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Helena Gonçalves Rocha

EU E AS CRIANÇAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

 

Ontem celebrou-se mais um Dia da Criança e era ver as redes sociais cheias de crianças, as nossas, as dos outros, crianças a brincar, notícias sobre a importância do Brincar. E levada por esta imensa onda eu própria pus-me a pensar sobre a importância das crianças na minha vida.

Pois é, tenho a imensa sorte de trabalhar naquilo que adoro, o que facilita muito quando temos de enfrentar aqueles dias que daríamos tudo para não ter de sair de casa. Pois é nesses dias, em que me arrasto até ao meu local de trabalho e tomo o meu frasco de vitaminas e rapidamente me transformo novamente em alguém animada e bem disposta.

As minhas vitaminas mágicas são as crianças que habitam o meu dia. Tenho a imensa sorte de conviver com uma grande diversidade de crianças, desde os meses de idade até aos 12 anos. Cada idade tem a sua magia, cada etapa de desenvolvimento traz novas pérolas para serem exploradas e não há dia nenhum que eu não me espante com os seus feitos.

Os miúdos têm algo muito especial, são genuínos e espontâneos como só eles sabem ser. Nos primeiros anos de vida estão em permanente descoberta, primeiro enamorados pela mãe e pelo pai, depois descobrem as maravilhas do seu próprio corpo. Umas mãos para brincar, uns pés que conseguem chegar à boca, depois vão descobrindo as potencialidades do movimento  e da relação. Olha, acham graça ao que eu faço, vou fazer outra vez! A repetição é algo tão securizante, mas que é tão difícil de tolerar pelos adultos, os miúdos precisam de fazer o mesmo vezes sem conta, por vezes o adulto não consegue aguentar e muda-lhes a atividade, mas acreditem, a repetição securiza e favorece a aprendizagem nos primeiros anos de vida. Quando estou com eles volto a ser criança, e embora não perca os meus objetivos terapêuticos, divirto-me imenso a brincar com eles. Mesmo quando ouço da boca de um amigo de 6 anos “ Afinal que idade é que tu tens?”.

Helena Gonçalves Rocha

Sinto cada vez mais que os miúdos procuram muito a disponibilidade do adulto para brincar, para descer ao seu nível, para aceitarem ver o mundo pelos seus olhos, para aprenderem o que eles têm para ensinar. Por vezes coisas tão simples e que facilitam tanto a relação, como baixarmo-nos ao seu nível, indagarmos com genuinidade pelos seus interesses. Temos tanto a aprender com eles…

Sei que todos os dias aprendo, todos os dias me ensinam novas coisas. Mesmo quando eu os levo ao limite para depois fazer com eles a viagem da auto-regulação, orientando-os na forma como lidam com as suas emoções e os seus impulsos.

Já alguns anos quando visitava um jardim de infância um menino me perguntava: “A tua profissão é brincadora não é?”. Gosto de pensar que sim, que ensinar a brincar é sem dúvida uma grande sorte.

crianças

Gosto mesmo de explorar o mundo através dos seus olhos, descobrir outra vez, rir até não mais poder.

As minhas crianças lá de casa, que assustadoramente estão a deixar de ser crianças, por vezes chamam-me a atenção “Ó mãe, que disparate, comporta-te!…” Só me inibo, porque sei que estão naquela idade em que ficam muito embaraçados com tudo o que possa ser um pouco diferente, mas ao mesmo tempo sei que tenho de continuar a chamar a criança que ainda habita lá dentro, para que nunca se esqueçam como é bom Brincar!

Brincar é coisa de criança, mas também deveria ser coisa de Adulto! Um adulto que brinca é alguém que não esqueceu a genuinidade da infância, alguém que acredita que há sempre algo novo para descobrir!

Eu Brinco e vou continuar a Brincar, e você já brincou hoje?

Helena Gonçalves Rocha

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JOGO DA MACACA

O INTERVALO NÃO É UM PRIVILÉGIO! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

O intervalo não é um privilégio! Porque é que o meu filho não deve ficar sem intervalo?

