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CRIANÇAS

EXERCÍCIOS PARA MANTER AS CRIANÇAS COM ATENÇÃO E FOCADAS. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

“Mas como é que este miúdo pode estar com atenção senão pára quieto?”

“Como não parou quieto durante toda a aula, vai ficar o intervalo na sala para poder acabar o trabalho!”

Estas são frases que costumamos ouvir com frequência da boca de professores e pais, como tal, é com uma boa dose de espanto e incredulidade que me ouvem dizer:

“Os miúdos precisam de movimento, mais mexidos” não conseguem estar com atenção se estiverem completamente parados!”

As crianças precisam de movimento! O sistema vestibular é o sistema sensorial que processa e controla o movimento. O “painel de controlo” que ajuda as crianças a compreenderem o equilíbrio, a postura, o posicionamento vertical e o alerta necessário para uma resposta adequada ao movimento está localizado no ouvido interno. E agora adivinhem lá como é que este sistema se ativa? Através do movimento, é claro!

Tal como os adultos, as crianças começam a distrair-se quando têm de permanecer quietos durante um período de tempo mais longo. Como é que você se mantém alerta quando tem de estar sentado numa reunião ou a ouvir uma conferência durante um largo período de tempo? Ao início, estamos despertos e atentos, mas passado algum tempo de estarmos sentados quietos a nossa atenção começa a dispersar-se.

De modo a mantermos o foco, talvez nos endireitemos na cadeira, cruzemos e descruzemos os braços, cruzamos as pernas ou rodamos o pescoço. Só estes pequenos movimentos são suficientes para estimular o sistema vestibular, dando-nos feedback da nossa postura e do nosso estado de alerta e auxiliando-nos a retomar o foco de atenção.

Então, imaginem se nós formos capazes de dar mais oportunidades às nossas crianças de se levantarem e de movimentarem ao longo do dia de escola. Talvez consigam manter a atenção para o professor durante maiores períodos de tempo. Talvez se mostrem mais calmos e com um comportamento mais adequado para a sala de aula. E talvez participem mais e estejam mais envolvidos nas aprendizagens, mostrando aos professores aquilo que sabem! Para algumas crianças, isto poderá fazer toda a diferença!

E ficam algumas ideias simples de movimentos de alerta e foco:

1# Levantar e esticar!
2# Levantar-se e ir beber água. Um pouco de movimento combinado com uma experiencia sensorial oral pode ser o suficiente para voltar a captar a atenção da criança após um longo período sentada.
3# Deixe os miúdos terem um tempo para saltar na Fisioball…rolar, saltar, deitar de estômago.
4# Anunciar: “Em pé por 5 minutos!” – informe os miúdos que deverão trabalhar de pé durante 5 minutos.
5# Providencie muitas oportunidades aos estudantes de trabalharem em posições alternativas, como por exemplo deitado no chão, em pufs, encostados à parede.
6# Providencie intervalos extra!
7# Faça intervalos de movimento ou intervalos de dança. Ligue a música e toca a dançar, escolha músicas com coreografias que lhe permitam para além de reativar o sistema de alerta, desenvolver conteúdos (partes do corpo, números, letras)

CRIANÇAS

Não esqueça que associando movimento aos conteúdos que pretende ensinar, a criança conseguirá manter a atenção e aprenderá e reterá a informação com mais facilidade.

E por favor, pare de mandar os miúdos estarem quietos, os miúdos precisam mesmo de mais movimento, precisam de brincar no recreio para depois quando voltarem à sala poderem manter-se com mais atenção.

Helena Gonçalves Rocha

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Mother Smiling at Son --- Image by © Image Source/Corbis

A CRIANÇA E OS OUTROS – COMO PROMOVER A EMPATIA. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Mas afinal o que está a acontecer?

Passamos indiferentes perante alguém que precisa de ajuda? Um idoso carregado de sacos? Alguém que tropeça e cai mesmo na nossa frente?

Ou, e foi com certeza este episódio que me trouxe até aqui, derrubo um café a ferver por cima da mão, dou um grito, acusando a queimadura, a mesa fica toda suja, escorrendo café. Tentando diminuir o estrago, vou limpando a mesa, ao mesmo tempo que seguro a trela da cadela na outra mão. Não queria acreditar, eu sozinha, e as mesas circundantes todas ocupadas, ninguém levantou a cabeça, ninguém prestou ajuda…mais…quando regressei com novo café, que fizeram questão que voltasse a pagar, a minha mesa já estava ocupada, por pessoas que assistiram placidamente a toda a situação. O que se passa? Fazemos parte de planetas diferentes? Somos só nós e o nosso umbigo  que importam?

Rapidamente penso nas crianças de hoje e reflito se será esta mensagem que queremos passar aos adultos de amanhã. Deixa lá, finge que não vês, o que interessa é que tu consigas. Que medo…

A verdade é que as crianças aprendem essencialmente por imitação, e os adultos são os seus principais modelos. Criança vê os pais fazerem, criança tentará imitar na primeira oportunidade.

