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COMO ESCOLHER O JARDIM DE INFÂNCIA IDEAL? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

 

A passagem do ambiente familiar para um outro contexto em que a criança passa mais tempo ao cuidado de outras pessoas do que connosco é habitualmente um período de transição e mudança difícil. Muitas vezes mais difícil para os pais que têm a noção que a sua escolha e decisão poderá ter um importante impacto no desenvolvimento da criança.

A verdade é que tudo correrá melhor se confiarmos nas pessoas e instituição à qual entregamos o nosso filho durante um largo período do dia. Como tal é muito importante que este local se aproxime o mais possível das nossas crenças e valores. Pais diferentes procuram coisas diferentes, e há uma escola para cada pai e não existem jardins de infância perfeitos, no entanto existem uns que estão mais em sintonia com aquilo que nós privilegiamos.

Quando for fazer as suas visitas, a alguns dos locais elegidos, depois de ponderar o que é realmente importante para vós enquanto família, deverá levar em conta alguns factores importantes que o poderão ajudar a tomar a decisão mais acertada.

Adaptação: Todas as crianças, mais tarde ou mais cedo, acabam por se adaptar, mas isso não significa que o processo tenha sido o desejável. A grande diferença pode estar na forma como a instituição promove a adaptação. Há locais que respeitam o ritmo da criança e dos pais e há outros que sugerem (ou até impõem) que a adaptação seja feita logo nos primeiros dias, mesmo que a criança se mostre visivelmente angustiada. Recordo-me sempre da minha cara de horror quando em resposta à minha pergunta: E então como vamos fazer a adaptação? Me responderam: basta trazer o cobertor dela e uns lençóis e pode começar já amanhã!

Para que a separação seja a menos traumática possível, aconselho sempre uma abordagem gradual, contrária à “terapia de choque” ou “penso rápido”, em que nos primeiros dias a mãe ou pai podem estar presentes na sala, sem grandes pressas ou pressões, e em que o tempo em que a criança permanece no local vai evoluindo conforme a intuição dos pais. Mesmo que posteriormente ela fique a chorar, já existirá uma ligação prévia com o local e com as pessoas e não será um espaço totalmente novo e assustador. Assim, é sempre bom informar-se previamente se existem dias definidos para a adaptação ou se esta é ajustável às necessidades de cada criança, sem pressões ou agendas.

Acolhimento: Para além da adaptação inicial, importa ainda saber se ao longo do ano as crianças são entregues e recolhidas na recepção ou se há liberdade para os pais irem à sala, nem que seja num horário específico ao início e fim do dia, sobretudo na faixa etária das crianças que frequentam a creche. Embora em alguns sítios seja prática comum não haver acesso às salas, com argumentos vários que vão da higiene até à segurança, o que resulta dessa prática é uma barreira entre a família e a instituição, que acaba por ser um preditor dos valores em que assenta a direcção pedagógica. Uma direcção que aposta na relação e que quer efectivamente constituir uma ponte com a família, não coloca esse tipo de regra e prefere gerir situações delicadas que possam surgir dessa abertura do que vedar à partida o acesso dos pais. Quando se deixa uma criança numa creche ou jardim de infância, é importante perceber que não se está apenas a receber a criança, mas também a família, ou seja, acolher aquela criança é também saber acolher os pais e as suas angústias, trabalhando no sentido de os deixar progressivamente mais seguros e confiantes e, eventualmente, comunicando o que possa ser feito para melhorar diversos aspectos. Uma creche aberta sabe que a creche é um prolongamento da família e que quanto maior proximidade existir entre os educadores, os pais e as crianças, numa relação o mais informal possível, maior é o vínculo que se estabelece entre todos. A verdade é que quando há essa liberdade, com o passar do tempo, acaba por ser um processo natural os pais não precisarem de passar para lá da porta da sala, para além de que é muito recompensador para os pais, depois de um dia inteiro sem os filhos, poderem assisti-los no seu ambiente com os amigos quando os vão buscar.

Espaço exterior: Quando temos um bebé de poucos meses, nem sempre pensamos muito nesta questão. Isso muda muito rapidamente quando eles começam a andar e percebemos que estarem várias horas confinados a uma sala não é nada positivo. É visível a tensão de uma sala quando as crianças passam demasiado tempo lá dentro. Há creches que não têm espaço exterior e que compensam essa falta com as idas ao parque. Acontece que uma ida a um parque ali perto de vez em quando, ou até mesmo todos os dias, é muito pouco. Os miúdos precisam de brincar e explorar ao ar livre mais do que uma vez por dia e de preferência bastante tempo. Incluo ainda no espaço exterior a necessidade de existirem elementos da natureza, por oposição a um espaço estéril, com um piso todo por igual, demasiado “limpo”. Areia, terra, árvores ou plantas são essenciais, enquanto que um espaço arquitectónico de linhas rectas estilo “capa de revista” não acrescenta felicidade às crianças. Não se deixe deslumbrar pela beleza do local ou pelas condições físicas do espaço, mas pela qualidade de interacções que o seu filho pode ter no mesmo. Num espaço menos artificial, elas ficarão bastante mais sujas e, certamente, muito mais felizes. Claro que, relativamente a este tema eu sou claramente suspeita pois é um dos factores que mais privilegio. Cada vez mais as nossas crianças precisam do contacto com a Natureza e de brincar no exterior, recordem-se do reforço das imunidades!

