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“SERÁ QUE AS CRIANÇAS NÃO SE PODEM ABORRECER?”. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Ufa! Que chatice, não tenho nada para fazer…

Hoje em dia, esta frase quase deixou de ser ouvida, parece existir uma “lei contra o aborrecimento infantil”.

Assim que ouvimos estas palavras, logo encontramos soluções: vai fazer isto, joga aquilo… Parece que não podem aborrecer-se, não podem mesmo esperar sem fazer nada, sem fazerem mesmo nada…

O aborrecimento traz a criatividade! Quantos de nós fizemos desenhos infindáveis nas toalhas dos restaurantes enquanto aguardávamos que os crescidos terminassem a refeição e a “bendita” da conversa?

Levante o dedo o último que presenciou um cenário semelhante a este nos últimos tempos. Quantos cantámos, contámos carros, sinais de trânsito para ajudar a passar o tempo?

Quando a criança se aborrece tem uma tendência natural para resolver esta inquietude, criando, inventando novos personagens, novos jogos, novas configurações, claro está se lhe dermos oportunidade para que o faça.

Será que é mesmo a nossa vontade, inibir a capacidade de resolver problemas dos nossos filhos, a capacidade de lidar com a frustração?

Será que é mesmo a nossa vontade entregar os nossos filhos às babysitters eletrónicas, assistindo passivamente à sua quietude iluminada por um feixe de luz imenso projetado na sua face?

Aborrecida

Como sempre dizia o Pai cá de casa, são os extraterrestres a tomarem conta de nós…

Será que temos coragem de não dar a solução fácil? De permitir que as crianças encontrem soluções para se entreterem, estimulando assim as suas competências de resolução de problemas e contrariando a atual tendência da satisfação imediata.

Deixo-vos este desafio, a próxima vez que o seu filho lhe pedir o tablet ou telemóvel porque não tem nada para fazer, surpreenda-o…dê-lhe um papel e um lápis ou sugira-lhe que procure outra solução.

Se vai ser fácil? Desconfio que não…Mas garanto que vai valer a pena a médio, longo prazo. O seu filho irá ser estimulado a criar, a imaginar, a resolver novos problemas.

Gostava mesmo que partilhassem connosco as vossas experiências, pode ser?

Fico à espera.
Até para a semana, divirtam-se!
Helena Gonçalves Rocha

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BURNOUT PARENTAL

BURNOUT PARENTAL. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Nesta altura do ano tudo nos parece Demais… Demasiado barulho, Demasiado movimento, Demasiado calor, Demasiado trabalho e as férias começam a surgir como uma ténue luzinha bem longe, lá longe ao fundo do túnel…

Quem tem filhos pequenos sabe que esta sensação de que tudo é demasiado, não surge unicamente nesta altura do ano.

O síndrome de Burnout  Parental  não está relacionado com a interação dos pais com os filhos, mas sim com tudo aquilo que se traduz com o trabalho em educá-los, mantê-los nos seus horários, transportá-los  para as suas atividades, supervisionar os trabalhos de casa, garantir que têm uma boa alimentação. A síndrome de burnout parental surge muitas vezes nos primeiros anos de vida da criança por toda a exigência física e social e mais tarde na transição para a adolescência em que as exigências parentais mudam radicalmente quase de minuto a minuto.

Na sociedade atual a exigência é extrema, terás de ser uma Mãe exemplar, uma profissional de sucesso, uma dona de casa exímia e uma esposa dedicada e disponível, será que alguém aguenta?

A verdade é que na maioria das vezes acreditamos que sim e dedicamo-nos a cada uma destas áreas com o mesmo empenho e dedicação e…estranho, muito estranho mesmo, como há poucas Super Mulheres, começamos a acusar sinais de extremo cansaço, falta de paciência e acima de tudo uma sensação de frustração porque parece que seria expectável que fizéssemos tudo de forma exemplar.

