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BURNOUT PARENTAL

BURNOUT PARENTAL. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Nesta altura do ano tudo nos parece Demais… Demasiado barulho, Demasiado movimento, Demasiado calor, Demasiado trabalho e as férias começam a surgir como uma ténue luzinha bem longe, lá longe ao fundo do túnel…

Quem tem filhos pequenos sabe que esta sensação de que tudo é demasiado, não surge unicamente nesta altura do ano.

O síndrome de Burnout  Parental  não está relacionado com a interação dos pais com os filhos, mas sim com tudo aquilo que se traduz com o trabalho em educá-los, mantê-los nos seus horários, transportá-los  para as suas atividades, supervisionar os trabalhos de casa, garantir que têm uma boa alimentação. A síndrome de burnout parental surge muitas vezes nos primeiros anos de vida da criança por toda a exigência física e social e mais tarde na transição para a adolescência em que as exigências parentais mudam radicalmente quase de minuto a minuto.

Na sociedade atual a exigência é extrema, terás de ser uma Mãe exemplar, uma profissional de sucesso, uma dona de casa exímia e uma esposa dedicada e disponível, será que alguém aguenta?

A verdade é que na maioria das vezes acreditamos que sim e dedicamo-nos a cada uma destas áreas com o mesmo empenho e dedicação e…estranho, muito estranho mesmo, como há poucas Super Mulheres, começamos a acusar sinais de extremo cansaço, falta de paciência e acima de tudo uma sensação de frustração porque parece que seria expectável que fizéssemos tudo de forma exemplar.

Os pais sentem que não cumprem os seus objetivos, não estão a fazer o que é suposto, as exigências profissionais não se compadecem da exaustão física e emocional sentidas, a casa deixa de estar arrumada na perfeição e a paciência de repente desaparece…

A verdade é que a pressão social é muita para que Eduquemos na perfeição e quando começamos a acusar este cansaço, a frustração aumenta e o Burnout Parental instala-se.

BURNOUT PARENTAL

Existem no entanto algumas estratégias que podem prevenir este Burnout Parental.
Quando se tem filhos o perfeccionismo tem que ser banido das nossas vidas, “feito é bem melhor do que perfeito”.

Peça ajuda
Delegue tarefas no pai, no avós, nos tios. ( sim , não fica tão bem feito como se você fizesse, mas fica feito). Podem ser tarefas domésticas ou mesmo o baby sitting.

Pense em si
Planeie uma atividade semanal para fazer o que mais gosta, cuide de si, só assim estará apta a cuidar dos seus filhos.

Simplifique e priorize
O que será mais importante, a cozinha a brilhar ou uns momentos de verdadeiro riso e brincadeira com o seu filho?
Não complique, reconheça os seus limites, não consegue mesmo chegar a tudo aquilo que idealizou.

Estabeleça uma rotina
Com filhos pequenos  as rotinas são algo que trazem muita segurança e simplificação do dia a dia.

Priorize o tempo de casal
Quando os miúdos estiverem na cama, aproveite para conversar e namorar. Restabeleça a intimidade. Faça planos em conjunto, planos a dois, organizem um programa semanal a dois (mesmo que seja em casa, uma massagem conjunta, um jantar à luz das velas)

Divirta-se em família
Aproveite os pequenos momentos e solte umas gargalhadas, afinal não tarda nada e eles já cresceram. E isto é tão verdade..aproveite o momento, concentre-se na relação com os seus filhos e não no “embrulho”. Estão sujos? Mas estiveram todos a rir e rebolar na relva? Viva a sujidade e os momentos bons!

Helena Gonçalves Rocha

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descansar em familia

FIM DE SEMANA OUTRA VEZ… DESACELERAR POR FAVOR. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Fim de semana outra vez… desacelerar por favor. Dicas para conseguir descansar!

A maioria de nós associa o fim de semana a dois dias de descanso, alegria, euforia e divertimento. Muitos de nós não têm filhos… deitam-se tarde depois de uma jantarada com os amigos, no dia seguinte aproveitam para dormir até mais tarde e “preguiçar” durante todo o domingo.

Muitos de nós têm este cenário como uma memória longíqua, longe, longe, quando ainda não existiam crianças, nem festas de aniversários nem idas à natação e ao ballet.

