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9 DICAS PARA PÔR AS CRIANÇAS A ESCREVER. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Escrever faz muito sentido para as crianças, principalmente se o fizerem com um objetivo. Por vezes, algumas crianças são bastantes resistentes para escrever e para elas é extremamente importante integrar a escrita na sua vida diária utilizando também o jogo como forma de a motivar a pegar no lápis e deixar a sua marca. Quando a escrita adquire um objetivo prático e específico, as crianças começam a entender a importância da alfabetização e rapidamente embarcam em todas as diversões que vão surgindo ao longo do caminho.
Aqui estão dez idéias práticas para que as crianças gostem de escrever com um propósito.

9 DICAS PARA PÔR AS CRIANÇAS A ESCREVER

#1 Peça aos seus filhos que escrevam a sua lista de compras e depois responsabilize-os por marcarem os itens à medida que os vão comprando.

#2 Quando você está a planear a festa de aniversário do seu filho, coloque-o no comando. Deixe-o escrever a lista de convidados e enviar os convites.

#3 Faça um calendário de festas. Seja qual for a temporada (advento e Natal, férias da Páscoa, férias grandes…) arranje um grande pedaço de papel e crie seu próprio calendário de eventos. Coloque as crianças responsáveis ​​pelo desenho e escrita e deixe-os sugerir algumas ideias divertidas para incluir no cronograma, não se esqueça de incluir os aniversários dos familiares e amigos, eles adoram!

#4 Receber uma carta manuscrita da vida real através do correio é emocionante em qualquer idade. Se calhar posso dizer que talvez mais na nossa idade, uma vez que ainda somos do tempo de trocar correspondência (eu pelo menos, já sou muito antiga) com os primos e os pais durante as férias onde se relatavam todas as aventuras. Agora, tristemente, as cartas que recebemos maioritariamente têm números e habitualmente são para nós pagarmos… No entanto, ainda este verão, assisti ao entusiasmo e inabilidade dos meus adolescentes ao enviarem postais dos locais de férias.
Então…tente encontrar um amigo com quem o seu filho possa trocar correspondência, ou então incentive-o a faze-lo com os avós, de certo ambos irão adorar.

#5 Sirva-se da porta do frigorífico e deixe recados ou perguntas e desafios que requeiram resposta. Vai ver a excitação, sendo que aumenta a adrenalina se os mensageiros não puderem ser descobertos no momento de colocar a mensagem no frigorífico.

9 dicas

#6 Quando for de férias, não esqueça de envolver os miúdos na escolha criteriosa dos cartões postais para enviar para alguém ou para vocês mesmos, para ver quem chega primeiro.

#7 Faça um livro das férias em conjunto com os seus filhos, muitos desenhos, colagens e algumas escritas espontâneas que vão acabar por aparecer.

#8 Faça seus próprios cartões de aniversário  e peça ao seu filho que escreva o texto dentro e o endereço no envelope. Em seguida, compre o selo e coloquem a carta em conjunto, de preferência num marco de correio vermelho.

#9 Com crianças mais ativas, use um lápis e papel ou um giz na parede lá fora, sempre que estiver a jogar um jogo com ele para que possa anotar as pontuações. Esta é uma ótima maneira das crianças competitivas escreverem!

E por aí? Você também encoraja o seu filho a escrever com um objetivo? Partilhe connosco uma das suas dicas.

Helena Gonçalves Rocha

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HELENA GONÇALVES ROCHA

JÁ POSSO IR BRINCAR? E OS TRABALHOS DE CASA, JÁ ESTÃO FEITOS? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Este é o excerto de um diálogo ouvido quotidianamente em muitas casas portuguesas. Por esta altura, e porque já decorreu um mês de aulas, os miúdos começam a perceber que isto é mesmo a sério.

O assunto dos trabalhos escolares levados para casa é um tema que me inquieta há décadas, mais ainda quando os meus filhos ingressaram no 1º ciclo e o confronto com a execução destes TPC passaram a ser uma dura realidade.

Dir-vos-ei que sou uma ferverosa defensora dos trabalhos de casa, sim, aqueles trabalhos que envolvem os diversos elementos da família e que possibilitam trabalhar as competências funcionais do quotidiano, demonstrando que aquilo que se aprende na escola é efetivamente útil no nosso dia-a-dia.

Eu sei que este é um tema bastante polémico e garanto-vos que ao longo do percurso escolar dos meus filhos fui tentando defender o seu direito de brincar e o meu direito de equilibrar a dinâmica familiar do final do dia. Posso dizer-vos que valeu a pena, que fui ouvida em alguns dos meus argumentos, e que progressivamente os trabalhos para casa foram instituídos ao final da semana. Como tal, valerá sempre a pena manifestar as nossas preocupações e argumentos em defesa do direito de brincar, sim, porque infelizmente, e cada vez mais, o tempo de Brincar fica esquecido.

Gostava no entanto, de vos deixar algumas ideias sobre o tema trabalhos de casa, para que possamos estar mais dotados de argumentos e lutarmos contra as ideias feitas ( basta da conversa:  é porque na escola dele é assim…) , pois acredito que em conjunto pais, educadores, professores, poderemos fazer diferente e com toda a certeza Melhor.