Os pais sentem que não cumprem os seus objetivos, não estão a fazer o que é suposto, as exigências profissionais não se compadecem da exaustão física e emocional sentidas, a casa deixa de estar arrumada na perfeição e a paciência de repente desaparece…

A verdade é que a pressão social é muita para que Eduquemos na perfeição e quando começamos a acusar este cansaço, a frustração aumenta e o Burnout Parental instala-se.

BURNOUT PARENTAL

Existem no entanto algumas estratégias que podem prevenir este Burnout Parental.
Quando se tem filhos o perfeccionismo tem que ser banido das nossas vidas, “feito é bem melhor do que perfeito”.

Peça ajuda
Delegue tarefas no pai, no avós, nos tios. ( sim , não fica tão bem feito como se você fizesse, mas fica feito). Podem ser tarefas domésticas ou mesmo o baby sitting.

Pense em si
Planeie uma atividade semanal para fazer o que mais gosta, cuide de si, só assim estará apta a cuidar dos seus filhos.

Simplifique e priorize
O que será mais importante, a cozinha a brilhar ou uns momentos de verdadeiro riso e brincadeira com o seu filho?
Não complique, reconheça os seus limites, não consegue mesmo chegar a tudo aquilo que idealizou.

Estabeleça uma rotina
Com filhos pequenos  as rotinas são algo que trazem muita segurança e simplificação do dia a dia.

Priorize o tempo de casal
Quando os miúdos estiverem na cama, aproveite para conversar e namorar. Restabeleça a intimidade. Faça planos em conjunto, planos a dois, organizem um programa semanal a dois (mesmo que seja em casa, uma massagem conjunta, um jantar à luz das velas)

Divirta-se em família
Aproveite os pequenos momentos e solte umas gargalhadas, afinal não tarda nada e eles já cresceram. E isto é tão verdade..aproveite o momento, concentre-se na relação com os seus filhos e não no “embrulho”. Estão sujos? Mas estiveram todos a rir e rebolar na relva? Viva a sujidade e os momentos bons!

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.

Helena Gonçalves Rocha

OS MIÚDOIS NÃO DORMEM O SUFICIENTE. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não quero Dormir!
Quantas horas afinal e porque é assim tão importante?

Desde cedo ouvia a minha mãe dizer:
– O teu mal é sono! Dorme um bocadinho que depois já ficas melhor!

Mais tarde, enquanto avó repetia:
– O mal dele é sono! Vê-se logo quando não dorme…

E, claro está, que como em muitas outras coisas, eu acabei por lhe dar razão e repetir não as mesmas, mas quase as mesmas palavras:
– Nota-se logo quando não dorme o suficiente! Enquanto dormes estás a crescer, não vês como estás alta?

Os bebés, as crianças e os adolescentes necessitam de uma quantidade de sono significativamente maior relativamente aos adultos, de modo a suportar o seu rápido desenvolvimento físico e mental. A maior parte dos pais sabe que as crianças em crescimento precisam de uma boa noite de sono, mas a maior parte desconhece o número de horas necessárias para cada idade e qual o impacto que pode causar a falta de 30 ou 60 minutos de tempo de sono.

Uma das razões pelas quais é díficil detetar se as nossas crianças estão a dormir horas suficientes é pelo facto das crianças sonolentas não abrandarem à medida que vão ficando com sono. Na verdade, a falta de sono pode confundir-se com sintomas da perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA). As crianças comportam-se como se não estivessem cansadas, resistindo à hora de deitar e tornando-se cada vez mais ativas à medida que a noite continua. Tudo isto pode acontecer, apenas porque a criança está cansada.

Helena Gonçalves Rocha

Quem não assistiu a episódios de crianças cheias de sono, que correm desenfreadamente, vão de encontro a tudo e que entram em guerras de desafio com o adulto?

A National Sleep Foundation, recomenda que as crianças entre 1-2 anos durmam 11 a 14h, entre os 3-5 anos, 10 a 13 horas, em idade escolar 6 aos 13 anos deveriam dormir 9 a 11 horas, os adolescentes, dos 14 aos 17 anos entre 8 a 10 horas e o jovem adulto, 18 aos 25 anos deveria dormir entre 7 a 9 horas.