Pois é, admitam lá, por vezes a aproximação do fim de semana significa uma grande canseira. Por vezes até vos passa pela cabeça que mais valia estar a trabalhar…

E isto porquê? Porque muitas das vezes não sabemos gerir as nossas prioridades e colocamos a vida social dos nossos filhos muito à frente das nossas.

Senão vejamos, sábado de manhã natação, mãe na bancada a registar todos os momentos enquanto elabora lista de supermercado. Almoço tardio, entre deitar uma a duas máquinas de roupa a secar, festa do Luisinho, antes disso passar no centro comercial para comprar o presente desejado, deixar a Maria na festa e ir num instante fazer as compras da semana. Banhos, jantar e estudar? Adormecer no sofá?

Domingo quase tudo se repete, nova festa, T.P.C., arrumar a casa,  almoço de família, arrumar a casa, preparar a semana, mochilas, lanches e almoços.

OHH! STOP!

É urgente desacelerar, é verdade que não somos super-heróis e que necessitamos de tempo de descanso e lazer. É verdade que, mais do que cumprir tarefas, temos de ter tempo para usufruir das relações com os nossos filhos e construir memórias conjuntas.

E depois de alguma análise do que nos rodeia, depois de algumas tentativas e erro, chegámos a algumas sugestões /desafios que nos permitirão abrandar um pouco o ritmo alucinante do fim de semana.

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As casas perfeitas existem nos catálogos de decoração

Viver numa casa perfeita, sempre limpa e arrumada é coisa de IKEA. Passar os sábados de manhã de aspirador numa mão e pano de pó na outra é o suficiente para estragar o nosso humor durante o resto do dia. Sugestão: dividir as tarefas domésticas pelos diferentes elementos da família e pelos diversos dias da semana. Um dia para lavar casas de banho, outro para aspirar a sala, outro para mudar lençóis. Devidamente distribuídas as tarefas por todos os elementos e dias da semana vai ver como ao fim de semana tudo parecerá mais fácil.

Compras de supermercado e passeios pelo shopping ao fim de semana, nem pensar!

Mais vale sacrificar a hora de almoço durante a semana, ou levar as compras ao final do dia quando regressa do trabalho, do que ir em excursão para um supermercado cheio de gente com miúdos que habitualmente se portam mal, fugindo ou pedindo tudo aquilo que vêem. As compras ao fim de semana, domingos, noites ou feriados, é uma moda relativamente recente, moda esta que me faz questionar a qualidade de vida das famílias dos funcionários destes mesmos supermercados. Crianças que não estão com os pais aos fins de semana para que nós comodamente possamos fazer as compras dos guardanapos e detergentes às oito da noite de um sábado.

Sugiro que apreciem e promovam o comércio local, visitem as feiras e mercados com os vossos filhos, para que compreendam que existe a relação direta entre o produtor e o consumidor.

Não precisamos de aceitar todos os convites

É verdade, muitas vezes o fim de semana é distribuído entre 3 e 4 festas de aniversário, muitas vezes distantes umas das outras, uma num sítio mais espetacular do que o outro. Mas será que esta azáfama compensa? Será que não devemos ajudar os nossos filhos a priorizarem, a que festa devemos ir? Qual o amigo que faz mais questão e com o qual nos identificamos mais?

Afinal conseguimos passar um fim de semana inteiro a fazer de UBERpapá, distribuindo-os de festa em festa e sem ter oportunidade de conviver com os nossos próprios filhos.  Onde está o tempo para estarmos uns com os outros, ouvirmo-nos sem ter a pressão do horário semanal?

Um dia sem T’s

Aqui está um desafio bem difícil, mas possível. Um dia inteiro sem telemóvel, sem televisão, sem tablets, um dia sem T’s.

Sem partilhar fotografias, sem saber onde anda toda a gente, sem tirar fotos para postar, apenas a viver cada momento com todos os nossos sentidos presentes.

Hoje em dia este é um real desafio, mas cada vez mais necessário, experimente esta sensação de liberdade e depois conte-nos com foi.

Passear sem rumo pelo mundo

Sair de casa e observar o que nos rodeia, sem pressa, tudo o que a natureza nos proporciona, tão incrível que todos os dias são diferentes, a flor que nasceu, o novo cantar de pássaro, as nuvens no céu que mudam a cada instante.

Estar sem pressa nem horário para nada, para mesmo nada. Apenas aproveitar a companhia e o contacto uns com os outros.