Acredito que nunca se falou tanto sobre educação, estratégias educativas, métodos inovadores para garantir o sucesso, enfim, um número ilimitado de estudos, investigações, livros editados, workshops, pais preocupados com as questões da parentalidade e do sucesso e felicidade dos seus filhos. Estamos sem dúvida na década da parentalidade consciente, na reflexão sobre a Educação que temos e a Educação que desejamos. No entanto, ainda se regista com demasiada frequência a desvalorização dos Intervalos como componente crucial no processo de Ensino- Aprendizagem.

Quando falamos de Intervalos e falamos da importância do Brincar e da atividade física, constatamos que demasiadas escolas ignoram os resultados obtidos nas mais recentes investigações. Em vez de encararem o Intervalo como algo importante, diria mesmo crucial no decorrer do dia de um estudante, algumas escolas ainda encaram o Intervalo como um privilégio, uma recompensa para alunos bem-comportados. Utilizam o Intervalo como instrumento de negociação ou muitas vezes retirando o acesso ao Intervalo como forma de punição.

Como pais temos a tendência para aceitarmos isto. Afinal, todos nós guardamos memória de perder o direito ao intervalo por não termos completado uma tarefa ou por termos falado demasiado durante a aula. Claro que odiávamos perder o intervalo, mas a verdade é que sobrevivemos. Então porquê esta preocupação por os nossos filhos perderem o direito ao intervalo uma vez por outra? A grande diferença é que nós tínhamos intervalos enormes e depois da escola brincávamos ainda mais com os nossos amigos, corríamos na rua, conversávamos e corríamos até ser hora de voltar para casa. Hoje em dia são muitos os miúdos que têm a sorte de fazer alguma atividade não dirigida durante 30 minutos.

Os resultados das investigações são claros. De acordo com a Academia Americana de Pediatria, o Intervalo desempenha um papel vital no desenvolvimento da criança, trazendo benefícios emocionais, sociais, físicos e académicos.  A Academia Americana de Pediatria acredita que o Intervalo é uma componente crucial e necessária para um adequado desenvolvimento da criança, e como tal, não deverá ser retirado como castigo ou por razões académicas. Por outras palavras, as crianças precisam dos Intervalos, e os Intervalos não deverão ser retirados como forma de punição por mau comportamento ou como forma de punição por não completar ou completar incorretamente as tarefas propostas em sala de aula.

O Intervalo não é um privilégio. Não é uma recompensa. As crianças não deverão ter de conquistar o Intervalo, assim como não o podem perder como castigo.

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O Intervalo é uma parte fundamental do desenvolvimento diário de um estudante, retirá-lo faz tanto sentido como retirar a matemática e a leitura. Não fará deles melhores estudantes nem melhores pessoas. Então porque será que ainda existem tantas escolas que utilizam esta forma de punição?

Talvez porque parece uma solução fácil para inibir os comportamentos indesejados. O problema é que este castigo é muito menos eficaz a corrigir comportamentos relativamente a outros métodos de disciplina. A verdade é que são os miúdos mais agitados e irrequietos que necessitam mais do tempo de Intervalo. Neste período eles conseguem libertar as suas energias, socializar e organizarem-se novamente para outro período de atenção na sala de aula.

Outra razão possível para as escolas retirarem os Intervalos  será o facto dos professores terem programas demasiado extensos com opções e tempo muito limitados.

Bom, mas não serve de muito falarmos só nos problemas e não falarmos em soluções.

Então, como podem os professores alterar ou melhorar o comportamento dos alunos sem retirarem o Intervalo?

Não existem soluções simples, mas uma das chaves para os problemas será o apoio da direcção escolar e dos pais. Os diretores poderão trabalhar com os professores no sentido de encontrarem formas alternativas de disciplina e formas de melhorarem o comportamento dos alunos (talvez oferecendo Intervalos mais frequentes, diversidade e variabilidade no contexto das aprendizagens). As escolas deveriam manter os canais de comunicação com os pais bem abertos. Ou seja, quando os pais conhecem as expectativas dos professores e de que forma o seu filho está a corresponder, poderão sugerir e encontrar algumas soluções em conjunto.

