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2 ESPÉCIES DE CARACÓIS NA SERRA DA ARRÁBIDA

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Como andamos a viver esta época natalícia em slow motion, esta notícia sobre o “rei da câmara lenta” chegou em boa altura – há 2 espécies de caracóis que são únicos da Serra da Arrábida. Apesar de não ser tempo deles, se há coisa que somos muito apreciadores é de caracóis. Há poucas coisas capazes de superar um final de tarde depois de um grande dia de praia com uns caracóis, uma bebida fresca e pão torrado com manteiga! Humm. Mas…voltemos à notícia!

Chama-se Candidula arrabidensis e é uma espécie nova de caracol, descoberta há cerca de um ano por um casal de cientistas britânicos residente em Portugal, Geraldine e David Holyoak. Mas, não é o único caracol exclusivo da Arrábida. Há também o Candidula setubalensis, que tinha sido descrito no século XIX por Louis Pfeiffer, um médico e naturalista alemão.

Estas duas espécies são caracóis pequenos e têm sido estudadas por biólogos no terreno. Gonçalo Calado é biólogo marinho e especialista em caracóis marinhos e o biólogo Francisco Moreira, ambos docentes da Universidade Lusófona, em Lisboa. Lideram a equipa que está a fazer os estudos de campo – um grupo formado por estudantes e professores da licenciatura de Biologia.

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Numa primeira fase do estudo, foi verificada a área de distribuição dos dois caracóis, por toda a zona do Parque Natural da Arrábida, desde Palmela até ao Cabo Espichel, em quadrículas de dois por dois quilómetros.

Confirmaram que a “nova” Candidula arrabidensis existe por toda a serra, mas tiveram uma surpresa: a Candidula setubalensis já não vive na zona onde foi descrita, o castelo. Gonçalo Calado afirmou: Por agora, sabemos que a área de distribuição de Candidula setubalensis se estende por uma fina faixa de 20 quilómetros — desde o Portinho da Arrábida até enseada da Baleeira, quase no cabo Espichel. A faixa é muito fina, às vezes com menos de 100 metros de largura, mas estamos a aferir tudo.

Pensa-se que o facto de haver espécies únicas da Serra da Arrábida se deva ao maciço calcário da região. Situada na península de Setúbal, a Serra da Arrábida tem características naturais únicas, o que justifica a sua conservação. Já nos anos 40 o poeta Sebastião da Gama lançou um apelo para a defesa desta área natural, com repercussões que levaram à criação da Liga para a Proteção da Natureza. Em 1976, foi criado o Parque Natural da Arrábida, que hoje inclui a serra e a zona marítima desde a Arrábida até ao cabo Espichel.

Há espécies de caracóis que vivem em áreas degradadas, o que não é o caso das espécies agora em estudo, que só encontramos em áreas mais naturais.

Nós aqui temos candidulas.
Nós aqui temos isto.

Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/os-dois-caracois-que-so-existem-na-serra-da-arrabida-1718197?page=-1