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Sala: Aqui privilegia-se uma sala que seja ampla, arejada, luminosa e que não esteja demasiado “atafulhada”. É comum as creches terem cores muito garridas o que torna o espaço visualmente cansativo para quem lá passa parte do dia. Nesta mesma sala, onde eles possam circular livremente e onde as mesas e as cadeiras não ocupem quase tudo, é bom que a disposição dos brinquedos permita às crianças ter acesso a diversos espaços diferentes de brincadeira (espaço de pinturas, espaço de livros, espaço de brincar ao faz de conta com cozinha, bonecos, etc). Uma sala que oferece diferentes opções para a criança ir brincando com aquilo que lhe apetece é muito mais positivo do que ter as coisas guardadas em móveis para que seja a educadora a oferecer o que se vai fazer em cada momento.

Alimentação: Convém perceber se os alimentos são confeccionados no local ou são trazidos de fora. Se existe cuidado e diversidade no planeamento da ementa semanal e se são respeitadas as restrições de cada criança. Onde são dadas as refeições e quem são os adultos que as acompanham. É incentivada a autonomia na alimentação, de que forma?  Caso este seja um critério que prioriza, não tenha receio de solicitar a ementa, ver uma refeição ou quem sabe ser convidado para almoçar.

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Etapas/ritmos/transições: Todas as creches têm no projecto educativo a contemplação do respeito pelo ritmo das crianças. Acontece que, na prática, há ideias diferentes sobre o que é isto de respeitar o ritmo e facilmente encontramos bebés com 6 meses de idade a cumprir horários de sestas e de refeições. É importante que haja flexibilidade para ter bebés a dormir, a comer, a brincar ou a fazer a sua higiene em momentos muito diferentes, até que estes atinjam a maturidade suficiente para seguir um horário mais previsível. E isso acontece com alguns aos 9 meses, com outros aos 12 e com outros aos 15. Há os que começam a dormir apenas uma sesta por dia a certa idade e outros que mantêm a necessidade de duas sestas mais tempo. Até podem conseguir seguir esse ritmo, mas a questão é sempre: a que custo.

Por outro lado, se tivermos em conta os mais crescidos, há por vezes uma pressão mais ou menos subtil sobre o suposto timing em que a criança deve largar a fralda, a chucha ou comer perfeitamente com os talheres. Todas as crianças saudáveis atingem essas etapas, pelo que apressá-las só porque têm determinada idade pode ser muito contraproducente. Há médicos que alertam para o facto de existirem muitos casos de obstipação infantil devido à retirada precoce das fraldas e, no entanto, há muitas instituições que definem que aos 2 anos é suposto todos conseguirem largar as fraldas.

Afecto: Neste ponto é importante que não exista demasiada rotatividade de cuidadores e que o bebé/criança possa ter uma educadora e uma auxiliar previsíveis. Apesar de formalmente ser assim, nem sempre o é na realidade e entre múltiplos estagiários e afins, aquele bebé habituado ao colo dos pais, de repente anda constantemente em colos diferentes. Mesmo entre educadora e auxiliar, geralmente a criança tem uma que é a sua referência, com quem se sente mais segura.

Conhecer pessoalmente a educadora e a auxiliar da sala e poder observar um pouco a dinâmica da sala, pode também ser muito tranquilizador.

Perceber que atendem ao choro com empatia, que dão colo com a mesma facilidade com que distribuem lápis de cor, que acalmam a criança que está mais vulnerável, em vez de transmitirem discursos como “isto é só mimo” ou “não se podem habituar muito ao colo” pode ajudar a perceber qual o comportamento mais expectável quando nem sequer estamos presentes. Ainda existem crenças de que, por exemplo, um bebé se deve habituar a consolar e adormecer sozinho no berço, mesmo que esteja a chorar.

Métodos educativos: Embora os profissionais de educação, durante a sua formação, tenham acesso às teorias de desenvolvimento infantil e a formas positivas de lidar com os desafios das criança, é muito comum que depois acabe por imperar o senso comum. Há práticas educativas como os gritos, os castigos, as recompensas, os rótulos (preguiçoso, mimado, mau) ou o autoritarismo que estão claramente apontadas como nada pedagógicas e, no entanto, são praticadas e aceites diariamente. Se algumas atitudes menos positivas podem ser compreensivas, pois não é fácil estar todo o dia com crianças e o desgaste pode ser imenso, já não é tão compreensível que estas estejam na base de certos princípios. Por exemplo, se uma educadora acha que é muito útil uma criança ficar num canto da sala porque empurrou outro miúdo, isto já reflecte a abordagem da mesma noutro tipo de situações. Estas reacções a comportamentos menos desejados por parte das crianças são muito pouco construtivas. Não existem soluções mágicas mas dá muito mais trabalho oferecer competências sociais às crianças e que estas tenham acesso a exemplos que, a longo prazo, realmente ensinam alguma coisa.