As crianças passam demasiado tempo na escola, para terem ainda de trazer o trabalho da escola para dentro de casa. Há crianças que saem de casa às 7h30m da manhã e só voltam 12h depois. Passam mais tempo na escola do que os pais nos seus trabalhos.

Claro que queremos acompanhar as suas aprendizagens, mas mais do mesmo é que não. Mesa, cadeira e fichas já têm suficiente. Em casa existem outras formas interessantes de desenvolver o que se aprendeu, cozinhando, fazendo listas de compras, caçando letras pela casa, pondo a mesa e contando talheres, enfim, haja imaginação.

O regresso a casa deve ser o regresso ao tempo em família, ao mimo, à brincadeira, ao não fazer nada, aproveitar o seu quarto, os seus brinquedos. Ora se quando chegamos a casa exaustos, com tudo o que ainda há para fazer, temos de pacientemente (se é coisa que não existe ao final do dia é paciência) sentar na secretária e insistir para que façam mais uma cópia, aperfeiçoem a letra…tem tudo para não correr bem. Até porque, depois dos Trabalhos de casa, ainda há os “trabalhos da casa”, arranjar tudo para o dia seguinte, roupas, lanches e afins.

HELENA GONÇALVES ROCHA

Não está provada qualquer correlação entre a realização dos trabalhos de casa e o sucesso escolar. Existem diversos estudos que comprovam que maior número de TPC realizados não correspondem a um maior êxito escolar.

O melhor motor para a aprendizagem é a curiosidade.  É sabido que é a curiosidade que despoleta o movimento, a criança move-se porque tem curiosidade de conhecer, de descobrir, de explorar. Mais tarde, à medida que vai adquirindo conhecimento a criança tem necessidade de pôr em prática esse conhecimento e correlacionar conceitos e para isso o que precisamos? De tempo, tempo livre, tempo de descoberta, tempo de ócio, para que novas coisas possam surgir. Depois de um dia intenso de escola, o tempo de “não fazer nada, não fazer mesmo nada” deve ser encarado como um tempo sagrado pela importância que assume no desenvolvimento infantil, quer ao nível cognitivo, quer emocional.

É essencial Brincar. Muito, mesmo muito. Todos os dias. Porque será que assim que ficamos preocupados com os resultados escolares o que salta logo é o brincar?  Será suficiente o intervalo da manhã e da hora de almoço? Claro que não .

Uma boa brincadeira é o maior motor de aprendizagem, da leitura, da escrita, das competências sociais.

Pais, mães, não nos acomodemos. É nossa responsabilidade ajudar os miúdos a crescerem, mantendo acesa a motivação e curiosidade sobre o Mundo, a vontade de aprender.

Desaceleremos um pouco… temos mesmo de garantir mais tempo de brincadeira às nossas crianças, para que possam crescer de forma harmoniosa. Porque Brincar é o que se faz quando se é Criança, não é Trabalhar…

Helena Gonçalves Rocha

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Olhar nos olhos

A IMPORTÂNCIA DE OLHAR NOS OLHOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Olhar nos olhos é um dos primeiros marcos de desenvolvimento alcançado pelos bebés, e é verdade que é também um dos momentos mais emocionantes! É neste momento que os pais percebem que o seu Bebé finalmente os “vê” e que eles são importantes e reconhecidos. Quando os olhos dos pais e do bebé se encontram, acontece algo muito especial, é estabelecida uma conexão emocional. O olhar trocado entre pais e filhos é uma experiência compartilhada que transmite informações sobre interesses e ligações recíprocas, bem como troca de gestos, expressões faciais e sorrisos.
É, sem dúvida, um primeiro enamoramento que se vai desenvolvendo ao longo do crescimento da criança.

Porém, nos dias de hoje, algo assombra este primeiro enamoramento, esta troca de olhares cúmplices…Na minha prática profissional diária sou confrontada com bebés de olhar esquivo, crianças que parece que não ouvem, pois não olham, crianças com dificuldades de manutenção da atenção, dificuldades na interação e controlo de impulsos e basta olhar à nossa volta e deparamo-nos com:

Um bebé que é embalado ao som da música e imagem de um ecrã; um bebé que chama “mãe, mãe” e que ouve a voz, mas não recebe o olhar de sua mãe pois esta não pode, de forma alguma desviar o olhar do ecrã… Crianças que só comem com um tablet à frente, crianças que só adormecem à frente do ecrã, crianças que fazem birras demoníacas quando são privadas do ecrã…

PÁRA TUDO!…

E a relação onde está, a troca de olhares?
Mais tarde então deparamo-nos com meninos que não param que não prestam atenção, quando muitas vezes têm muita falta de treino de “Olhar”.

Olhar nos olhos

Mas como podem os pais encorajar o contato visual, a troca de olhares?
A troca demorada de olhar entre pais e bebés são naturais e alegres. No entanto, cada bebé, pai e mãe têm suas próprias características, necessidades e tendências e é preciso tempo para encontrar o equilíbrio certo para todos os envolvidos.