Construir a nossa identidade enquanto família, os nossos momentos, aqueles momentos que a família do lado não faz nem ideia. Tudo o que nos torna diferente dos outros. E para isso é preciso tempo, e para isso é preciso oportunidade de estarmos uns com os outros.

Tentem aproveitar estes dois maravilhosos dias a fazerem coisas que vos dê prazer e a estar com quem mais gostam.

Se tiverem mais dicas para partilhar, façam-no por favor! Esta mãe exausta e à beira de um ataque de nervos agradeceria eternamente!

Helena Gonçalves Rocha

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Familia

QUER O SEU FILHO FELIZ? DÊ-LHE MAIS EXPERIÊNCIAS E MENOS COISAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana deparei-me com um artigo que enumerava todas as vantagens de “viver” em vez de “ter”. Uma equipa de investigadores da Universidade de Toronto debruçou-se sobre esta temática e concluiu que, também as crianças são mais felizes com as experiências que vivenciam do que com a última novidade dos brinquedos.

Os resultados das  investigações são claros  se você quer ser Feliz, deverá gastar mais dinheiro em experiências e não em coisas.
Cindy Chan, professora auxiliar na Universidade de  Toronto e principal responsável por esta investigação, concluiu que as “expeirências –presente” tem uma maior probabilidade de construir memórias de longa duração para os miúdos devido às conexões emocionais  que são ativadas quando fazemos alguma atividade em vez de possuirmos alguma coisa. “ Uma “experiência- presente ativa uma resposta emocional forte a quem a recebe – como o medo numa descida de rappel, a excitação de um concerto de música ao vivo ou a calma desencadeada por uma experiência num spa – e é bem mais intenso emocionalmente do que a possessão material “ – afirma Chan.

E porque serão tão importantes estas memórias de infância? Elas ajudam a construir alicerces emocionais fortes aos quais as crianças podem recorrer ao longo da sua vida sempre  que se sentem tristes , stressados, ansiosos ou preocupados. Segundo a psicoterapeuta infantil Dr. Margot Sunderland, as memórias positivas ajudam as crianças a regular o stress, aumentam o tempo de atenção, estimulam a concentração e desenvolvem de forma global a saúde física e mental. As memórias felizes servem como “âncoras”que dão conforto aos miúdos quando as suas vidas atravessam uma fase menos boa.
Não só as experiências ajudam as crianças a construir uma base sólida de memórias felizes, mas também ajudam a promover o desenvolvimento do cérebro. “Um ambiente enriquecido oferece novas experiências que são fortes na interação social, física, cognitiva e sensorial combinada”, disse Sunderland. Cada vez que você faz algo que está fora das suas atividades habituais, você dá aos seus filhos a hipótese de ver, cheirar, ouvir e tocar coisas diferentes que irão adicionar às suas experiências globais e desta forma ajudar a enriquecer os seus cérebros.

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Não será por acaso que as grandes personalidades quando são entrevistadas sobre a sua infância partilham memórias de experiências vividas e não de tudo aquilo que possuíram.
E será que importa para onde se vai?
A investigação deixa-nos uma  questão: será que o tipo ou tamanho da experiência importa?

Será que uma saída em família à gelataria local constrói uma memória tão forte como umas férias em família na Eurodisney?
Você ficará feliz em saber que isso não importa. Na verdade, as crianças são mais propensas a ter uma memória forte e reconfortante de uma saída especial para comer um gelado em que a sua família estava animada e envolvida  do que de uma viagem emocionante, mas estressante para o “lugar mais feliz na Terra”.

A minha amiga Maria teve essa mesma experiência na primeira pessoa quando levou as duas filhas à Eurodisney e a única coisa que elas queriam fazer era aproveitar e nadar na piscina do Hotel. Eu própria – já com filhos adolescentes – sei que eles muitas vezes falam dos passeios de Verão em que nos molhávamos nos aspersores de relva dos jardins de Belém  como uma das suas memórias inesquecíveis.
Na verdade, eu acredito que o segredo  está na forma como os pais encaram estas aventuras, e que quanto mais relaxados estivermos melhor correrá, com toda a certeza. Viagens sem agenda e sem stress são aquelas que os miúdos mais se divertem.
Na verdade, quando eles crescem as “coisas” acabam por se deitar fora, já as memórias, essas, ficam connosco para sempre.
Como tal, aproveite e lembre-se, invista o seu dinheiro em experiências memoráveis com quem mais gosta. Vai ver que vai valer a pena!

