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JÁ CHEGOU O MUNDIAL E A CADERNETA DE CROMOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

É verdade cá temos novamente uma maratona de Futebol, senão é o Euro é o Mundial, não há como negar a cultura futebolística, mesmo para os que não apreciam, dia em que joga Portugal, o país pára e sustém a respiração…

Invariavelmente com cada Campeonato de Futebol vem também a sua própria caderneta de cromos, com folhas reservadas às equipas de cada país. E confesso que por vezes vejo “cada cromo da bola”!

Mas por que raio é que estou eu a falar do Mundial e da caderneta de cromos? É que esta é mais uma oportunidade de aprendizagem a vários níveis. E, se for como eu, que não é grande fã do futebol, aproveite algumas destas dicas para que esta coleção valha mesmo a pena:

# Literacia financeira

– Organize em conjunto com o seu filho um orçamento para a aquisição de cromos semanal (somente um x de pacotes de cromos por semana). Tudo o resto será ele que terá de conquistar, realizando pequenas tarefas para angariar fundos, trocando com os amigos, haja criatividade… (por favor pais, não vale facilitar, nem batotas nem fazer por eles. Se estiver assim tão entusiasmado, compre uma caderneta para si!

# Classificação e organização

– Ajude a organizar os cromos por número, por países. Oriente o seu filho para que vá marcando na lista global que acompanha a caderneta, os cromos que já tem.
– Ajude-o a criar uma nova lista de cromos que estão em falta e oriente-o para organizar os cromos repetidos.

# Motricidade fina

– Oriente o seu filho para que seja ele a descolar os cromos e a colá-los diretamente na caderneta (pode não ficar perfeito, mas é o trabalho dele. Se quiser uma caderneta perfeita, volto a dizer, compre uma caderneta para si!

# Relações interpessoais

– Promova a troca de cromos com os amigos, já existem grupos organizados e tudo. Mais uma vez contenha-se, quem deverá efetivar as trocas serão as crianças e não os pais. Recordo-me há alguns anos quando também tive cadernetas de cromos cá em casa que no bairro próximo de nós se organizavam grupos de trocas aos domingos de manhã e como o meu filho tentava que fosse eu a efetivar as trocas sem sucesso. Foi uma aprendizagem importante e devemos incentivá-los a fazê-lo. Mais uma vez, se quiser trocar cromos no emprego, via net para que a coleção acabe depressa, compre uma caderneta para si!

# Conhecimento do Mundo ( Geografia e cultura)

– Aproveite  para localizar no mapa as diferentes equipas que vão colecionando, fale um pouco sobre a sua cultura.  Saber onde fica a Argentina, quais são as suas tradições, que tipo de clima têm por lá, vai com certeza aumentar a curiosidade do seu filho sobre todos os países que participam no Mundial de Futebol 2018.

# Promover a leitura e a escrita

– De acordo com o nível de escolaridade do seu filho pode solicitar-lhe que elabore listas, por exemplo, ou que identifique todos os países que começam com determinada letra ou quem são os jogadores que têm no nome a letra L. Só tem que puxar um pouco pela sua criatividade.

# Promover os conceitos matemáticos

– Regularmente podem quantificar todos os cromos e fazer o cálculo de quantos faltam para terminar. Podem organizar os cromos por ordem crescente ou decrescente.

Afinal uma coleção de cromos, não é só uma coleção de cromos pode mesmo conter infinitas oportunidades de aprendizagem.
Experimente e ficaria mesmo muito contente de saber quais as atividades que conseguiu fazer e reinventar. E lembre-se, se quiser aquela coleção de cromos mesmo perfeitinha, compre uma para si!

Bom Mundial de futebol 2018 e que ganhe Portugal!

Helena Gonçalves Rocha

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Foto:D.R

 

 

dificuldade motora

“QUASE METADE DOS ALUNOS DE 2º ANO COM DIFICULDADES MOTORAS”. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Espanto? Claro que não… Será que é desta que se vão conseguir acordar consciências? Será que é desta que se vai entender que as crianças precisam de movimento, que as crianças precisam de brincar, que as crianças precisam de descobrir o seu próprio corpo?

(Movendo-se, não através de fotografias ou de o visionamento de um vídeo sobre o tema.)

Será agora que os miúdos podem finalmente mexer-se? Confesso que começo a ficar cansada de tanto adulto impaciente com a irrequietude dos miúdos, com tanto adulto a querer que fiquem sentados e sossegados (mesmo que seja aos 3 anos, parece impossível…), de tanto adulto a sugerir a toma de medicação porque os miúdos se mexem demais.

Bom, será que as provas de aferição vão ter alguma utilidade? Será que finalmente os adultos, pais e educadores, irão perceber que para além da Matemática e da importância das Línguas Estrangeiras, os miúdos têm que conhecer e dominar o seu corpo até ao final das suas vidas?

Será que estes resultados nas provas de aferição, aliado ao facto de sermos os vice-campeões europeus em obesidade infantil, vão finalmente gerar mudanças?

E quando me refiro a mudanças, não coloco o único enfoque na forma como a educação física é lecionada no 1º ciclo, sim, claro que este é um fator importante, mas, não será muito mais importante a forma como os pais e educadores priorizam a atividade física na rotina diária das crianças?

Não será mais importante que os recreios estejam equipados com materiais e atividades que desafiem as nossas crianças, que lhes permitam uma adequada exploração motora?

Não será mais importante para as nossas crianças que aos fins de semana as idas ao shopping sejam substituídas por longas caminhadas pela Natureza?

Será que temos noção da verdadeira dimensão que devemos atribuir ao facto de um terço dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras manifestarem dificuldades em participar num jogo de grupo. Será que percebemos qual a verdadeira dimensão em termos futuros? Será que percebemos que no futuro o trabalho de equipa está em risco?  Será que entendemos que as interações geradas na prática de desportos coletivos na infância e adolescência são verdadeiras Faculdades para a vida no treino das competências sociais?

Será que damos a devida importância ao facto de 46% dos alunos não terem conseguido dar seis saltos consecutivos à corda e como este é um factor determinante ao nível do equilíbrio e planeamento motor, factores estes intimamente relacionados com a Atenção.

Sim, com a Atenção, agora já despertei a vossa própria Atenção, não é? A Atenção que permite à criança aprender e permanecer na tarefa. Sabia que o equilíbrio é um factor fundamental para o desenvolvimento desta capacidade?

É hora de mudar, é hora de priorizar a saúde física e mental das nossas crianças.

Brinquemos mais, arrisquemos mais, permitamos mais contato com a Natureza, permitamos mais desafios, mais jogo livre e mais autonomia!

Helena Gonçalves Rocha

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Foto:D.R

Helena Gonçalves Rocha

AS BOAS MÃES E AS MÃES BOAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Aproxima-se mais um Dia da Mãe e torna-se inevitável abordar a questão: Afunal o que é uma Boa Mãe ou, o que torna uma Mãe Boa?