Pois bem, fui educada com o lema de “Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti e não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem”, tão simples quanto isto!

Falamos de EMPATIA! Segundo o dicionário de língua portuguesa é a faculdade de compreender emocionalmente (pessoa, objeto); capacidade de se identificar com outra pessoa.

Pode ser difícil ajudar as crianças a aprenderem sobre a Empatia. Não é algo que elas aprendam sem qualquer orientação – especialmente nesta sociedade autocentrada em que vivemos. Mas vai com certeza valer a pena orientarmos as nossas crianças nesse sentido.

Mas afinal como podemos ensinar a criança a ter Empatia?

Ensinar uma criança a ter empatia envolve a capacidade de esta se preocupar com os sentimentos dos outros e conseguir analisar as situações através da perspetiva das outras pessoas. No fundo, implica calçar os sapatos do outro…A Empatia é uma caraterística complexa para se ensinar a uma criança, mas através do nosso modelo e com os incentivos adequados, esta caraterística poderá desenvolver-se ao longo do tempo.

Aqui ficam alguns exercícios / estratégias que poderá experimentar:

Elogie o seu filho quando ele mostrar empatia.

  • “ Que simpático da tua parte teres deixado o menino andar no baloiço. Ele ficou muito contente. Eu reparei, ele estava a sorrir.”
  • Recompensar o seu filho pelo seu comportamento empático poderá ajudá-lo a desenvolver uma Empatia natural. 

Pergunte ao seu filho como acha que os outros pensam ou se sentem perante determinada situação.

  • Se virem algo de mal acontecer com outra pessoa, aproveite para perguntar como é que ele acha que essa pessoa se sente. Por exemplo, um menino está a comer um gelado e deixa-o cair no chão, pergunte:” Como é que tu te sentias se isto acontecesse contigo?”

Ajude o seu filho a desenvolver um sentimento de preocupação.

  • Por exemplo, se ele mencionar que um colega da sua turma tem muitas dificuldades, faça perguntas sobre isto. Pergunte: “ Porque achas que tem dificuldades? Não consegue estar atento? Não está a perceber esta matéria?”
  • Poderá sugerir ao seu filho que tente ajudá-lo na aula ou depois da aula. Atividades como esta ensinarão o seu filho a demonstrar carinho e interesse pelas outras pessoas. 

Dê o modelo, demonstre empatia para com o seu filho.

Se você só falar sobre empatia, e não a praticar, dificilmente ele irá aprender. É recomendável que você ensine pelo exemplo e mostre o que é ser empático, na prática.

  • Demonstre empatia com o seu filho, expressando preocupação e simpatia quando ele se magoar ou estiver triste. Pode dizer qualquer coisa como: “ Por favor, anima-te. Eu fico triste ao ver-te assim.”
  • Se ele vir este tipo de comportamento em si, ele será mais propenso em ser empático com os outros, primeiro pela força do hábito e depois como manifestação de emoção genuína.

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Ensine o seu filho a ver as coisas do ponto de vista das outras pessoas.

  • Por exemplo, se estiver uma menina a brincar sozinha no recreio, peça ao seu filho para imaginar como ele se sentiria se estivesse no seu lugar. Será que gostaria que alguém o convidasse para brincar?

Incentive o seu filho a fazer algo de bom para alguém.

Pode ser algo bem simples, como telefonar para os avós, ajudar a levar as compras do vizinho, dar um elogio à irmã.

  • Este tipo de atividade vão ajudar o seu filho a desenvolver um senso de responsabilidade para com os outros e a ganhar um sentimento de satisfação cada vez que ajuda alguém.

Experimentem e comentem, por favor!
E mais, lanço-vos o desafio de propor aos vossos filhos (e quem sabe a vós mesmos), de fazer alguém sorrir todos os dias com uma das suas ações.

Helena Gonçalves Rocha

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abraço

O PODER DO ABRAÇO. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Experimente fechar os olhos e imagine um abraço, ser envolvida por uns braços quentes e reconfortantes, como se sente? Protegida, segura, envolta, amada, o seu batimento cardíaco começa a ficar alterado?

E é tão bom, não é? Imagine agora que é abraçada por alguém que ama, está agora no seu porto de abrigo? Já está a suspirar?
E se experimentar abraçar alguém? Alguém que precisa mesmo de um abraço, alguém que se aninha em si e se aconchega…
O poder do abraço é tão forte que mesmo que só o imaginemos parece que já conseguimos usufruir dos seus benefícios.
Mas afinal quais são os super-poderes do Abraço?

#1 Os Abraços fazem bem à saúde

Estudos mostram que os abraços têm o poder de reduzir os batimentos cardíacos e a pressão arterial, além de diminuir o risco de doenças cardíacas. Isto ocorre, pois a pele possui uma rede de centros de pressão que ficam em contato com o cérebro através de nervos conectados a vários órgãos, inclusive o coração.

Os abraços diminuem também o nível de cortisol, conhecida também por hormona do stresse.

