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O INFERNO MATINAL – COMO TRANSFORMÁ-LO EM PARAÍSO

ASSINATURA 2 1

Para mim, o mês de Setembro tem quase o mesmo significado de uma passagem de ano. Todo um novo ciclo se inicia. Os miúdos num novo ano escolar, este ano em novas escolas, são as atividades fora de escola que têm que se coordenar com os nossos horários, são os avós sempre disponíveis para novas funções e sempre prontinhos a ajudar. E somos nós que depois de uma semanas de férias habitualmente temos mais trabalho à nossa espera.

Por outro lado, todos os anos eu faço grandes propostas de mudança., vou começar no ginásio, vou levantar mais cedo para ir correr, vou ser mais criativa e organizada para não entrar em parafuso logo no primeiro mês… Enfim, quase como comer as 12 passas e formular desejos.

Este ano não foi excepção, mas posso dizer-vos, baixinho para não agoirar, que as mudanças estão mesmo a dar resultado e que quase como que naturalmente tudo se está a encaixar, sem stress durante este mês de Outubro.  As manhãs têm sido tranquilas, com caras sorridentes e sem 2 adultos exaustos a sair de casa para o trabalho.

E então quais são os truques, que dicas poderei eu partilhar convosco?

1. Primeiro tu!

Se te deitaste muito tarde, se estás exausta logo pela manhã, como pode haver boa disposição e paciência para organizar tudo de manhã? As manhãs exigem energia e criatividade da tua parte! Sugestão: dormir o máximo que consigas (e para isso não podemos querer fazer tudo durante a semana de trabalho!); acorda mais cedo que eles para te poderes arranjar e respirar fundo antes de os ajudares; envolve a/o tua/teu companheira/o se os horários o permitirem (alterna quem leva à escola ou distribui as tarefas de ajuda pelos dois); cuida de ti durante o dia (arranja um momento, nem que sejam 10 minutos, para respirar fundo!). A minha descoberta deste mês foi: tentar dar uma arrumação geral à casa e deixar semi-preparada as rotinas de regresso a casa. De manhã temos muito mais energia e quando chegamos a casa parece que passou por lá uma fada, divinal!

2. Cria o teu momento com as crianças!

Como te sentes se quando chegas ao teu trabalho o teu chefe está logo maldisposto e mal te diz bom dia? É difícil ficar bem-disposta assim, certo? Aproveita a manhã, nem que sejam 2 minutos, para criar “aquele momento” com o(s) teu(s) filho(s). Um abraço na cama, um acordar carinhoso, o “autocarro” que espera por eles para os levar às cavalitas para a casa de banho, uma pequena conversa, um “bom dia” bem-disposto (mesmo que não seja imediatamente retribuído!) é muitas vezes o suficiente para acordar mais tranquilo e começar melhor o dia.

3. Prepara as coisas no dia anterior!

As mochilas, as roupas, as lancheiras – tudo o que puder ser preparado no dia anterior, prepara! E envolve-os nas escolhas e na preparação, conforme a idade maior envolvimento haverá, porém quanto mais cedo começarem a responsabilizar-se por esta organização prévia, tanto melhor.

4. Respeita a individualidade de cada criança!

Sabemos que existem crianças (e adultos!) que acordam cheios de energia e boa disposição pela manhã. E outras em que parece que começam a “funcionar” perto da hora de almoço. Algumas que começam logo a conversar e outras que preferem que não lhes digas nada. A minha mãezinha sempre respeitou o “monstro” que vagueava lá por casa logo pela manhã e muito lhe agradeço por essa generosidade. Alguns miúdos acordam cheios de fome e outros  ficam maldispostos só de pensar em comida de manhã. Sê flexível e criativa! Não forces muita conversa se o teu filho não quer conversar; não faz mal de vez em quando só comer no carro durante a viagem para a escola ou reforçar o lanche a meio da manhã. Simplifica, palavra essencial para utilizar logo de manhã. Escolhe as tuas batalhas, há umas que não valem mesmo a pena.

5. Dá opções!

“Mãe, não quero vestir isto!! Não gosto destes sapatos! Não quero comer cereais!” Dá opções de escolha! Como exemplo: dá algumas opções de roupa, mas permite que ele escolha entre elas; deixa-o escolher o que quer vestir desde que leve um casaco; deixa-o escolher o que comer, desde que sejam opções que consideres saudáveis ou desde que seja ele a preparar o pequeno almoço. Acima de tudo respeita os teus limites e os deles.

Dia-a-dia

6. Envolve-os!

O balanço entre a autonomia, a responsabilidade e a ajuda necessária é fundamental. Conta que precisem da tua ajuda para passar a difícil rotina matinal. Mas de acordo com a idade, vai-lhes dando autonomia e responsabilidade (no toque do despertador, na preparação do pequeno almoço, etc). Queremos que cooperem, mais do que “obedeçam”. Conversa e planeia em família (com as crianças também!) como podem organizar melhor as manhãs, de modo a ser mais fácil para todos.

7. Uma coisa de cada vez!

“Põe a roupa suja no cesto, lava os dentes, calça-te e depois vem tomar o pequeno almoço. Mas não esqueças a mochila!” Ordens! Ordens! Ordens!!! Uma sequência que entra por um ouvido e às vezes sai pelo outro, porque não só cria maior tensão e stress, como são demasiadas coisas para decorar e fazer ao mesmo tempo. Experimenta dizer uma coisa de cada vez. Ou criar uma lista de coisas a não esquecer de manhã.

8. Vive cada momento!

Respira fundo, dá um bom dia ao Mundo! No teu banho, no abraço ao teu filho, no primeiro olhar do dia pela janela, na cor da roupa que escolhes para vestir, na música que escolhes ouvir de manhã, na condução até à escola (já agora, se tiveres hipótese de ir a pé, nem que seja parte do percurso, caminha!!!! Faz milagres ;)). Vive cada manhã com mente de principiante. Não é fácil. Mas é gratificante!

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.

 

dificuldade motora

“QUASE METADE DOS ALUNOS DE 2º ANO COM DIFICULDADES MOTORAS”. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Espanto? Claro que não… Será que é desta que se vão conseguir acordar consciências? Será que é desta que se vai entender que as crianças precisam de movimento, que as crianças precisam de brincar, que as crianças precisam de descobrir o seu próprio corpo?

(Movendo-se, não através de fotografias ou de o visionamento de um vídeo sobre o tema.)

Será agora que os miúdos podem finalmente mexer-se? Confesso que começo a ficar cansada de tanto adulto impaciente com a irrequietude dos miúdos, com tanto adulto a querer que fiquem sentados e sossegados (mesmo que seja aos 3 anos, parece impossível…), de tanto adulto a sugerir a toma de medicação porque os miúdos se mexem demais.