Nos dias que correm a pressão é imensa, uma “Boa Mãe” deverá despender de tempo de qualidade com os seus filhos, nutri-los adequadamente, pouco açúcar, sem alimentos processados e cheio de super alimentos o mais biológico possível. Deverá também exercer uma parentalidade positiva, evitar elevar a voz e respeitar os seus filhos em todas as suas diferenças. Nunca deverá esquecer de proporcionar a devida diversidade cultural, um pouco de música, dança, museus e muitas exposições. Para que tudo possa correr na perfeição deverá praticar o mindfulness com os seus filhos e manter abertos os canais de comunicação.

Nos tempos que correm não esquecer que também deverá ser uma “Mãe Boa”, ou seja, praticar desporto, manter-se o mais fitness possível, apresentando os melhores glúteos das redondezas e abdominais de betão.

Irra!!! Jamais me recordo da minha querida Mãe falar sobre parentalidade positiva, ou de ouvir falar em diversidade cultural aos fins de semana que não tivessem a ver com o interesse dos adultos. Nem sequer tínhamos hipótese de escolha, íamos e apreciávamos se quiséssemos e senão quiséssemos, íamos na mesma e incomodávamos o menos possível.

Relativamente à alimentação, recordo-me das iscas duas vezes por semana porque faziam bem, comer sopa a todas as refeições, sim porque: “O teu mal é fome!” e não tocar em refrigerantes nem em pastilhas que são muito prejudiciais à saúde.

Quanto a ser uma mãe fit, recordo-me da minha Mãe fazer ginástica e nos incentivar a praticar desporto. Sempre por uma questão de saúde e não para ficar a Mãe mais gira lá da rua.

Helena Gonçalves Rocha

Acredito que a minha Mãe nunca se debateu com dúvidas existenciais sobre se estaria a educar-nos na Perfeição, fazia o melhor possível e sei hoje, que fez um excelente trabalho. Muito amor e carinho, sempre a fazer-nos sentir muito especiais! Com muitas regras e limites, mas hoje aprecio e invejo, com uma tolerância fora do normal!

Muitas vezes tento perceber, para conseguir imitar nesta altura que sou mãe de adolescentes, como é que ela conseguia ser tão tolerante e paciente. Como conseguia dar-nos sempre uma mensagem positiva e de esperança nas nossas adversidades?

Hoje, todas nós Mães, sofremos uma grande pressão social para sermos as Mães Perfeitas, verdade que não me parece existir tal conceito. Até porque ser Mãe passa muito por uma grande dose de intuição e confiança, cada filho ensina-nos a ser Mãe à nossa maneira.

Está na hora de lermos menos, ouvirmos menos tantos conselhos acertados e está na hora de libertar-nos a verdadeira intuição, ouvirmos as nossas próprias emoções e lembramo-nos que para além de Boas Mães somos também Boas Pessoas.

E Boas Pessoas educam Boas Pessoas!
Helena Gonçalves Rocha

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Foto:D.R

jardim infancia

COMO ESCOLHER O JARDIM DE INFÂNCIA IDEAL? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

 

A passagem do ambiente familiar para um outro contexto em que a criança passa mais tempo ao cuidado de outras pessoas do que connosco é habitualmente um período de transição e mudança difícil. Muitas vezes mais difícil para os pais que têm a noção que a sua escolha e decisão poderá ter um importante impacto no desenvolvimento da criança.

A verdade é que tudo correrá melhor se confiarmos nas pessoas e instituição à qual entregamos o nosso filho durante um largo período do dia. Como tal é muito importante que este local se aproxime o mais possível das nossas crenças e valores. Pais diferentes procuram coisas diferentes, e há uma escola para cada pai e não existem jardins de infância perfeitos, no entanto existem uns que estão mais em sintonia com aquilo que nós privilegiamos.

Quando for fazer as suas visitas, a alguns dos locais elegidos, depois de ponderar o que é realmente importante para vós enquanto família, deverá levar em conta alguns factores importantes que o poderão ajudar a tomar a decisão mais acertada.

Adaptação: Todas as crianças, mais tarde ou mais cedo, acabam por se adaptar, mas isso não significa que o processo tenha sido o desejável. A grande diferença pode estar na forma como a instituição promove a adaptação. Há locais que respeitam o ritmo da criança e dos pais e há outros que sugerem (ou até impõem) que a adaptação seja feita logo nos primeiros dias, mesmo que a criança se mostre visivelmente angustiada. Recordo-me sempre da minha cara de horror quando em resposta à minha pergunta: E então como vamos fazer a adaptação? Me responderam: basta trazer o cobertor dela e uns lençóis e pode começar já amanhã!

Para que a separação seja a menos traumática possível, aconselho sempre uma abordagem gradual, contrária à “terapia de choque” ou “penso rápido”, em que nos primeiros dias a mãe ou pai podem estar presentes na sala, sem grandes pressas ou pressões, e em que o tempo em que a criança permanece no local vai evoluindo conforme a intuição dos pais. Mesmo que posteriormente ela fique a chorar, já existirá uma ligação prévia com o local e com as pessoas e não será um espaço totalmente novo e assustador. Assim, é sempre bom informar-se previamente se existem dias definidos para a adaptação ou se esta é ajustável às necessidades de cada criança, sem pressões ou agendas.

Acolhimento: Para além da adaptação inicial, importa ainda saber se ao longo do ano as crianças são entregues e recolhidas na recepção ou se há liberdade para os pais irem à sala, nem que seja num horário específico ao início e fim do dia, sobretudo na faixa etária das crianças que frequentam a creche. Embora em alguns sítios seja prática comum não haver acesso às salas, com argumentos vários que vão da higiene até à segurança, o que resulta dessa prática é uma barreira entre a família e a instituição, que acaba por ser um preditor dos valores em que assenta a direcção pedagógica. Uma direcção que aposta na relação e que quer efectivamente constituir uma ponte com a família, não coloca esse tipo de regra e prefere gerir situações delicadas que possam surgir dessa abertura do que vedar à partida o acesso dos pais. Quando se deixa uma criança numa creche ou jardim de infância, é importante perceber que não se está apenas a receber a criança, mas também a família, ou seja, acolher aquela criança é também saber acolher os pais e as suas angústias, trabalhando no sentido de os deixar progressivamente mais seguros e confiantes e, eventualmente, comunicando o que possa ser feito para melhorar diversos aspectos. Uma creche aberta sabe que a creche é um prolongamento da família e que quanto maior proximidade existir entre os educadores, os pais e as crianças, numa relação o mais informal possível, maior é o vínculo que se estabelece entre todos. A verdade é que quando há essa liberdade, com o passar do tempo, acaba por ser um processo natural os pais não precisarem de passar para lá da porta da sala, para além de que é muito recompensador para os pais, depois de um dia inteiro sem os filhos, poderem assisti-los no seu ambiente com os amigos quando os vão buscar.

