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“QUASE METADE DOS ALUNOS DE 2º ANO COM DIFICULDADES MOTORAS”. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Espanto? Claro que não… Será que é desta que se vão conseguir acordar consciências? Será que é desta que se vai entender que as crianças precisam de movimento, que as crianças precisam de brincar, que as crianças precisam de descobrir o seu próprio corpo?

(Movendo-se, não através de fotografias ou de o visionamento de um vídeo sobre o tema.)

Será agora que os miúdos podem finalmente mexer-se? Confesso que começo a ficar cansada de tanto adulto impaciente com a irrequietude dos miúdos, com tanto adulto a querer que fiquem sentados e sossegados (mesmo que seja aos 3 anos, parece impossível…), de tanto adulto a sugerir a toma de medicação porque os miúdos se mexem demais.

Bom, será que as provas de aferição vão ter alguma utilidade? Será que finalmente os adultos, pais e educadores, irão perceber que para além da Matemática e da importância das Línguas Estrangeiras, os miúdos têm que conhecer e dominar o seu corpo até ao final das suas vidas?

Será que estes resultados nas provas de aferição, aliado ao facto de sermos os vice-campeões europeus em obesidade infantil, vão finalmente gerar mudanças?

E quando me refiro a mudanças, não coloco o único enfoque na forma como a educação física é lecionada no 1º ciclo, sim, claro que este é um fator importante, mas, não será muito mais importante a forma como os pais e educadores priorizam a atividade física na rotina diária das crianças?

Não será mais importante que os recreios estejam equipados com materiais e atividades que desafiem as nossas crianças, que lhes permitam uma adequada exploração motora?

Não será mais importante para as nossas crianças que aos fins de semana as idas ao shopping sejam substituídas por longas caminhadas pela Natureza?

Será que temos noção da verdadeira dimensão que devemos atribuir ao facto de um terço dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras manifestarem dificuldades em participar num jogo de grupo. Será que percebemos qual a verdadeira dimensão em termos futuros? Será que percebemos que no futuro o trabalho de equipa está em risco?  Será que entendemos que as interações geradas na prática de desportos coletivos na infância e adolescência são verdadeiras Faculdades para a vida no treino das competências sociais?

Será que damos a devida importância ao facto de 46% dos alunos não terem conseguido dar seis saltos consecutivos à corda e como este é um factor determinante ao nível do equilíbrio e planeamento motor, factores estes intimamente relacionados com a Atenção.

Sim, com a Atenção, agora já despertei a vossa própria Atenção, não é? A Atenção que permite à criança aprender e permanecer na tarefa. Sabia que o equilíbrio é um factor fundamental para o desenvolvimento desta capacidade?

É hora de mudar, é hora de priorizar a saúde física e mental das nossas crianças.

Brinquemos mais, arrisquemos mais, permitamos mais contato com a Natureza, permitamos mais desafios, mais jogo livre e mais autonomia!

Helena Gonçalves Rocha

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