Aqui estão algumas dicas sobre como ajustar e mediar o mundo para o seu bebé, levando em consideração as suas particularidades, tendências e necessidades:

Não espere um olhar longo e focado.

Você não pode forçar um bebé a fazer contato visual especialmente quando ele está com fome, cansado ou incomodado. Existem formas maravilhosas para encorajar gentilmente o olho no olho quando o bebé está contente e alerta.

Nos primeiros meses de vida, segurar o bebé cerca de 20-30 centímetros de distância da face do adulto facilita o olhar e o foco.

Quando o bebé estiver olhando diretamente para o pai, mãe ou cuidador, é uma oportunidade de interagir, sorrir, cantar, falar e gesticular no campo de visão da criança, mesmo que pareça estranho no início. Estas interações significativas são registradas na mente do bebé e afetam seu desenvolvimento.

Geralmente é melhor esperar até que o bebé olhe para o pai, mãe ou cuidador para, em seguida, estabelecer a comunicação. Quando ele olhar, não tente desviar o olhar antes que ele o faça.

A troca demorada de olhares é especialmente benéfica para estabelecer laços afetivos quando acompanhado de toque e / ou voz.

Quando o bebé olha para os pais ou para um objeto, apontando e nomeando, o desenvolvimento da linguagem flui com maior facilidade.

A face humana é um forte estímulo visual. Bebés, por vezes, precisam de uma pausa no fluxo do rico volume de informações que lhe são oferecidas. Quando o bebé vira a cabeça ou desvia o olhar, não é um sinal de desinteresse ou rejeição, mas sim a sua maneira de dizer “preciso de parar um bocadinho, eu necessito de algum tempo para processar tudo”.

É importante respeitar a capacidade sensorial do bebé. Alguns bebés são mais sensíveis à estimulação sensorial e podem evitar o contato visual com mais frequência. Outros bebés podem realmente precisar de estimulação intensa, a fim de se concentrarem e apreciarem gestos mais visíveis e caretas engraçadas.

E mais tarde? Como podemos ajudar a criança que parece não ouvir? Que corre, corre e nunca nos fixa nos olhos?

Utilizo habitualmente uma estratégia meio divertida com os miúdos mais velhos, fito-os nos olhos e digo “Look me in the eyes”, acompanhado do gesto de interacção entre os olhos e de um ar bem ameaçador. Ridículo? Talvez, mas resulta… É uma coisa meio de filme policial…

A versão para os mais pequenos passa pelo “Estou te a ver…”.

Estas estratégias que se associam a gestos e “dizeres meio descabidos” são ótimos para a criança reter na sua memória auditiva e visual e como qualquer criança tudo o que pareça “palhaçada” acaba por dar vontade de fazer.

Outra sugestão passa por, sempre que a criança solicita algo, aproveitarmos a oportunidade e aguardarmos que ela nos olhe nos olhos para acedermos ao seu pedido.

Reforçar positivamente sempre que a criança realiza uma troca de olhar.

Por vezes as situações não tão simples e será necessário consultar um especialista, mas habitualmente as situações de inatenção, irrequietude e “falta de ouvido” resolvem-se com um simples Olhar. Criança que não olha aprende com muito mais dificuldade.

Não esqueça o olhar é o primeiro marco de desenvolvimento e interação emocional do bebé, tratemos com cuidado com este momento especial.

Caso experimente estas estratégias ou tenha dúvidas relativamente a este assunto, não hesite e partilhe connosco!

Helena Gonçalves Rocha

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Birras

7 ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM AS BIRRAS DO FINAL DO DIA. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

As crianças muitas vezes desfazem-se em birras ao final do dia quando vêm para casa. Aqui fica o porquê e como lidar.

Prepare-se!! O seu filho pode vir da escola ou do jardim de infância e assim que chega a casa desfaz-se em birra aos seus pés! Eu chamo-lhe o “Rebentar da Bolha”! E que explosão que é…

Na verdade, este fenómeno pode também ser observado no seu companheiro ou em si mesma. Durante o dia você dirige, orienta, produz, sorri, empatiza, pensa e retém alguns pensamentos no seu cérebro interior que adoraria dizer em alta voz, porém, assim que passa a porta de casa transforma-se numa pessoa impaciente, antipática e nada apetecível.

E qual a razão para que isto aconteça?

Mantermo-nos mentalmente motivadas, com contenção emocional e com controlo físico suficiente para nos apresentarmos no nosso melhor quer no nosso local de trabalho, quer seja no jardim de infância ou na escola, requer uma energia inigualável

Fazemos um esforço enorme para não perdermos o controlo, não discutirmos com o colega de trabalho ou com os clientes, com o risco de perdermos o nosso emprego. Os miúdos tentam “portar-se bem” de modo a não serem postos de castigo, perderem o tempo de recreio ou levarem falta disciplinar. Quantas vezes durante o dia você tem vontade de gentilmente enviar alguém para “aquela parte” ou fugir para a casa de banho a chorar? Mas não o fazemos – não o fazemos porque temos de continuar a ser boas pessoas e manter um ambiente pacífico.