Como é possível verificar, as horas diárias de sono recomendadas vão variando ao longo do desenvolvimento da criança. E, de uma coisa estamos certos, o sono é um ponto crítico no funcionamento diário das crianças.

Uma boa noite de sono prepara as crianças para estarem atentas a novas experiências, relacionarem-se positivamente com os outros e construírem competências de memória e de atenção. Quando a criança dorme, o seu cérebro está ativamente a formar novas conexões, permitindo-lhes estar fisicamente mais relaxadas e mentalmente despertas quando acordadas. Lá está a velha máxima, enquanto dormes estás a crescer.

Os investigadores nesta área relacionaram os maus hábitos de sono com um maior risco de obesidade, dificuldades de memória e atenção e fraco rendimento escolar nas crianças em idade escolar. Para além disso, o sono insuficiente foi também associado com elevados níveis de agressão, podendo afetar negativamente as relações interpessoais com os pares e família.

Como tal, temos mesmo de zelar para que as nossas crianças tenham uma boa quantidade de sono que lhes permita desenvolver harmoniosamente.

E para que ocorra uma boa higiene do sono, teremos de ter em conta alguns hábitos importantes:

  • A rotina de deitar inicia-se uma hora antes do previsto. Aqui, a atividade deverá começar a diminuir, as luzes e sons devem começar a baixar e o contato com qualquer equipamento eletrónico deverá ser completamente inibido, inclusive a televisão.
  • No quarto de dormir não deverão existir equipamentos eletrónicos (TV, Tablets, telemóveis) para que possamos garantir uma boa higiene do sono.
  • Deverá ser acordado entre os pais uma rotina de deitar. Lavar os dentes, despedir-se dos bonecos, ler uma história (já na sua cama), beijinho e ó-ó!

Com os votos de uma boa noite, sonhos cor de rosa, às bolinhas!
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PAIS SEM PRESSA? SIM, É POSSÍVEL. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Já aqui falei do tempo e da qualidade de vida que temos com os nossos filhos. Recuperando o artigo onde falo sobre este tema, (veja aqui) tive oportunidade de voltar a falar na importância do Slow Parenting [Pais Sem Pressa].

O Magazine Notícias de ontem publicou um artigo onde eu e outras mães falamos desta mesma qualidade cujo objetivo prende-se no facto de tentarmos desacelerar a vida dos nossos filhos e esticar o tempo para estarmos juntos (veja artigo completo aqui). Se preferir ler em suporte papel tente recuperar o suplemento do JN e DN da semana passada.

«Hoje em dia a pressão da perfeição faz que os pais queiram preparar os seus filhos o melhor possível. Preenchem os seus horários com todas as atividades possíveis para serem os melhores»

Ao que acrescento, é necessário sermos nós próprios a desacelerar, ouvirmos e escutarmos a criança, valorizarmos as pequenas coisas e pequenas conquistas, “perdermos Tempo” a ensinar-lhes pequenas coisas.

Fotografia de Diana Quintela/Global Imagens

Fotografia de Diana Quintela/Global Imagens

Porque eles são Capazes, mas têm mesmo de ter oportunidade de Experimentar, Errar e Tentar outra vez!
Vá sem Pressa! Pais sem Pressa, são de certo Pais mais Felizes e Tranquilos!

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Helena Gonçalves Rocha

EU E AS CRIANÇAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

 

Ontem celebrou-se mais um Dia da Criança e era ver as redes sociais cheias de crianças, as nossas, as dos outros, crianças a brincar, notícias sobre a importância do Brincar. E levada por esta imensa onda eu própria pus-me a pensar sobre a importância das crianças na minha vida.

Pois é, tenho a imensa sorte de trabalhar naquilo que adoro, o que facilita muito quando temos de enfrentar aqueles dias que daríamos tudo para não ter de sair de casa. Pois é nesses dias, em que me arrasto até ao meu local de trabalho e tomo o meu frasco de vitaminas e rapidamente me transformo novamente em alguém animada e bem disposta.

