a despertar.

Caçador Rupestre

Caçador Rupestre

Fotografias Zito Colaço
Texto Nuno Costa

Contactos
Zito Colaço 
zitocolaco@gmail.com
tlm.969435367

Nuno Costa
nunocaladocosta@gmail.com
tlm.919811433

Fotografia Zito Colaço

FONTE DA TELHA É MUITO MAIS QUE PRAIA.

TEMOS ISTO 1

É. É uma excelente praia. Todos sabemos que é. É por isso um dos nossos locais preferidos para fazer praia, um grande sítio para comer bem, para apreciar a vista, uma bebida, um gelado e mais um sem número de coisas que por ali conseguimos fazer, quer de inverno, quer de verão.

Fotografias Zito Colaço

A vista da arriba é qualquer coisa do outro mundo, mas felizmente faz parte deste, do nosso mundo e podemos apreciá-lo. O que ainda não tínhamos verdadeiramente apreciado foi a envolvência da flora, ali na mata.

Fotografias Zito Colaço

Neste nosso percurso por novas descobertas na margem sul, tivemos a sorte de conhecer o Zito Colaço, repórter fotográfico de profissão, nascido e criado na margem sul e, que há uns anos criou o I love Trees Portugalum projeto que faz da beleza das árvores a sua atração turística. O Zito conhece a Mata dos Medos como ninguém e foi o nosso guia neste trilho pedestre. Cada árvore que encontramos neste percurso pedestre é-nos apresentada. Ele batizou cada uma delas de acordo com as suas características – a sereia, a bailarina, a mãe. É impressionante os pormenores que nos escapam à primeira vista, porque não olhamos profundamente para estes seres, que acabam por nos proteger das agressividades de estarmos perto do mar e acabam por ser o pulmão junto à praia.

Fotografias Zito Colaço

E, de repente, quando termina a arriba tem-se provavelmente a melhor vista que se pode alcançar num trilho pedestre – o mar da Fonte da Telha. É de cortar a respiração.

Ainda não refeitas do deslumbramento da vista regressamos à mata e é aí conhecemos o “pequeno bosque encantado” – um local que parece isso mesmo – um bosque encantado – mais um batismo do Zito, que faz jus ao nome. Dá-nos mesmo a sensação que estamos numa história e deu-nos uma enorme vontade de trazer as nossas princesas para ali.

Fotografias Zito Colaço

Também tivemos tempo para encontrar um lago com sapinhos. É incrível a diversidade de ambientes que mãe natureza apresenta! Não sabemos se algum dos sapos será um príncipe encantado. É o que desta história fica por descobrir.

Marlene Gaspar, Catarina Laborinho & Zito Colaço

Marlene Gaspar, Catarina Laborinho & Zito Colaço

Nós aqui, agradecemos ao nosso “guia turístico” por nos dar a conhecer mais uma pequena maravilha da nossa margem sul.
Não há dúvida, a Fonte da Telha é muito mais que praia.

Nós aqui temos a Fonte da Telha.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar
Fotografias Zito Colaço

Contactos
Love Trees Project – Sensibilização e Conservação da Natureza