Bom, será que as provas de aferição vão ter alguma utilidade? Será que finalmente os adultos, pais e educadores, irão perceber que para além da Matemática e da importância das Línguas Estrangeiras, os miúdos têm que conhecer e dominar o seu corpo até ao final das suas vidas?

Será que estes resultados nas provas de aferição, aliado ao facto de sermos os vice-campeões europeus em obesidade infantil, vão finalmente gerar mudanças?

E quando me refiro a mudanças, não coloco o único enfoque na forma como a educação física é lecionada no 1º ciclo, sim, claro que este é um fator importante, mas, não será muito mais importante a forma como os pais e educadores priorizam a atividade física na rotina diária das crianças?

Não será mais importante que os recreios estejam equipados com materiais e atividades que desafiem as nossas crianças, que lhes permitam uma adequada exploração motora?

Não será mais importante para as nossas crianças que aos fins de semana as idas ao shopping sejam substituídas por longas caminhadas pela Natureza?

Será que temos noção da verdadeira dimensão que devemos atribuir ao facto de um terço dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras manifestarem dificuldades em participar num jogo de grupo. Será que percebemos qual a verdadeira dimensão em termos futuros? Será que percebemos que no futuro o trabalho de equipa está em risco?  Será que entendemos que as interações geradas na prática de desportos coletivos na infância e adolescência são verdadeiras Faculdades para a vida no treino das competências sociais?

Será que damos a devida importância ao facto de 46% dos alunos não terem conseguido dar seis saltos consecutivos à corda e como este é um factor determinante ao nível do equilíbrio e planeamento motor, factores estes intimamente relacionados com a Atenção.

Sim, com a Atenção, agora já despertei a vossa própria Atenção, não é? A Atenção que permite à criança aprender e permanecer na tarefa. Sabia que o equilíbrio é um factor fundamental para o desenvolvimento desta capacidade?

É hora de mudar, é hora de priorizar a saúde física e mental das nossas crianças.

Brinquemos mais, arrisquemos mais, permitamos mais contato com a Natureza, permitamos mais desafios, mais jogo livre e mais autonomia!

Helena Gonçalves Rocha

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Foto:D.R

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UM SONHO QUE VIROU SORRISO. Por Catarina Laborinho

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Imaginem um mix, um Consultor Financeiro de uma prestigiada multinacional e uma Educadora de Infância que alimentava este sonho desde criança. Dá-se o clique, e o Sonho virou Sorriso, e foi assim que há 12 anos nasceu o Parque dos Sorrisos.

Tanto a Laura como o Luís tinham o mote bem definido, “o futuro começa aqui!”. E foi aqui que começou esta jornada.

Para quem anda no comboio da Fertagus, Estação dos Foros de Amora e agora também no Pragal, já reparou certamente no Parque dos Sorrisos, por outro lado pode ainda não ter reparado na dimensão do mesmo, mas garanto-vos que é de ficar impressionado.

Tive o prazer de conhecer os 2 espaços preparados para os mais pequenos, e, se anda à procura de um colégio para o seu filho, passe num dos dois porque vale a visita.

O espaço localizado na estação dos Foros de Amora, com estacionamento privativo para a tomada e largada das “mercadorias” mais delicadas, os nossos filhos, encontra-se inserido num espaço equivalente a 10 lojas. Isto disto assim não diz lá muito, mas converter em m2 estamos a falar em 700m2 de área coberta. “Caneco” a sério?!?!? É verdade, quem por ali passa nem dá por isso, já que só tem acesso ao espaço exterior, e esse tem aproximadamente 330m2 – também já é considerável – já dá para fazer altas corridas de triciclos :) Espaço há, e os triciclos também!

Na estação dos Foros de Amora, o colégio tem uma particularidade interessante, foi adaptado e pensado para ser “desmontado”, ou seja, sempre que há necessidade as paredes são recolhidas ficando quase todo ele em open space, permitindo uma maior interação nas típicas festas temáticas que todos nós temos durante o ano letivo. Vantagens? Muitas! Custos? Elevadíssimos! Mas se é para “fazer de raiz que seja bem feito” diz o gestor.

A interação em ambos os espaços tem a mãozinha do “mecânico”, “carpinteiro”, o homem dos 7 ofícios lá de casa, ou seja, o “Avô” do Parque dos Sorrisos, o Pai do Luís. É preciso fazer um barco em esferovite, o “avô” faz! Parece o meu Pai! É Sr. faz tudo! Qual é o avô que não quer participar nas atividades dos netos? Os “netos” que por ali andam não são todos dele, mas é como se fossem, o ambiente familiar em que se vive é tão reconfortante que nós mães, gostamos sempre mais, não é verdade?

Já na estação da Fertagus do Pragal o cenário é completamente novo. Numa primeira fase o Parque dos Sorrisos esteve igualmente num espaço de galerias, mas “não nos identificávamos com o mesmo” comentou o Luis, e há um mês foram de malas e bagagens para um edifício novo mesmo em frente à estação (do lado do estacionamento). É impossível não reparar nele, é verde água e são mais 400 m2 área coberta e 250m2 de exterior. Mesmo novo já está “forrado” com marcas dos mais pequenos, desenhos, trabalhos e afins, o cenário típico de um colégio em plena ebulição. Barulho? Claro que há, mas qual é o colégio onde não se encontram crianças a correr a saltar e a  brincar de alegria?! Qualquer um que se preze esta é uma constante, e aqui não é exceção.

É notória a felicidade dos mais pequenos, o que para nós Mães é um descanso quando sabemos que os nossos mais que tudo ficam bem entregues.

Parque dos Sorrisos

Há 12 anos, quando a Laura e o Luís passaram para 3D este projeto, o principal objetivo era proporcionar um espaço que fosse prático, ou seja, tendo em conta que o nosso dia-a-dia é uma constante loucura, onde num qualquer pit stop não demoramos menos de 20’, a ideia seria deixarmos os mais pequenos já a caminho do trabalho e sem grandes desvios. Foi exatamente isso que há 12 anos os levou a abrir o 1º colégio na estação da Fertagus.

Atualmente, na estação dos Foros de Amora, o horário de funcionamento é das 7 às 20h. Na estação do Pragal, o horário é mais reduzido, “mas porque ainda não houve necessidade de o alargar” – é das 7 às 19.30h.