O excesso de cortisol no cérebro (em resposta a situações de stresse) afeta o desenvolvimento do sistema límbico, que controla e gere as emoções, e interfere também com a capacidade da criança para aprender e crescer. Assim, o toque tem um papel significativo na capacidade da criança regular as suas próprias respostas ao stresse.

Altos níveis de cortisol podem prejudicar a saúde, para além do stresse causado, é também responsável pelo aumento de peso e pela dificuldade em emagrecer. Logo, Abraçar ajuda a perder Peso!!!

#2 Os Abraços tornam as pessoas mais felizes

Dar ou receber um abraço é a forma mais simples de fazer o corpo libertar oxitocina, conhecida como a hormona do amor e da felicidade. Ela aumenta os sentimentos de apego, conexão, confiança e intimidade e ajuda a curar a solidão, o isolamento e até a raiva.

O abraço é processado pelo sistema nervoso como uma recompensa, e por isso tem um impacto importante na mente humana, fazendo com que tenhamos uma sensação de felicidade e alegria. Não importa se estamos abraçando ou sendo abraçados, a simples conexão física com o outro já nos torna mais felizes.

Os abraços ainda ajudam a cultivar a paciência e demonstrar apreço, além de estimular a liberação de dopamina, a hormona do prazer, e serotonina, a hormona do bem-estar, amplamente associada ao bom humor.

abraços

#3 Os Abraços reduzem o stresse

Estudos encontraram evidências de que pessoas que foram mais abraçadas na infância demonstram menos sintomas de stress na vida adulta. A afeição física também ajuda a atenuar nossas reações a situações stressantes e contribui para reduzir a ansiedade.

Outro benefício é o fato de que abraçar alguém relaxa os músculos, ajudando a libertar e diminuir a tensão no corpo, deixando-nos mais calmos e relaxados.

#4 Os abraços oferecem proteção

O toque carinhoso de um abraço ajuda a criar uma sensação de segurança, já que nos sentimos totalmente protegidos quando abraçamos alguém que amamos. Além disso, cientistas encontraram evidências de que os abraços ajudam a reduzir nossas preocupações e medos existenciais.

Estudos também mostram que as sensações táteis dos abraços protetores que recebemos de nossos familiares na infância se mantêm no sistema nervoso quando nos tornamos adultos, e ajudam a aumentar nossos sentimentos de confiança, autoestima e amor próprio.

Afinal um abraço não é “só” uma reconfortante manifestação de afeto, é um ato quase mágico, com um poder que tem tanto de ancestral e profundo como de inesperado.

Há algum tempo tive oportunidade de vivenciar numa sessão de Biodança a experiência do Abraço, “…abrace um desconhecido, sinta esse abraço”, confesso que de início achei um pouco estranho, mas que à medida que ía sentindo diferentes abraços , todos estes benefícios que enumerei tomavam conta de mim. Quantas as vezes ao longo do dia pensamos, “precisava mesmo daquele Abraço” e como já vem sendo habitual, lanço-vos um novo desafio: dê e recolha abraços ao longo do seu dia, promova o bem-estar do Outro e o seu próprio bem estar.

Como diria a terapeuta familiar Virgínia Satir:
Precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver
Precisamos de 8 abraços por dia para manter.
Precisamos de 12 abraços por dia para crescer.

Já agora, um abraço a todos…

Helena Gonçalves Rocha

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RESOLUÇÕES DE ANO NOVO! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

E já está! Voltámos a dar uma volta ao Sol em 365 dias, gostaram da viagem?

E temos agora um Ano Novo, fresquinho, cheio de páginas em branco preparadas para serem preenchidas com novas aventuras e descobertas.

Como é habitual no final do ano fiz uma retrospectiva do ano que passou e concluí que tenho de acrescentar ainda mais Gratidão aos meus dias, apreciar as pequenas coisas do dia a dia, a troca de sorrisos, os olhares trocados, o conforto de um abraço, o nascer do Sol, o cantar dos pássaros, o riso dos miúdos, enfim, tantas e tantas pequenas, Grandes coisas, pequenos, Grandes momentos.

E foi com este espírito que decidi aderir ao movimento do Pote da Gratidão.

pote da gratidão 1

Pote da Gratidão

E o desafio, que cá por casa já teve início, consiste em escrever “coisas boas” em pedaços de papel coloridos: objetivos atingidos, presentes surpresa, algo que nos fez rir, “aquele” momento, a beleza da natureza, memórias que valham a pena guardar, algo que nos fez sentir muito bem. Podemos fazê-lo diariamente ou semanalmente, e na véspera de Ano Novo podemos dedicar algum tempo a reler e apreciar o maravilhoso ano que acabámos de completar.  Aceitam o desafio?

Para além deste Pote de Gratidão, decidimos escrever cada um de nós as resoluções para o Novo Ano, mas desta vez com um guião igual para todos:Helena Gonçalves Rocha

Estes compromissos individuais são muitas vezes estimulantes para prosseguirmos o nosso caminho, como tenho filhos adolescentes todas as metas são altamente ambiciosas, mas pode adaptar aos miúdos mais pequenos ajudando-os a adequar expectativas e a definir metas.