Espaço exterior: Quando temos um bebé de poucos meses, nem sempre pensamos muito nesta questão. Isso muda muito rapidamente quando eles começam a andar e percebemos que estarem várias horas confinados a uma sala não é nada positivo. É visível a tensão de uma sala quando as crianças passam demasiado tempo lá dentro. Há creches que não têm espaço exterior e que compensam essa falta com as idas ao parque. Acontece que uma ida a um parque ali perto de vez em quando, ou até mesmo todos os dias, é muito pouco. Os miúdos precisam de brincar e explorar ao ar livre mais do que uma vez por dia e de preferência bastante tempo. Incluo ainda no espaço exterior a necessidade de existirem elementos da natureza, por oposição a um espaço estéril, com um piso todo por igual, demasiado “limpo”. Areia, terra, árvores ou plantas são essenciais, enquanto que um espaço arquitectónico de linhas rectas estilo “capa de revista” não acrescenta felicidade às crianças. Não se deixe deslumbrar pela beleza do local ou pelas condições físicas do espaço, mas pela qualidade de interacções que o seu filho pode ter no mesmo. Num espaço menos artificial, elas ficarão bastante mais sujas e, certamente, muito mais felizes. Claro que, relativamente a este tema eu sou claramente suspeita pois é um dos factores que mais privilegio. Cada vez mais as nossas crianças precisam do contacto com a Natureza e de brincar no exterior, recordem-se do reforço das imunidades!

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Sala: Aqui privilegia-se uma sala que seja ampla, arejada, luminosa e que não esteja demasiado “atafulhada”. É comum as creches terem cores muito garridas o que torna o espaço visualmente cansativo para quem lá passa parte do dia. Nesta mesma sala, onde eles possam circular livremente e onde as mesas e as cadeiras não ocupem quase tudo, é bom que a disposição dos brinquedos permita às crianças ter acesso a diversos espaços diferentes de brincadeira (espaço de pinturas, espaço de livros, espaço de brincar ao faz de conta com cozinha, bonecos, etc). Uma sala que oferece diferentes opções para a criança ir brincando com aquilo que lhe apetece é muito mais positivo do que ter as coisas guardadas em móveis para que seja a educadora a oferecer o que se vai fazer em cada momento.

Alimentação: Convém perceber se os alimentos são confeccionados no local ou são trazidos de fora. Se existe cuidado e diversidade no planeamento da ementa semanal e se são respeitadas as restrições de cada criança. Onde são dadas as refeições e quem são os adultos que as acompanham. É incentivada a autonomia na alimentação, de que forma?  Caso este seja um critério que prioriza, não tenha receio de solicitar a ementa, ver uma refeição ou quem sabe ser convidado para almoçar.

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Etapas/ritmos/transições: Todas as creches têm no projecto educativo a contemplação do respeito pelo ritmo das crianças. Acontece que, na prática, há ideias diferentes sobre o que é isto de respeitar o ritmo e facilmente encontramos bebés com 6 meses de idade a cumprir horários de sestas e de refeições. É importante que haja flexibilidade para ter bebés a dormir, a comer, a brincar ou a fazer a sua higiene em momentos muito diferentes, até que estes atinjam a maturidade suficiente para seguir um horário mais previsível. E isso acontece com alguns aos 9 meses, com outros aos 12 e com outros aos 15. Há os que começam a dormir apenas uma sesta por dia a certa idade e outros que mantêm a necessidade de duas sestas mais tempo. Até podem conseguir seguir esse ritmo, mas a questão é sempre: a que custo.

Por outro lado, se tivermos em conta os mais crescidos, há por vezes uma pressão mais ou menos subtil sobre o suposto timing em que a criança deve largar a fralda, a chucha ou comer perfeitamente com os talheres. Todas as crianças saudáveis atingem essas etapas, pelo que apressá-las só porque têm determinada idade pode ser muito contraproducente. Há médicos que alertam para o facto de existirem muitos casos de obstipação infantil devido à retirada precoce das fraldas e, no entanto, há muitas instituições que definem que aos 2 anos é suposto todos conseguirem largar as fraldas.

Afecto: Neste ponto é importante que não exista demasiada rotatividade de cuidadores e que o bebé/criança possa ter uma educadora e uma auxiliar previsíveis. Apesar de formalmente ser assim, nem sempre o é na realidade e entre múltiplos estagiários e afins, aquele bebé habituado ao colo dos pais, de repente anda constantemente em colos diferentes. Mesmo entre educadora e auxiliar, geralmente a criança tem uma que é a sua referência, com quem se sente mais segura.

Conhecer pessoalmente a educadora e a auxiliar da sala e poder observar um pouco a dinâmica da sala, pode também ser muito tranquilizador.

Perceber que atendem ao choro com empatia, que dão colo com a mesma facilidade com que distribuem lápis de cor, que acalmam a criança que está mais vulnerável, em vez de transmitirem discursos como “isto é só mimo” ou “não se podem habituar muito ao colo” pode ajudar a perceber qual o comportamento mais expectável quando nem sequer estamos presentes. Ainda existem crenças de que, por exemplo, um bebé se deve habituar a consolar e adormecer sozinho no berço, mesmo que esteja a chorar.

Métodos educativos: Embora os profissionais de educação, durante a sua formação, tenham acesso às teorias de desenvolvimento infantil e a formas positivas de lidar com os desafios das criança, é muito comum que depois acabe por imperar o senso comum. Há práticas educativas como os gritos, os castigos, as recompensas, os rótulos (preguiçoso, mimado, mau) ou o autoritarismo que estão claramente apontadas como nada pedagógicas e, no entanto, são praticadas e aceites diariamente. Se algumas atitudes menos positivas podem ser compreensivas, pois não é fácil estar todo o dia com crianças e o desgaste pode ser imenso, já não é tão compreensível que estas estejam na base de certos princípios. Por exemplo, se uma educadora acha que é muito útil uma criança ficar num canto da sala porque empurrou outro miúdo, isto já reflecte a abordagem da mesma noutro tipo de situações. Estas reacções a comportamentos menos desejados por parte das crianças são muito pouco construtivas. Não existem soluções mágicas mas dá muito mais trabalho oferecer competências sociais às crianças e que estas tenham acesso a exemplos que, a longo prazo, realmente ensinam alguma coisa.

Resumindo, perceber qual é a abordagem da creche às manifestações naturais das crianças pode ser uma forma muito interessante de perceber as bases de funcionamento do local.

Internet/Redes sociais: Este tópico pode parecer um absurdo, mas eu diria que é bastante útil e permite uma excelente triagem que poupa visitas presenciais. Se o local em questão tiver um site, um blogue ou uma página do facebook, pode ser muito curioso observar que tipo de conteúdos partilham. Ainda a propósito do sono, se por exemplo uma creche partilha um artigo de que é muito importante os bebés aprenderem a dormir sozinhos, mesmo que para isso tenham de chorar, o mais provável é que isso seja prática comum nessa mesma creche. São vários os temas educacionais que geram polémica e discórdia, pelo que é bom tentar perceber se a creche ou jardim de infância tem ideologias semelhantes àquilo em que acredita ou se, pelo contrário, está no sentido oposto às suas crenças.