Quanto aos adereços dos mais pequenos, esqueça tudo, é aqui que nós sorrimos :) O Parque dos Sorrisos trata de tudo, ou seja, só temos mesmo de deixar os rebentos. Fraldas, pomadas, toalhitas, lençóis, e outras tantas panóplias de coisas e coisinhas com que nos temos que preocupar quando eles ainda são de berço, aqui, não é preciso! E se é mãe sabe bem a jeitaça que isto dá :)

Se anda à procura de um colégio para o seu filho, se apanha o comboio numa destas estações – Foros de Amora ou Pragal – e não só claro, aproveite para visitar o Parque dos Sorrisos. Vale cada minuto. Vá por mim. AH, mas se vem de longe, não se esqueça que pode igualmente fazer ali um pit stop de 10’, em vez dos típicos 20 ou 30’, já que o comboio da Fertagus é de pontualidade britânica, já uma amiga da minha mãe dizia!

Nós aqui gostámos d’Isto
Nós aqui temos Parque dos Sorrisos

Texto: Catarina Laborinho
Fotos: Parque dos sorrisos

FERTAGUS, LSBblog

 

criança perdida

O QUE ENSINAR AO SEU FILHO PARA QUANDO SE PERDER. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

De repente está uma em vez de duas crianças. Começo a entrar em pânico à medida que vou olhando em volta. Eu ainda agora o vi, há um segundo atrás. Caminho rapidamente e ele não está em lado nenhum. Será que o meu maior medo se tornou realidade? Perdi o meu filho?

Infelizmente quase todos os pais de crianças pequenas já vivenciaram estes segundos de pânico, que parecem horas intermináveis. No supermercado, na praia, no meio da multidão ou no meu caso, no meio de uma pacata e espaçosa loja, quando a minha filha de 3 anos decidiu esconder-se entre as roupas penduradas e aguardar calmamente que fosse encontrada.

É importante que os pais percam, e mais tarde ganhem, algum tempo a pensar o que deverão ensinar aos seus filhos no caso de se perderem.

perder criança

Dependendo da idade do seu filho, poderá adequar a informação que quer que o seu filho detenha quando efetivamente estiver perdido.

Ele precisa saber o nosso número de telefone
Aprender o nosso número de telefone para que nos possa ligar ou pedir a um adulto para o fazer. Algumas crianças são demasiado pequenas para conseguirem decorar o número, mas podemos sempre arranjar uma pulseira onde pode estar inscrito o número.

Ele precisa saber o nosso primeiro e último nome
Muitas crianças quando se perdem são interpeladas por um adulto, “ Como se chama a tua Mamã?” e a criança responde “Mamã”. Como tal deveremos insistir para que saiba o nosso nome e apelido.

Estas são as minhas sugestões para ensinar a uma criança em caso de se perder:

1. Fica onde estás
Andar às voltas pode levar-te para longe do sítio onde te vimos a última vez. Quanto mais te afastares mais difícil será encontrar-te.

2. Procura um pai ou mãe com filhos.
Encontrar um pai com filhos é importante. Um adulto sem crianças pode não ter o mesmo sentido de urgência. Também não terão a mesma experiência com crianças pequenas aflitas ( para além de que, nem todos os adultos são de confiança). As meninas têm mais tendência para procurar uma mãe mas convém sempre lembrar que um pai com crianças também pode ser muito útil.

3. Grita o nosso nome
Gritar pelo nosso nome, ou nome completo, não é Mamã, nem Papá, vai ajudar a chamar a nossa atenção. Nós normalmente identificamos as vozes dos nossos filhos, mas ouvir chamar o nosso nome tornará as coisas mais fáceis num ambiente ruidoso ou cheio de gente.

Sempre que vá a um local novo ou cheio de gente, convém rever as regras com os seus filhos. Se estiver num sítio tipo EuroDisney, deverá rever estas regras todos os dias antes de entrar.

Espero que ninguém se perca, mas ficamos todos mais confiantes quando já sabemos o que fazer.
Partilhe connosco as suas experiências. Já lhe aconteceu? Quais são as suas estratégias?

Uma boa semana para vocês e bons passeios,
Helena Gonçalves Rocha

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jardim infancia

COMO ESCOLHER O JARDIM DE INFÂNCIA IDEAL? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

 

A passagem do ambiente familiar para um outro contexto em que a criança passa mais tempo ao cuidado de outras pessoas do que connosco é habitualmente um período de transição e mudança difícil. Muitas vezes mais difícil para os pais que têm a noção que a sua escolha e decisão poderá ter um importante impacto no desenvolvimento da criança.

A verdade é que tudo correrá melhor se confiarmos nas pessoas e instituição à qual entregamos o nosso filho durante um largo período do dia. Como tal é muito importante que este local se aproxime o mais possível das nossas crenças e valores. Pais diferentes procuram coisas diferentes, e há uma escola para cada pai e não existem jardins de infância perfeitos, no entanto existem uns que estão mais em sintonia com aquilo que nós privilegiamos.

Quando for fazer as suas visitas, a alguns dos locais elegidos, depois de ponderar o que é realmente importante para vós enquanto família, deverá levar em conta alguns factores importantes que o poderão ajudar a tomar a decisão mais acertada.

Adaptação: Todas as crianças, mais tarde ou mais cedo, acabam por se adaptar, mas isso não significa que o processo tenha sido o desejável. A grande diferença pode estar na forma como a instituição promove a adaptação. Há locais que respeitam o ritmo da criança e dos pais e há outros que sugerem (ou até impõem) que a adaptação seja feita logo nos primeiros dias, mesmo que a criança se mostre visivelmente angustiada. Recordo-me sempre da minha cara de horror quando em resposta à minha pergunta: E então como vamos fazer a adaptação? Me responderam: basta trazer o cobertor dela e uns lençóis e pode começar já amanhã!

Para que a separação seja a menos traumática possível, aconselho sempre uma abordagem gradual, contrária à “terapia de choque” ou “penso rápido”, em que nos primeiros dias a mãe ou pai podem estar presentes na sala, sem grandes pressas ou pressões, e em que o tempo em que a criança permanece no local vai evoluindo conforme a intuição dos pais. Mesmo que posteriormente ela fique a chorar, já existirá uma ligação prévia com o local e com as pessoas e não será um espaço totalmente novo e assustador. Assim, é sempre bom informar-se previamente se existem dias definidos para a adaptação ou se esta é ajustável às necessidades de cada criança, sem pressões ou agendas.