As minhas vitaminas mágicas são as crianças que habitam o meu dia. Tenho a imensa sorte de conviver com uma grande diversidade de crianças, desde os meses de idade até aos 12 anos. Cada idade tem a sua magia, cada etapa de desenvolvimento traz novas pérolas para serem exploradas e não há dia nenhum que eu não me espante com os seus feitos.

Os miúdos têm algo muito especial, são genuínos e espontâneos como só eles sabem ser. Nos primeiros anos de vida estão em permanente descoberta, primeiro enamorados pela mãe e pelo pai, depois descobrem as maravilhas do seu próprio corpo. Umas mãos para brincar, uns pés que conseguem chegar à boca, depois vão descobrindo as potencialidades do movimento  e da relação. Olha, acham graça ao que eu faço, vou fazer outra vez! A repetição é algo tão securizante, mas que é tão difícil de tolerar pelos adultos, os miúdos precisam de fazer o mesmo vezes sem conta, por vezes o adulto não consegue aguentar e muda-lhes a atividade, mas acreditem, a repetição securiza e favorece a aprendizagem nos primeiros anos de vida. Quando estou com eles volto a ser criança, e embora não perca os meus objetivos terapêuticos, divirto-me imenso a brincar com eles. Mesmo quando ouço da boca de um amigo de 6 anos “ Afinal que idade é que tu tens?”.

Helena Gonçalves Rocha

Sinto cada vez mais que os miúdos procuram muito a disponibilidade do adulto para brincar, para descer ao seu nível, para aceitarem ver o mundo pelos seus olhos, para aprenderem o que eles têm para ensinar. Por vezes coisas tão simples e que facilitam tanto a relação, como baixarmo-nos ao seu nível, indagarmos com genuinidade pelos seus interesses. Temos tanto a aprender com eles…

Sei que todos os dias aprendo, todos os dias me ensinam novas coisas. Mesmo quando eu os levo ao limite para depois fazer com eles a viagem da auto-regulação, orientando-os na forma como lidam com as suas emoções e os seus impulsos.

Já alguns anos quando visitava um jardim de infância um menino me perguntava: “A tua profissão é brincadora não é?”. Gosto de pensar que sim, que ensinar a brincar é sem dúvida uma grande sorte.

crianças

Gosto mesmo de explorar o mundo através dos seus olhos, descobrir outra vez, rir até não mais poder.

As minhas crianças lá de casa, que assustadoramente estão a deixar de ser crianças, por vezes chamam-me a atenção “Ó mãe, que disparate, comporta-te!…” Só me inibo, porque sei que estão naquela idade em que ficam muito embaraçados com tudo o que possa ser um pouco diferente, mas ao mesmo tempo sei que tenho de continuar a chamar a criança que ainda habita lá dentro, para que nunca se esqueçam como é bom Brincar!

Brincar é coisa de criança, mas também deveria ser coisa de Adulto! Um adulto que brinca é alguém que não esqueceu a genuinidade da infância, alguém que acredita que há sempre algo novo para descobrir!

Eu Brinco e vou continuar a Brincar, e você já brincou hoje?

Helena Gonçalves Rocha

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descansar em familia

FIM DE SEMANA OUTRA VEZ… DESACELERAR POR FAVOR. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Fim de semana outra vez… desacelerar por favor. Dicas para conseguir descansar!

A maioria de nós associa o fim de semana a dois dias de descanso, alegria, euforia e divertimento. Muitos de nós não têm filhos… deitam-se tarde depois de uma jantarada com os amigos, no dia seguinte aproveitam para dormir até mais tarde e “preguiçar” durante todo o domingo.

Muitos de nós têm este cenário como uma memória longíqua, longe, longe, quando ainda não existiam crianças, nem festas de aniversários nem idas à natação e ao ballet.

Pois é, admitam lá, por vezes a aproximação do fim de semana significa uma grande canseira. Por vezes até vos passa pela cabeça que mais valia estar a trabalhar…

E isto porquê? Porque muitas das vezes não sabemos gerir as nossas prioridades e colocamos a vida social dos nossos filhos muito à frente das nossas.