A direcção pedagógica identificar-se mais com um estilo de conteúdo em detrimento de outro é bastante revelador dos valores da instituição.

Flexibilidade da direcção e dos profissionais: Neste ponto, é possível que só tenhamos uma noção após o nosso filho frequentar o local em questão. Faz toda a diferença estarmos perante uma direcção flexível, aberta, que valoriza as opiniões dos pais de outra que tem um funcionamento mais fechado, rígido e sem grande margem para adaptações constantes, conforme as crianças que acolhem. Sentirmo-nos ouvidos e compreendidos é meio caminho andado para que se crie uma relação positiva entre pais e profissionais, sendo a criança quem beneficia disso directamente. Há profissionais que não admitem sugestões, que se sentem imediatamente colocados em causa ou que responsabilizam sempre os pais por qualquer coisa que surja fora de certos padrões. Há outros que são mais empáticos, tentam ver o nosso ponto de vista e mesmo que não concordem fazem por respeitar as diferenças e conviver com as mesmas. É curioso verificar que os mesmos pais, mas com crianças diferentes, podem também ter experiências diferentes na mesma instituição. Isto acontece porque as crianças não são iguais e enquanto uma se pode ter adaptado lindamente ao funcionamento da instituição, outra pode precisar que a instituição se adapte mais a ela e que seja mais flexível. Isto mostra que é necessário haver abertura suficiente para lidar com a imprevisibilidade e com o facto de não existirem receitas iguais para todos nem verdades absolutas.

Enfim, os critérios são pessoais e únicos e não há critérios mais acertados ou menos. Cada família é uma família, é importante que se mantenham fiéis àquilo que acreditam e ao contexto ambiental, social e valorativo onde querem que o vosso filho esteja integrado todos os dias.

Escolham com a cabeça, mas, também com o coração. Existem locais que nós entramos e sentimos que estão reunidas as condições, não é prefeito, mas sabemos que ali conseguimos ficar descansados.

E depois, não esqueça, depois do seu filho estar adaptado e vocês também, lembrem-se que a escola também é vossa e que as propostas e sugestões poderão ser oportunidades de melhoria e que cada vez mais as escolas têm de ser uma união entre as Famílias e os Educadores.

Boa sorte, boas visitas, não esqueça de falar com outros Pais, este período não é de todo mais fácil! Mas uma palavra de esperança, vai melhorar…e na próxima transição, vocês já terão muito mais ferramentas para poderem escolher de forma mais tranquila.

Vai correr bem!

Helena Gonçalves Rocha

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SOMOS TODOS IGUAIS OU TODOS DIFERENTES? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana comemorou-se a 21 de Março, o Dia Mundial da Síndrome de Down, este dia foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2006. Amplamente divulgada, a data tem por finalidade informar sobre o tema e reduzir a origem do preconceito. Por outras palavras, combater o “mito” que teima em transformar uma diferença num rótulo, numa sociedade cada vez mais sem tempo, sensibilidade ou paciência para o “diferente”.

Há alguns anos atrás descobri uma fotografia do meu grupo de jardim de infância dos anos 70 onde figurava um dos meus colegas portador de síndrome de Down, fiquei muito satisfeita pois guardo muito boas recordações da minha educadora Filomena, das corridas no pinhal e não tenho qualquer memória de qualquer um de nós ser Diferente, pois na verdade não o éramos, todos gostávamos de brincar, todos gostávamos de “fazer trabalhos” e fazer visitas de estudo. Alguns eram louros, outros usavam cabelo comprido, eu usava uns grandes óculos e andava sempre com nódoas negras nas pernas, outros gostavam de estar sossegados no recreio, afinal seríamos todos muito diferentes.

Helena Gonçalves Rocha

Tão diferentes que anos mais tarde, já no secundário, uma colega desse tempo me reconheceu e confessou que nunca mais se havia esquecido de mim. Uau.. Porquê? Porque costumavas andar atrás de nós com as lagartixas que apanhavas no pinhal!… Ups…

Na verdade, acredito que desde a primeira infância a educação para a diferença e o respeito pelo outro deveriam ser condições imprescindíveis na educação que delineamos para os nossos filhos.

A escola inclusiva, a escola que dá resposta a todos consoante as suas necessidades, promovendo a interação entre todos com todas as suas diferenças, foi sempre uma realidade para mim. Os valores, os ensinamentos que cada criança retira deste tipo de experiência é inestimável.

Os miúdos estão tão habituados a serem tão diferentes entre si a juntar a isso têm um adulto que medeia estas relações e os ajuda a perceber as diferenças e os ensina a respeitá-las e perceber que todos somos importantes e que podemos sempre apoiar e ajudar o nosso colega, tudo, mas tudo,  se torna mais fácil.

Não resisto a partilhar alguns episódios convosco, da minha vida pessoal e também da minha vida profissional. Sempre desenvolvi o meu trabalho nos contextos naturais das crianças, ou seja, um dos locais que visito regularmente são as salas de jardim de infância e posso dizer-vos que este é um dos meus locais de aprendizagem preferidos. As crianças com a sua ingenuidade e forma pura de ver e interpretar o mundo que as rodeia, recordam-nos sempre como tudo pode ser tão simples, sim porque quando crescemos temos uma tendência a complicar o que é simples.

Pois bem, numa das minhas intervenções em jardim de infância o João (nome fictício) com 4 anos ainda não conseguia andar sozinho, então, juntamente com a sua educadora de infância encontrámos variadas estratégias para que ele ao longo do seu dia fosse praticando as diferentes habilidades necessárias para que conseguisse alcançar esta meta. Uma das atividades consistia em levantar-se do chão e ir marcar a sua presença no mapa da sala, pois bem, quando eu lhe pedia que se levantasse, o João, invariavelmente, dizia que não. Assim que um colega lhe estendia a mão o Senhor João levantava-se com a maior das alegrias e sorrindo, executava a tarefa na perfeição. E aqui estávamos nós a ligar o “complicómetro”, claro está, que seria mais natural ser um colega a prestar este apoio em vez de um adulto “especial”. Sempre a aprender…

Agora quando vou às salas pergunto sempre quem são os meninos que são mais “ajudadores”, que são mais atentos aos outros, eles são ajudas inestimáveis e levam consigo um amor ao outro e uma solidariedade que os fará de certo adultos diferentes.