Acolhimento: Para além da adaptação inicial, importa ainda saber se ao longo do ano as crianças são entregues e recolhidas na recepção ou se há liberdade para os pais irem à sala, nem que seja num horário específico ao início e fim do dia, sobretudo na faixa etária das crianças que frequentam a creche. Embora em alguns sítios seja prática comum não haver acesso às salas, com argumentos vários que vão da higiene até à segurança, o que resulta dessa prática é uma barreira entre a família e a instituição, que acaba por ser um preditor dos valores em que assenta a direcção pedagógica. Uma direcção que aposta na relação e que quer efectivamente constituir uma ponte com a família, não coloca esse tipo de regra e prefere gerir situações delicadas que possam surgir dessa abertura do que vedar à partida o acesso dos pais. Quando se deixa uma criança numa creche ou jardim de infância, é importante perceber que não se está apenas a receber a criança, mas também a família, ou seja, acolher aquela criança é também saber acolher os pais e as suas angústias, trabalhando no sentido de os deixar progressivamente mais seguros e confiantes e, eventualmente, comunicando o que possa ser feito para melhorar diversos aspectos. Uma creche aberta sabe que a creche é um prolongamento da família e que quanto maior proximidade existir entre os educadores, os pais e as crianças, numa relação o mais informal possível, maior é o vínculo que se estabelece entre todos. A verdade é que quando há essa liberdade, com o passar do tempo, acaba por ser um processo natural os pais não precisarem de passar para lá da porta da sala, para além de que é muito recompensador para os pais, depois de um dia inteiro sem os filhos, poderem assisti-los no seu ambiente com os amigos quando os vão buscar.

Espaço exterior: Quando temos um bebé de poucos meses, nem sempre pensamos muito nesta questão. Isso muda muito rapidamente quando eles começam a andar e percebemos que estarem várias horas confinados a uma sala não é nada positivo. É visível a tensão de uma sala quando as crianças passam demasiado tempo lá dentro. Há creches que não têm espaço exterior e que compensam essa falta com as idas ao parque. Acontece que uma ida a um parque ali perto de vez em quando, ou até mesmo todos os dias, é muito pouco. Os miúdos precisam de brincar e explorar ao ar livre mais do que uma vez por dia e de preferência bastante tempo. Incluo ainda no espaço exterior a necessidade de existirem elementos da natureza, por oposição a um espaço estéril, com um piso todo por igual, demasiado “limpo”. Areia, terra, árvores ou plantas são essenciais, enquanto que um espaço arquitectónico de linhas rectas estilo “capa de revista” não acrescenta felicidade às crianças. Não se deixe deslumbrar pela beleza do local ou pelas condições físicas do espaço, mas pela qualidade de interacções que o seu filho pode ter no mesmo. Num espaço menos artificial, elas ficarão bastante mais sujas e, certamente, muito mais felizes. Claro que, relativamente a este tema eu sou claramente suspeita pois é um dos factores que mais privilegio. Cada vez mais as nossas crianças precisam do contacto com a Natureza e de brincar no exterior, recordem-se do reforço das imunidades!

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Sala: Aqui privilegia-se uma sala que seja ampla, arejada, luminosa e que não esteja demasiado “atafulhada”. É comum as creches terem cores muito garridas o que torna o espaço visualmente cansativo para quem lá passa parte do dia. Nesta mesma sala, onde eles possam circular livremente e onde as mesas e as cadeiras não ocupem quase tudo, é bom que a disposição dos brinquedos permita às crianças ter acesso a diversos espaços diferentes de brincadeira (espaço de pinturas, espaço de livros, espaço de brincar ao faz de conta com cozinha, bonecos, etc). Uma sala que oferece diferentes opções para a criança ir brincando com aquilo que lhe apetece é muito mais positivo do que ter as coisas guardadas em móveis para que seja a educadora a oferecer o que se vai fazer em cada momento.

Alimentação: Convém perceber se os alimentos são confeccionados no local ou são trazidos de fora. Se existe cuidado e diversidade no planeamento da ementa semanal e se são respeitadas as restrições de cada criança. Onde são dadas as refeições e quem são os adultos que as acompanham. É incentivada a autonomia na alimentação, de que forma?  Caso este seja um critério que prioriza, não tenha receio de solicitar a ementa, ver uma refeição ou quem sabe ser convidado para almoçar.

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Etapas/ritmos/transições: Todas as creches têm no projecto educativo a contemplação do respeito pelo ritmo das crianças. Acontece que, na prática, há ideias diferentes sobre o que é isto de respeitar o ritmo e facilmente encontramos bebés com 6 meses de idade a cumprir horários de sestas e de refeições. É importante que haja flexibilidade para ter bebés a dormir, a comer, a brincar ou a fazer a sua higiene em momentos muito diferentes, até que estes atinjam a maturidade suficiente para seguir um horário mais previsível. E isso acontece com alguns aos 9 meses, com outros aos 12 e com outros aos 15. Há os que começam a dormir apenas uma sesta por dia a certa idade e outros que mantêm a necessidade de duas sestas mais tempo. Até podem conseguir seguir esse ritmo, mas a questão é sempre: a que custo.

Por outro lado, se tivermos em conta os mais crescidos, há por vezes uma pressão mais ou menos subtil sobre o suposto timing em que a criança deve largar a fralda, a chucha ou comer perfeitamente com os talheres. Todas as crianças saudáveis atingem essas etapas, pelo que apressá-las só porque têm determinada idade pode ser muito contraproducente. Há médicos que alertam para o facto de existirem muitos casos de obstipação infantil devido à retirada precoce das fraldas e, no entanto, há muitas instituições que definem que aos 2 anos é suposto todos conseguirem largar as fraldas.

Afecto: Neste ponto é importante que não exista demasiada rotatividade de cuidadores e que o bebé/criança possa ter uma educadora e uma auxiliar previsíveis. Apesar de formalmente ser assim, nem sempre o é na realidade e entre múltiplos estagiários e afins, aquele bebé habituado ao colo dos pais, de repente anda constantemente em colos diferentes. Mesmo entre educadora e auxiliar, geralmente a criança tem uma que é a sua referência, com quem se sente mais segura.

Conhecer pessoalmente a educadora e a auxiliar da sala e poder observar um pouco a dinâmica da sala, pode também ser muito tranquilizador.

Perceber que atendem ao choro com empatia, que dão colo com a mesma facilidade com que distribuem lápis de cor, que acalmam a criança que está mais vulnerável, em vez de transmitirem discursos como “isto é só mimo” ou “não se podem habituar muito ao colo” pode ajudar a perceber qual o comportamento mais expectável quando nem sequer estamos presentes. Ainda existem crenças de que, por exemplo, um bebé se deve habituar a consolar e adormecer sozinho no berço, mesmo que esteja a chorar.