Senão vejamos, sábado de manhã natação, mãe na bancada a registar todos os momentos enquanto elabora lista de supermercado. Almoço tardio, entre deitar uma a duas máquinas de roupa a secar, festa do Luisinho, antes disso passar no centro comercial para comprar o presente desejado, deixar a Maria na festa e ir num instante fazer as compras da semana. Banhos, jantar e estudar? Adormecer no sofá?

Domingo quase tudo se repete, nova festa, T.P.C., arrumar a casa,  almoço de família, arrumar a casa, preparar a semana, mochilas, lanches e almoços.

OHH! STOP!

É urgente desacelerar, é verdade que não somos super-heróis e que necessitamos de tempo de descanso e lazer. É verdade que, mais do que cumprir tarefas, temos de ter tempo para usufruir das relações com os nossos filhos e construir memórias conjuntas.

E depois de alguma análise do que nos rodeia, depois de algumas tentativas e erro, chegámos a algumas sugestões /desafios que nos permitirão abrandar um pouco o ritmo alucinante do fim de semana.

descansar em familia

As casas perfeitas existem nos catálogos de decoração

Viver numa casa perfeita, sempre limpa e arrumada é coisa de IKEA. Passar os sábados de manhã de aspirador numa mão e pano de pó na outra é o suficiente para estragar o nosso humor durante o resto do dia. Sugestão: dividir as tarefas domésticas pelos diferentes elementos da família e pelos diversos dias da semana. Um dia para lavar casas de banho, outro para aspirar a sala, outro para mudar lençóis. Devidamente distribuídas as tarefas por todos os elementos e dias da semana vai ver como ao fim de semana tudo parecerá mais fácil.

Compras de supermercado e passeios pelo shopping ao fim de semana, nem pensar!

Mais vale sacrificar a hora de almoço durante a semana, ou levar as compras ao final do dia quando regressa do trabalho, do que ir em excursão para um supermercado cheio de gente com miúdos que habitualmente se portam mal, fugindo ou pedindo tudo aquilo que vêem. As compras ao fim de semana, domingos, noites ou feriados, é uma moda relativamente recente, moda esta que me faz questionar a qualidade de vida das famílias dos funcionários destes mesmos supermercados. Crianças que não estão com os pais aos fins de semana para que nós comodamente possamos fazer as compras dos guardanapos e detergentes às oito da noite de um sábado.

Sugiro que apreciem e promovam o comércio local, visitem as feiras e mercados com os vossos filhos, para que compreendam que existe a relação direta entre o produtor e o consumidor.

Não precisamos de aceitar todos os convites

É verdade, muitas vezes o fim de semana é distribuído entre 3 e 4 festas de aniversário, muitas vezes distantes umas das outras, uma num sítio mais espetacular do que o outro. Mas será que esta azáfama compensa? Será que não devemos ajudar os nossos filhos a priorizarem, a que festa devemos ir? Qual o amigo que faz mais questão e com o qual nos identificamos mais?

Afinal conseguimos passar um fim de semana inteiro a fazer de UBERpapá, distribuindo-os de festa em festa e sem ter oportunidade de conviver com os nossos próprios filhos.  Onde está o tempo para estarmos uns com os outros, ouvirmo-nos sem ter a pressão do horário semanal?

Um dia sem T’s

Aqui está um desafio bem difícil, mas possível. Um dia inteiro sem telemóvel, sem televisão, sem tablets, um dia sem T’s.

Sem partilhar fotografias, sem saber onde anda toda a gente, sem tirar fotos para postar, apenas a viver cada momento com todos os nossos sentidos presentes.

Hoje em dia este é um real desafio, mas cada vez mais necessário, experimente esta sensação de liberdade e depois conte-nos com foi.

Passear sem rumo pelo mundo

Sair de casa e observar o que nos rodeia, sem pressa, tudo o que a natureza nos proporciona, tão incrível que todos os dias são diferentes, a flor que nasceu, o novo cantar de pássaro, as nuvens no céu que mudam a cada instante.

Estar sem pressa nem horário para nada, para mesmo nada. Apenas aproveitar a companhia e o contacto uns com os outros.