Retirar o Intervalo não vai de encontro ao supremo interesse da criança. Poderá levar anos a atribuir o devido lugar e importância aos Intervalos, mas o primeiro passo para que tal aconteça, passa pela consciencialização de que o Intervalo não é uma recompensa reservada só para aqueles que se portam bem.

A infância passa a correr e o tempo que as crianças dispõem para brincar hoje em dia, diminuiu drasticamente nos últimos anos.

Uma criança que Brinca, que gasta as suas energias, que improvisa com os seus pares, que socializa, será, sem dúvida alguma, uma Criança mais disponível para aprender!
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Helena Gonçalves Rocha

PAIS SEM PRESSA! MAIS DEVAGAR, POR FAVOR! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Já os antigos diziam: “A pressa é inimiga da perfeição”. Pois é mesmo isso, como queremos que os “nossos meninos” aprendam se lhes é exigido que façam tudo, e quando digo tudo, é mesmo tudo, depressa e bem?

As crianças têm um ritmo de aprendizagem mais lento quando equiparado a um adulto. Afinal estão a ser confrontadas com a maioria das tarefas pela primeira vez, não conseguem aprender em 3 vezes como vestir uma camisola, não conseguem aprender em 5 vezes como comer sem se sujarem, não conseguem apertar os atacadores em 8 vezes e não conseguem mesmo aprender quase nada se não lhes for dada a oportunidade de tentar, de experimentar, de errar e voltar a tentar.

Uma criança nos primeiros anos de desenvolvimento aprende a uma velocidade estonteante, tudo é novo e elas parecem umas pequenas esponjas absorvem tudo o que vêem, têm sede de conhecer e explorar o mundo que as rodeia. Mas necessitam de Tempo, tempo para explorar, tempo para experimentar, tempo para assimilar, tempo para errar.

Em nome do “ficar bem feito e perder menos tempo”, assistimos a meninos com 5 anos que ainda não se vestem sozinhos, não comem sozinhos. “Porque andamos sempre à pressa, de manhã não consigo vou chegar atrasado…”

STOP!!! E onde está o Tempo? O Tempo da criança?
O Tempo de brincar, só por brincar sem ter como objetivo adquirir uma nova competência? Seja ela ballet, inglês, judo ou mandarim?
O Tempo de experimentar, errar e voltar a tentar?
O Tempo de estar aborrecido, sem fazer nada, sem fazer mesmo nada, apenas apreciando a companhia, o lugar, o céu e as nuvens?

Onde queremos chegar com tanta pressa?
O discurso publicitário, por sua vez, cria expectativas irreais ao apresentar um modelo de “perfeição” para tudo e todos que participam da sociedade. A “família perfeita”, o “pai perfeito”, a “mãe perfeita”, o “filho perfeito”, o “funcionário perfeito”, a “casa perfeita”, o “carro perfeito”.

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É preciso ser perfeito. Os pais vivem essa pressão e, pensando em preparar o filho para o mundo, também desejam que eles alcancem a perfeição. Contudo, a ideia de perfeição construída pela indústria da publicidade, pode ser extremamente cruel e não remeter para as reais necessidades do indivíduo, tanto na fase adulta, como  na infância.

“Os adultos andam sempre a correr, estão sempre atrasados e nunca têm Tempo”, este foi o desabafo de uma criança de 6 anos num destes dias que conversávamos.

O “Slow Parenting” (pais sem pressa) é  uma corrente social e filosófica que nos convida a desacelerar, a sermos mais conscientes com o que nos rodeia. Promovermos um modelo mais simplificado, de paciência, com respeito aos ritmos de cada criança em cada fase do seu desenvolvimento.