Resumindo, perceber qual é a abordagem da creche às manifestações naturais das crianças pode ser uma forma muito interessante de perceber as bases de funcionamento do local.

Internet/Redes sociais: Este tópico pode parecer um absurdo, mas eu diria que é bastante útil e permite uma excelente triagem que poupa visitas presenciais. Se o local em questão tiver um site, um blogue ou uma página do facebook, pode ser muito curioso observar que tipo de conteúdos partilham. Ainda a propósito do sono, se por exemplo uma creche partilha um artigo de que é muito importante os bebés aprenderem a dormir sozinhos, mesmo que para isso tenham de chorar, o mais provável é que isso seja prática comum nessa mesma creche. São vários os temas educacionais que geram polémica e discórdia, pelo que é bom tentar perceber se a creche ou jardim de infância tem ideologias semelhantes àquilo em que acredita ou se, pelo contrário, está no sentido oposto às suas crenças.

A direcção pedagógica identificar-se mais com um estilo de conteúdo em detrimento de outro é bastante revelador dos valores da instituição.

Flexibilidade da direcção e dos profissionais: Neste ponto, é possível que só tenhamos uma noção após o nosso filho frequentar o local em questão. Faz toda a diferença estarmos perante uma direcção flexível, aberta, que valoriza as opiniões dos pais de outra que tem um funcionamento mais fechado, rígido e sem grande margem para adaptações constantes, conforme as crianças que acolhem. Sentirmo-nos ouvidos e compreendidos é meio caminho andado para que se crie uma relação positiva entre pais e profissionais, sendo a criança quem beneficia disso directamente. Há profissionais que não admitem sugestões, que se sentem imediatamente colocados em causa ou que responsabilizam sempre os pais por qualquer coisa que surja fora de certos padrões. Há outros que são mais empáticos, tentam ver o nosso ponto de vista e mesmo que não concordem fazem por respeitar as diferenças e conviver com as mesmas. É curioso verificar que os mesmos pais, mas com crianças diferentes, podem também ter experiências diferentes na mesma instituição. Isto acontece porque as crianças não são iguais e enquanto uma se pode ter adaptado lindamente ao funcionamento da instituição, outra pode precisar que a instituição se adapte mais a ela e que seja mais flexível. Isto mostra que é necessário haver abertura suficiente para lidar com a imprevisibilidade e com o facto de não existirem receitas iguais para todos nem verdades absolutas.

Enfim, os critérios são pessoais e únicos e não há critérios mais acertados ou menos. Cada família é uma família, é importante que se mantenham fiéis àquilo que acreditam e ao contexto ambiental, social e valorativo onde querem que o vosso filho esteja integrado todos os dias.

Escolham com a cabeça, mas, também com o coração. Existem locais que nós entramos e sentimos que estão reunidas as condições, não é prefeito, mas sabemos que ali conseguimos ficar descansados.

E depois, não esqueça, depois do seu filho estar adaptado e vocês também, lembrem-se que a escola também é vossa e que as propostas e sugestões poderão ser oportunidades de melhoria e que cada vez mais as escolas têm de ser uma união entre as Famílias e os Educadores.

Boa sorte, boas visitas, não esqueça de falar com outros Pais, este período não é de todo mais fácil! Mas uma palavra de esperança, vai melhorar…e na próxima transição, vocês já terão muito mais ferramentas para poderem escolher de forma mais tranquila.

Vai correr bem!

Helena Gonçalves Rocha

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Helena Gonçalves Rocha

O MEU FILHO É CONDICIONAL DEVO MATRICULÁ-LO NO 1º ANO? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Aos 6 anos “manda a lei “ que as crianças sejam matriculadas no 1º ano do 1º ciclo. Até aqui tudo parece muito simples. Habitualmente o ano escolar inicia-se em meados de Setembro e se nesta data a criança ainda não tiver completado os 6 anos? Pois bem, aí a decisão de o matricular ou não fica a cargo dos próprios pais.
As crianças nascidas entre 16 e 31 de Dezembro são denominadas de “matrícula condicional”, quer isto dizer, que os pais podem assumir a condição de não os inscreverem e quer também dizer que serão os últimos a terem prioridade nas vagas do 1º ciclo, ou sejam são “condicionados” às vagas existentes nas escolas.
E se o nosso filho contempla os 6 anos até 15 de Setembro, não há hesitação possível, tem de ser e tem de ser mesmo. Está na hora de ir para a escola, doa a quem doer! Mesmo que achemos que o nosso filho não está minimamente preparado para enfrentar este novo desafio e que ainda não tem maturidade para o fazer. E nesta altura, também nós Pais nos preparamos para esta nova etapa e para a necessidade de apoiar muito o nosso bebé que teima em não crescer e que agora tem mesmo de ir para a Escola.