Métodos educativos: Embora os profissionais de educação, durante a sua formação, tenham acesso às teorias de desenvolvimento infantil e a formas positivas de lidar com os desafios das criança, é muito comum que depois acabe por imperar o senso comum. Há práticas educativas como os gritos, os castigos, as recompensas, os rótulos (preguiçoso, mimado, mau) ou o autoritarismo que estão claramente apontadas como nada pedagógicas e, no entanto, são praticadas e aceites diariamente. Se algumas atitudes menos positivas podem ser compreensivas, pois não é fácil estar todo o dia com crianças e o desgaste pode ser imenso, já não é tão compreensível que estas estejam na base de certos princípios. Por exemplo, se uma educadora acha que é muito útil uma criança ficar num canto da sala porque empurrou outro miúdo, isto já reflecte a abordagem da mesma noutro tipo de situações. Estas reacções a comportamentos menos desejados por parte das crianças são muito pouco construtivas. Não existem soluções mágicas mas dá muito mais trabalho oferecer competências sociais às crianças e que estas tenham acesso a exemplos que, a longo prazo, realmente ensinam alguma coisa.

Resumindo, perceber qual é a abordagem da creche às manifestações naturais das crianças pode ser uma forma muito interessante de perceber as bases de funcionamento do local.

Internet/Redes sociais: Este tópico pode parecer um absurdo, mas eu diria que é bastante útil e permite uma excelente triagem que poupa visitas presenciais. Se o local em questão tiver um site, um blogue ou uma página do facebook, pode ser muito curioso observar que tipo de conteúdos partilham. Ainda a propósito do sono, se por exemplo uma creche partilha um artigo de que é muito importante os bebés aprenderem a dormir sozinhos, mesmo que para isso tenham de chorar, o mais provável é que isso seja prática comum nessa mesma creche. São vários os temas educacionais que geram polémica e discórdia, pelo que é bom tentar perceber se a creche ou jardim de infância tem ideologias semelhantes àquilo em que acredita ou se, pelo contrário, está no sentido oposto às suas crenças.

A direcção pedagógica identificar-se mais com um estilo de conteúdo em detrimento de outro é bastante revelador dos valores da instituição.

Flexibilidade da direcção e dos profissionais: Neste ponto, é possível que só tenhamos uma noção após o nosso filho frequentar o local em questão. Faz toda a diferença estarmos perante uma direcção flexível, aberta, que valoriza as opiniões dos pais de outra que tem um funcionamento mais fechado, rígido e sem grande margem para adaptações constantes, conforme as crianças que acolhem. Sentirmo-nos ouvidos e compreendidos é meio caminho andado para que se crie uma relação positiva entre pais e profissionais, sendo a criança quem beneficia disso directamente. Há profissionais que não admitem sugestões, que se sentem imediatamente colocados em causa ou que responsabilizam sempre os pais por qualquer coisa que surja fora de certos padrões. Há outros que são mais empáticos, tentam ver o nosso ponto de vista e mesmo que não concordem fazem por respeitar as diferenças e conviver com as mesmas. É curioso verificar que os mesmos pais, mas com crianças diferentes, podem também ter experiências diferentes na mesma instituição. Isto acontece porque as crianças não são iguais e enquanto uma se pode ter adaptado lindamente ao funcionamento da instituição, outra pode precisar que a instituição se adapte mais a ela e que seja mais flexível. Isto mostra que é necessário haver abertura suficiente para lidar com a imprevisibilidade e com o facto de não existirem receitas iguais para todos nem verdades absolutas.

Enfim, os critérios são pessoais e únicos e não há critérios mais acertados ou menos. Cada família é uma família, é importante que se mantenham fiéis àquilo que acreditam e ao contexto ambiental, social e valorativo onde querem que o vosso filho esteja integrado todos os dias.

Escolham com a cabeça, mas, também com o coração. Existem locais que nós entramos e sentimos que estão reunidas as condições, não é prefeito, mas sabemos que ali conseguimos ficar descansados.

E depois, não esqueça, depois do seu filho estar adaptado e vocês também, lembrem-se que a escola também é vossa e que as propostas e sugestões poderão ser oportunidades de melhoria e que cada vez mais as escolas têm de ser uma união entre as Famílias e os Educadores.

Boa sorte, boas visitas, não esqueça de falar com outros Pais, este período não é de todo mais fácil! Mas uma palavra de esperança, vai melhorar…e na próxima transição, vocês já terão muito mais ferramentas para poderem escolher de forma mais tranquila.

Vai correr bem!

Helena Gonçalves Rocha

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A PÁSCOA E OS RITUAIS FAMILIARES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não havia nada mais certo, assim que se iniciavam as férias escolares aí íamos nós rumo ao alto Minho, para a “terra” dos pais, usufruir de todas as tradições da Páscoa.

A mais apreciada, era sem dúvida, o beijar da cruz. De casa em casa, lá íamos, o grupo de primos e amigos, receber o Sr. Padre e toda a sua comitiva que alegremente entravam na casa de cada um, anunciando “Aleluia, Aleluia, Aleluia”, acompanhado de salpicos de água benta. De seguida, a Cruz de Cristo era oferecida a cada um dos presentes para que a beijasse, recordo-me como se fosse hoje, como a Cruz era enorme para mim e como gentilmente se baixavam para que eu escolhesse onde iria beijar, nos pés, nas mãos (era uma decisão difícil, numa altura em que pouco se pensava em doenças e questões de higiene). O ritual terminava com o dono da casa a oferecer um ovo, que era depositado e transportado num requintado balde de prata.

Os miúdos, de seguida lançavam-se para a mesa dos doces, enchendo os bolsos de amêndoas, provando as especialidades da casa, desde o Pão de Ló, à Rosca Mulata da Tia. Os mais afoitos ainda conseguiam bebericar um cálice de vinho do Porto e fugir rapidamente para a casa seguinte, onde todo o ritual se voltava a repetir. No final, faziam-se contas, quem conseguiu beijar mais, que doces comemos e o relato de todas as peripécias vividas.

helena páscoa

Os rituais familiares são momentos que nos permitem viver e fortalecer ligações afetivas, servindo como recurso fundamental para a manutenção e fortalecimento da família. Os rituais são expressos de forma diferente em cada família, com cada uma a descobrir e a construir os seus, moldando-os à sua imagem.

Devido ao seu carácter repetitivo, os rituais constituem um elemento estabilizador e reconfortante para os membros das famílias, contribuindo para o estabelecimento e a preservação de um sentido coletivo, ou seja, da identidade familiar.

Todas as Páscoas eu sabia o que iria acontecer… e a segurança que isto me trazia…

Assistimos atualmente a uma perda progressiva das rotinas e rituais familiares, estando muitas vezes as famílias desprovidas de um fio condutor, afastadas dos elementos da família alargada.

