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DIA DE HALLOWEEN

brincamos a isto 1

Só por estarmos a chamar ao “Dia das Bruxas” Halloween, já devemos estar a pôr os fundamentalistas do “não uso de estrangeirismos” de cabelos em pé, entre os quais os que defenderam que “margem sul” não deve ser dito South Bay. A verdade é que há espaço para as duas designações e, muitas vezes o uso de palavras noutra língua torna-se mais eficaz ou mais fácil de explicar e/ou entender.

Mas, não é sobre esse tema que vamos falar, porque a “doideira” que foi este Halloween (e não foi só aqui, na margem sul) impera que esse assunto fique para “outras núpcias”. Confesso que não sou grande fã (à semelhança do Carnaval, nem sempre me consigo imbuir no espírito, mas respeito e já me diverti à conta disso). O que é certo é que as miúdas nunca ligaram a isso e este ano decidiram que o iam fazer!

Recordo o ano passado em que fui tratar das suas fatiotas e ficaram na embalagem das compras por uma luta de personalidade da Victória afirmando que nunca se ia meter numa coisa dessas. E até ao dia 29 de outubro de 2015 estava preparada para manter essa convicção. Como 31/10 este ano calha a um sábado, a festa de Halloween na escola da Victória, na Verdizela, foi na véspera e é antes disso que ela informa que quer ir vestida de bruxa. Ao qual eu disse:

– Mas tu nunca queres! – disse atarantada.
– Mas amanhã quero, por isso vai comprar. – disse ela decidida.

Não adorei o tom, mas antes que fechasse o local mais próximo para adquirir máscaras para o efeito lá fui eu e, e qual o meu espanto, tudo esgotado! Achei que se ia esquecer, mas o serão foi recheado de travessuras nesse sentido:

– Oh “Bruxa Marlene”, quero ir mascarada amanhã para a escola. – argumentou no alto dos seus quase 5 anos.

Fiquei sem fala (or speechless, if you know what I mean.). Não percebi se era uma indireta ou uma direta, mesmo. Ela riu-se com ar de gozo e eu deixei passar.

No dia seguinte, não tínhamos fatiota e a pequena não se contentava com qualquer coisa ou acessório. Ou é ou não é. Então não foi! Não sei se isso é assustador ou é bom. Vou acreditar que é assustadoramente bom.

Quando cheguei à escola, não me fiquei a sentir bem. Tomei consciência da minha travessura ao ver todos os miúdos mascarados e a Victória a denunciar a “Bruxa Marlene” por não ter ido vestida para o Halloween! Fiquei com aquela sensação de falhanço e prometi a mim mesma, que não voltava a acontecer. Próximo Halloween ela vai ser abóbora, bruxa ou esqueleto, vou ter tudo “à mão” para não ser apanhada na curva. Mãe sofre. Ainda dizem que as bruxas não existem, mas que elas existem, existem.

Nós aqui temos Halloween.
Nós aqui temos isto.

Fotografia: Joel Reis