Os eixos básicos que definem o Slow Parenting são:
#  A necessidade básica de uma criança é brincar e descobrir o mundo;
Nós não somos “amigos” de nossos filhos, somos suas mães e pais. O nosso dever é amá-los, orientá-los, sermos o seu exemplo e facilitar-lhes a maturidade sem pressão;
Termos  sempre presente de que “menos é mais”. Que a criatividade é a arma dos filhos, um lápis, papel e um campo têm mais poder do que um telefone ou um computador;
Compartilharmos tempo com nossos filhos em espaços tranquilos

Ao que acrescento, é necessário sermos nós próprios a desacelerar, ouvirmos e escutarmos a criança, valorizarmos as pequenas coisas e pequenas conquistas, “perdermos Tempo” a ensinar-lhes pequenas coisas.
Porque eles são Capazes, mas têm mesmo de ter oportunidade de Experimentar, Errar e Tentar outra vez!
Vá sem Pressa! Pais sem Pressa, são de certo Pais mais Felizes e Tranquilos!
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O CORPO, O MELHOR BRINQUEDO Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Desde cedo, ou antes desde sempre, nos relacionamos com o Exterior, com o Outro através do Corpo. O Bebé aconchega-se no colo da Mãe, molda-se ao corpo do Pai e a cada dia vai descobrindo novas potencialidades neste Seu brinquedo.
Primeiro são as Mãos, têm dedos e mexem… uau, e que belo efeito quando a luz passa entre os dedos!
Depois os Pés, ups…cá estão eles ao pé da boca .  Ui, o que é isto? Ticl, ticl, coceguinha, que sensação boa…Mais Mamã, mais..
Olá…e consigo rebolar? Vamos lá experimentar outra vez, força na perna e tcharamm…aqui estou de barriga para baixo.

Aos poucos o Bebé vai experimentando todas as potencialidades do seu Corpo, o que lhe permite fazer, o que lhe permite alcançar. O adulto, habitualmente, nas primeiras idades privilegia as brincadeiras corporais, consegue ir para o chão com o bebé e Brincar, brincar, brincar. Porém, depressa demais, colocamos os brinquedos físicos entre nós, colocamos puzzles, colocamos cadeiras e mesas, deixamos de brincar no chão.

Brincar no chão, brincar com o Corpo, olhar nos Olhos, continua  a ser necessário até muito, muito tarde.  As vivências corporais aproximam-nos das crianças, não tenhamos receio de descer ao chão, experimentar, também nós, as potencialidades do nosso Corpo. Será que ainda sabemos rebolar? Será que nos lembramos como é bom brincar estendido no chão?

Cada vez mais encontro crianças já mais velhas (8, 9 anos) que têm muita falta de experiências corporais, de brincar no chão, de experimentar todas as potencialidades do seu corpo e que invariavelmente se reflectem em dificuldades na relação e nas aprendizagens. E aqui vos confesso, que é reconfortante, maravilhoso, voltar com eles e com as suas Famílias a estas experiências que ficaram incompletas, voltar aos balancés no chão, ao barquinho, ao avião e depois ouvir as Famílias dizerem: “ Está mais confiante! Agora as letras saem-lhe melhor…” Parece quase Magia, mas não, não é, é o Corpo a poder falar com a Cabeça, é a Psicomotricidade  em acção.

Também é verdade que cada vez mais encontro crianças cansadas, se é que é possível uma criança cansar-se. Lembro-me sempre da minha mãe que me dizia quando eu ia buscar o meu filho: “ Ele hoje brincou tanto, mas tanto, tem que estar muito cansado” e eu invariavelmente questionava “E há limite para brincar? É possível uma criança se cansar de brincar?”

Helena Gonçalves Rocha

A verdade é que hoje em dia, muitas são as crianças que negam o movimento. “Não quero ir… isso cansa”, “ Helena, vai mais devagar, já estou cansado!” Depois de meia hora a andar? Não é possível, algo vai mal… É urgente despertar os miúdos para o seu maior e melhor brinquedo, o seu Corpo. Nas sessões de Psicomotricidade que desenvolvo, muitas delas em contexto de Natureza, é muito interessante observar que progressivamente os miúdos passam de muito cansados a excessivamente enérgicos, interessados e atentos.

Cada vez mais cedo nos afastamos do Chão, nos afastamos do movimento livre, cada vez mais passamos horas sentados em cadeiras ou sofás estáticos . Incontornavelmente, isto trará problemas associados à falta de movimento, as dores nas costas, as dores nas ancas, enfim, vocês saberão com certeza ao que me refiro.