O reatar de rituais familiares, ou mesmo a criação de novos rituais que façam sentido à família podem inverter esta situação e voltar a dar o fio condutor abalado, tornando-a mais coesa e autónoma.

Confesso que adoro rituais e adequá-los à minha família já quase se tornou um vício. Todos sabem o que acontece nas manhãs de Domingo. Todos sabem que na Noite de Natal se joga o jogo da Cadeira, os mais novos e os mais velhos. Todos sabem como os aniversariantes são acordados logo pela manhã. Enfim, são muitos os rituais já criados, mas muitos mais podemos inventar, na certeza que são estas memórias, estas certezas, esta segurança que podemos transmitir aos nossos filhos e quem sabe possam transmitir aos netos.

Os rituais são parte essencial da vida familiar, permitem apaziguar ansiedades, permitem tratar a sua Família como única e criam História e Memória.

Que tal aproveitar esta época festiva e iniciar uma nova tradição? Quem sabe, esconder ovos pela casa ou pelos caminhos circundantes, e partirem todos à Caça dos Ovos?

Para todos Vós uma Santa Páscoa e gozem a companhia uns dos outros!
Helena Gonçalves Rocha

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Helena Gonçalves Rocha

O MEU FILHO É CONDICIONAL DEVO MATRICULÁ-LO NO 1º ANO? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Aos 6 anos “manda a lei “ que as crianças sejam matriculadas no 1º ano do 1º ciclo. Até aqui tudo parece muito simples. Habitualmente o ano escolar inicia-se em meados de Setembro e se nesta data a criança ainda não tiver completado os 6 anos? Pois bem, aí a decisão de o matricular ou não fica a cargo dos próprios pais.
As crianças nascidas entre 16 e 31 de Dezembro são denominadas de “matrícula condicional”, quer isto dizer, que os pais podem assumir a condição de não os inscreverem e quer também dizer que serão os últimos a terem prioridade nas vagas do 1º ciclo, ou sejam são “condicionados” às vagas existentes nas escolas.
E se o nosso filho contempla os 6 anos até 15 de Setembro, não há hesitação possível, tem de ser e tem de ser mesmo. Está na hora de ir para a escola, doa a quem doer! Mesmo que achemos que o nosso filho não está minimamente preparado para enfrentar este novo desafio e que ainda não tem maturidade para o fazer. E nesta altura, também nós Pais nos preparamos para esta nova etapa e para a necessidade de apoiar muito o nosso bebé que teima em não crescer e que agora tem mesmo de ir para a Escola.

Mas quando nos é dada a hipótese de optar, vai para a Escola ou faz mais um ano de Pré-escolar?
Aqui todos os dilemas aparecem, qual a opinião da educadora? O grupo dos colegas vai todo? E se ele fica sozinho sem conhecer ninguém? E o pediatra o que acha desta transição?
Difícil mesmo é sermos obrigados a optar… Pois bem, são dezenas as famílias com quem já analisei esta situação e sem dúvida que não há uma resposta certa. Depende…depende de quê?
Será muito importante, os Pais, que são quem melhor conhecem o seu filho, equacionarem várias condicionantes antes de tomar a decisão. Pois para tomarmos uma decisão acertada é crucial termos acesso a toda a informação.
É essencial percebermos que existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento os 7 anos são considerados a idade-chave.

Helena Gonçalves Rocha
A maturidade e prontidão escolar dependem bastante do desenvolvimento emocional e comportamental e também do seu “currículo” de experiências de aprendizagem. Cada criança terá a sua “bagagem de experiências de aprendizagem”, que influenciará de forma global o seu desenvolvimento.
É muito importante avaliar a capacidade da criança em focar a sua atenção e manter-se em tarefa, o 1º ciclo é bastante exigente neste domínio.
E por fim, mas com uma enorme importância, as competências emocionais requeridas: a capacidade de adiar uma recompensa; conseguir esperar pela sua vez; seguir regras de convivência; tolerar a frustração; a curiosidade/interesse em aprender e finalmente…perceber que já não é para brincar.

Assim deverá pesar todos estes aspectos e decidir em consciência com o que considera ser mais benéfico para o seu filho. O insucesso derivado de uma aprendizagem prematura, conjuntamente com a adaptação ao novo meio social, pode desencadear uma grave perturbação que pode afetar toda a escolaridade. E, decerto não é o que desejamos para  o nosso filho. O facto de ficar mais um ano no pré-escolar até completar os 6 anos, permitirá que adquira mais algumas competências através do brincar, tornando-o mais apto para as outras exigências.
Optar pelo ingresso no 1º ciclo pelo motivo de acompanhar os amigos, poderá não ser o melhor, pois muitas das vezes a diferença de quase um ano entre eles é o suficiente para originar experiências de insucesso dos quais os queremos proteger.

Esta semana falava com uns pais que me diziam, mas assim ele vai ficar sempre atrasado em relação aos outros…Pois, não é mesmo assim, as crianças que fazem anos no último trimestre do ano acompanham sempre a idade do grupo, ou seja, terminarão o  1º ano com 7 anos feitos e no final da escolaridade obrigatória, ou seja no 12º ano, terão, como todos os outros 18 anos.

Atraso não é nenhum, na minha opinião, será mais um ganhar tempo de qualidade, tempo de brincar, tempo de crescer.

Posso partilhar convosco que também eu me deparei com esta decisão com o meu filho nascido no final de Dezembro, que estava motivadíssimo para o ingresso no 1º ciclo. No entanto, decidimos oferecer-lhe mais um ano de brincadeira, mais um ano de crescer, para que a experiência escolar não viesse a ser uma frustração. Na altura ele questionava bastante porque não podia acompanhar os seus colegas e aí a resposta sempre foi muito simples: Só vai para o 1º ano quem tem 6 anos. Tens 6 anos?

Se estamos arrependidos? Nem pensar. Se teria corrido melhor se tivesse entrado com 5 anos? Nunca saberemos. Mas a oportunidade de brincar mais um pouco foi-lhe dada sem pressas de chegar à mesma meta de todos os outros.

Muitos de vocês, como eu, conhecerão crianças que ingressaram com 5 anos e que são atualmente jovens estudantes de sucesso, mas acredito que esta é mais a excepção do que a regra. É mais comum conhecer alunos que ficaram retidos no 2º ano de escolaridade por não conseguirem acompanhar o grupo, mais tarde no 6º ano ou no 7ºano. E optando pela regra das probabilidades se podemos prevenir esta taxa de insucesso e a decisão nos cabe a nós, porque não fazê-lo?