Depois de um dia inteiro a controlar todos estes impulsos e emoções, chegamos a um ponto que a nossa “Bolha “ enche de tal forma que de alguma forma terá de rebentar.

A minha filha adorava a escola e tudo o que lá fazia, mas houve uma determinada altura em que raro era o dia em que não se desfazia em lágrimas assim que chegava ao carro. Ela não fazia ideia donde vinham as lágrimas e porque chorava, mas eu sabia…o esforço para fazer tudo bem, corresponder às expectativas era tanto, que assim que se apanhava comigo e se sentia segura e confortada, descomprimia e chorava e depois passava.

Existem algumas estratégias que podemos ensinar aos nossos filhos para que possam lentamente ir esvaziando a Bolha que habitualmente rebenta assim que chegam a casa. Poderá também experimentar estas 7 estratégias com o seu companheiro.

#1 Faça conexões positivas
Receba a sua criança com um sorriso e um abraço em vez de, “Tens trabalhos de casa?” ou “Já soube que hoje te meteste em sarilhos”. Tal como é escusado perguntar “ Como correu o teu dia?”. Ninguém, mas ninguém, quer responder a estas perguntas.

#2 Arranje espaço
Dê tempo ao seu filho para ouvir os seus próprios pensamentos logo após o momento em que o vai buscar. Se for a conduzir ligue o radio e permaneça em silêncio. Se for a caminhar fale pouco ou comente as pequenas coisas que vão observando “Olha, viste aquele passarinho amarelo tão pequenino?”. Esta não é a melhor altura para grandes conversas.

#3 Dê-lhe comida
Muitas crianças reagem melhor se não lhes perguntarmos “Tens fome?” Assuma que o depósito do seu filho está vazio quando chega a casa. Reabasteça o depósito disponibilizando-lhe a comida sem dizer nada. Alimentos do “bem”, fruta fresca, queijo ou uma mão cheia de frutos secos irão dar-lhe o impulso de energia que precisam.

#4 Reduza a desordem da casa e o barulho
As pessoas são habitualmente condicionadas pelo ambiente – umas mais do que outras. Eu sei que as manhãs com crianças são habitualmente caóticas, mas chegar a casa e encontrar uma casa que parece que foi “assaltada”, não ajuda a retornar à calma. Assim, desde há uns tempos para cá, decidi instalar novas rotinas, que me permitam organizar tudo à noite, pequenos almoços, roupas, ou então levantar-me mais cedo para que possa haver alguma ordem no período da manhã e no final do dia.   Há tempos dediquei um post a este tema,  “ O Inferno Matinal como transformá-lo em Paraíso” .

Isto porque ao chegar a casa vinda do trabalho ou da escola, aspirar a casa não me parece o melhor programa!

Birra

#5 Mantenha-se conectado durante o dia
Utilize uma estratégia adequada à personalidade e idade de cada um de modo a manter-se conectado com a sua criança. Podem ser post-its na lancheira, um SMS de boa sorte, enfim o que a sua criatividade mandar. (Esta estratégia também é bastante eficaz com o seu companheiro(a), EVITE mesmo, os questionários: Onde estás? O que estás a fazer? É só para lembrar que existem pontes entre nós! “Gostei muito da nossa conversa de ontem. Estou orgulhosa de Ti! “)

#6 Providencie Tempo De Descompressão
Dependendo da personalidade do seu filho, providencie uma forma de descomprimir ao fim do dia. Dê a oportunidade ao seu filho para que seja ele a iniciar a conversa quando estiver pronto para isso. Quando isso acontecer, poderá aí perguntar-lhe se houve algum momento mais intenso emocionalmente durante o dia.

Lembre-se também de usar a “terapia da brincadeira” com o seu filho, mesmo que já seja um adolescente! As pessoas descomprimem muito pela brincadeira, pois ajuda a processar todos os acontecimentos do dia. Providencie também tempo para que possam não fazer nada, descansar ou brincar lá fora. As crianças mais novas gostam muitas vezes de brincar às lutas, correr, ou fazer uma Guerra de cócegas. Já os mais velhos apreciam ir dar um passeio de bicicleta ou tocar um instrumento.

Cá para mim a melhor maneira de descomprimir com os miúdos sempre foi pôr a música aos berros e dançar como se ninguém nos tivesse a ver.

#7 Divirtam-Se
“O riso liberta a mesma tensão que as lágrimas”. Divertir-se é uma forma esplêndida para libertar a tensão.

E agora confesse lá, a sua criança também rebenta a bolha e se desfaz em birra quando chega a casa?
Que estratégias utiliza? Precisamos todos de novas ideias neste momento que por vezes é tão difícil.

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Helena Gonçalves Rocha

MAIS AUTONOMIA TORNA AS CRIANÇAS MAIS RESILIENTES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não há volta a dar, iniciou-se um novo ano, tempo em que procuramos rever atitudes e fazer mudanças.

