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PLANO B PARA O FIM DE SEMANA NA MARGEM SUL. Por Marlene Gaspar

corremos

Os planos que eu tinha para o fim de semana parecem-me estar arruinados pela pluviosidade que se fez anunciar e que se prevê encharcar tudo e todos para além do próximo domingo. O país agradece, e eu estou na primeira fila a erguer as mãozinhas para o céu por isso. Só lamento não ter um comando com as funções “start” e “stop” para a chuva para poder escapar ao caos que é provocado no trânsito por causa deste fenómeno e para conseguir cumprir o que estava programado ao ar livre – a sessão de Surf Paddle e a mini maratona! Mas não, a chuva é temperamental, é quando lhe dá na telha e está nem aí para quando é que me dá jeito.

mapafimdesemana

Para ser totalmente honesta estou a atravessar uma espécie de mix feelings com isto. Por um lado sou atravessada pela frustração e a sensação de objetivo não cumprido, por outro, e a sensação de alívio por não ter que lidar com os meus receios e esforço para cumprir as metas que defini. Pronto, assumo. Não tenho essa bola toda. Gostava. Mas, há que encarar as coisas com frontalidade.

Já sei que estão a pensar: és uma flor de estufa e não aguentas uns choviscos numa corrida nem te aguentas firma e hirta numa prancha no rio! E estão a pensar bem. Sou um bocadinho de cristal, e fisicamente tenho algumas fragilidades. Sim, começo a pensar no percurso da ponte a levar com pingos durante 7 km e a regressar nos transportes com a roupa colada até ao corpo e a entrar-me pelas entranhas a dentro e pow. Direitinha à cama. Em relação ao Surf Paddle, o alívio é só temporário que a Rossana já me disse que a sessão que aqui anunciei vai ser adiada, porque o mau tempo não dá garantias de segurança (afinal não sou só eu a piegas). Quanto à travessia da ponte, se não for desta, para o ano há mais. Ainda bem que já tive a experiência.

Calma, não estou a deitar a toalha ao chão, mas há que assumir as coisas com frontalidade e deixar-me de fufus e gaitinhas. Se não houver jogging ou surfing, há “mapling” que é basicamente uma maratona de sofá (aka maple), com visionamento de filmes (ui e há tantos na fila), com uma boa dose de gordices a acompanhar. Eu sei que isto é radical e é o extremo oposto do programa saudável e desportivo que estava planeado. Mas, a culpa é de quem? Do S.Pedro. Minha é que não é!

Nós aqui temos planos B.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

maratona

mini MARATONA NA 25 DE ABRIL TEM MAIS UMA ATLETA. 11 de março. Por Marlene Gaspar

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Acabei de me inscrever na mini maratona da Ponte 25 de Abril para o dia 11 de março. Pow, sem medos, sem dúvidas ou hesitações e pensei, vou já divulgar este evento ao mundo, porque quem ainda não passou a ponte pelo seu próprio pé não merece o chão que pisa. Ok, não preciso ser tão dramática, mas é só porque acho que é uma experiência que tem de se fazer. E se não metem pé ao caminho para isso, a responsabilidade é inteiramente vossa. Depois não digam que não avisei. São uns meninos!

Foi o ter começado este blog que me obrigou em 2016 fazer esta experiência, o que repeti no ano seguinte, e cá estou eu “linda, livre, leve e solta, pronta para deitar os bofes pela boca”. Mais uma vez, estou a ser dada aos exageros, mas já me conhecem. Sim, todos estes adjetivos são uma hipérbole assumida, para me dar alento a mais uma prova, que pretendo superada.

Este entusiasmo caiu por terra quando fui ver o que vos escrevi o ano passado, que resumindo estava triste por não ter cabedal para me atirar à meia maratona e em baixo de forma. E um ano depois, não só a situação se mantém, como piorou, porque claramente não tenho ido aos treinos. Mas isso não me abala, minha gente.

Porque o que eu sei é que não estou sozinha nisto, e por isso quem é que me acompanha nesta aventura? Dia 11 de março temos a mini maratona (7 km) e a meia (21 km) para os mais corajosos. Podes fazer a inscrição aqui, e se posso dizer que há alguma coisa onde não fui dada a exageros nesta conversa é a experiência inesquecível de passar a ponte pelo nosso próprio pé. É do cara#%&$%/ças.