Vai ver que vai valer a pena!

Preencha o seu ano de 2018 com momentos e gestos de gratidão, aprecie a Vida e estar vivo, aprecie quem ama e diga-lhe muitas vezes, não perca oportunidades! Demonstre aos seus filhos como os ama, com pequenos gestos de carinho, com o tempo que lhes dedica, nas brincadeiras e gestos diários. E já sabe…2018 é o Ano para ser Feliz!

Helena Gonçalves Rocha

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Montagem imagem: Catarina Laborinho

caixa papelão

OS 5 MELHORES BRINQUEDOS DE TODOS OS TEMPOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Ho Ho Ho! Impossível escapar…é Natal, é Natal, é Natal!

Este ano a nostalgia apoderou-se de mim…já não tenho crianças para oferecer brinquedos, ups…o que aconteceu? Cresceram tão depressa! Mas recordo bem a azáfama que iniciava logo no princípio de Dezembro, parecia quase uma caça ao tesouro ( o jogo da moda, a boneca que faz mil coisas, o livro fantástico). Este ano não é excepção, é ver os inúmeros catálogos dos hipermercados que se acumulam nas caixas de correio, os anúncios da TV que não param de nos bombardear com as últimas novidades e por outro lado, os orçamentos familiares que tentam atender às extensas listas das crianças mas que, definitivamente não esticam.

Pensando nisso, elaborei uma lista de 5 brinquedos que nenhuma criança deveria ser privada. Estes 5 brinquedos estão ao alcance de qualquer carteira e são adequados para um extenso intervalo de idades. São brinquedos que foram testados ao longo dos anos e certificados e aprovados pelas crianças. Como bónus, estes 5 brinquedos podem ser combinados para garantirem um tempo ultra-mega-super-divertido!

HELENA GONCALVES ROCHA

1# Pau

1# Pau

Este brinquedo versátil é um verdadeiro clássico. O mais provável é que os vossos tetra-avós também tenham brincado com paus, e os seus filhos descobriram-nos sem precisarem da vossa ajuda.

Os paus existem numa enorme variedade de formas e tamanhos, podendo fazer uma  coleção completa sem fazer qualquer investimento.

E um Pau pode ser tudo aquilo que uma criança imaginar, uma fada de condão, uma espada, uma pistola. Quando faço as minhas sessões com crianças em ambiente de natureza, rara é aquela que não procura imediatamente um Pau para fazer a caminhada connosco, um Pau mágico, um Pau para nos defendermos.

Confesso que sempre gostei deste brinquedo, com os devidos cuidados para que não se magoem, este é um objeto que desperta a imaginação de todas as crianças. Recordo-me quando o meu filho era pequeno adorar os “cacaus”, vulgo casca de pinheiro, com eles construía as mais variadas histórias desde walkie-talkies, espadas e pistolas.

CAIXA

2# Caixa

2# Caixa

Outro brinquedo muito versátil. As caixas também se encontram nas mais variadas formas e tamanhos. Dependendo da quantidade e tamanho das caixas que tenha, as caixas podem transformar-se em mobiliário de cozinha, camiões, túneis, barcos, armaduras invencíveis.

Num período em que estava a trabalhar com um grupo de crianças pequenas especializei-me em reaproveitar as caixas de grandes dimensões (Frigoríficos, Televisões), desde construirmos uma cidade, a aproveitar a caixa e desenhar nela um mapa de estradas para os carrinhos, até utilizarmos as luzes de Natal para fazermos um túnel encantado. Tudo foi possível e principalmente muito divertido!

Cordas e fios

3# Cordas ou Fios

3# Cordas ou Fios

Os miúdos adoram cordas. Começo já por dizer que os fios ou cordas não são adequados para os bebés ou crianças pequenas pois podem ser motivo de estrangulamento quando se lembram de os colocar à volta do pescoço. No entanto quando utilizado devidamente, o seu manuseio pode ser fonte de um grande divertimento .

A utilização mais usual das cordas será para juntar coisas. Pendurá-las nos troncos, fazer uma trela para o urso de estimação, fazer armadilhas, amarrar o irmão mais novo à cadeira. Usem um fio para fazer um telefone com dois copos, ou juntem um pau e construam uma cana de pesca.

Tubos

4# Rolo de papelão

4# Rolo de papelão

Ah, os rolos de papelão. Eles conseguem-se de forma gratuita assim que acaba o rolo de papel higiénico ou o papel de cozinha, estes são os mais comuns, mas ainda existem os rolos grandes de papel de embrulho ou os rolos dos posters, verdadeiros tesouros que duram muito tempo. Tivemos um em casa que durou 3 anos, era um telescópio, de onde se avistava a Lua quase todas as noites. Com os rolos pequenos construíram-se uns binóculos de explorador. Os rolos de papelão também são fantásticos para servir de garagem para os carrinhos ou fazer passar coisas por dentro deles.