O meu grande objetivo continua a ser o desacelerar e o simplificar, para além da conjugação de um outro verbo: Respirar! Lembram-se no último post que vos falei da importância de respirar?  Em momentos de maior inquietude e aflição ajuda imenso. Huumm…Phhhhh…

Mas na verdade cada vez me inquieta mais a falta de autonomia que providenciamos às nossas crianças E nada melhor que aproveitar este momento do reinício escolar para traçarmos metas e nelas investir.

Que tal investir em estimular a capacidade de lidar melhor com as adversidades e superá-las, ou seja, estimular a nossa resiliência?

A promoção da autonomia é uma das formas privilegiadas de estimular a resiliência.

Falemos por exemplo das deslocações para a escola. Quantas crianças entre os 8 e os 13 anos se deslocam de forma autónoma para a sua escola?
Em 2013 , a Faculdade de Motricidade Humana realizou um estudo sobre a mobilidade independente em Portugal, questionando os pais sobre quais as razões que os levavam a transportar os seus filhos para a escola, a razão invocada com maior percentagem relacionava-se com o trânsito, logo seguida do medo dos adultos.

Recordo-me claramente do dia em que me foi dada permissão de ir a pé sozinha para a escola, teria uns 7 anos. Era supervisionada para atravessar a estrada e de seguida lá ia eu, orgulhosamente SOZINHA. (Anos mais tarde, o meu pai confessou que me acompanhava durante todo o trajecto bem de longe). Recordo-me também da sensação que estes pequenos passos me transmitiam, Sou Capaz, Sou Crescida, Sou de Confiança!

Pequenos passos com os quais podemos ajudar as nossas crianças a crescerem, ir fazer uma compra ao mini-mercado, pedir um gelado no café mais próximo, deixá-los fazer pequenos trajetos a pé.

Já dizia João dos Santos, o maior pedopsiquiatra e psicopedagogo português, educar é um vai e vem entre dar proximidade para dar segurança e dar distanciamento para dar autonomia. Quando precisam de segurança damos afectos, quando precisam de autonomia damos distância.

Acho mesmo vergonhosos que cada vez mais as crianças e adolescentes sejam deixados diretamente no portão. Assistimos atualmente a uma parada de automóveis às portas dos colégios e escolas secundárias nas horas de entradas e saídas que não permitem que os miúdos logo de manhã dêem mais de 50 passos. Para além das questões da autonomia, falamos também das questões da mobilidade, do sedentarismo que progressivamente se instala nas novas gerações.

Antes de iniciar o seu trabalho de atenção e foco do período escolar, a criança beneficia de realizar alguma atividade física, que pode bem ser uma caminhada, que lhe permita ativar o seu estado de alerta e facilite a manutenção da atenção no período de tempo que se segue.

Como tal, se aceita o desafio de estabelecer novas metas e contrariar as tendências, deixe o seu carro mais longe e faça uma caminhada matinal, se ele já tiver idade (10/12 anos) incentive-o a utilizar os transportes públicos, deixe-o fazer “coisas” sozinho. Tudo isto irá promover a sua Autonomia e aumentar a sua capacidade de resiliência, ou seja, a sua capacidade de resolução de problemas.

autonomia nas crianças

E afinal não é isso que todos desejamos para os nossos filhos? Que sejam autónomos, que consigam encontrar soluções para os seus problemas?

Se assim for, é altura de definir novas metas e fazer do seu filho uma criança mais autónoma. Acredite nele, ele é mesmo capaz!

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Regresso às aulas

5 DICAS PARA SUAVIZAR A RENTRÉE ESCOLAR. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

As férias são habitualmente um período em que conseguimos “desligar” do resto do ano, aproveitar o tempo, usufruir mais da relação com os outros e principalmente apreciar o crescimento e desenvolvimento desenfreado dos nossos filhos.

Conciliar horários dos miúdos com as nossas atividades profissionais, organizar a alimentação, organizar todo o material e manuais escolares, gerir ansiedades, organizar boleias, explicações, salas de estudo, natação, dia dos avós…Enfim já estou a hiperventilar e ainda vou a meio…

Vamos lá por partes para ver se isto corre melhor!

Respire fundo e repita para si mesmo: “Eu não sou uma Super Mulher (ou Super Homem), mas sei que vou conseguir, uma etapa de cada vez!”
Por vezes dispomo-nos a alcançar objetivos inalcançáveis, respire…uma etapa de cada vez. Ainda agora veio de férias, não se canse já!

#1 Retome as rotinas do sono!
Por esta altura já seria recomendável que os miúdos se começassem a deitar mais cedo e progressivamente a levantar mais cedo, aproximando-se da hora de levantar em tempo de aulas.

Não se esqueça de desligar os aparelhos eletrónicos (TV, Tablets e telefones) 1h antes da hora prevista para dormir. A dificuldade nesta altura do ano é acrescida pois muitas vezes ainda não é noite escura, o truque será ir reduzindo a actividade, o som e a luz presente no ambiente.

Rotina do sono

Rotinas do sono

#2 Retome os hábitos alimentares saudáveis!
Cá em casa traduz-se em ter sopa na mesa todos os dias (no Verão têm direito a comer sopa em regime facultativo, está muito calor e impera o gaspacho). Aproveite o final de semana para planear a ementa semanal, adiantar algumas refeições e snacks para os miúdos levarem para a escola. Não se esqueça, habitue-os a saberem o que estão a comer e qual a sua origem. Está mais que provado que os alimentos processados estão na origem da obesidade e de outras doenças atuais.