Nós aqui passamos a Ponte 25 de abril.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

ParquedaPaz

CORRE-SE NO PARQUE DA PAZ E NO PARQUE DA SERRADO. QUAL PREFERES? Por Marlene Gaspar

corremos

Almada ou Seixal? Qual a zona onde preferes bater perna, neste caso participares num corta-mato? Se és jovem e tens entre 6 e 22 anos podes participar nos próximos corta-matos agendados para este mês. Se tens mais uns aninhos não te preocupes e não te inibas. Ou vais apoiar, ou vais reunir uma malta ou então aventura-te por ti, porque nós aqui não queremos desculpas.

Mas voltemos, aos eventos programados. Comecemos pelo Corta Mato Escolar Concelhio de Almada, que ocorre no dia 23 de janeiro, às 10h no Parque da Paz, Feijó. Participam nesta prova, cerca de 1600 jovens estudantes almadenses, com idades entre os 7 e os 22 anos. A apadrinhar esta causa temos o Nelson Cruz, campeão nacional de corta mato em 2016 e vencedor da Meia Maratona de Almada em 2013, 2014 e 2017, é o padrinho da edição 2018.

No concelho vizinho, no Seixal, temos o 34.º Corta-Mato Escolar Concelhio que se realiza no dia 26 de janeiro, sexta-feira, a partir das 9.30 horas, no Parque do Serrado, em Amora.

ParqueSerrado

A prova faz parte do projeto Seixaliada Escolar e conta com a participação dos alunos das escolas do concelho, entre os 6 e os 19 anos de idade. No final de cada prova, são atribuídas medalhas aos cinco primeiros classificados de cada escalão. As inscrições devem ser feitas até ao dia 22 de janeiro, terça-feira, no Complexo Municipal de Atletismo Carla Sacramento.

É caso para dizer, run, Forest, run.

Nós aqui temos atividade no Parque da Paz e no Parque do Serrado.
Nós aqui temos isto.

MMA

MEIA MARATONA DE ALMADA. 1 de julho.

corremos

Run, Forrest, run! A Meia Maratona de Almada está de volta para mais uma edição e há distâncias para (quase) todos os gostos.

Dá para caminhar 6,5 km para os que gostam de andar e aproveitar uma boa converseta ou apenas andar sem dar trela a ninguém, porque a única exigência é dar à perna e chegar ao final.

Se o corpinho aguentar mais do que isto e quiser correr, a prova contempla a corrida de 10 km, que já dá para sentir os músculos e treinar afincadamente.

Mas se até aqui isto for para meninos, há a meia maratona onde faz-se mais de 20 km a puxar pelo cabedal. Cada um escolhe a que pode, ou a que consegue ou a que apetece. O importante é participar.

Se estão preocupados com a hora do calor a correr com bafos de fora e isso fizer desistir-vos da ideia, não vai ser assim tão fácil. É que a prova é à noite, por isso, é só inscreverem-se e treinarem. Vai dar tempo.

MeiaMaratona

A prova é sábado, 1 de junho às 19h. Mas fica-se despachado nessa noite (até às 23:30h) e a partida é na Av. Arsenal do Alfeite nº 10, 2810-262 Almada – Parque da Paz. As inscrições são aqui.

Nós aqui temos meia maratona.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

Maratona

CORRER, AMAR E ORAR.

gostamos 1

É com algum esforço que escrevo, como dá para perceber pelo adiantar da hora, mas alguém tem de o fazer! É que a participação na maratona (não interessa se foi mini ou meia, o importante foi participar) deixou-me de rastos!

Minimaratonaponte

Ajuntamento

CORRER

Não sei se recordam o ano passado quando escrevi aqui ainda sonhei em participar na meia maratona, mas tendo em conta a falta de ida aos treinos, uma tosse alérgica que parece que sou uma fumadora compulsiva, a falta de força de vontade e a falta de vontade de fazer força, ter chegado ao fim dos 7,200 quilómetros a correr sem parar posso-me me dar por muuuiiito satisfeita. Derreada, mas feliz.

Sem grandes expectativas, ser participante de segunda viagem, neste caso deixou-me sem pressão. Quando deixar de conseguir correr, passo a andar, pensei. Felizmente não foi preciso. Como contei aqui, o meu companheiro de viagem foi o meu pai, e nada melhor do que passar o dia dele a partilharmos um gosto comum. Temos a coisa bem oleada e combinámos só encontrar-nos no fim. Sim, porque se há coisa que não compreendo é como é que se consegue correr em amena cavaqueira. Eu para correr, respirar, enganar a dor de burro, apreciar a paisagem, voltar a respirar e pensar na meta sabe Deus, quanto mais ir ali na converseta. Uma salva de palmas para os que conseguem, mas isso não é para mim.