Helena Gonçalves Rocha

Não esqueço também quando o meu filho mais velho tinha na sua turma um menino autista, sem linguagem verbal. O meu filho sempre foi muito curioso e como tal sempre que eu chegava bombardeava-me de perguntas sobre o comportamento do Pedro (nome fictício) e qual a forma mais fácil para que ele próprio também o pudesse ajudar. Um dos comportamentos do Pedro mais difícil de entender era quando ele se entretinha a destruir as brincadeiras que os outros meninos faziam no recreio, aí, o meu filho já achava que era maldade, e mesmo querendo ajudar era muito difícil para ele, com 5 anos, entender que pudesse ser qualquer outra coisa. Foi nessa altura que lhe expliquei que o Pedro, que tinha autismo, provavelmente teria este comportamento porque não sabia como brincar com eles, e esta era a forma que ele encontrara para comunicar, mas que se ele o ensinasse como fazer, ele conseguiria aprender e poderiam brincar sem ver tudo destruído. E assim foi. Durante muitas semanas jogou-se à apanhada no recreio com o Pedro, repetidas vezes, quase sem conseguirem parar, com um Pedro muito, muito feliz.

Certo dia quando o fui buscar ao jardim de infância estava o meu filho sentado na cadeira, com o Pedro sentado no chão a abrir-lhe e fechar-lhe as pernas. E eu, mãe cheia de pressas, chamo-o: Vamos embora filho! Diz até amanhã! Ao que ouço a seguinte resposta muito prontamente: Ó mãe, tu não estás a ver que o Pedro está a brincar? E está a gostar tanto…

E nesse momento, eu desacelerei e vi como o meu filho estava atento ao outro e às suas necessidades e como para ele era importante o Pedro estar feliz. E claro está fiquei muito feliz pelo menino que assim estava a crescer e fiquei muito feliz pelo Pedro tinha arranjado um amigo.

As meninas são habitualmente mais solidárias e empáticas e a minha filhota não é excepção, já na escola primária conseguia encontrar sempre as causas possíveis para justificar o comportamento do seu amigo Gonçalo (nome fictício) e teimava, porque teimava que havia de ser ela a ensinar-lhe algumas matérias e a acalmá-lo sempre que fosse necessário.  Via-o como um dos outros colegas, simplesmente mãe, precisa de uma ajudinha extra!

Helena Gonçalves Rocha

Mais uma vez reforço, estas experiências são altamente enriquecedoras para termos adultos melhores, mais empáticos e solidários com o Outro.

Experimente fazer esse exercício com o seu filho. Quem ajudaste hoje? Reparaste se todos tinham com quem brincar?  Todos nós temos diferentes ritmos de aprendizagem numa ou noutra área, podemos sempre ajudar alguém naquilo que temos facilidade e podemos sempre aceitar a ajuda do outro para podermos melhorar. E não se esqueçam de tratar os outros como gostariam de ser tratados.

Estes são ensinamentos que começam agora, quando eles ainda são pequeninos e que mais tarde os irão ajudar a viver em sociedade, a aceitar as suas diferenças e as diferenças do outro, porque afinal todos temos os mesmos objetivos: ter oportunidades, educação, trabalho, amigos e amor. Afinal somos todos muito iguais quando apenas queremos ser Felizes!

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DIETA 4 PASSOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

4 Tempos sem ecrã = 4 Passos para melhorar
Lançamos hoje um desafio, a dieta 4 passos, 4 Tempos sem Ecrã = 4 Passos para melhorar.

Mas afinal, que ideia é esta? Ao longo dos anos e com um agravamento excessivo no último ano, as famílias recorrem ao tempo de ecrã de uma forma abusiva, trazendo esta utilização abusiva um grande impacto negativo no desenvolvimento das crianças, quer ao nível do desenvolvimento da linguagem, como também na regulação emocional e no desenvolvimento cognitivo.

Acredito que todas as famílias o fazem sem qualquer noção do enorme impacto negativo que possa causar no desenvolvimento dos seus filhos, fazem-no porque os miúdos pedem, porque muitas vezes no final do dia é tão mais fácil entretê-los deste modo, fazem-no porque muitas vezes os próprios adultos já permanecem horas infindáveis em tempo de ecrã sem terem qualquer percepção deste fenómeno.

Lanço este desafio nesta altura porque começa a ser demasiado o número de crianças que apresenta forte impacto no seu desenvolvimento em consequência desta utilização abusiva do ecrã. Lanço este desafio também porque já o fiz anteriormente com algumas dezenas de famílias cujos filhos apresentavam alterações de comportamento e dificuldades na regulação emocional e que após terem aceite este difícil desafio ( as primeiras semanas são duras), descobriram outras crianças lá em casa, capazes de se auto-regularem, colaborarem com os adultos e descobrirem novos focos de interesse.

DIETA 4 PASSOS – 4 Tempos sem ecrã = 4 Passos para melhorar!

#1 Sem ecrã logo de manhã

#2 Sem ecrã durante o horário das refeições

#3 Sem ecrã antes de dormir

#4 Sem ecrã dentro do quarto de dormir

 

#1 Sem ecrã logo de manhã

Os ecrãs (TV, telemóvel, tablete, jogos de computador) são captadores de atenção. A atenção é essencial para as aprendizagens escolares. Os ecrãs hiper-estimulam a atenção involuntária. A criança fica desperta pelos estímulos sonoros e visuais ultra-rápidos que se vão alterando no ecrã. Ao fim de 15 minutos a sua atenção esgota-se.

Uma criança que veja televisão (ou outro tipo de ecrã) logo de manhã esgota o seu sistema de atenção antes de ir para as aulas. Ora uma criança que já “esgotou” a sua atenção, é uma criança que se apresenta irrequieta, faladora, que deixa cair as suas coisas e que…já não se consegue concentrar.

Este mecanismo dificulta o desenvolvimento da sua atenção voluntária, condição essencial para o desenvolvimento das tarefas escolares.

Não resisto a partilhar uma experiência pessoal, por volta dos 3 anos, eu, como muitas outras mães, deixava o meu filho ver um bocadinho de desenhos animados enquanto eu me arranjava, posso dizer-vos que a rotina matinal não era nada fácil, pois os meus de transição eram guerras pegadas, o vestir era difícil, o pequeno almoço era difícil, a saída de casa era difícil…tudo era muito esforçado. Até ao dia que eu decidi experimentar acabar com a TV pela manhã e posso dizer-vos que o milagre aconteceu, deixamos de ter guerras e tudo passou a correr de forma muito mais fluida. Desde esse episódio que esta estratégia de, TV de manhã Não, é uma das que partilho primeiro com as famílias e amigos, porque efetivamente a testei exaustivamente.

#2  Sem ecrã durante o horário das refeições

A televisão ligada durante as refeições familiares impede que fale com os seus filhos e que eles falem consigo. Uma criança que cresce com a televisão ligada permanentemente terá um vocabulário mais pobre, uma linguagem menos rica. Nas crianças com idades entre os 15 meses e os 2 anos  a TV ligada diariamente multiplica por 3 a probabilidade de aparecimento de atrasos no desenvolvimento da linguagem.