Mas quando nos é dada a hipótese de optar, vai para a Escola ou faz mais um ano de Pré-escolar?
Aqui todos os dilemas aparecem, qual a opinião da educadora? O grupo dos colegas vai todo? E se ele fica sozinho sem conhecer ninguém? E o pediatra o que acha desta transição?
Difícil mesmo é sermos obrigados a optar… Pois bem, são dezenas as famílias com quem já analisei esta situação e sem dúvida que não há uma resposta certa. Depende…depende de quê?
Será muito importante, os Pais, que são quem melhor conhecem o seu filho, equacionarem várias condicionantes antes de tomar a decisão. Pois para tomarmos uma decisão acertada é crucial termos acesso a toda a informação.
É essencial percebermos que existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento os 7 anos são considerados a idade-chave.

Helena Gonçalves Rocha
A maturidade e prontidão escolar dependem bastante do desenvolvimento emocional e comportamental e também do seu “currículo” de experiências de aprendizagem. Cada criança terá a sua “bagagem de experiências de aprendizagem”, que influenciará de forma global o seu desenvolvimento.
É muito importante avaliar a capacidade da criança em focar a sua atenção e manter-se em tarefa, o 1º ciclo é bastante exigente neste domínio.
E por fim, mas com uma enorme importância, as competências emocionais requeridas: a capacidade de adiar uma recompensa; conseguir esperar pela sua vez; seguir regras de convivência; tolerar a frustração; a curiosidade/interesse em aprender e finalmente…perceber que já não é para brincar.

Assim deverá pesar todos estes aspectos e decidir em consciência com o que considera ser mais benéfico para o seu filho. O insucesso derivado de uma aprendizagem prematura, conjuntamente com a adaptação ao novo meio social, pode desencadear uma grave perturbação que pode afetar toda a escolaridade. E, decerto não é o que desejamos para  o nosso filho. O facto de ficar mais um ano no pré-escolar até completar os 6 anos, permitirá que adquira mais algumas competências através do brincar, tornando-o mais apto para as outras exigências.
Optar pelo ingresso no 1º ciclo pelo motivo de acompanhar os amigos, poderá não ser o melhor, pois muitas das vezes a diferença de quase um ano entre eles é o suficiente para originar experiências de insucesso dos quais os queremos proteger.

Esta semana falava com uns pais que me diziam, mas assim ele vai ficar sempre atrasado em relação aos outros…Pois, não é mesmo assim, as crianças que fazem anos no último trimestre do ano acompanham sempre a idade do grupo, ou seja, terminarão o  1º ano com 7 anos feitos e no final da escolaridade obrigatória, ou seja no 12º ano, terão, como todos os outros 18 anos.

Atraso não é nenhum, na minha opinião, será mais um ganhar tempo de qualidade, tempo de brincar, tempo de crescer.

Posso partilhar convosco que também eu me deparei com esta decisão com o meu filho nascido no final de Dezembro, que estava motivadíssimo para o ingresso no 1º ciclo. No entanto, decidimos oferecer-lhe mais um ano de brincadeira, mais um ano de crescer, para que a experiência escolar não viesse a ser uma frustração. Na altura ele questionava bastante porque não podia acompanhar os seus colegas e aí a resposta sempre foi muito simples: Só vai para o 1º ano quem tem 6 anos. Tens 6 anos?

Se estamos arrependidos? Nem pensar. Se teria corrido melhor se tivesse entrado com 5 anos? Nunca saberemos. Mas a oportunidade de brincar mais um pouco foi-lhe dada sem pressas de chegar à mesma meta de todos os outros.

Muitos de vocês, como eu, conhecerão crianças que ingressaram com 5 anos e que são atualmente jovens estudantes de sucesso, mas acredito que esta é mais a excepção do que a regra. É mais comum conhecer alunos que ficaram retidos no 2º ano de escolaridade por não conseguirem acompanhar o grupo, mais tarde no 6º ano ou no 7ºano. E optando pela regra das probabilidades se podemos prevenir esta taxa de insucesso e a decisão nos cabe a nós, porque não fazê-lo?

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Helena Gonçalves Rocha

MAIS AUTONOMIA TORNA AS CRIANÇAS MAIS RESILIENTES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não há volta a dar, iniciou-se um novo ano, tempo em que procuramos rever atitudes e fazer mudanças.

O meu grande objetivo continua a ser o desacelerar e o simplificar, para além da conjugação de um outro verbo: Respirar! Lembram-se no último post que vos falei da importância de respirar?  Em momentos de maior inquietude e aflição ajuda imenso. Huumm…Phhhhh…

Mas na verdade cada vez me inquieta mais a falta de autonomia que providenciamos às nossas crianças E nada melhor que aproveitar este momento do reinício escolar para traçarmos metas e nelas investir.