Helena Gonçalves Rocha

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PAI, Ó PAI….O pai de hoje. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta manhã ouvi uma notícia na rádio que dava conta que agora os rapazes já não se aconselhavam com os pais como outrora. Quando precisam de fazer um nó de gravata recorrem ao Youtube, quando precisam de saber como se barbear na perfeição a fonte é a mesma, Google it e já está… mas será mesmo assim?

Sempre fui “filhinha do Papá” e com muito orgulho, nunca fui Princesa, porque realmente não tinha de ser, fui a segunda filha, que deveria ter sido rapaz. Sempre assumi esse papel na perfeição, de joelhos rasgados, sempre a jogar bola, a jogar ao berlinde e pendurada nas árvores e sempre a experimentar acrobacias arriscadas. O meu Pai sempre viveu num Universo de Mulheres, coitado! Não deve ter sido nada fácil…não ter a cumplicidade masculina dentro da própria casa.

A figura do Pai e os papéis desempenhados na dinâmica familiar têm vindo a alterar-se ao longo das últimas décadas, o Pai frio e distante que trabalha todo o dia para trazer o sustento para a Família, está cada vez mais distante. O Pai que não está presente na Educação dos filhos, que representa a figura de autoridade derradeira e última, parece já ter os dias contados.

HELENA GONÇALVES ROCHA

Cada vez mais os pais estão presentes logo desde o Parto, cada vez mais existem pais que gozam a licença de parentalidade de forma partilhada, cada vez mais o Pai muda fraldas, acorda durante a noite,  dá banho e leva ao ballet.

Mas também é verdade que não é visto ainda por todos como perfeitamente natural, se o Pai fica em casa maioritariamente e é ele que leva os filhos à escola, ao médico, faz o jantar e dá banhos antes da mãe chegar a casa, é porque, com toda a certeza, algo “não é normal”. Se os papéis se inverterem ninguém questiona nem sequer ousa colocar em causa, mas assim…o Pai faz tudo…é esquisito, é esquisito. Já me cruzei com várias famílias que assumem esta dinâmica e digo-vos que estes comentários eram muito usuais, quer por parte dos profissionais de Saúde quer pelos profissionais de Educação.

Mas Pai, não hesite, em estar presente para o seu filho. Construa memórias com ele ou com ela, as brincadeiras com o Pai são inesquecíveis. Ouvir contar como foi, não é a mesma coisa que poder contar como se sentiu…

E Mãe…confie mais nele. Ele consegue, vai ver…deixe-o tentar. Sabemos que tradicionalmente não foram educados para tal, mas a verdade é que os Pais estão cheios de vontade de experimentar, vivenciar estas emoções fortes que advêm da proximidade com os filhos.

Se há coisa que eu gosto de observar é a forma como nos movemos, como andamos, como mexemos no cabelo, como cruzamos a perna, é um exercício fantástico esta observação. Aceitem, pois, o desafio de olhar para pais e filhos. Reparem como andam de forma tão idêntica, como põem as mãos nos bolsos exatamente da mesma forma, como movem os braços quando falam, incrível, não é?

Simplesmente porque o Pai é e será sempre o Modelo dos seus filhos! Se já não pedem ao Pai como fazer o nó de gravata, pedirão outras coisa com toda a certeza e está nas suas mãos, caro Pai , criar esta doce cumplicidade!

Cá em casa o Pai é muitas vezes tratado por “Puto” (o que ainda me soa mal), brincam com ele como se tivesse a mesma idade, e a filha tal como eu, em tempos com o meu Pai, desafia–o constantemente para umas boas trocas de bola, já o filho desafia-o na sua cumplicidade, coisas de homens, que só mesmo eles conseguem entender.

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No próximo domingo, comemora-se mais um dia do Pai, aproveite-o para mostrar ao seu Pai o quanto ele é Especial!

E conte-nos a melhor recordação do seu Pai e que brincadeiras trouxe para os dias de hoje. Ficamos ansiosamente à espera das suas partilhas.

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crianças

10 REFLEXÕES DE FAMÍLIAS NOTÁVEIS VINDAS DE UMA TERAPEUTA FAMILIAR

Helena

Toda a minha “carreira”, se é que lhe podemos chamar assim, tem sido centrada no desenvolvimento infantil e no apoio prestado às famílias. Cada vez parece ser mais difícil educar, ser família, numa época em que a informação surge de todo o lado, em que todos sabem a fórmula mágica para educar uma criança, é habitual ver os pais cada vez mais confusos.