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E QUANDO ELES NÃO QUEREM SABER DO PAPEL E DO LÁPIS? Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

O seu filho não quer saber de desenhos, pintar ou escrever? Diz que não gosta, não sabe ou arma uma birra quando lhe propõem uma atividade de papel e caneta?

Pois…não está sozinho. Cada vez existem mais crianças que rejeitam este tipo de atividade, os pais dizem “eu também não tinha jeitinho nenhum” ou “está tudo muito bem desde que não lhe dêem uma folha e um lápis”. Reconhece este discurso?

Os motivos que levam a que estas situações aconteçam podem ser múltiplos e variados, desde as dificuldades manipulativas, ou seja, uma dificuldade real na coordenação dos movimentos finos exigidos para a realização deste tipo de tarefa, até uma auto-crítica muito elevada que faz com que a criança tenha receio de arriscar com medo que fique pior do que imaginou ou muito diferente dos seus colegas.

A primeira causa requer a intervenção e apoio de um profissional especializado que o poderá apoiar e recomendar as atividades e exercícios mais adequados a cada caso de forma a ultrapassar a dificuldade observada. A segunda causa é por vezes a mais difícil de ultrapassar pois quando a criança receia tentar a escrita, habitualmente não aceita ajuda para o poder fazer e então?

Quem por aqui costuma passar já reparou que raramente me detenho nos problemas e que aprecio bem mais o enfoque nas soluções. Assim sendo como poderemos ajudar estas crianças “resistentes à escrita”?

Antes de mais, habitualmente pegamos no papel e no lápis com um propósito, apreciar as cores que se unem e se afastam, que se misturam e que separadas ou unidas formam uma bela obra de arte.

Esta fase é fundamental, apreciar o movimento das cores, o movimento dos lápis, apenas para brincar com o papel, com as cores, em papéis grandes, em superfícies grandes, quadros, papéis gigantes. É muito errado quando precocemente restringimos os movimentos amplos das crianças no papel, cada vez mais cedo observo pais e educadores a exigirem aos miúdos de 2, 3, 4 anos, “pinta por dentro, não saias do risco”. Antes da criança poder controlar os seus movimentos finos e precisos da mão tem que experimentar a amplitude, o chegar mais longe, mais alto, mais largo. Por isso, tantas e tantas vezes, quando me pedem que ajude estas crianças começamos sempre por este movimento amplo e exploratório.

De seguida passamos à fase da representação do concreto e surgem os primeiros desenhos da figura humana, desenho este que se vai desenvolvendo e pormenorizando ao longo das diferentes fases do desenvolvimento da criança.

E aqui como poderemos novamente apoiar e ajudar? Pois bem, nós só representamos aquilo que conhecemos. Como tal é imprescindível que a criança conheça o seu corpo e as diferentes partes que o constituem. Como? Agindo sobre ele e fazendo-o agir. Brincando, dando cambalhotas, enrolando a cabeça e as pernas, dando abraços com os seus braços compridos, pontapeando bolas com as pernas e pés e depois, de seguida estamos prontos a representar isso tudo no papel. Outra forma de podermos apoiar a criança na sua representação gráfica do corpo é utilizando o espelho e gradualmente e em conjunto desenharmos as diferentes partes “Olha, na cabeça eu tenho dois olhos, eu desenho um e tu podes desenhar o outro? E orelhas, quantas temos? Eu ponho aqui uma, tu pões a outra?” E por aí fora até chegarmos aos pés.

Essencialmente mesmo será o adulto deixar a crítica bem longe, não são permitidos “ Não é assim , é assim!” “Cabelo verde que grande disparate, não vês que é castanho?” A criatividade e a fantasia estão em fase de desenvolvimento e a criança que receia tentar, precisa de experimentar sem julgamento. O perfeccionismo e o hiperrealismo virão mais tarde, temos muito tempo!

Se estas dificuldades surgem na fase em que a criança é apresentada às letras e à escrita, aí teremos mesmo de utilizar a nossa grande criatividade e apelar à diversificação de materiais de escrita e de superfícies. Ou seja, é válido escrever na areia, na terra, na lama, com paus, com pedras. Construir letras com diferentes materiais flores, folhas, lã, enfim o que a nossa imaginação ditar e para onde a criança nos orientar. O facto de seguirmos a ideia original da criança será, com toda a certeza, garantia de possível sucesso.

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Nesta fase é muito importante que a escrita não esteja unicamente relacionada com objetivos académicos, ou seja, preferencialmente deve entrar nas brincadeiras (quando brincamos ás casinhas podemos fazer uma lista de compras, podemos ajudar lá em casa a fazer a lista das faltas, deixar recados) e principalmente suscitar uma grande motivação para a escrita, os miúdos adoram decifrar mensagens secretas e deixarem mensagens secretas para os próprios adultos decifrarem.

Surpreenda os seus filhos e deixe mensagens escritas a giz no passeio lá de casa, vai ver que vão querer retribuir!

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Se tiver dúvidas relativamente a este tema não hesite em consultar um profissional especializado, na área da Psicomotricidade, que terá com certeza todo o gosto em esclarecê-lo e apoiá-lo nas suas dúvidas e dificuldades.

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Helena Gonçalves Rocha

TRUQUES PARA QUE O SEU FILHO DURMA FINALMENTE A NOITE TODA! Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Dormir… sonhar com uma cama… pestanejar frequentemente… ter dificuldade em manter uma conversa… apresentar uma cara tipo-panda, com as maiores olheiras de todo o sempre…

Enfim… quem tem episódios de privação de sono saberá do que estou a falar. Normalmente estes períodos de privação de sono estão associados aos  pais de crianças pequenas que habitualmente não têm uma noite inteira de sono. Aliás se perguntarmos a estes pais o que mais desejariam: irem jantar fora a dois ou dormirem uma noite inteira? Não hesitamos muito na resposta correcta e rapidamente imaginamos dois adultos a atirarem-se desesperadamente para cima de uma cama para DORMIR.

Uma boa higiene do sono, sim, é mesmo assim que se denomina todo o conjunto de hábitos associados à rotina de dormir.  Nesta higiene do sono  incluímos:

– 1 hora antes de deitar os movimentos da casa deverão começar a abrandar;
– Reduzir a intensidade da luz e som ( inclui afastamento total dos ecrãs tv, telemóvel, tablet); apagar as luzes intensas do tecto, reduzir o som;
– incluir rotinas repetitivas: a mesma hora de deitar, lavar os dentes, ler a história e dormir.