Helena Gonçalves Rocha

Temos de esgotar as vivências corporais com os nossos miúdos pequenos e habituarmo-nos a estar mais tempo no chão. Reparem que o chão nos obriga a estarmos em contantes alterações de postura e o movimento é nutritivo, traz-nos aquilo que o nosso corpo precisa para funcionar em pleno.

Como tal, não esqueça, abandone o sofá e vá brincar para o chão com o seu filho. Fazer aviões, balancés, ler um livro deitado de barriga para baixo, fazer um desenho em conjunto.

Enfim, não esquecendo que o Corpo é o seu melhor brinquedo!

Bom Fim de semana!
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Brincar ao ar livre

DEIXEM OS MIÚDOS BRINCAR LÁ FORA, MESMO QUE ESTEJA FRIO

Helena

Com a chegada do mês de Novembro, chegam também as manhãs frias e os fins de tarde gelados, a temperatura começa a arrefecer e parece quase que as crianças iniciam o período de hibernação.

Mas porque insistem os pais em não deixar as crianças brincarem na rua quando arrefece o clima? Quais as vantagens de continuar a brincar lá fora com um Sol que durante todo o inverno persiste no nosso país?

Senão vejamos:
Em vez de respirarem o ar artificialmente aquecido (do ar condicionado, dos aquecedores)…
Eles correm lá fora engolindo grandes golfadas de ar fresco.

Em vez de mexerem em objetos de plástico cheios de outras dedadas sujas…
Eles brincam na natureza, saltando em cima das folhas crocantes, apanhando paus, abraçando as árvores.
Em vez de ficarem sentados todo o dia, pouco ou nada fazendo para aumentar a sua frequência cardíaca…

As crianças trepam as árvores, escavam, rolam, saltam e equilibram-se , uma mistura de competências de fortalecimento ósseo, muscular e exercício cardiovascular.

O seu desenvolvimento físico e a sua condição física são mantidos num alto nível. O exercício físico também melhora a saúde emocional das crianças, permitindo-lhes relaxar e fornecendo uma sensação de bem estar, essencial para um desenvolvimento harmonioso.

As brincadeiras na terra, escavar, fazer bolinhos, a sujidade é essencial para desenvolver a imunidade. As brincadeiras de inverno na rua trazem inúmeros benefícios de saúde para as crianças.

Helena Gonçalves Rocha

Nesta altura do ano começa a praga dos narizes a pingar, caritas ranhosas, tosses constantes. Habituarmos as nossas crianças desde cedo a brincar na rua, vai trazer-vos uma maior imunidade e invernos mais tranquilos.

Os meus filhos são o exemplo vivo disso mesmo. Desde cedo as brincadeiras eram feitas na natureza, com frio, com chuva miudinha. Recordo o ar horrorizado dos avós, quando eles ainda pequenos, em pleno Inverno entravam mar dentro para surfar e saíam a bater o dente para tirar o fato molhado e vestir roupa quentinha. “ Vão ficar doentes…que inconsciência com este frio…”.

Já há muito que deixaram de o dizer, como diz uma amiga minha, “os teus filhos nunca estão doentes”. Era bom!… Claro que não é bem assim, mas é verdade que as doenças da época não nos apanham. Estamos conservados em frio, é o que costumo dizer…

Como alguém um dia disse: “Não existe essa coisa do mau tempo, existem sim, roupas desadequadas”.

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade infantil como um dos mais sérios desafios de saúde pública do século 21. As crianças obesas têm maior predisposição para desenvolver diabetes infantil, assim como outros problemas de saúde, nomeadamente do foro musculo-esquelético.

As dificuldades ao nível comportamental, como por exemplo a Perturbação da Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) beneficiam de permanecer por períodos mais longos em movimento no exterior, sendo a aprendizagem facilitada através do movimento. O facto do movimento poder ser realizado em ambiente natural, permite que desenvolvam competências ao nível da atenção, curiosidade sobre o que os rodeia e uma motivação intrínseca pela aprendizagem.

Por curiosidade, e esta também é novidade para mim, os investigadores constataram que a incidência de miopia ( dificuldade em ver ao  longe) tem menor prevalência nas crianças que passam mais tempo no exterior e estão naturalmente mais habituadas a focar em objetos à média e longa distância, ao contrário dos “close-ups”, ou seja visão focada em áreas mais fechadas, necessário para utilizar um tablet ou ver televisão que as crianças que permanecem em casa apresentam.