Terra

5# Terra

5# Terra

Quando era pequena bem me recordo de fazer bolos de terra, que com um pouquinho de água, ficavam deliciosos bolos de lama, de ficar toda suja e de gostar, gostar muito…As minhas tias por sinal, não achavam assim tão divertido.

É verdade que hoje em dia cada vez mais investigações apontam para que as crianças que se sujam fortalecem o seu sistema imunitário, ao contrário das crianças que não têm oportunidade de se sujarem. Não será este o melhor argumento para deixar a sua criança sujar-se e brincar com a terra? Se à terra lhe juntar um pau, temos montes de terra a ser empilhada e destruída com o pau, a terra é o local ideal para brincar com os carrinhos e construir estradas.

Ficam estas ideias do TOP 5 dos brinquedos, ecológico, grátis e garantidamente muito divertido!

Feliz Natal!
Helena Gonçalves Rocha

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Helena

NO NATAL AS CRIANÇAS PRECISAM MAIS DO QUE PRESENTES. O QUE SERÁ? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

A pressão do Natal está aí! Para onde quer que vamos ouvimos músicas de Natal, recebemos a toda a hora novas sugestões e propostas das melhores decorações, os melhores presentes, as melhores atividades. Os nossos olhos parece que já brilham de tanta luzinha que pisca… .

As festas estão aí, muitas vezes os pais sentem a pressão de ter de” fazer bem “. Queremos que os nossos filhos sejam felizes e muitas vezes achamos que temos de ser ultra-mega-organizados, pensar sempre à frente e ser muito criativos, para que tal possa acontecer.

Aguentar o período festivo desde o Natal à passagem do ano poderá ser difícil. Apesar da felicidade e alegria que achamos que devemos sentir, muitas vezes os pais estão exaustos, stressados e sem tolerância. Os miúdos conseguem ir do estado eufórico ao estado ultra-birra em apenas 60 segundos. As famílias esvoaçam de atividade em atividade e os pais tentam encontrar o presente perfeito. Na ânsia de criar a memória do cenário natalício perfeito, caímos muitas vezes numa enorme lista de afazeres impossível de concretizar. E ficam para trás as coisas realmente importantes – tal como o tempo passado juntos, as tradições e a boa vontade.

Tudo isso é muito importante, mas não nos devemos esquecer de manter algumas coisas em mente para que esta época natalícia seja vivida com sucesso.

# As crianças precisam de aprender que dar e receber são ações recíprocas. Quando damos oportunidades aos nossos filhos de dar aos outros, ajudamo-los a aprender o que é a generosidade, a bondade e a empatia. Poderá pensar em algumas atividades adequadas a cada fase de desenvolvimento, podem visitar um lar de idosos e disponibilizarem-se para serem parceiros de jogo, ou voluntariarem-se para ajudar na distribuição de comida pelos carenciados ou organizar e doar brinquedos a quem mais precisa. Podem oferecer uma bebida quente ao porteiro da escola, que nesta época passa tanto frio, ou levar umas bolachinhas e um sorriso às senhoras da secretaria, que, com toda a certeza irão retribuir com o maior sorriso e calor no coração.

# As rotinas dão estrutura e fornecem segurança e conforto.  As rotinas básicas são para ser mantidas durante todo o ano (horários para dormir, horas das refeições, hábitos de higiene, etc) .Porém, as tradições natalícias são rotinas que acontecem sempre da mesma forma, de um ano para o outro. Por um lado são necessárias novas formas de entreter os miúdos a cada ano que passa, mas na verdade, os miúdos querem e precisam que as tradições natalícias se repitam ano após ano. E esta repetição pode ser na ementa (sempre, mas sempre Bacalhau na noite da consoada), nas decorações (sempre, mas sempre a mesma estrela no alto da árvore), as histórias que se contam, as músicas que se ouvem vão ajudar as crianças a criar memórias associadas à época natalícia. Isso, mais do que os presentes, farão esta época do ano tão única e especial.

# Antecipar e vivenciar ocasiões especiais é muito importante para as crianças. As crianças beneficiam de antecipar e participar nos eventos especiais. As crianças adoram contagens decrescentes para alcançar as atividades pretendidas e a época natalícia é perfeita para isso. Desde os calendários do advento, ao riscar no calendário os dias que passam e contar aqueles que faltam. A excitação crescente do Grande Dia que se aproxima é inexplicável para os Miúdos, a excitação do aproximar da meia-noite, tanta ânsia e nervosismo para gerir.

# As histórias e memórias partilhadas refletem os valores de família. As reuniões natalícias são sempre uma excelente oportunidade para as crianças ouvirem as histórias familiares que vão passando de geração em geração. Todas essas histórias transmitem um sentimento de continuidade e pertença que ajuda a passar também os valores familiares.

Helena Gonçalves Rocha

# As interações significativas entre os membros da família fazem a criança sentir-se amada.  A presença de um pai e a sua atenção total podem significar muito mais do que um simples presente. O tempo passado no chão da sala a jogar ou a ler um livro, nunca será tempo desperdiçado. A presença dos pais num programa natalício, tipo festa da escola, é uma das formas de transmitirmos à criança que ela é amada e valorizada.