O conteúdo ansiogénico de certos programas televisivos ( as notícias em particular) têm repercussões no comportamento e na regulação das emoções das crianças, pois muitas vezes são demasiado jovens para os entender, mesmo que o adulto lhe explique as suas emoções não se irão modificar. Todos os sabemos as imagens de guerra, violência e miséria que quotidianamente passam na televisão.

 #3  Sem ecrã antes de dormir

O sono que resulta após uma criança  estar exposta a imagens animadas, mesmo que adaptadas, caso das Baby TVs  e outras do género, será um sono de pouca qualidade uma vez que esta atividade não é calmante para o cérebro. É demasiado estimulante emocionalmente. O ecrã difunde uma luz azul (LED) que inibe a melatonina, hormona reguladora do sono, impedindo a criança de adormecer naturalmente.

Como tal, terminar com os ecrãs duas horas antes de ir para a cama.

#4  Sem ecrã dentro do quarto de dormir

A presença de ecrãs dentro do quarto de dormir diminui o tempo de sono da criança. Com a televisão, o computador, o tablete, o telemóvel, dentro do quarto de dormir, os pais deixam de ter a oportunidade de controlar o que o seu filho vê. Mesmo que verbalmente lhe dê orientações para que não aceda a determinados conteúdos, a verdade é que as crianças não têm maturidade suficiente para não o fazerem.

Sem ecrãs no quarto, a criança aprende a desenvolver competências essenciais: atividades sensório-motoras, jogos de regras, leitura, jogo simbólico, grafismos, todas estas atividades são necessárias e essenciais para o desenvolvimento do pensamento, da atenção e da socialização.

Por outro lado, o facto de terem estes factores distrateis junto a si durante toda a noite é altamente perturbador, e impede-os de conquistarem uma noite de sono com qualidade. São imensos os relatos de pais que a meio da noite vêem uma luz que irradia do quarto dos filhos, e verificam que os filhos permanecem em comunicação durante toda a noite. Ou mesmo quando ainda pequenos, acordam a meio da noite e sem capacidade de se auto-regularem para voltarem a adormecer, optam por acender a televisão?

Retire os ecrãs dos quartos de dormir, deixe os telemóveis a carregar fora dos quartos, institua regras, a qualidade de sono de todos os elementos da família irá agradecer.

Perante estes 4 passos aceita o desafio?
Por onde irá começar?
Qual será o passo mais fácil?

Garanto-lhe que vai valer muito a pena, também lhe garanto que não vai ser nada fácil!
Se precisar de ajuda, estamos por cá para ajudar, partilhe connosco!

Nós aqui educamos para isto.
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E QUANDO ELES NÃO QUEREM SABER DO PAPEL E DO LÁPIS? Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

O seu filho não quer saber de desenhos, pintar ou escrever? Diz que não gosta, não sabe ou arma uma birra quando lhe propõem uma atividade de papel e caneta?

Pois…não está sozinho. Cada vez existem mais crianças que rejeitam este tipo de atividade, os pais dizem “eu também não tinha jeitinho nenhum” ou “está tudo muito bem desde que não lhe dêem uma folha e um lápis”. Reconhece este discurso?

Os motivos que levam a que estas situações aconteçam podem ser múltiplos e variados, desde as dificuldades manipulativas, ou seja, uma dificuldade real na coordenação dos movimentos finos exigidos para a realização deste tipo de tarefa, até uma auto-crítica muito elevada que faz com que a criança tenha receio de arriscar com medo que fique pior do que imaginou ou muito diferente dos seus colegas.

A primeira causa requer a intervenção e apoio de um profissional especializado que o poderá apoiar e recomendar as atividades e exercícios mais adequados a cada caso de forma a ultrapassar a dificuldade observada. A segunda causa é por vezes a mais difícil de ultrapassar pois quando a criança receia tentar a escrita, habitualmente não aceita ajuda para o poder fazer e então?

Quem por aqui costuma passar já reparou que raramente me detenho nos problemas e que aprecio bem mais o enfoque nas soluções. Assim sendo como poderemos ajudar estas crianças “resistentes à escrita”?

Antes de mais, habitualmente pegamos no papel e no lápis com um propósito, apreciar as cores que se unem e se afastam, que se misturam e que separadas ou unidas formam uma bela obra de arte.

Esta fase é fundamental, apreciar o movimento das cores, o movimento dos lápis, apenas para brincar com o papel, com as cores, em papéis grandes, em superfícies grandes, quadros, papéis gigantes. É muito errado quando precocemente restringimos os movimentos amplos das crianças no papel, cada vez mais cedo observo pais e educadores a exigirem aos miúdos de 2, 3, 4 anos, “pinta por dentro, não saias do risco”. Antes da criança poder controlar os seus movimentos finos e precisos da mão tem que experimentar a amplitude, o chegar mais longe, mais alto, mais largo. Por isso, tantas e tantas vezes, quando me pedem que ajude estas crianças começamos sempre por este movimento amplo e exploratório.

De seguida passamos à fase da representação do concreto e surgem os primeiros desenhos da figura humana, desenho este que se vai desenvolvendo e pormenorizando ao longo das diferentes fases do desenvolvimento da criança.

E aqui como poderemos novamente apoiar e ajudar? Pois bem, nós só representamos aquilo que conhecemos. Como tal é imprescindível que a criança conheça o seu corpo e as diferentes partes que o constituem. Como? Agindo sobre ele e fazendo-o agir. Brincando, dando cambalhotas, enrolando a cabeça e as pernas, dando abraços com os seus braços compridos, pontapeando bolas com as pernas e pés e depois, de seguida estamos prontos a representar isso tudo no papel. Outra forma de podermos apoiar a criança na sua representação gráfica do corpo é utilizando o espelho e gradualmente e em conjunto desenharmos as diferentes partes “Olha, na cabeça eu tenho dois olhos, eu desenho um e tu podes desenhar o outro? E orelhas, quantas temos? Eu ponho aqui uma, tu pões a outra?” E por aí fora até chegarmos aos pés.

Essencialmente mesmo será o adulto deixar a crítica bem longe, não são permitidos “ Não é assim , é assim!” “Cabelo verde que grande disparate, não vês que é castanho?” A criatividade e a fantasia estão em fase de desenvolvimento e a criança que receia tentar, precisa de experimentar sem julgamento. O perfeccionismo e o hiperrealismo virão mais tarde, temos muito tempo!

Se estas dificuldades surgem na fase em que a criança é apresentada às letras e à escrita, aí teremos mesmo de utilizar a nossa grande criatividade e apelar à diversificação de materiais de escrita e de superfícies. Ou seja, é válido escrever na areia, na terra, na lama, com paus, com pedras. Construir letras com diferentes materiais flores, folhas, lã, enfim o que a nossa imaginação ditar e para onde a criança nos orientar. O facto de seguirmos a ideia original da criança será, com toda a certeza, garantia de possível sucesso.