Construir a nossa identidade enquanto família, os nossos momentos, aqueles momentos que a família do lado não faz nem ideia. Tudo o que nos torna diferente dos outros. E para isso é preciso tempo, e para isso é preciso oportunidade de estarmos uns com os outros.

Tentem aproveitar estes dois maravilhosos dias a fazerem coisas que vos dê prazer e a estar com quem mais gostam.

Se tiverem mais dicas para partilhar, façam-no por favor! Esta mãe exausta e à beira de um ataque de nervos agradeceria eternamente!

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bullying

10 SINAIS DE QUE O SEU FILHO É VÍTIMA DE BULLYING. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Em  1994 iniciei a minha monografia de fim de licenciatura para a qual escolhi o tema “ Bullying – agressividade no espaço escolar” sob a orientação do Professor Carlos Neto na Faculdade de Motricidade  Humana. Na altura sempre que me perguntavam sobre o que versava a tese, tinha de repetir e explicar várias vezes o conceito. Recordo como foi desafiante este projeto desenvolvido nas escolas problemáticas da Grande Lisboa com cerca de 700 estudantes. Davam-se os primeiros passos neste alerta que vinte anos mais tarde é sobejamente conhecido por todos, pais e alunos.

No entanto, creio não ser demais lembrar a importância que deveremos dar ao bem estar dos nossos filhos no território escolar. Será que algum dos sinais de alarme que listo abaixo se enquadra no seu filho? Se assim for, o seu  filho pode estar a ser vítima de bullying. Todos nós temos esperança que os nossos filhos nunca sejam vítimas de bullying ou Bullies, ou seja agressores, porém este fenómeno está cada vez mais presente nas nossas escolas. E é também verdade que muitas das crianças vítimas de bullying não pedem ajuda, como tal é muito importante conhecermos os sinais de alarme.

bullying

10 Sinais de que o seu filho é vítima de bullying na escola

#1  Dificuldade em explicar ( ou não consegue mesmo explicar) lesões ou o aparecimento de lesões ou feridas recorrentes;
#2  Desaparecimento de pertences ou aparecerem estragados ( inclui peças de vestuário, livros, brinquedos, equipamento eletrónico, etc);
#3  Sentir-se frequentemente doente ou fingir-se doente ( exemplo: dores de cabeça frequentes ou dores de barriga);
#4  Alteração dos hábitos alimentares ( inclui “saltar” refeições, comer compulsivamente, regressar da escola cheio de fome porque não comeu o almoço, etc);
#5  Pesadelos frequentes ou outro tipo de alteração do sono;
#6  Não querer ir à escola ou apanhar o autocarro, perda de interesse nos trabalhos escolares ou tirar notas abaixo do habitual;
#7  Evitamento de situações sociais repentinamente ou perda de amigos;
#8  Começar a fazer bullying com um irmão mais novo ou miúdos mais novos ( muitas das vezes começam por imitar e mimetizar aquilo que está a acontecer com eles próprios);
#9  Sentir-se inseguro, diminuição da auto-estima ou outro tipo de alteração de personalidade ( incluindo ficar mais reservado ou triste);
#10  Apresentar comportamentos auto-destrutivos ( exemplo: auto-mutilação, julgarem-se culpados de tudo, tentar fugir de casa ou falarem em suicídio).

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Estratégias para lidar com o Bullying
É importante referir que nem todas as crianças vítimas de bullying irão revelar estes sinais específicos. Lembre-se que o seu filho pode não lhe querer dizer que está a ser vítima de bullying. Porém se você  acha que isso está a acontecer, não ignore a situação e  aja!

Quer ache que a sua criança está a ser vítima de bullying quer não ache, o melhor mesmo é conversarem sobre este assunto. A comunicação é o pilar da relação e é muito importante que o seu filho perceba que está ali para o ouvir, incondicionalmente. Conforme o vai ouvindo, a confiança entre vós vai crescendo e ele perceberá que tem em si um Aliado com o qual pode contar.