Quando os pais desaceleram e se reposicionam, eles poderão dar memórias muito felizes aos seus filhos e poderão ir de encontro às reais necessidades desenvolvimentais. Manter estas necessidades em mente poderá ajudar os pais a filtrar o ruído provocado pela expetativa externa relativa à época natalícia. Os pais deveriam permitir-se relaxar, lembrarem-se que está tudo bem quando se diz Não, especialmente quando dizer Não significa passar mais tempo com os seus filhos.

Aproveite a época natalícia e viva na plenitude a sua Família!

Helena Gonçalves Rocha

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NATAL: A IMPORTÂNCIA DOS RITUAIS DE FAMÍLIA. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Chegou Dezembro e com ele o cheirinho a Natal! Lá fora os cenários modificam-se, são luzes que piscam, ora na iluminação de rua, ora na casa de cada um que decide decorar a sua casa especialmente para o Natal. Ainda encontramos muitos Pais Natais pendurados nas varandas, Pais Natais nos grandes centros comerciais, mas esses são só ajudantes, porque o Pai Natal, sim, o verdadeiro Pai Natal está lá longe, no Pólo Norte muito atarefado juntamente com a sua equipa de anõezinhos a ultimar as listas de presentes, a dar os últimos retoques aquela boneca que a Maria tanto queria…sim, o verdadeiro Pai Natal não consegue estar em todo o lado a dar atenção aos pequeninos. Por isso, contrata tantos e tantos ajudantes parecidos com ele, mas que efetivamente não têm a “dita magia do Natal”…

Uma das dimensões que distingue as famílias diz respeito aos seus rituais, isto é, à forma como vivenciam as atividades partilhadas, sejam elas de caráter quotidiano, sejam datas festivas, mais esporádicas e pontuais.

Cá em casa o Natal sempre foi vivido de forma muito Especial e com muita magia, desde o primeiro dia de Dezembro, em que habitualmente se montava a árvore de Natal e onde se inaugurava o calendário do advento.

calendário do advento

Cada dia, ou antes em cada noite os anõezinhos deixavam recados, mensagens, pequenos presentes simbólicos que faziam com que cada acordar de Dezembro fosse sempre em grande excitação.

Os rituais familiares são privados a cada grupo familiar porque possuem significados diferentes. Estes rituais permitem estabelecer um sentido de estabilidade e de pertença único em cada família.

As noites de consoadas são passadas das mais diversas formas e com diferentes características de casa para casa, tudo se altera, desde a ementa da noite, a forma como são trocados os presentes, a decoração da casa. No entanto no seio da nossa família a manutenção destes rituais reforça os valores familiares e as próprias heranças familiares.

Ao longo dos anos todos sabiam que chegando a meia-noite o Pai Natal surgia no céu e deixava o seu saco de presentes à porta. Todos se lembram da noite em que Ele distraído deixou o barrete pendurado no portão, todos se lembram de ver a cauda da rena quando já iam de saída.

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Agora, já todos mais velhos, uns a entrar na idade adulta, outros na efervescente adolescência, tentam manter a tradição para os pequeninos que começam a surgir e recusam-se a abandonar a Magia de outrora.

Essencial será criarmos memórias afetivas que os acompanhem ao longo da vida, que os remeta para uma estabilidade emocional, para o sentido de união / reunião Familiar, onde todos têm o seu lugar desde o mais velho aos mais pequenino.

E os miúdos podem ser envolvidos nesta celebração logo desde início, com a decoração da casa e da árvore de Natal. Na cozinha, fazendo bolinhos e partilhando as receitas de família, na noite e dia de Natal recebendo todos com alegria e celebrando esta grande reunião anual.

Deixo, pois, aqui os meus desejos que aproveitem esta época natalícia e usufruam da companhia uns dos outros e ofereçam muitos presentes do coração, construídos por cada um de vocês e sempre a pensar no outro.

Feliz Natal!
Helena Gonçalves Rocha

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HELENA GONÇALVES ROCHA

ESTAVA A PORTAR-SE TÃO BEM…FOI SÓ TU CHEGARES… Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta mítica frase já foi, com toda a certeza ouvida por muitas mães quando chegam a casa dos avós para irem buscar os seus filhos, verdade, verdadinha?

Para além da minha vasta experiência nesta matéria, os meus filhos têm os melhores avós do mundo e não sei o que seria de mim sem eles, mas, esta simpática expressão acompanhou-me invariavelmente nos “vai buscar” desta vida. Para além disso, as famílias que acompanho acabam por descrever relatos semelhantes diariamente, o que me trouxe até esta página em branco.

É mesmo verdade, os miúdos quando se reencontram com os pais no final do dia, pela sua imaturidade e acredito também como uma forma de nos castigarem por termos estado tanto tempo ausentes, desorganizam-se e conseguem armar a maior das birras e de chamadas de atenção demonstrando aos nossos pais, ou melhor ainda, sogros, como efetivamente somos as Piores Mães do Universo.