Os benefícios emocionais e físicos são tantos se você optar por fazer Uma Única alteração na sua vida. Deixe os seus filhos brincarem na rua. Regularmente, com alegria, durante todo o ano. Não se assuste com os dias cinzentos e frios, também estes têm a sua magia.

Vistam os casacos, calcem as galochas e partam à aventura pela Natureza! As naturais consequências surgirão na sua Saúde!

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BOTTLE FLIP

“BOTTLE FLIP”, O NOVO DESAFIO DA MODA

Helena

Não sei se o “Bottle Filp” tem direito a tradução, será o jogo do “virar a Garrafa? Não faço ideia! O que tenho observado são vários grupos de adolescentes reunidos à volta de uma garrafa meio cheia a tentar lançá-la de modo a que aterre de pé.Estranho? Talvez não. Tenho memória da minha irmã, nos idos anos 80, ter um prego bem afiado, para jogar ao Espeta nos intervalos da escola. O objetivo era semelhante, lançar o Espeta de forma a ficar enterrado na areia na posição vertical.

Foi a minha filha que trouxe a moda cá para casa, já com algumas horas de treino, consegue lançar a garrafa com mestria e invariavelmente ela aterrar de pé.

BOTTLE FLIP

Garanto-vos que não é tão fácil quanto parece. É, sem dúvida, um jogo simples, facilmente acessível e com uma recompensa imediata.
A boa notícia é que este jogo, Bottle Flip, traz também diversos benefícios:

  • Aprender e (ensinar) a explicação científica por detrás do fenómeno. Grande oportunidade para questionar na aula de físico-química o porquê.
    Motiva as crianças a brincar lá for a. Não vale desistir da batalha, esta é uma guerra que não queremos perder: miúdos a brincar na rua!
  • Ajuda os miúdos a desenvolver as competências de motricidade fina.
  • Aumenta a concentração, tempo de atenção e paciência
  • É uma excelente forma de descontrair.
  • Promove as interações positivas entre os adolescents, uma vez que PUXAM uns pelos outros.
  • Bebem mais água! (“ Podes fazer a bottle Flip depois de beber metade da água e quando consegues aterrar de pé, bebes a restante.
  • Entretém-se sozinhos.
  • Tentam novos truques e inventam novas formas de superar os seus próprios recordes.

E claro está, resta lembrar algumas regras:

  1. Não fazer o Bottle Flip nas aulas.
  2. Não se pode deitar água fora para  fazer o BottleFlip. Tens mesmo de a beber.

Divirtam-se com o Bottle Flip, miúdos e graúdos!

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Brincar ao ar livre

BRINCAR AO AR LIVRE É PRECISO!

Helena

Vivemos num país com um clima fabuloso, no Verão chegamos a ter mais de 12 horas de luz solar e mesmo no Inverno o clima permite-nos estar na rua sem problemas de maior.

O Verão começou na segunda-feira e com ele toda a mudança de rotinas. Os miúdos já estão de férias e o brincar lá fora é inevitável. As brincadeiras estendem-se até mais tarde, conseguimos jantar ainda com a luz do dia e ir para a cama cedo começa a ser uma dificuldade. “Para a cama? Mas ainda é dia…”

A verdade é que, infelizmente, assistimos a um maior número de casos em que as crianças preferem não sair de casa. Porquê? Normalmente porque o pequeno ecrã, seja ele a TV, o tablet, o computador ou o telemóvel, lhes permitem ter acesso a todo um Mundo que só por si os satisfaz. Batalhas invencíveis, conversas com os amigos, jogos intermináveis, aplicações miraculosas, enfim, é verdade que é uma luta desigual. Mas também é verdade que não teremos de desistir de um em detrimento de outro. Como em tudo, o equilíbrio é a chave do sucesso.

A verdade também, é que cada vez mais, temos crianças com dificuldades psicomotoras graves, com baixa auto-estima, inseguras, impulsivas e com dificuldades ao nível das competências sociais.