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Nesta fase é muito importante que a escrita não esteja unicamente relacionada com objetivos académicos, ou seja, preferencialmente deve entrar nas brincadeiras (quando brincamos ás casinhas podemos fazer uma lista de compras, podemos ajudar lá em casa a fazer a lista das faltas, deixar recados) e principalmente suscitar uma grande motivação para a escrita, os miúdos adoram decifrar mensagens secretas e deixarem mensagens secretas para os próprios adultos decifrarem.

Surpreenda os seus filhos e deixe mensagens escritas a giz no passeio lá de casa, vai ver que vão querer retribuir!

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Se tiver dúvidas relativamente a este tema não hesite em consultar um profissional especializado, na área da Psicomotricidade, que terá com certeza todo o gosto em esclarecê-lo e apoiá-lo nas suas dúvidas e dificuldades.

Helena Gonçalves Rocha

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Helena Gonçalves Rocha

TRUQUES PARA QUE O SEU FILHO DURMA FINALMENTE A NOITE TODA! Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Dormir… sonhar com uma cama… pestanejar frequentemente… ter dificuldade em manter uma conversa… apresentar uma cara tipo-panda, com as maiores olheiras de todo o sempre…

Enfim… quem tem episódios de privação de sono saberá do que estou a falar. Normalmente estes períodos de privação de sono estão associados aos  pais de crianças pequenas que habitualmente não têm uma noite inteira de sono. Aliás se perguntarmos a estes pais o que mais desejariam: irem jantar fora a dois ou dormirem uma noite inteira? Não hesitamos muito na resposta correcta e rapidamente imaginamos dois adultos a atirarem-se desesperadamente para cima de uma cama para DORMIR.

Uma boa higiene do sono, sim, é mesmo assim que se denomina todo o conjunto de hábitos associados à rotina de dormir.  Nesta higiene do sono  incluímos:

– 1 hora antes de deitar os movimentos da casa deverão começar a abrandar;
– Reduzir a intensidade da luz e som ( inclui afastamento total dos ecrãs tv, telemóvel, tablet); apagar as luzes intensas do tecto, reduzir o som;
– incluir rotinas repetitivas: a mesma hora de deitar, lavar os dentes, ler a história e dormir.

No entanto, este tipo de rotina nem sempre é suficiente para garantir uma noite completa de sono, existem alguns Truques extra que poderemos experimentar e são eles:

Difusor de óleos essenciais, 
Os óleos essenciais ajudam a melhorar o padrão de sono. Podem ser utilizados num difusor no quarto durante a noite e podemos também realizar uma massagem com pressão nos pés da criança durantes alguns minutos mesmo antes de ir para a cama.. Um dos óleos recomendados para este efeito é o de lavanda e madeira de cedro, mas poderá tentar outro que considere mais relaxante e calmante.

Cobertor de peso
Algumas crianças não processam a informação oriunda dos seus sentidos da mesma forma que as outras, evitando estes estímulos ou procurando-os. Muitas crianças têm necessidades sensoriais únicas e podem responder bem à utilização de um cobertor de peso, sem terem qualquer tipo de diagnóstico específico. Porém, as crianças com Autismo, com perturbações de ansiedade, com perturbações do processamento sensorial, com perturbação da hiperatividade e défice de atenção e desordens graves do sono, são aquelas que obtém uma resposta mais eficaz quando utilizam o cobertor com peso.

Helena Gonçalves Rocha

Porquê? O que têm todas elas em comum?
Todas apresentam baixos níveis de serotonina e um sistema nervoso ativo.

E como funciona o Cobertor de Peso?
Através da Pressão de Toque Profundo, que consiste numa pressão gentil por todas as partes do corpo, que poderá ser atingida de várias formas, através dos Abraços, das Massagens, da utilização de Coletes de Peso ou de Cobertores de Peso.

E o que faz a Pressão de Toque Profundo?
1. Aumenta a libertação de serotonina
A serotonina é um neurotransmissor que desempenha papéis essenciais no nosso corpo, como por exemplo:
# Inibidor comportamental
# Apetite
# Agressividade
# Sono
# Humor
# Desenvolvimento cerebral
# A serotonina também está envolvida no processo de produção da melatonina, tão importante na regulação de um padrão de sono saudável.

2. Diminui a atividade do sistema nervoso
E quais os benefícios da utilização do Cobertor de Peso?
# Reduz a ansiedade
# Melhora o sono
# Adormece mais rápido
# Reduz a ansiedade
# Sono profundo
# Menos movimentos durante a noite

E como posso saber se o meu filho beneficiará da utilização do Cobertor de Peso?
Se responder afirmativamente a pelo menos duas destas três questões, estamos no caminho certo.

1. Adora dormir ou ficar debaixo das mantas;
2. Gosta de se “enfiar” em espaços pequenos ou colocar-se por trás dos móveis;
3. Tem dificuldade em relaxar e ficar sentado tranquilamente.

Este cobertor de Peso funciona também muito bem nos adultos para reduzir os níveis de stress, a ansiedade e  a insónia.

E como quando estamos desesperados para dormir vale a pena experimentar tudo, deixo estas sugestões para que se atrevam a experimentar e depois…depois queremos saber como correu, pode ser?

Pode ser? Psst! Pode ser?
ZZZZZzzz!
Noites e até amanhã!

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CRIANÇAS

EXERCÍCIOS PARA MANTER AS CRIANÇAS COM ATENÇÃO E FOCADAS. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

“Mas como é que este miúdo pode estar com atenção senão pára quieto?”

“Como não parou quieto durante toda a aula, vai ficar o intervalo na sala para poder acabar o trabalho!”

Estas são frases que costumamos ouvir com frequência da boca de professores e pais, como tal, é com uma boa dose de espanto e incredulidade que me ouvem dizer:

“Os miúdos precisam de movimento, mais mexidos” não conseguem estar com atenção se estiverem completamente parados!”

As crianças precisam de movimento! O sistema vestibular é o sistema sensorial que processa e controla o movimento. O “painel de controlo” que ajuda as crianças a compreenderem o equilíbrio, a postura, o posicionamento vertical e o alerta necessário para uma resposta adequada ao movimento está localizado no ouvido interno. E agora adivinhem lá como é que este sistema se ativa? Através do movimento, é claro!

Tal como os adultos, as crianças começam a distrair-se quando têm de permanecer quietos durante um período de tempo mais longo. Como é que você se mantém alerta quando tem de estar sentado numa reunião ou a ouvir uma conferência durante um largo período de tempo? Ao início, estamos despertos e atentos, mas passado algum tempo de estarmos sentados quietos a nossa atenção começa a dispersar-se.

De modo a mantermos o foco, talvez nos endireitemos na cadeira, cruzemos e descruzemos os braços, cruzamos as pernas ou rodamos o pescoço. Só estes pequenos movimentos são suficientes para estimular o sistema vestibular, dando-nos feedback da nossa postura e do nosso estado de alerta e auxiliando-nos a retomar o foco de atenção.