HELENA GONÇALVES ROCHA

Não se preocupe, mesmo, é um fenómeno generalizado e que acaba assim que viram costas. Solução para este drama: encurtar ao máximo a duração da recolha dos miúdos, eles estão sedentos da sua atenção e quanto mais prolongar a conversa, mais eles terão de ser criativos a chamá-la à razão.

Por outro lado, esta é também uma boa forma que os netos encontram para reforçar as competências das suas avós. “Olha que bem que eu me porto contigo que me deixas fazer tudo aquilo que desejo e como consigo ser um diabinho com a minha mãezinha! Tu és mesmo boa avozinha!”. É mais ou menos isto ou não é?

Pense em como é bom ter avós para a ajudarem na educação dos seus filhos e como os seus filhos são inteligentes na adequação do comportamento, desvalorize ao máximo estes comportamentos e deixe a conversa com a avó para outro momento. Vai ver que as cenas começam a diminuir de frequência e duração.

Se conseguir, explique aos avós que compreende perfeitamente que o seu filho tenha um comportamento completamente diferente na sua presença, mas que reforçar constantemente esta situação faz com que no final do dia, altura em que está especialmente cansada e fragilizada, estes comentários a façam sentir muito incompetente no seu papel de Mãe. Boa sorte, se conseguir, claro!

PS: Lembrar de colocar na lista de “Quando for avó não vou dizer: Estavam a portar- se tão bem…foi só tu chegares!

Perceber porque falharam alguns dos itens da lista do “Quando for mãe não vou dizer: Não é já vou, é vou já! – Não fales assim para mim que eu não sou uma amiguinha da escola, ouviste? Olha que eu sou tua Mãe!

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografia: D.R.

Helena Gonçalves Rocha

PERTURBAÇÃO DO DÉFICE DE NATUREZA. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Será que esta é uma nova entidade nosológica: perturbação do Défice de Natureza?

Na última semana deparei-me com um vídeo que abordava esta temática, o autor referia que esta não seria uma nova perturbação médica, mas sim um termo linguístico que muito bem se adaptava ao que observava nas crianças de hoje, privadas e desconectadas completamente da Natureza.

Por outro lado, foi no decorrer desta semana que me deparei com uma criança de 8 anos que, ao informá-la que iríamos desenvolver a nossa sessão lá fora na natureza, saltava de alegria e repetia “És a médica que eu mais adoro! Adoro, adoro!”, qualquer um que se encontre num contexto clínico para os miúdos passa a ser médico. Já lá fora continuava: ”Eu adoro fazer isto! Sempre sonhei fazer isto…procurar tesouros, uau!” Por esta altura já eu tinha o coração cheio e repetia o meu mantra, é por isto que eu adoro o que faço, para ver toda esta alegria!

Recordo também outra criança que acompanhava nas sessões de Psicomotricidade que, invariavelmente quando nos deslocávamos para o exterior, ía dizendo “Sabes Helena, isto é bem mais giro do que jogar Play Station!”

Helena Gonçalves Rocha

E eu pergunto, o que estamos a fazer às nossas crianças? Estamos a privá-las de Natureza?

Todos os miúdos que me procuram pelas inúmeras queixas da escola por desatenção, irrequietude, hiperatividade, quando se encontram em contexto de natureza, diminuem imediatamente a sua agitação. Quando solicitados para que discriminem os sons que os envolvem, tornam-se verdadeiros detetives super focados. Quando no final regressamos ao consultório com o registo fotográfico e as experiências vividas, são os primeiros a desejarem organizar a informação e a fazerem relatos pormenorizados aos pais sobre tudo aquilo que tiveram oportunidade de observar e experienciar.

A verdade é que todos nós quando nos deixamos embrenhar pela natureza, quer seja pela floresta com todos os seus sons, cheiros e texturas, quer seja pelo mar, pela sensação de imensidão, imprevisibilidade, pelo som e cheiro que nos transporta para uma dimensão muito distante daquela que encontramos no decorrer do stress diário. Na natureza tudo é possível, somos nós que temos de nos adaptar, não vale estar desatento, toda a atenção é pouca se queremos realmente aprender tudo aquilo que a Natureza nos permite aprender.

Como tal, lanço novamente o desafio, façam listas de itens a encontrar de acordo com a idade das vossas crianças, procurem cores, recolham tesouros, aproveitem as aprendizagens da escola, recolham objetos com as letras que já aprenderam na escola, comparem texturas, observem os pássaros, procurem os seus nomes, vejam as diferenças das estações do ano quando passam pela natureza, tantas, tantas atividades. E no final, organizem tudo aquilo que viram, aproveitem para treinar a escrita, a organização do discurso, a curiosidade em aprender.