Organize o pequeno almoço na noite anterior e peça a colaboração dos miúdos.

Retome os hábitos alimentares saudáveis

Retome os hábitos alimentares saudáveis

#3 Envolva os seus filhos na organização do material escolar!
Consoante a idade dos seus filhos mantenha-os envolvidos na organização do material escolar, quer seja pedindo-lhes que revejam o material do ano anterior e que listem quais as suas necessidades, quer sejam na atividade de forrarem os livros, quer na escolha da mochila e decoração do material.

Organização do material escolar

Organização do material escolar

#4 Escolher as roupas a serem usadas.
Dê uma volta ao armário e organize atempadamente a roupa que irão usar na primeira semana de aulas. Tudo o que puder ser feito na noite anterior, suaviza as birras da manhã.

#5 Volte a respirar fundo e repita para si mesmo “ Os miúdos estão tão crescidos, isto passa depressa demais, vamos lá aproveitar!”
Esta sim, é a maior das verdades, descomplique! Não vale a pena…este tempo passa depressa demais, aborreça-se só com aquilo que realmente valer a pena. Se calhar o miúdo pode ir para a escola com a roupa já meio suja do pequeno, importante mesmo é que tome o pequeno almoço e chegue a horas…

Como mãe de dois adolescentes vejo agora o tempo que perdi com “coisinhas” que não valem a pena, aproveite converse com elas e veja como estão tão crescidos depois das férias!

Boa reentrée escolar para toda a Família, para os que regressam à escola e para os que levam à escola!

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Helena Gonçalves Rocha

JÁ SEI ANDAR DE BICICLETA! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

“Olha Pai… sem mãos, sem pés, sem dentes….”

Na minha “modesta opinião”, andar de bicicleta é tão importante como saber andar e saber nadar. São competências básicas e essenciais que nos vão ser úteis ao longo da vida.

Não podemos retirar aos nossos filhos a oportunidade de andar de bicicleta, sem rumo, com um grupo de amigos, mais tarde experimentar um passeio romântico de bicicleta sentindo a brisa do vento no rosto, conhecer qualquer cidade europeia de bicicleta, poder escolher um meio de transporte ecológico e saudável…enfim, os benefícios são múltiplos ao longo da vida.

Na minha “opinião de especialista”, em desenvolvimento infantil e na área da psicomotricidade, andar de bicicleta é uma aprendizagem essencial no desenvolvimento do equilíbrio estático e dinâmico, da coordenação motora, da lateralidade e orientação espacial e também na promoção da autonomia e auto-estima da criança. Conduzir um veículo e poder escolher a direção para onde vou é sem dúvida uma experiência inigualável e que é merecedora de atenção.

bicicleta sem pedais

Nos últimos anos, a balance bike, como é conhecida mundialmente, ganhou muitos adeptos entre os pais, como a primeira bicicleta dos seus filhos. Sem pedais e sem travões, tem como principal objetivo desenvolver o equilíbrio da criança.

Mas porquê uma bicicleta sem pedais e travões?
Parece uma ideia assustadora? Pois bem, vai mudar de ideias quando perceber as vantagens que ela traz! Uma das primeiras é a autonomia, já que a criança aprende a usar a bicicleta de equilíbrio sozinha, sem precisar de ajuda. As quedas, quando acontecem, acabam por ser leves e sem grandes consequências, o que é um alívio para os pais, principalmente os de primeira viagem.

Se a criança sente que vai cair, ela coloca novamente os pés no chão e impede essa queda. Ela tem autonomia para usar os pés como travões, com base no balanço que já leva.

Bicicleta sem pedais para aprender a pedalar mais cedo!
Na verdade, a bicicleta convencional, com pedais e travões, quando usada desde muito cedo, precisa de rodas auxiliares ou de apoio, as famosas rodinhas, e exige que a criança faça várias aprendizagens ao mesmo tempo, como pedalar, imprimir força ao movimento, direcionar a bicicleta e ainda travar. O mais importante, que é o equilíbrio, acaba ficando em segundo plano e só será exercitado quando a criança decide ou quer retirar as rodas de apoio.

Com a bicicleta sem pedais, o primeiro item a ser desenvolvido é exatamente o equilíbrio, o que faz com que a criança aprenda a usar uma bicicleta convencional, ou pedalar, até mais cedo do que as crianças que não experimentaram a aventura que é a balance bike.

Esta bicicleta funciona assim: a criança tem que dar impulso com os pés para que a bicicleta ande. Aos poucos, o pequeno ciclista começara a equilibrar-se em duas rodas, adquirindo a segurança para pisar no chão somente no momento em que precisa.

A partir dos 18 meses e com a marcha já completamente adquirida é possível iniciar este treino para as melhores voltinhas ao quarteirão.