No entanto, este tipo de rotina nem sempre é suficiente para garantir uma noite completa de sono, existem alguns Truques extra que poderemos experimentar e são eles:

Difusor de óleos essenciais, 
Os óleos essenciais ajudam a melhorar o padrão de sono. Podem ser utilizados num difusor no quarto durante a noite e podemos também realizar uma massagem com pressão nos pés da criança durantes alguns minutos mesmo antes de ir para a cama.. Um dos óleos recomendados para este efeito é o de lavanda e madeira de cedro, mas poderá tentar outro que considere mais relaxante e calmante.

Cobertor de peso
Algumas crianças não processam a informação oriunda dos seus sentidos da mesma forma que as outras, evitando estes estímulos ou procurando-os. Muitas crianças têm necessidades sensoriais únicas e podem responder bem à utilização de um cobertor de peso, sem terem qualquer tipo de diagnóstico específico. Porém, as crianças com Autismo, com perturbações de ansiedade, com perturbações do processamento sensorial, com perturbação da hiperatividade e défice de atenção e desordens graves do sono, são aquelas que obtém uma resposta mais eficaz quando utilizam o cobertor com peso.

Helena Gonçalves Rocha

Porquê? O que têm todas elas em comum?
Todas apresentam baixos níveis de serotonina e um sistema nervoso ativo.

E como funciona o Cobertor de Peso?
Através da Pressão de Toque Profundo, que consiste numa pressão gentil por todas as partes do corpo, que poderá ser atingida de várias formas, através dos Abraços, das Massagens, da utilização de Coletes de Peso ou de Cobertores de Peso.

E o que faz a Pressão de Toque Profundo?
1. Aumenta a libertação de serotonina
A serotonina é um neurotransmissor que desempenha papéis essenciais no nosso corpo, como por exemplo:
# Inibidor comportamental
# Apetite
# Agressividade
# Sono
# Humor
# Desenvolvimento cerebral
# A serotonina também está envolvida no processo de produção da melatonina, tão importante na regulação de um padrão de sono saudável.

2. Diminui a atividade do sistema nervoso
E quais os benefícios da utilização do Cobertor de Peso?
# Reduz a ansiedade
# Melhora o sono
# Adormece mais rápido
# Reduz a ansiedade
# Sono profundo
# Menos movimentos durante a noite

E como posso saber se o meu filho beneficiará da utilização do Cobertor de Peso?
Se responder afirmativamente a pelo menos duas destas três questões, estamos no caminho certo.

1. Adora dormir ou ficar debaixo das mantas;
2. Gosta de se “enfiar” em espaços pequenos ou colocar-se por trás dos móveis;
3. Tem dificuldade em relaxar e ficar sentado tranquilamente.

Este cobertor de Peso funciona também muito bem nos adultos para reduzir os níveis de stress, a ansiedade e  a insónia.

E como quando estamos desesperados para dormir vale a pena experimentar tudo, deixo estas sugestões para que se atrevam a experimentar e depois…depois queremos saber como correu, pode ser?

Pode ser? Psst! Pode ser?
ZZZZZzzz!
Noites e até amanhã!

Helena Gonçalves Rocha

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CRIANÇAS

EXERCÍCIOS PARA MANTER AS CRIANÇAS COM ATENÇÃO E FOCADAS. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

“Mas como é que este miúdo pode estar com atenção senão pára quieto?”

“Como não parou quieto durante toda a aula, vai ficar o intervalo na sala para poder acabar o trabalho!”

Estas são frases que costumamos ouvir com frequência da boca de professores e pais, como tal, é com uma boa dose de espanto e incredulidade que me ouvem dizer:

“Os miúdos precisam de movimento, mais mexidos” não conseguem estar com atenção se estiverem completamente parados!”

As crianças precisam de movimento! O sistema vestibular é o sistema sensorial que processa e controla o movimento. O “painel de controlo” que ajuda as crianças a compreenderem o equilíbrio, a postura, o posicionamento vertical e o alerta necessário para uma resposta adequada ao movimento está localizado no ouvido interno. E agora adivinhem lá como é que este sistema se ativa? Através do movimento, é claro!

Tal como os adultos, as crianças começam a distrair-se quando têm de permanecer quietos durante um período de tempo mais longo. Como é que você se mantém alerta quando tem de estar sentado numa reunião ou a ouvir uma conferência durante um largo período de tempo? Ao início, estamos despertos e atentos, mas passado algum tempo de estarmos sentados quietos a nossa atenção começa a dispersar-se.

De modo a mantermos o foco, talvez nos endireitemos na cadeira, cruzemos e descruzemos os braços, cruzamos as pernas ou rodamos o pescoço. Só estes pequenos movimentos são suficientes para estimular o sistema vestibular, dando-nos feedback da nossa postura e do nosso estado de alerta e auxiliando-nos a retomar o foco de atenção.

Então, imaginem se nós formos capazes de dar mais oportunidades às nossas crianças de se levantarem e de movimentarem ao longo do dia de escola. Talvez consigam manter a atenção para o professor durante maiores períodos de tempo. Talvez se mostrem mais calmos e com um comportamento mais adequado para a sala de aula. E talvez participem mais e estejam mais envolvidos nas aprendizagens, mostrando aos professores aquilo que sabem! Para algumas crianças, isto poderá fazer toda a diferença!

E ficam algumas ideias simples de movimentos de alerta e foco:

1# Levantar e esticar!
2# Levantar-se e ir beber água. Um pouco de movimento combinado com uma experiencia sensorial oral pode ser o suficiente para voltar a captar a atenção da criança após um longo período sentada.
3# Deixe os miúdos terem um tempo para saltar na Fisioball…rolar, saltar, deitar de estômago.
4# Anunciar: “Em pé por 5 minutos!” – informe os miúdos que deverão trabalhar de pé durante 5 minutos.
5# Providencie muitas oportunidades aos estudantes de trabalharem em posições alternativas, como por exemplo deitado no chão, em pufs, encostados à parede.
6# Providencie intervalos extra!
7# Faça intervalos de movimento ou intervalos de dança. Ligue a música e toca a dançar, escolha músicas com coreografias que lhe permitam para além de reativar o sistema de alerta, desenvolver conteúdos (partes do corpo, números, letras)

CRIANÇAS

Não esqueça que associando movimento aos conteúdos que pretende ensinar, a criança conseguirá manter a atenção e aprenderá e reterá a informação com mais facilidade.

E por favor, pare de mandar os miúdos estarem quietos, os miúdos precisam mesmo de mais movimento, precisam de brincar no recreio para depois quando voltarem à sala poderem manter-se com mais atenção.

Helena Gonçalves Rocha

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