Que tal investir em estimular a capacidade de lidar melhor com as adversidades e superá-las, ou seja, estimular a nossa resiliência?

A promoção da autonomia é uma das formas privilegiadas de estimular a resiliência.

Falemos por exemplo das deslocações para a escola. Quantas crianças entre os 8 e os 13 anos se deslocam de forma autónoma para a sua escola?
Em 2013 , a Faculdade de Motricidade Humana realizou um estudo sobre a mobilidade independente em Portugal, questionando os pais sobre quais as razões que os levavam a transportar os seus filhos para a escola, a razão invocada com maior percentagem relacionava-se com o trânsito, logo seguida do medo dos adultos.

Recordo-me claramente do dia em que me foi dada permissão de ir a pé sozinha para a escola, teria uns 7 anos. Era supervisionada para atravessar a estrada e de seguida lá ia eu, orgulhosamente SOZINHA. (Anos mais tarde, o meu pai confessou que me acompanhava durante todo o trajecto bem de longe). Recordo-me também da sensação que estes pequenos passos me transmitiam, Sou Capaz, Sou Crescida, Sou de Confiança!

Pequenos passos com os quais podemos ajudar as nossas crianças a crescerem, ir fazer uma compra ao mini-mercado, pedir um gelado no café mais próximo, deixá-los fazer pequenos trajetos a pé.

Já dizia João dos Santos, o maior pedopsiquiatra e psicopedagogo português, educar é um vai e vem entre dar proximidade para dar segurança e dar distanciamento para dar autonomia. Quando precisam de segurança damos afectos, quando precisam de autonomia damos distância.

Acho mesmo vergonhosos que cada vez mais as crianças e adolescentes sejam deixados diretamente no portão. Assistimos atualmente a uma parada de automóveis às portas dos colégios e escolas secundárias nas horas de entradas e saídas que não permitem que os miúdos logo de manhã dêem mais de 50 passos. Para além das questões da autonomia, falamos também das questões da mobilidade, do sedentarismo que progressivamente se instala nas novas gerações.

Antes de iniciar o seu trabalho de atenção e foco do período escolar, a criança beneficia de realizar alguma atividade física, que pode bem ser uma caminhada, que lhe permita ativar o seu estado de alerta e facilite a manutenção da atenção no período de tempo que se segue.

Como tal, se aceita o desafio de estabelecer novas metas e contrariar as tendências, deixe o seu carro mais longe e faça uma caminhada matinal, se ele já tiver idade (10/12 anos) incentive-o a utilizar os transportes públicos, deixe-o fazer “coisas” sozinho. Tudo isto irá promover a sua Autonomia e aumentar a sua capacidade de resiliência, ou seja, a sua capacidade de resolução de problemas.

autonomia nas crianças

E afinal não é isso que todos desejamos para os nossos filhos? Que sejam autónomos, que consigam encontrar soluções para os seus problemas?

Se assim for, é altura de definir novas metas e fazer do seu filho uma criança mais autónoma. Acredite nele, ele é mesmo capaz!

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Fotografia: D.R.

Regresso às aulas

5 DICAS PARA SUAVIZAR A RENTRÉE ESCOLAR. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

As férias são habitualmente um período em que conseguimos “desligar” do resto do ano, aproveitar o tempo, usufruir mais da relação com os outros e principalmente apreciar o crescimento e desenvolvimento desenfreado dos nossos filhos.

Conciliar horários dos miúdos com as nossas atividades profissionais, organizar a alimentação, organizar todo o material e manuais escolares, gerir ansiedades, organizar boleias, explicações, salas de estudo, natação, dia dos avós…Enfim já estou a hiperventilar e ainda vou a meio…

Vamos lá por partes para ver se isto corre melhor!

Respire fundo e repita para si mesmo: “Eu não sou uma Super Mulher (ou Super Homem), mas sei que vou conseguir, uma etapa de cada vez!”
Por vezes dispomo-nos a alcançar objetivos inalcançáveis, respire…uma etapa de cada vez. Ainda agora veio de férias, não se canse já!

#1 Retome as rotinas do sono!
Por esta altura já seria recomendável que os miúdos se começassem a deitar mais cedo e progressivamente a levantar mais cedo, aproximando-se da hora de levantar em tempo de aulas.

Não se esqueça de desligar os aparelhos eletrónicos (TV, Tablets e telefones) 1h antes da hora prevista para dormir. A dificuldade nesta altura do ano é acrescida pois muitas vezes ainda não é noite escura, o truque será ir reduzindo a actividade, o som e a luz presente no ambiente.

Rotina do sono

Rotinas do sono

#2 Retome os hábitos alimentares saudáveis!
Cá em casa traduz-se em ter sopa na mesa todos os dias (no Verão têm direito a comer sopa em regime facultativo, está muito calor e impera o gaspacho). Aproveite o final de semana para planear a ementa semanal, adiantar algumas refeições e snacks para os miúdos levarem para a escola. Não se esqueça, habitue-os a saberem o que estão a comer e qual a sua origem. Está mais que provado que os alimentos processados estão na origem da obesidade e de outras doenças atuais.