Helena Gonçalves Rocha

Ajude o seu filho a crescer e usufrua dos primeiros passeios de bicicleta, todos juntos, em Família!
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8 COISAS PARA FAZER ENQUANTO ESPERAMOS COM CRIANÇAS. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Todas estas sugestões foram devidamente testadas e garantidamente vão deixar as suas crianças um pouco mais felizes enquanto aguardam pela refeição no restaurante (ou em qualquer outro local onde tenham de esperar). Sim, podemos esperar com crianças pequenas! Não, não temos de lhes entregar os telemóveis ou tablets.

Quantos queres
Ainda se lembram como se faz? Giro de fazer e ainda mais divertido quando colocamos as mensagens debaixo das cores. No outro dia fiz com a minha filha já crescida, mas desta vez com tarefas. “ Toca com a língua no cotovelo”; “Levanta uma sobrancelha” e outras figuras rídiculas do género, resultado? Risota total…

quantos queres

 Adivinha em que mão
Um clássico, pegamos em qualquer objeto que esteja alçi à mão, em último caso uma moeda, metemos na mão, escondemos atrás das costas e…Adivinha em que mão está?

Eu vejo…
Olhando à nossa volta escolhemos um objeto e vamos fazendo a sua descrição: “ Eu vejo… uma coisa verde, com água lá dentro e…. “ “ É uma jarra, aquela ali…”
Para além de ser divertido, a minha vertente terapêutica está sempre alerta, podemos desenvolver a atenção, aumentar o vocabulário, enfim…

Objetos que desaparecem
Reúna um grupo de objetos no meio da mesa. Diga ao seu filho para olhar com atenção para todos eles e de seguida terá que fechar os olhos. Retire um objeto e veja se o seu filho consegue dizer qual o objeto que falta. Lá vem o inevitável objetivo terapêutico, excelente para desenvolver a atenção e a memória a curto prazo.

Jogos de dedos
Ora cá está um jogo fácil e para o qual temos o material sempre à “mão”. Quem se recorda do “Bico, bico, sarrabico, quem te deu tamanho bico? Foi o gato da vizinha que roubou uma sardinha. Os cavalos a correr, as meninas a prender, qual será a mais bonita que se irá esconder?” E lá vai um dedo a ser escondido…
E quem conhece o “Pedra, Papel, Tesoura”. Os dois jogadores em simultâneo mostram a sua mão, a pedra ganha à tesoura, a tesoura ganha ao papel, o papel ganha à pedra…perguntem aos mais pequenos que eles vão ensinar-vos com toda a certeza.
Existem muitos jogos de dedos e muitos são aqueles que podem ser inventados, os miúdos hoje em dia precisam mesmo de exercitar os dedos, atreva-se e invente, invente muito.

Jogo dos dedos

Inventar histórias sobre as pessoas que vemos.
Deste jogo eu recordo-me especialmente de jogar com a minha irmã nas filas de trânsito. “Tem cara de…advogado.” “Porquê?” “ Não vês os óculos e a maneira como fala…é de certeza”. “Olha, aquela zangou-se com o namorado” “ A outra tem ar de bruxa, já fez hoje seis feitiços”. Este jogo alimenta a imaginação e criatividade sem dúvida alguma e levará a surgirem uns bons contadores de histórias.

Ler um livro
As malas das mães são aquela coisa fantástica e surpreendente donde tudo e qualquer coisa poderá surgir. Pois bem, em tempos de espera é sempre bom meter um ou dois livros na bagagem.

Entrevista rápida
Este é um jogo que inventamos para jogar à noite, no carro ou em momentos de  espera e aborrecimento. É muito simples. O entrevistador faz perguntas rápidas aos miúdos.

  • Preferias viver debaixo de água ou no espaço?
  • Qual é o teu legume preferido?
  • Gostavas mais de ser um gnomo ou uma fada?
  • Qual é a fase da Lua que tu preferes?
  • Quantos filhos queres ter quando cresceres?
  • Se pudesses ter qualquer animal como animal de estimação, qual escolherias?
  • Bicicleta ou skate?

E por aí fora. Os miúdos adoram este jogo, eu penso que será porque gostam de ser ouvidos e de partilhar as suas opiniões.

Espero que estes jogos vos possam ajudar nos vossos próximos tempos de espera, seja no restaurante, no carro ou na sala de espera do pediatra.

Conto com os vossos contributos para partilharem os vossos jogos preferidos.
Até para a semana e divirtam-se!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
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familiaTV

AFINAL DE QUEM É O COMANDO? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Cada vez mais ouço os pais a dizerem:

”Nunca mais vi as notícias, está sempre nos desenhos animados”,

“Não temos autorização para ver mais nada que não sejam bonecos, ainda por cima agora dão a toda a hora”,

STOP! O que é isto?

Afinal de quem é o comando?
Onde estão os limites e a correta definição dos papéis na família?
Quem gere o tempo familiar e de lazer? São crianças de 5 anos?

Tento sempre compreender e empatizar. É difícil, o tempo é muito pouco e ainda por cima quando estamos com eles vamos contrariá-los? OK…será que o nosso receio é que os nossos filhos deixem de gostar de nós? Deixem de ser felizes?