Nos meus 20 anos de terapeuta familiar e profissional de intervenção precoce, acompanhei muitas famílias bem intencionadas que utilizavam estratégias  que não iam de encontro às necessidades das suas crianças e das suas famílias. Também acompanhei muitas famílias que adotavam estratégias inovadoras , encontrando formas saudáveis de educar os seus filhos

Estas reflexões surgiram da minha experiência  com as famílias e paralelamente daquilo que atualmente conhecemos do funcionamento cerebral e da investigação do comportamento, sobre quais os estilos parentais que mais contribuem para um melhor desenvolvimento da criança.

Helena Gonçalves Rocha

1 | Saber que uma criança se comporta  como uma criança.

Muitas vezes os pais esquecem-se que as crianças  aprendem estragando tudo. Fazendo asneiras. Comportando-se de forma imatura. A magia realmente acontece quando um prestador de cuidados securizante aparece  e orienta para o caminho certo. Ficamos impacientes e frustrados, aborrecidos com tanta ingenuidade, mas na verdade é assim que as crianças funcionam

A parte do cérebro responsável pela razão, lógica e controlo de impulsos só estará completa por volta dos 20 e tal anos. O comportamento imaturo é normal num ser humano imaturo com um cérebro imaturo. Esta é uma realidade científica que nos poderá ajudar a sermos pacientes e a dar suporte às nossas crianças quando elas mais precisam.

2 | Estabelecer limites com respeito, sem crítica.

Uma vez que os nossos filhos precisam de aprender literalmente tudo sobre o mundo através de nós, precisarão de muitos limites ao longo do seu dia. Sem os devidos limites no seu ambiente, as crianças irão sentir-se ansiosas e fora de controlo.

Os limites podem ser dados de uma forma crítica e intimidante, ou poderão ser comunicados de uma forma firme mas respeitosa. Pense na forma como gostaria de ser tratado no trabalho e  aja  a partir daí.

3 | Estar atento às etapas de desenvolvimento.

Será que alguma vez se questionou onde se meteu o seu adorável bebé quando de repente ele desata a chorar como se alguém o quisesse matar quando o deixa na creche? Bem vindo à ansiedade de separação!

Irão ocorrer imensas etapas de transição ao longo do desenvolvimento do deu filho até ele se tornar adulto. Ter conhecimento dessas fases  poderá ajudar a construir o puzzle comportamental e aumentar as hipóteses de você poder corresponder de forma adequada e securizante no decorrer do desenvolvimento do seu filho.

4 |Conhecer o temperamento e personalidade do seu filho

Parece relativamente óbvio, mas se nós estivermos em sintonia com as características que tornam a nossa  criança única, vamos com certeza ter uma melhor compreensão e conseguiremos dar mais suporte quando ela precisar de mais apoio.

Uma vez que já domina o básico que motiva a sua criança, será bem mais fácil encontrar o melhor ambiente para que realize os trabalhos de casa ou permitir – lhe compreender porque é que a sua filha pede para regressar a casa depois de uma noite no campo de férias.,

5) Proporcionar à sua criança bastante tempo de brincadeira não estruturada

A não ser que tenha aprendido na escola ou faculdade o poder do jogo e da brincadeira, a maioria dos adultos não compreende o verdadeiro poder do jogo e brincadeira.

É a brincar que as crianças aprendem tudo e desenvolvem tudo o que há para desenvolver. Isto significa que é muito importante reservar um tempo diariamente para que brinquem, sem controlo exterior, explorando o mundo que os rodeia.

6 |Aprender quando falar e quando ouvir 

As crianças aprendem a ser uns bons solucionadores de problemas, se os deixarmos, claro. Como sentimos por eles um amor incondicional e queremos muito que sejam bem sucedidos é muito difícil resistirmos a resolver os seus problemas e ao mesmo tempo ensinar-lhes exatamente como deveriam ter feito.

Se os pais conseguissem conter a sua impulsividade de prontamente ajudar, dando-lhes mais tempo para que resolvessem os seus problemas, ficariam espantados com as inúmeras vezes que as suas crianças conseguem chegar ás suas próprias conclusões com sucesso. Ser ouvido é terapeuticamente poderoso, e permite-nos pensar sobre as coisas e encontrar soluções.