Então, imaginem se nós formos capazes de dar mais oportunidades às nossas crianças de se levantarem e de movimentarem ao longo do dia de escola. Talvez consigam manter a atenção para o professor durante maiores períodos de tempo. Talvez se mostrem mais calmos e com um comportamento mais adequado para a sala de aula. E talvez participem mais e estejam mais envolvidos nas aprendizagens, mostrando aos professores aquilo que sabem! Para algumas crianças, isto poderá fazer toda a diferença!

E ficam algumas ideias simples de movimentos de alerta e foco:

1# Levantar e esticar!
2# Levantar-se e ir beber água. Um pouco de movimento combinado com uma experiencia sensorial oral pode ser o suficiente para voltar a captar a atenção da criança após um longo período sentada.
3# Deixe os miúdos terem um tempo para saltar na Fisioball…rolar, saltar, deitar de estômago.
4# Anunciar: “Em pé por 5 minutos!” – informe os miúdos que deverão trabalhar de pé durante 5 minutos.
5# Providencie muitas oportunidades aos estudantes de trabalharem em posições alternativas, como por exemplo deitado no chão, em pufs, encostados à parede.
6# Providencie intervalos extra!
7# Faça intervalos de movimento ou intervalos de dança. Ligue a música e toca a dançar, escolha músicas com coreografias que lhe permitam para além de reativar o sistema de alerta, desenvolver conteúdos (partes do corpo, números, letras)

CRIANÇAS

Não esqueça que associando movimento aos conteúdos que pretende ensinar, a criança conseguirá manter a atenção e aprenderá e reterá a informação com mais facilidade.

E por favor, pare de mandar os miúdos estarem quietos, os miúdos precisam mesmo de mais movimento, precisam de brincar no recreio para depois quando voltarem à sala poderem manter-se com mais atenção.

Helena Gonçalves Rocha

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Mother Smiling at Son --- Image by © Image Source/Corbis

A CRIANÇA E OS OUTROS – COMO PROMOVER A EMPATIA. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Mas afinal o que está a acontecer?

Passamos indiferentes perante alguém que precisa de ajuda? Um idoso carregado de sacos? Alguém que tropeça e cai mesmo na nossa frente?

Ou, e foi com certeza este episódio que me trouxe até aqui, derrubo um café a ferver por cima da mão, dou um grito, acusando a queimadura, a mesa fica toda suja, escorrendo café. Tentando diminuir o estrago, vou limpando a mesa, ao mesmo tempo que seguro a trela da cadela na outra mão. Não queria acreditar, eu sozinha, e as mesas circundantes todas ocupadas, ninguém levantou a cabeça, ninguém prestou ajuda…mais…quando regressei com novo café, que fizeram questão que voltasse a pagar, a minha mesa já estava ocupada, por pessoas que assistiram placidamente a toda a situação. O que se passa? Fazemos parte de planetas diferentes? Somos só nós e o nosso umbigo  que importam?

Rapidamente penso nas crianças de hoje e reflito se será esta mensagem que queremos passar aos adultos de amanhã. Deixa lá, finge que não vês, o que interessa é que tu consigas. Que medo…

A verdade é que as crianças aprendem essencialmente por imitação, e os adultos são os seus principais modelos. Criança vê os pais fazerem, criança tentará imitar na primeira oportunidade.

Pois bem, fui educada com o lema de “Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti e não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem”, tão simples quanto isto!

Falamos de EMPATIA! Segundo o dicionário de língua portuguesa é a faculdade de compreender emocionalmente (pessoa, objeto); capacidade de se identificar com outra pessoa.

Pode ser difícil ajudar as crianças a aprenderem sobre a Empatia. Não é algo que elas aprendam sem qualquer orientação – especialmente nesta sociedade autocentrada em que vivemos. Mas vai com certeza valer a pena orientarmos as nossas crianças nesse sentido.

Mas afinal como podemos ensinar a criança a ter Empatia?

Ensinar uma criança a ter empatia envolve a capacidade de esta se preocupar com os sentimentos dos outros e conseguir analisar as situações através da perspetiva das outras pessoas. No fundo, implica calçar os sapatos do outro…A Empatia é uma caraterística complexa para se ensinar a uma criança, mas através do nosso modelo e com os incentivos adequados, esta caraterística poderá desenvolver-se ao longo do tempo.

Aqui ficam alguns exercícios / estratégias que poderá experimentar:

Elogie o seu filho quando ele mostrar empatia.

  • “ Que simpático da tua parte teres deixado o menino andar no baloiço. Ele ficou muito contente. Eu reparei, ele estava a sorrir.”
  • Recompensar o seu filho pelo seu comportamento empático poderá ajudá-lo a desenvolver uma Empatia natural. 

Pergunte ao seu filho como acha que os outros pensam ou se sentem perante determinada situação.

  • Se virem algo de mal acontecer com outra pessoa, aproveite para perguntar como é que ele acha que essa pessoa se sente. Por exemplo, um menino está a comer um gelado e deixa-o cair no chão, pergunte:” Como é que tu te sentias se isto acontecesse contigo?”

Ajude o seu filho a desenvolver um sentimento de preocupação.

  • Por exemplo, se ele mencionar que um colega da sua turma tem muitas dificuldades, faça perguntas sobre isto. Pergunte: “ Porque achas que tem dificuldades? Não consegue estar atento? Não está a perceber esta matéria?”
  • Poderá sugerir ao seu filho que tente ajudá-lo na aula ou depois da aula. Atividades como esta ensinarão o seu filho a demonstrar carinho e interesse pelas outras pessoas. 

Dê o modelo, demonstre empatia para com o seu filho.

Se você só falar sobre empatia, e não a praticar, dificilmente ele irá aprender. É recomendável que você ensine pelo exemplo e mostre o que é ser empático, na prática.

  • Demonstre empatia com o seu filho, expressando preocupação e simpatia quando ele se magoar ou estiver triste. Pode dizer qualquer coisa como: “ Por favor, anima-te. Eu fico triste ao ver-te assim.”
  • Se ele vir este tipo de comportamento em si, ele será mais propenso em ser empático com os outros, primeiro pela força do hábito e depois como manifestação de emoção genuína.

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Ensine o seu filho a ver as coisas do ponto de vista das outras pessoas.

  • Por exemplo, se estiver uma menina a brincar sozinha no recreio, peça ao seu filho para imaginar como ele se sentiria se estivesse no seu lugar. Será que gostaria que alguém o convidasse para brincar?

Incentive o seu filho a fazer algo de bom para alguém.

Pode ser algo bem simples, como telefonar para os avós, ajudar a levar as compras do vizinho, dar um elogio à irmã.

  • Este tipo de atividade vão ajudar o seu filho a desenvolver um senso de responsabilidade para com os outros e a ganhar um sentimento de satisfação cada vez que ajuda alguém.

Experimentem e comentem, por favor!
E mais, lanço-vos o desafio de propor aos vossos filhos (e quem sabe a vós mesmos), de fazer alguém sorrir todos os dias com uma das suas ações.

Helena Gonçalves Rocha

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