É aqui que temos de parar e pensar…Embora tenhamos as melhores das intenções , as crianças não têm a maturidade para fazer este tipo de escolhas, e aliás, ficam bastante confusas quando têm de o fazer.

Por vezes, coisas tão simples como o controlo do comando da TV, acabam por ser generalizadas às restantes rotinas.

Senão vejamos, quando chega a hora de ir para a cama, não raras são as vezes em que os adultos não conseguem impor a sua vontade e os miúdos acabam por adormecer frente à TV.

Ao longo do seu desenvolvimento as crianças precisam de entender que existem diferentes papéis, desempenhados por diferentes pessoas. O local onde tudo se ensaia antes de sair para o Mundo lá fora, é mesmo a nossa própria casa, a nossa própria Família.

Um exercício importante que ajuda a compreender os diferentes papéis de cada um, passa-se à mesa de jantar. Mais uma vez, as rotinas assumem um papel de extrema importância na estabilidade emocional e segurança da criança. Cada elemento da família deverá ter o seu lugar definido, os adultos deverão ditar as regras da refeição, quando se inicia e quando acaba. Muitas das vezes e ao longo do crescimento é engraçado verificar como os miúdos tentam ocupar o lugar dos adultos, testando os limites. Recordo sempre o episódio da minha filha que muitas vezes tentava assumir o meu lugar, dizendo “Eu sou a Rainha” e invariavelmente ouvia “ A Rainha do meu coração, mas cá em casa és a Princesa, que a Rainha sou EU”!

Não querendo parecer saudosista creio que todos nos recordamos como era diferente na nossa infância e como eram claros os papéis nessa época. Interromper o Telejornal? Nem pensar…A verdade é que este, é o ensaio do Mundo que os espera lá fora, o professor que lidera a aula, o chefe no local de trabalho…

E pergunto, será que não os estamos a deixar mais felizes quando os preparamos desta forma? Diferentes papéis, limites, competências para resistir à frustração?

Peço desculpa pelo desabafo, mas esta é uma inquietação que me vai incomodando há já algum tempo.

Fiquem bem e boa semana!
Helena Gonçalves Rocha

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Helena Gonçalves Rocha

MIÚDOS SUJOS, SÃO MIÚDOS FELIZES! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não vás para aí que ficas todo sujo! Sacode as calças, olha que porcaria!

A comer com as mãos, que horror…. Põe-lhe um babete e limpa-lhe as mãozinhas!

Já ouvimos estes comentários e outros do género inúmeras vezes, verdade?

Pois bem, parece que é mesmo preferível estar exposto aos micróbios, à terra e a outras porcarias do que desinfectar constantemente o mundo em que o bebé e a criança se movimentam. Porquê? Porque esta é uma forma de adquirir imunidade e prevenir as doenças, nomeadamente as de foro alérgico.

O que não se sabia até agora é que, além de fazer bem para a saúde do organismo, pode fazer bem também para a saúde da mente. Crescer num ambiente limpinho demais, sem contato algum com germes e micróbios (que evoluíram anos e mais com anos connosco)  deixa-nos mais propensos a ter doenças como alergias, problemas respiratórios e autoimunes -aliás, após o mundo ter ficado tão asséptico, essas doenças só aumentaram.
A novidade que os cientistas descobriram é que essa hipótese de excesso de limpeza explicaria também o aumento de certos problemas de saúde mental.  No estudo encontrado, o aumento das mesmas doenças foi também ligado à depressão e à ansiedade. E segundo a pesquisa, o aumento das doenças inflamatórias, como no intestino, aumentam também o risco de desenvolver depressão.

Perante isto parece que temos suficientes motivos para que aprecie as suas crianças a brincar na terra, numa boa lama, sem restrições…

Quando o seu filho chegar a casa todo sujo da escola ou de brincar com os amigos, lembre-se como vai ter saudades deste tempo, em que o único objetivo era brincar. Pegue no seu melhor detergente e atire a roupa para a máquina, sai tudo… Só não saem as boas recordações das brincadeiras!

Helena Gonçalves Rocha

Para além disso, nos primeiros anos de vida o bebé conhece o mundo através da sua cavidade oral (a boca, de forma mais simples), por isso passa a vida a pôr os objetos na boca, pois esta é uma das formas de os conhecer melhor ( a culpa não é só dos dentes) .

Na rotina da alimentação é essencial que deixemos as crianças experimentarem de forma autónoma os alimentos, que os explorem e por vezes que brinquem com eles. Mas que grande porcaria, dirão muitos de vocês. Cozinha suja, miúdo sujo, mas vejamos melhor…miúdo muito satisfeito.

E convenhamos, esta fase passa a correr, a cozinha limpa-se num instante e ganhamos um miúdo feliz e com um apetite e paladar apurado.

E perguntarão vocês, e a boa educação? O saber comportar-se à mesa da refeição?

Como em tudo, reina o bom senso e acreditem esta fase passa e eles aprendem na perfeição e tornam-se uns exímios apreciadores de comida.

Aproveite estas férias para os deixar fazerem todas estas experiências e por favor, brinquem muito e sujem-se muito também!

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.