Organize o pequeno almoço na noite anterior e peça a colaboração dos miúdos.

Retome os hábitos alimentares saudáveis

Retome os hábitos alimentares saudáveis

#3 Envolva os seus filhos na organização do material escolar!
Consoante a idade dos seus filhos mantenha-os envolvidos na organização do material escolar, quer seja pedindo-lhes que revejam o material do ano anterior e que listem quais as suas necessidades, quer sejam na atividade de forrarem os livros, quer na escolha da mochila e decoração do material.

Organização do material escolar

Organização do material escolar

#4 Escolher as roupas a serem usadas.
Dê uma volta ao armário e organize atempadamente a roupa que irão usar na primeira semana de aulas. Tudo o que puder ser feito na noite anterior, suaviza as birras da manhã.

#5 Volte a respirar fundo e repita para si mesmo “ Os miúdos estão tão crescidos, isto passa depressa demais, vamos lá aproveitar!”
Esta sim, é a maior das verdades, descomplique! Não vale a pena…este tempo passa depressa demais, aborreça-se só com aquilo que realmente valer a pena. Se calhar o miúdo pode ir para a escola com a roupa já meio suja do pequeno, importante mesmo é que tome o pequeno almoço e chegue a horas…

Como mãe de dois adolescentes vejo agora o tempo que perdi com “coisinhas” que não valem a pena, aproveite converse com elas e veja como estão tão crescidos depois das férias!

Boa reentrée escolar para toda a Família, para os que regressam à escola e para os que levam à escola!

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografia: D.R.

AULA ABERTA

DIA DE AULA ABERTA NUMA ESCOLA DO CONCELHO

aplaudimos

Hoje foi dia de aula aberta e nós fomos lá.

O dia de hoje começou de uma forma muito diferente. A minha filha Maria, que anda numa das escolas aqui na nossa South Bay, teve uma aula aberta na disciplina de EV (educação visual) e nós, duas gerações, estivemos presentes.

O projeto, idealizado pela disciplina de HGP (História e Geografia de Portugal), consistia na construção de uma casa de Castro. E o que é isso perguntam vocês? Lá teremos que recuar uns valentes séculos…

Os Castros eram povoados fortificados situados em lugares estratégicos que facilitavam a defesa da população, localizados na sua maioria no topo de penhascos ou de montes que forneciam centros de comércio e aldeamentos seguros. A cultura castreja desenvolveu-se com a chegada dos celtas a partir do século IV a.C.

CASTROS

Muitos castros remontam ao período Neolítico e não eram usados como centros de comércio, mas sim para guardar e proteger animais. Durante a Idade do Bronze, os castros sofreram uma evolução e passaram a incluir casas e celeiros, bem como armazéns subterrâneos e caves, para depois se tornarem um elemento mais militar com entradas guardadas ao longo da Idade do Ferro.

Os castros eram estruturas fortes e resistentes, com uma forma circular, forrados a pedra e telhado de colmo e foi isso que nós fomos tentar fazer :)

O avô Fernando começou o projeto. Primeiro tivemos que fazer a estrutura circular com alguma resistência para comportar o peso das paredes de pedra. Usamos cartolina e uns paus  para lhe dar alguma sustentabilidade. Depois tínhamos que fazer o telhado com palha. UI, o verdadeiro desafio. Colar palha a palha estava fora de questão, então o nosso Einstein Fernando encheu o teto da casa de cola e encheu-o de palha. Rápido, muito rápido, e o teto está feito!!

DIA DE AULA ABERTA

DIA DE AULA ABERTA

Quanto à parede o método foi o mesmo, mas aqui a dificuldade era outra, já que quando fosse montada as pedras que não estavam coladas poderiam acabar por cair. E isso não podia acontecer. Lembrei-me que nos meus tempos de projetos de faculdade utilizada laca de cabelo para “colar” algumas coisas. Desta vez não utilizamos laca mas sim um tipo de verniz também em spray. Devia ter dado um jeitão no século IV . Empestámos a sala, mas era por uma boa causa.

A parede essa, ficou a colar, mas o projeto estava praticamente finalizado e o nosso desafio realizado. Agora cabe à Maria acabar em grande mais este desafio colocado pela escola.

A Maria ficou feliz, a Mãe (euzinha) também e claro o avô Fernando o verdadeiro “Macgyver” também, e muito!!

Obrigada Professora de HGP e Professor de EV, nós aqui gostámos muito.

Nós aqui temos aula aberta com muito orgulho e prazer.
Nós aqui temos isto.

Texto e Fotos: Catarina Laborinho

HELENA

1º ANO, 1º PERÍODO E QUE TAL?

Helena

O ingresso no 1º ano do 1º ciclo é sem dúvida uma etapa muito marcante na vida de uma criança e essencialmente na vida da sua Família.

