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LUGAR DO BEBÉ É NO CHÃO! por Helena Gonçalves Rocha

Helena

O bebé é naturalmente curioso na sua descoberta do Mundo, porém temos que ser nós a dar-lhe condições para que o faça. Não é dentro de um”ovinho”, de uma “espreguiçadeira” ou nos baloiços topo de gama que tocam, dão luzes e balançam sozinhos, que o Bebé conseguirá fazer estas mesmas descobertas. Onde será então?

No Chão!

Já todos nós assistimos a pais de primeira viagem meio atarantados quanto ao que fazer com o bebé quando ele está acordado. Ficar com ele no colo? No carrinho? No “ovinho”? E a resposta certa ééé… chão, chão, chão!

Umas boas mantas no chão, ou um revestimento de “EVA” ( aquelas peças grandes de borracha que amortecem o chão, habitualmente em formas coloridas de puzzle), almofadas e 2 ou 3 brinquedos e temos o Parque Ideal para o seu bebé se desenvolver.

Aqui ele pode exercitar braços e pernas, fortalecendo os seus músculos. No chão o bebé tem um campo de visão diferente e isso estimula a sua percepção. Brincar no chão é uma das formas que o bebé tem de treinar o rolar e o gatinhar.

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UMA NOÇÃO INICIAL DAS FASES DE DESENVOLVIMENTO NORMAL NA CRIANÇA:

  • As crianças começam a conseguir rolar por volta dos 4-5 meses (rolar para ficar de barriga para cima geralmente acontece primeiro).
  • Ficar sentado sem ajuda geralmente começa por volta dos 6-7 meses.
  • Empurrar o tronco para cima com as mãos, enquanto fica estabilizado sobre a sua barriga começa geralmente por volta dos 5-6 meses.
  • Tempo tolerado a brincar de barriga para baixo deve ser pelo menos 5 minutos aos 6 meses.
  • gatinhar  surge por volta dos 6-8 meses

Nos últimos anos e no decorrer na minha prática profissional deparo-me cada vez com bebés que “detestam estar de barriga para baixo”, muitas vezes por falta de “chão” e demasiado tempo noutro tipo de equipamentos, o “ovinho”, as espreguiçadeiras, os carrinhos. A verdade é que estes equipamentos são também necessários, mas deverão ser usados para a função para a qual se destinam, o “ovinho” deverá ser utilizado para o transporte das crianças e não para ela dormir ou “ficar” durante o dia. A espreguiçadeira serve para curtos períodos de tempo, uma vez que o posicionamento não será o mais adequado e o carrinho serve para o transportarmos. Mas ao longo do dia, o importante mesmo é darmos diversidade de posicionamento aos nossos bebés e tentarmos que o Chão seja o local privilegiado para assegurarmos um adequado desenvolvimento do bebé.

Muitas vezes, os próprios pais desconhecem que brincar no chão é tão benéfico e importante para o desenvolvimento do seu bebé.

Primeiro devemos perceber como é importante o tempo passado de barriga para baixo, a coordenação necessária entre olho-mão, tronco e membros inferiores, a força necessária nos membros superiores para se elevar ou mover para outra posição e o controlo de pescoço para mudar a sua atenção para objetos diferentes.

Poderá fazer algumas adaptações iniciais para que o seu bebé passe algum tempo de barriga para baixo sem ser muito desagradável, como por exemplo fazer um rolinho com uma toalha e colocar-lhe debaixo dos braços, posicionando-se frente ao seu rosto e cantando ou falando com ele. Terá tentado mesmo todos os tipos de brincadeira ou atividades interessantes enquanto o seu filho está nesta posição? Se o seu bebé realmente não suporta a posição de barriga para baixo em nenhuma situação deverá ver o seu pediatra para se certificar de que não se passa algo mais grave.

Se tem animais de estimação, delimite uma área da casa para eles estarem e reserve outra para que o seu bebé possa brincar no chão à vontade.

É perfeitamente possível passar 5-10 minutos, 3-5 vezes por dia para promover atividades de chão.

Lembre-se que Brincar no chão com poucos, mas apetecíveis brinquedos vai obrigá-lo a deslocar-se para os alcançar, permitindo-lhe um melhor desenvolvimento e descoberta do Mundo que o rodeia.

O seu bebé vai ficar mais forte e desenvolvido, garantindo-lhe esta oportunidade única de exercitar-se no chão, sempre com a sua supervisão. Observe como de dia para dia ele aprende coisas novas neste movimento livre e natural.

Boas brincadeiras de Chão!

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Fotografias: D.R.

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CHEGOU O BEBÉ, COMO AJUDAR O IRMÃO MAIS VELHO?

Helena

Já lá vão doze anos desde que passei por esta experiência, recordo-me de viver com ansiedade as reações que o meu filho teria perante a chegada da mana. As dúvidas e incertezas que me assaltaram de imediato, será que iria conseguir dar conta do recado? Como conseguiria minimizar o impacto no mais velho? Conseguiria amar o segundo filho tanto como o primeiro? Seria isto possível?