As crianças precisam de ser ouvidas e sentirem-se compreendidas. Tal como todos nós.

7 | Arranjar uma identidade fora da sua criança.

Muitos de nós apregoamos que a nossa criança é o nosso mundo, e é certamente verdade no nosso coração. No entanto no decorrer da nossa vida, os pais precisam de mais. Precisamos de alimentar as nossas amizades, paixões, hobbies e tudo aquilo que faz de nós seres únicos.

Fazer isto pode quase parecer uma batalha, enquanto que a nossa ansiedade protetora tenta convencer-nos que a nossa criança está bem sem nós e que nós próprios também estamos bem sem ela. Mas nós temos e precisamos, de algo mais, de forma a manter a nossa sanidade mental e  evitar dar à  nossa criança a difícil tarefa de preencher todas as nossas necessidades emocionais.

8 | Perceber que as ações valem mais do que mil palavras.

A forma como interage com o seu filho e vive a sua vida serão os maiores professores da sua criança. As crianças são muito observadoras e muito mais intuitivas do que pensamos. Elas estão sempre a observar.

Isto poderá parecer um pouco incoveniente para os pais, mas se conseguirmos manter na nossa cabeça que os nossos filhos estão a observar todas as nossas ações, não só os ensinará como se devem comportar , mas também nos tornará, de certeza, pessoas melhores.

9 | Reconheça que as relações, a alegria e a criatividade são a melhor forma de promover os comportamentos positivos e uma atitude colaborativa.

Medo e controlo não são bons professores para os seus filhos  a longo prazo. Embora estas estratégias tenham  um efeito efetivo a curto prazo, não irá dotar os seus filhos de estratégias de resolução de problemas ou de uma forte conduta moral..

Se o seu filho se sente valorizado como pessoa baseado nas interações que desenvolve com ele, ele naturalmente irá aprender a valorizar os outros e terá confiança e segurança para fazer boas opções.

10 | Coloque o objetivo global de “moldar” o coração da criança e não só, o seu comportamento.

Ficamos muitas vezes com a ideia que o objetivo principal da parentalidade é criar crianças muito bem comportadas. Claro que essa é uma qualidade desejável, no entanto não será a principal qualidade que contribui para um ser humano  feliz e saudável.

Quando ajudamos a nossa criança a compreender a importância dos seus pensamentos e emoções isto vai dar-lhes competências relacionais e de adaptação. Competências essas que os irão proteger e orientar ao longo da sua vida.

Alterar os nossos hábitos de parentalidade nem sempre é fácil, no entanto será sempre no supremo interesse da criança. E isso vai valer sempre a pena!

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criança interromper

ESTRATÉGIA SIMPLES PARA QUE O SEU FILHO NÃO INTERROMPA!

Helena

Recordo-me bem, quando os meus filhos eram pequenos de interromperem qualquer conversa em que eu estivesse envolvida, unicamente porque lhes apetecia. O que tinham feito ontem, de que cor era aquele bicho, quando íamos embora…Enfim, um sem número de situações urgentes e inadiáveis que justificavam a interrupção.

Interrompiam até certa altura.

Ou seja, antes de eu descobrir uma pequena estratégia mágica.

Certo dia, estava a conversar com uma amiga quando o seu filho (na altura com 3 anos) quis dizer qualquer coisa.  Em vez de interromper a mãe, ele agarrou-se ao seu pulso e esperou. A minha amiga colocou a mão por cima da dele e continuamos a conversar.

Assim que acabou aquilo que estava a dizer, ela virou-se para ele. Tão simples. Tão terno. Tão respeitador de ambos, da criança e do adulto. O seu filho só teve esperar alguns segundos para que a minha amiga acabasse a frase. E assim que o fez, ela deu-lhe a completa atenção.

Cá em casa começámos de imediato a aplicar esta estratégia. Explicámos ao G. e à M. que se quisessem falar e alguém já o estivesse a fazer, deveriam colocar a sua mão no nosso pulso e esperar. Foi necessário algum treino e alguns puxões nos nossos pulsos como lembrete necessário, mas garanto-vos que as interrupções acabaram!

Acabou o  “espera”, “a mãe está a falar”, “não interrompas, se faz favor”. Com um simples gesto, um pequeno toque no pulso. E é Só.
Experimente.
Vai ver que dá resultado.
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