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MEIA MARATONA DE ALMADA. 1 de julho.

corremos

Run, Forrest, run! A Meia Maratona de Almada está de volta para mais uma edição e há distâncias para (quase) todos os gostos.

Dá para caminhar 6,5 km para os que gostam de andar e aproveitar uma boa converseta ou apenas andar sem dar trela a ninguém, porque a única exigência é dar à perna e chegar ao final.

Se o corpinho aguentar mais do que isto e quiser correr, a prova contempla a corrida de 10 km, que já dá para sentir os músculos e treinar afincadamente.

Mas se até aqui isto for para meninos, há a meia maratona onde faz-se mais de 20 km a puxar pelo cabedal. Cada um escolhe a que pode, ou a que consegue ou a que apetece. O importante é participar.

Se estão preocupados com a hora do calor a correr com bafos de fora e isso fizer desistir-vos da ideia, não vai ser assim tão fácil. É que a prova é à noite, por isso, é só inscreverem-se e treinarem. Vai dar tempo.

MeiaMaratona

A prova é sábado, 1 de junho às 19h. Mas fica-se despachado nessa noite (até às 23:30h) e a partida é na Av. Arsenal do Alfeite nº 10, 2810-262 Almada – Parque da Paz. As inscrições são aqui.

Nós aqui temos meia maratona.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar

Maratona

CORRER, AMAR E ORAR.

gostamos 1

É com algum esforço que escrevo, como dá para perceber pelo adiantar da hora, mas alguém tem de o fazer! É que a participação na maratona (não interessa se foi mini ou meia, o importante foi participar) deixou-me de rastos!

Minimaratonaponte

Ajuntamento

CORRER

Não sei se recordam o ano passado quando escrevi aqui ainda sonhei em participar na meia maratona, mas tendo em conta a falta de ida aos treinos, uma tosse alérgica que parece que sou uma fumadora compulsiva, a falta de força de vontade e a falta de vontade de fazer força, ter chegado ao fim dos 7,200 quilómetros a correr sem parar posso-me me dar por muuuiiito satisfeita. Derreada, mas feliz.

Sem grandes expectativas, ser participante de segunda viagem, neste caso deixou-me sem pressão. Quando deixar de conseguir correr, passo a andar, pensei. Felizmente não foi preciso. Como contei aqui, o meu companheiro de viagem foi o meu pai, e nada melhor do que passar o dia dele a partilharmos um gosto comum. Temos a coisa bem oleada e combinámos só encontrar-nos no fim. Sim, porque se há coisa que não compreendo é como é que se consegue correr em amena cavaqueira. Eu para correr, respirar, enganar a dor de burro, apreciar a paisagem, voltar a respirar e pensar na meta sabe Deus, quanto mais ir ali na converseta. Uma salva de palmas para os que conseguem, mas isso não é para mim.

AMAR

O meu ritmo é lento, muito lento, mas é aquele que eu controlo. Os 3 kms no tabuleiro da ponte foram de puro prazer. Controlada, focada, deu para apreciar aquele trajeto a pé. Tão bom.

ORAR

A partir daí foi sempre a descer e a descambar. O último quilómetro foi penoso. A falta de treino começou a manifestar-se, o calor a deitar abaixo e foi pedir a todos os santinhos para me aguentar sem parar. Eles ouviram.

Maratona

Não há dúvida que esta prova me dá imenso prazer. Poder atravessar a ponte 25 de abril a pé é libertador. Neste caso, o congestionamento do trânsito pedestre assusta, mas chegar ao outro lado pelos nossos próprios meios, é recompensador.

Resumindo e concluindo no pain, no gain. Fiquei com algumas dores que me vão acompanhar nos próximos dias, mas também me vão lembrando do prazer que foi conseguir vencer esta etapa. E nada melhor do que ser recebida pelo melhor pai do mundo à chegada e ir ter com o melhor pai do mundo de seguida.

MelhorPai

O melhor pai do mundo e o melhor pai do mundo.

Para terminar depois de um almocinho na praia, tive direito ao primeiro mergulho do ano no mar da Costa da Caparica. What a day.

Nós aqui temos corrida da ponte.
Nós aqui temos isto.

Texto: Marlene Gaspar
Fotografia: “Voluntários à força” e Rui Tomás

correr

HÁ CORRER E CORRER.

corremos

Chamar “correr” ao que faço é provavelmente um desprestígio para quem o faz verdadeiramente (e não estou a referir-me apenas aos profissionais, não precisamos chegar a esse nível)! O mais indicado será dizer “os passitos acelerados que dou”, mas na falta de melhor expressão vamos chamar “correr”, sem ofensa para os que efetivamente o fazem.

A minha forma de ver o ato de correr é diferente do status quo e procuro satisfazer-me para além da prática do exercício físico! Ela acaba por acontecer, mas, não é o que me move.

Em primeiro lugar, tenho de partilhar que estou muito orgulhosa, pois este ano, “corri” todos os dias. À minha maneira, mas todos os dias (Ano Novo, Atitude Nova). E o que é isto de ser “ à minha maneira”?

Como para alguns, correr era bom, mas era para os outros. Seria impensável acordar, levantar-me mais cedo, pensar em sair de casa para correr. Não gostava de o fazer, saia-me os “bofes de fora”, a “dor de burro” aparecia enquanto o diabo esfrega um olho e fica-se toda desgrenhada! Mas, a necessidade aguça o engenho (mais uma vez, não se pode propriamente qualificar como “engenho”). Andei anos no ginásio, mas praticar máquinas e aquele enclausuramento não me satisfaziam. O ar livre tem efeitos terapêuticos no estado de espírito e comecei a fazer caminhadas. Daí a começar a “correr” foram uns passinhos, ou melhor vários passinhos. Alternar a caminhada com a corrida foi o princípio até conseguir fazer o percurso inteiro “a correr”. A velocidade deste ato é que “mancha o meu curriculum nesta matéria”, pois não sei quantificar, mas é lenta, muito lenta.

correr

Os comentários que oiço poderão tornar mais fácil de entender, uns mais simpáticos que outros, mas dá para perceber a ideia:

# Olha lá, isso não dá para ir mais rápido?!” (altamente motivador!)

# Devagar se vai ao longe (risos, sim, risos, quando eu estou a “correr” e não a andar!)

Facilmente se percebe que a competição a esse nível não interessa e fisicamente também não é por aqui que se ficará “boa como o milho”. Então porque é que “corro”? Porque é o meu momento de meditação. É o meu momento de libertação e de arrumar ideias. É o meu momento. É um momento que eu gosto de estar só. E este momento tem imenso impacto para um (bom) dia. E é por isso que tenho o privilégio de sair de casa e a envolvência da Lisbon South Bay proporcionar todas as condições para isto: a natureza, o percurso (ser plano), a “vizinhança”, o não haver trânsito. E é por isto que não vou correr com mais alguém, e é por tudo isto que o “correr” me traz bem-estar, sem impacto “visível” no corpinho.

Sabiam que a frase:

ANOTARAM A DATA DA MARATONA dita ao contrário se lê da mesma maneira?

Esta curiosidade expressa muito bem este contexto. Moral da história – há sempre diferentes perspectivas, interpretações e abordagens. E é importante estarmos (de) bem com a nossa.

Nós aqui temos condições para correr. Nós aqui temos isto.