AMAR

O meu ritmo é lento, muito lento, mas é aquele que eu controlo. Os 3 kms no tabuleiro da ponte foram de puro prazer. Controlada, focada, deu para apreciar aquele trajeto a pé. Tão bom.

ORAR

A partir daí foi sempre a descer e a descambar. O último quilómetro foi penoso. A falta de treino começou a manifestar-se, o calor a deitar abaixo e foi pedir a todos os santinhos para me aguentar sem parar. Eles ouviram.

Maratona

Não há dúvida que esta prova me dá imenso prazer. Poder atravessar a ponte 25 de abril a pé é libertador. Neste caso, o congestionamento do trânsito pedestre assusta, mas chegar ao outro lado pelos nossos próprios meios, é recompensador.

Resumindo e concluindo no pain, no gain. Fiquei com algumas dores que me vão acompanhar nos próximos dias, mas também me vão lembrando do prazer que foi conseguir vencer esta etapa. E nada melhor do que ser recebida pelo melhor pai do mundo à chegada e ir ter com o melhor pai do mundo de seguida.

MelhorPai

O melhor pai do mundo e o melhor pai do mundo.

Para terminar depois de um almocinho na praia, tive direito ao primeiro mergulho do ano no mar da Costa da Caparica. What a day.

Nós aqui temos corrida da ponte.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar
Fotografia: “Voluntários à força” e Rui Tomás

correr

HÁ CORRER E CORRER.

corremos

Chamar “correr” ao que faço é provavelmente um desprestígio para quem o faz verdadeiramente (e não estou a referir-me apenas aos profissionais, não precisamos chegar a esse nível)! O mais indicado será dizer “os passitos acelerados que dou”, mas na falta de melhor expressão vamos chamar “correr”, sem ofensa para os que efetivamente o fazem.

A minha forma de ver o ato de correr é diferente do status quo e procuro satisfazer-me para além da prática do exercício físico! Ela acaba por acontecer, mas, não é o que me move.

Em primeiro lugar, tenho de partilhar que estou muito orgulhosa, pois este ano, “corri” todos os dias. À minha maneira, mas todos os dias (Ano Novo, Atitude Nova). E o que é isto de ser “ à minha maneira”?

Como para alguns, correr era bom, mas era para os outros. Seria impensável acordar, levantar-me mais cedo, pensar em sair de casa para correr. Não gostava de o fazer, saia-me os “bofes de fora”, a “dor de burro” aparecia enquanto o diabo esfrega um olho e fica-se toda desgrenhada! Mas, a necessidade aguça o engenho (mais uma vez, não se pode propriamente qualificar como “engenho”). Andei anos no ginásio, mas praticar máquinas e aquele enclausuramento não me satisfaziam. O ar livre tem efeitos terapêuticos no estado de espírito e comecei a fazer caminhadas. Daí a começar a “correr” foram uns passinhos, ou melhor vários passinhos. Alternar a caminhada com a corrida foi o princípio até conseguir fazer o percurso inteiro “a correr”. A velocidade deste ato é que “mancha o meu curriculum nesta matéria”, pois não sei quantificar, mas é lenta, muito lenta.

correr

Os comentários que oiço poderão tornar mais fácil de entender, uns mais simpáticos que outros, mas dá para perceber a ideia:

# Olha lá, isso não dá para ir mais rápido?!” (altamente motivador!)

# Devagar se vai ao longe (risos, sim, risos, quando eu estou a “correr” e não a andar!)

Facilmente se percebe que a competição a esse nível não interessa e fisicamente também não é por aqui que se ficará “boa como o milho”. Então porque é que “corro”? Porque é o meu momento de meditação. É o meu momento de libertação e de arrumar ideias. É o meu momento. É um momento que eu gosto de estar só. E este momento tem imenso impacto para um (bom) dia. E é por isso que tenho o privilégio de sair de casa e a envolvência da Lisbon South Bay proporcionar todas as condições para isto: a natureza, o percurso (ser plano), a “vizinhança”, o não haver trânsito. E é por isto que não vou correr com mais alguém, e é por tudo isto que o “correr” me traz bem-estar, sem impacto “visível” no corpinho.

Sabiam que a frase:

ANOTARAM A DATA DA MARATONA dita ao contrário se lê da mesma maneira?

Esta curiosidade expressa muito bem este contexto. Moral da história – há sempre diferentes perspectivas, interpretações e abordagens. E é importante estarmos (de) bem com a nossa.

Nós aqui temos condições para correr. Nós aqui temos isto.