A Família é um sistema dinâmico que se vai desenvolvendo ao longo do seu ciclo vital. O ciclo vital diz respeito a uma sequência previsível de transformações na organização familiar em função de tarefas bem definidas. É de notar que as tarefas de desenvolvimento das famílias, para além de se relacionarem com as características individuais dos elementos que as compõem têm que ver com a pressão social para o desempenho adequado de tarefas essenciais à continuidade funcional do sistema/família.

Uma das etapas de transformação, causadora de um elevado nível de stresse é a etapa de ingresso dos filhos na escolaridade, habitualmente cada mudança de ciclo renova a necessidade de adaptações e mudanças.

Quando os filhos ingressam no 1ºciclo os pais são confrontados com uma dezena de novas tarefas, senão vejamos:

a necessidade de organizar as rotinas de modo a que as crianças tenham um horário de sono regular e reparador;
a necessidade de adaptar o horário dos adultos na rotina diária de modo a contemplar o acompanhamento dos trabalhos de casa;
a necessidade de reorganizar as tarefas do casal, quem ajuda nos TPC,s, quem dá banho ao mais novo, quem faz o jantar;
a necessidade dos adultos reorganizarem a vida social, uma vez que mesmo aos fins de semana estão condicionados pelos compromissos académicos dos seus filhos;
a necessidade dos pais se adaptarem a  outros estilos de vida e outros estilos parentais adotados pelos colegas do seu filho e pelos próprios professores.
a necessidade dos pais se adaptarem aos resultados escolares dos seus filhos e de que forma estes põem em causa o seu próprio êxito individual.

Enfim, muitas são as adaptações exigidas nesta etapa de transição, que invariavelmente originam uma crise familiar. Sendo que estas crises, não têm necessariamente um caráter negativo, são no entanto, motores de mudança e reorganização.

Helena

Nesta altura do campeonato, são muitos os pais que tenho ouvido já desesperados, não só pelas adaptações e reorganizações que foram forçados a fazer, mas, essencialmente, porque os trabalhos de casa são excessivos e originam verdadeiras guerras dentro de suas casas.

É certo que os horários laborais são excessivos, é certo que os miúdos passam demasiadas horas fora de casa e como tal o pouco tempo que os pais dispõem para interagir com os seus filhos é muitas vezes passado nesta luta de concretização de tarefas tão iguais aquelas que passaram o dia a realizar.

E é aqui que eu pergunto, e é aqui que eu invejo os pais espanhóis que confrontaram o sistema educativo e disseram BASTA! Porque queremos crianças que brinquem, porque queremos crianças que gostem de aprender, será que podemos diminuir esta” carga de trabalhos”?

Eu percebo que no 1ºano, a consolidação e repetição dos conteúdos é necessária, mas será que podemos diminuir a carga? Será que podemos adaptar estas necessidades de repetição e consolidação aos horários e rotinas familiares, privilegiando a relação e não a corrida para o sucesso académico? Onde podemos encontrar o horário de Brincar? Onde podemos encontrar o horário de rir e interagir com os pais? Onde podemos encontrar o horário do miminho? Depois da batalha dos TPC´S?

Sou diariamente confrontada com pais que se consideram incompetentes, impotentes, nesta tarefa de ensinar aos seus filhos aquilo que eles não conseguiram aprender na escola, será isto o ideal? Hoje em dia assistimos a meninos do 1ºciclo que para além da sua carga horária escolar ainda são brindados com mais umas horas de explicações, será isto o Ideal?

Este primeiro período é, sem dúvida a prova de fogo, como em todas as crises o tempo de mudança e adaptação é lento e demorado. Lembrem-se que vos cabe a vós pais, , acreditarem nos vossos filhos, dar-lhes segurança para enfrentarem este mundo novo e dizer Basta quando acharem necessário!

 

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

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Fotografias: D.R.

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NÓS AQUI VOLTÁMOS À ESCOLA.

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…e já não é a primeira vez. Quando falámos com o Professor José Manuel Godinho Diretor do Agrupamento de escolas da António Gedeão (veja ou reveja a conversa aqui) tivemos oportunidade de voltar à escola secundária! É muito bom voltar a um espaço semelhante onde passamos tanto tempo e onde aprendemos tanto. Desde a matéria escolar, como o princípio de escola de vida, de sociabilização. E é ainda melhor assistir à extraordinária evolução dos tempos na escola. A curiosidade da escola já não ter a famosa “campainha” (aquele agrupamento e outras escolas adotaram esse sistema) é um bom exemplo.

– Como não têm “toque de entrada e saída”? Perguntámos nós ao fim de estarmos algum tempo e de não o ouvirmos. O toque? “Cadê o toque”? O Professor José Manuel Godinho satisfez logo a nossa curiosidade – já não usam, porque não é necessário!