Helena Gonçalves Rocha

Recomendo-vos o livro “Um ano inteiro- almanaque da Natureza” da Isabel Minhós Martins com ilustrações do Bernardo Carvalho, edição da Planeta Tangerina. Este livro convida-nos a viver a natureza ao longo de todo o ano. Desafia-nos a observar os ciclos das plantas e dos animais e a descobrir algumas das mudanças mais fantásticas que acontecem à nossa volta todos os meses, semana a semana, no decorrer dos 365 dias que a Terra demora a dar a volta ao Sol.

Não queremos crianças com perturbações de défice de natureza, que se contentam com a imobilidade e com o visionamento de écrans entre 4 paredes. Claro que inicialmente irão resistir, mas garanto-vos, deixem a natureza fazer o seu trabalho e verão que rapidamente serão eles que vos pedem para ir dar passeios e descobrir e aprender na natureza.

 

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografia: Helena Gonçalves Rocha e D.R.

Pediatras fazem campanha contra o uso de andadores para bebês

O PERIGO DAS ARANHAS / ANDARILHOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Foi ainda esta semana que uma mãe me solicitou sobre a utilização das aranhas.

“ Quer ir para todo o lado, mas ainda não anda. Querem oferecer-me uma aranha, mas já ouvi dizer que não é adequado, porquê? “

Et voilá, aqui temos mais uma oportunidade para esclarecer sobre este eterno assunto que continua a ser a causa de tantos acidentes graves com crianças pequenas.

Os andarilhos constituem uma espécie de cadeirinhas suspensas sobre uma armação de metal e/ou plástico providas de rodas, que permitem que a criança se desloque sozinha sobre o pavimento com o impulso dos pés.

O perigo de acidentes não é o único problema dos andarilhos ou “aranhas”. O facto de a criança ficar em pé no andarilho impede-a de rolar, sentar-se ou gatinhar, que são as bases para a aquisição da marcha. Quanto mais praticar estas competências, mais depressa aprenderá a andar. Além disso, como o bebé anda na ponta dos pés, causa tensão nos músculos das pernas, atrasando o desenvolvimento motor em geral.

O bebé fica sentado, posicionando as pernas de forma inadequada e muitas das vezes originando vícios difíceis de corrigir na posterior aquisição da marcha. No fundo, as aranhas ou andadores são um contra-senso, uma vez que posicionam o bebé numa posição que não é a ideal para o seu desenvolvimento no momento.

Um estudo publicado no British Medical Journal, em Junho de 2002, arrasou de vez com as teorias que diziam que os andarilhos estimulavam a aquisição da marcha. Uma investigação da Universidade de Fisioterapeutas de Dublin concluiu que por cada 24 horas em cima de um andarilho, um bebé atrasava o início da marcha mais de três dias. Para chegar a estes números, os investigadores analisaram a evolução do desenvolvimento motor de 190 bebés saudáveis. Segundo explicaram, os bebés que utilizam andarilhos «andam sem carregar o peso do próprio corpo, o que faz com que os seus músculos e ossos não se desenvolvam normalmente».

andarilho

A aranha pode distrair o bebé por alguns momentos e os pais não têm de se preocupar porque permite que o mesmo se desloque autonomamente de um lado para o outro.

O bebé é curioso por natureza. Se tiver um acessório que lhe facilite a vida, melhor ainda. O problema surge quando as casas não se encontram preparadas para receber as suas aventuras na aranha.

Traumatismos cranianos, cortes na língua, fraturas nos membros e nos primeiros dentes são alguns dos acidentes ocasionados pelos andarilhos.

A verdade é que a maioria das casas não se encontra preparada para que o bebé brinque à vontade e sem qualquer perigo.

No andarilho, a criança pode mais facilmente chegar aos objetos que despertam a sua intensa curiosidade, iludindo a vigilância dos pais com a sua rapidez, com os riscos inerentes a essa atividade.

No Canadá, desde Abril 2004, é proibida a venda de andarilhos. Em Portugal, a recomendação surge no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil dos bebés com a seguinte indicação:

“Os andarilhos provocam muitos acidentes: quedas, entalões, queimaduras, pancadas na cabeça, e não ajudam a andar, pelo contrário, podem atrasar”.

Perante esta realidade, é fácil chegar à conclusão que mais vale não comprar este acessório.

A Comissão Europeia, mais precisamente o Comité Europeu de Normalização adotou no passado dia 13 de Janeiro, uma norma que estabelece requisitos mínimos de segurança e obriga a alguns testes de estabilidade nos andarilhos para bebés.

As normas serão agora mais apertadas. Os fabricantes deste tipo de equipamentos vão ter de realizar testes de estabilidade ao acessório e a sua conceção terá de seguir alguns critérios bem estabelecidos de minimização de riscos.

O objetivo é promover a proteção dos bebés e das crianças que os utilizem.

Os especialistas recomendam ainda, a quem tiver um andarilho em casa, que, antes de o deitar para o lixo, o destrua até ficar inutilizado, para que ninguém possa mesmo voltar a usá-lo.

Como tal, a próxima vez que vir uma “aranha” elucide por favor quanto aos riscos que correm os bebés que a utilizam.

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografia: D.R.