Na minha prática clínica uma das recomendações habituais, ou chamemos-lhe antes, prescrições, pois é feita com objetivos terapêuticos, é a frequência trissemanal de um parque infantil. Com a devida exploração de cada um dos equipamentos, desde que lhes permita desenvolver as competências de equilíbrio, planeamento motor, força, destreza, coordenação bimanual, enfim, uma infinidade de objetivos que podemos desenvolver com uma simples ida ao parque.

E perguntam vocês, mas qual parque? E eu agradavelmente vos respondo que qualquer um pode satisfazer alguns dos objetivos previstos, mas há de certo, uns melhor do que outros.  E como falamos da Lisbon South Bay, irei tentar apresentar-vos alguns dos equipamentos de qualidade que por aqui podemos encontrar e desafio-vos também para que possam enviar fotos dos parques infantis da vossa eleição.

Comecemos pelo Parque Infantil da Marisol (freguesia da Charneca da Caparica, concelho de Almada) recentemente remodelado, fica bem no centro de uma zona residencial e de serviços, o que permite que os pais possam sempre estar por perto e atentos à atividade dos seus filhos.

O parque tem equipamentos para uma faixa etária alargada o que permite uma utilização diferenciada mediante a idade do utilizador. Os percursos de equilíbrio apresentam alguma dificuldade para os mais pequenos, mas são um desafio para os mais velhos.

Brincar ao ar livre

O baloiço é excelente, permite a utilização simultânea por vários utilizadores, promovendo a cooperação e a partilha entre eles. Tem também outra vantagem, permite que uma criança com mobilidade reduzida o possa utilizar sem problema, mesmo que não tenha a capacidade de se agarrar às cordas. Os baloiços são ótimos para desenvolver o equilíbrio, a força e o planeamento motor.

Brincar ao ar livre

Existe um equipamento super engraçado que vai fazer os encantos de muitos miúdos. Aqui eles podem comparar pesos e quantidades, familiarizarem-se com o sistema de roldanas, pôr e tirar, encher e esvaziar (brincadeira preferida em algumas etapas de desenvolvimento) e mais do que tudo, brincar ao faz de conta.

Brincar ao ar livre

Para além destes equipamentos mais diferenciados, podemos aproveitar a parede escalada, um escorrega invulgar, e as magníficas “monkey bars”, onde os miúdos se podem pendurar e desenvolver o planeamento motor, a força, e a coordenação bimanual.

Mais importante do que tudo isto, com uma simples ida ao parque infantil estamos a promover o desenvolvimento infantil, fazendo com que os miúdos aprendam brincando!

Deixo-vos mais uma vez o desafio: enviem-nos fotografias dos vossos parques preferidos na Lisbon South Bay, ou identifiquem-nos e dêem-nos a sua localização, para que possamos ir até lá e dar a conhecer o que melhor temos para as nossas crianças na  Lisbon South Bay.

Brincar ao ar livre

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“CUIDADO, OLHA QUE CAIS!”

ASSINATURA 2 1

Os benefícios do risco nas brincadeiras das crianças

“Cuidado, olha que cais!”, ”Pára quieto um bocadinho…”, “Não vais por ai que é perigoso!”

Não me recordo quando começou tudo isto…
Tive a sorte de ter as pernas sempre marcadas de nódoas negras e arranhões. Subir as árvores e quase cair, inventar estratégias para chegar mais alto. Percorrer todos os muros altos, em grande equilíbrio, a toda a velocidade, no caminho que percorria a pé para casa, depois da escola, em plena cidade.
Quando arriscam, as crianças aprendem a lidar com os fracassos, a tentar novamente… Aprendem a responsabilizar-se pela sua própria segurança e integridade. Jamais conseguiremos “almofadar” o mundo para que os nossos filhos não se magoem, desde cedo podemos proporcionar-lhe experiências em que possam testar os seus limites, em que possam tentar de novo, encontrar soluções de forma autónoma. E os pais onde estão? Preferencialmente, brincando também, mostrando que cair e voltar a levantar é possível, que não conseguimos tudo à primeira tentativa, mas que tentar outra vez nos pode dar um incrível prazer e quando conseguimos podemos celebrar em conjunto!

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