Pimba, vão buscar e por essa é que não estavam à espera, certo? (atenção que esta expressão é somente nossa, não foi dita por alguém da escola).  Os alunos e professores têm essa responsabilidade e, por incrível que pareça, os horários são cumpridos. Achámos muito interessante, se bem que fiquei logo a pensar que às vezes dá muito jeito ser “save by the bell”! *

Estes sinais dos tempos, fazem-nos perceber que não estamos a caminhar para novas, mas adiante. A nossa última visita à escola foi ao primeiro ciclo – explicar publicidade “como se tivesse 4 anos”. Um desafio a que nos propusemos na área da formação no “Projeto Pais na Escola – Quando for grande quero ser…” promovido pela Escola da minha filha na Verdizela.

A sugestão do Colégio é que os Pais dos alunos vão fazer uma sessão sobre as suas profissões e que partilhem a sua experiência e conhecimento com os alunos. Tinha achado muito giro uma sessão que os pais de uma aluna, comissários de bordo, realizaram ao simular um voo e servir estes pequenos grandes passageiros até ao seu destino – a diversão. Estava difícil competir com um avião, embora dê para em publicidade viajar muito (nem que seja na maionese)!

Como explicar de forma interessante o que se faz publicidade trocado em miúdos para miúdos? Nós aqui, fizemos o exercício de explicar publicidade para quem tivesse 4 anos. Voltar à escola com esta missão, não são “favas contadas”, ainda para mais para um público tão exigente, mas principalmente, tão desconhecido para mim. Sim, porque se acham que só porque me cruzo diariamente com todos eles quando vou deixar e buscar a minha filha à escola já os conheço, estão redondamente enganados. Ah, se estão!

Os alunos presentes tinham entre 5 e 9 anos e dos 5 para a frente é um “terreno” totalmente novo e a desbravar para mim. Mas, aqui tive o meu primeiro teste. Foi muito interessante e participativo. Extremamente participativo! E que mais é que se pode pedir a uma audiência? Pois é, além de muito gratificante é sempre bom ter alguém disposto ao conhecimento, ao novo, com entusiasmo e fervor. Já para não falar da felicidade e orgulho que a minha filha teve por ter a mãe ali, estava a “rebentar” de tanto entusiasmo (que temos de aproveitar, porque quando crescer suspeito que não vai ser bem assim, mas nada de sofrer por antecipação!).

Um bem-haja a todos os professores. É um profissão nobre, exigente e fundamental no desenvolvimento das crianças. E nem toda a gente nasce para isso.

Nós aqui, temos Projeto Pais na Escola.
Nós aqui temos isto.

*save by the bell – salvo pela campainha.

Fotografia Joel Reis

 

 

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AS VANTAGENS DE IR PARA A ESCOLA MAIS TARDE.

Helena
“Entra com 5 anos e fica logo despachado…” , “Vão os amiguinhos todos e ele havia de ficar…” “Está tão motivado para as letras…”, “ O irmão também foi e correu tudo bem…”

Inúmeros são os argumentos para que as crianças que completam os 6 anos, já depois do ano letivo começar, sejam inscritos para iniciar o 1º ano. São os denominados “alunos condicionais”, isto porque só entram se tiverem vaga e são os pais que decidem se os matriculam ou não, uma vez que não é obrigatório.

É verdade que existem casos em que tudo correu bem , mas na sua grande maioria, no decorrer do 2º ano ou mais tarde no 6ªano, as dificuldades teimam em aparecer.

Muita investigação já se fez sobre esta matéria e sobre qual a idade ideal para ingressar no 1ºciclo, na Universidade de Cambridge, concluiu-se que a maturação neurológica ideal para iniciar as aprendizagens formais seriam os 7 anos de idade. Na Escócia e nos Estados Unidos, decorrem vários movimentos no sentido de adiar o ingresso no 1ºciclo, como forma de garantir o sucesso escolar.

Na Finlândia, brincar faz parte do sistema de ensino. Contrariamente ao que acontece na maior parte dos países europeus, incluindo Portugal, só aprendem a ler quando entram na escola aos 7 anos.

Em Portugal, a idade de ingresso situa-se nos 6 anos, sendo que, existe esta possibilidade de ingressar com 5 anos.

Na minha opinião e baseada na minha prática profissional, quanto mais tarde melhor. As crianças necessitam de um grande número de pré-requisitos antes de iniciarem a escola, nomeadamente a maturação emocional, a capacidade de lidar com a frustração, controlar os impulsos e muitas outras competências que são possíveis de adquirir no ato de brincar, aprender fazendo, explorando.

Verifica-se que as crianças que entram mais tarde, possuem uma maior capacidade de atenção e controlo dos impulsos, não apenas durante o primeiro ano de escola como a longo prazo.

Young boy doing homework

Mais do que despachar, ou entrar com amigos, ou se correr mal, logo repete o primeiro ano, penso que poderemos poupar os nossos filhos desta sensação de inêxito e frustração e proporcionar-lhes mais um ano a aprender brincando.

Helena Gonçalves Rocha

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