E assim foi, amar cada um deles imensamente e conseguir amar os dois infinitamente. Cada um diferente e tão especial. Ter um segundo filho não é, sem dúvida, repetir a mesma experiência pela segunda vez. Para nós Pais é um desafio e para o irmão mais velho também.

Para os irmãos a chegada de um bebé não significa só terem de partilhar a atenção do Pai e da Mãe, significa também a alteração de rotinas e a alteração no próprio espaço físico da casa.  No meu caso, o Mais Velho já não dormia a sesta e tivemos de nos readaptar às rotinas do Bebé, o que nos permitiu grandes brincadeiras durante os sonos do Bebé.

Irmão 2

Os Pais estarão provavelmente cansados e sem paciência, ou excessivamente sensíveis ou emocionais. Para além  de todas estas alterações,  tem ainda de aprender a desempenhar o seu novo papel de Irmão mais Velho.

Sou uma pessoa de Livros, como outro dia uma amiga me dizia, eu acho sempre que existe um livro que nos pode dar uma boa resposta. Talvez não seja a resposta exata, mas ajuda-nos a refletir e encontrar novas soluções, as Nossas soluções. E nesta etapa não foi diferente, “Três Sapatos e uma Peúga”, de Rebecca Adams, trouxe-me algumas ideias para poder adaptar à situação da chegada de um segundo filho.

Aqui ficam algumas das estratégias que considerámos úteis para o irmão mais velho (na altura com 4 anos ) se adaptar ao facto de ter uma mana.

  1. Dê atenção e carinho ao filho Mais Velho. O Bebé não se importa com quem trata dele, mas o Mais Velho quer que seja você.
  2. Encoraje as visitas a darem tanta atenção ao Mais Velho como ao Bebé. Sugira que tragam algo para as duas crianças e não apenas para o recém-nascido. (desde esta altura que quando visito recém nascidos dou o dobro da atenção aos irmãos e acrescento sempre que são quase tão bonitos quanto eles e muito, mas muito parecidos).
  3. Peça por favor, para não dizerem ao Mais Velho que o tempo dele acabou, agora já não és o Rei, agora tens de te portar bem e ser um Homenzinho. E outros comentários do género que só aumentam o receio e pavor do Mais Velho com a chegada do Bebé, e em nada beneficiam a adaptação.
  4. Deixe o Mais Velho “ajudá-la “ com o Bebé, indo buscar fraldas ou roupa. Não seja muito rigorosa.
  5. Esteja à espera das “reações” do Mais Velho. Essas coisas são normais.
  6. Ignore as tolices durante as primeiras semanas.
  7. Mostre ao seu filho Mais Velho como o mais novo gosta dele, olha para ele, lhe sorri, se acalma por causa dele, tem saudades dele. No meu caso isto não foi mesmo nada forçado, assim que via a cara do irmão ou a voz, parecia que tinha visto o Sol, era mágico!
  8. Seja “extra-tolerante” com birras, teimosias e outros comportamentos desagradáveis.
  9. Tente reconhecer os sentimentos do seu filho Mais Velho. Se ele diz que odeia o Bebé, é isso que sente. Sem criticar nem julgar, traduza-lhe o que ele está a exprimir: “Parece que estás zangado por o Bebé te estar a roubar a minha atenção”. “Parece que estás zangado por eu já não brincar tanto contigo” Exprimir os sentimentos da criança desta maneira vai ajudar a compreendê-los e a não se sentir tão esmagada por eles.
  10. Arranje tempo para fazer coisas a sós com o Mais Velho; ele precisa de atenção individual e vai apreciá-la.
  11. Encoraje desde cedo os seus filhos a comunicarem um com o outro. Peça ao Mais Velho que sirva de intérprete – “O que achas que ele quer dizer?” – e explique-lhe o que o Bebé sente: “Ele gosta que lhe cantes”; “Estás a ver como ele presta atenção quando lhe falas?”
  12. Encoraje a identificação entre eles, dizendo ao Mais Velho as coisas que ele fazia na mesma idade, ou mostrando-lhe imagens de quando ele tinha a mesma idade.
  13. Veja bem se tem expetativas corretas quanto ao Mais Velho. Não espere que ele cresça do dia para a noite.
  14. Dê pelo menos um ano para que o Mais Velho se adapte ao irmão.

Irmão 3

É uma verdadeira história de amor, vê-los brincar juntos é a melhor sensação que um Pai ou Mãe pode ter. Dão um trabalho incrível! Mas nunca deixam de nos surpreender, mesmo agora já na adolescência, vê-los a rir juntos e divertidos pela companhia um de outro, é um prazer incalculável. A cumplicidade entre irmãos é uma aprendizagem para a vida.
Helena Gonçalves Rocha

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