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FIDGET SPINNER

SABE O QUE É O FIDGET SPINNER? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena
Conheça o brinquedo que já foi proibido em algumas escolas
Os fidget, ou brinquedos anti-stress, foram originalmente utilizados para ajudar crianças com alterações de desenvolvimento, desde o autismo, à hiperatividade e défice de atenção.  Porém, parece que estamos perante uma nova modamania, em que toda a criança e jovem tem mesmo de possuir e controlar um fidget spinner.

Mas afinal do que se trata? É um simples dispositivo, pequeno, com três pontas cujo objetivo é… fazê-lo girar. Este é o “Fidget Spinner”, um brinquedo que não é novo, mas que parece estar a substituir tablets e telemóveis  das crianças em diversas escolas nos Estados Unidos e no Reino Unido.

O “fidget spinner” possui um círculo giratório no centro, sendo que, ao colocar os dedos nas pontas, com um movimento rápido dos mesmos é possível girá-lo, criando uma rotação veloz, com um efeito visual dinâmico, dada a sua variedade de cores. A minha filha adora e já consegue fazer alguns truques, já existem vídeos no YouTube onde os utilizadores demonstram os seus truques.

FIDGET SPINNER

A Origem do brinquedo e sua utilização terapêutica

Confesso que nunca imaginei que os fidget toys virassem moda. Aos longos dos anos já prescrevi vários tipos de Fidgets, entenda-se “fidget como um objeto pequeno que mantém as mãos ocupadas de modo a que a criança consiga focar a atenção no professor.

O aluno pode mantê-lo na mão, senti-lo, mexer-lhe, brincar com ele, tudo isso enquanto se mantém focado no professor. Estes brinquedos são extremamente úteis nos alunos que têm dificuldade em manter a atenção  e em alunos que passam todo o seu tempo a tocar em coisas e pessoas.

Já experimentei vários tipos de objetos desde as bolas anti-stress, balões cheios de farinha ou arroz, borrachas. Se for pequeno, não fizer barulho e couber na mão, temos um Fidget.

bola anti stress

Manter as mãos ocupadas e em movimento, permite uma regulação sensorial necessária para que estes alunos consigam manter-se calmos, focados e com atenção.

Um problema nas escolas
No entanto há um problema com os fidget toys, rapidamente se transformam em distração para toda a sala de aula.
A ascensão dos níveis de popularidade do “spinner” tem sido tão elevada, que algumas escolas proibiram os alunos de os trazer, com receio de que estes possam distraí-los das aulas.

Como tal, existem regras importantes a cumprir quando se utilizam os fidget dentro da sala de aula com objetivo terapêutico:

Não precisas de olhar para o fidget, olhos no professor.
Não deverás chamar a atenção dos teus colegas com o teu fidget.
O fidget deve manter-se nas tuas mãos ou na secretária.

A verdade é que poderão ser utilizados no recreio sem restrições, aliás é uma alternativa bem melhor à utilização dos equipamentos eletrónicos, uma vez que podem desenvolver as competências de motricidade fina e destreza manual.

Atualmente, tal como outra moda que já aqui falei, o Botle Flip, esta é uma brincadeira que promove a interação entre pares e uma saudável competição entre eles. E tal como o Botle Flip, rapidamente irá deixar de ser furor. Mas até lá, aproveite e tente girar sem parar e aprender alguns truques com os seus filhos.

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brincadeiras

SER MÃE A BRINCAR Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Ser Mãe a Brincar ou Brincar de Ser Mãe?

Esta semana senti pela primeira vez a pressão para escrever algo associado ao Dia da Mãe, ser Mãe! Foi a primeira vez que percebi que liam aquilo que escrevia e que haveria alguma expetativa relativamente ao conteúdo. Uiii, pressão para mim é quase sinónimo de bloqueio. Brincadeiras de Pai e agora teriam de ser as Brincadeiras de Mãe.

Arrisquei um plano, uma estratégia. Adoro Brincar, sempre adorei e tenho o privilégio de o poder fazer todos os dias. Sou Mãe e claro está, sou Filha da Mãe. Logo, que tal perguntar aos meus filhos o que mais gostavam e recordavam das brincadeiras com a Mãe? Magnífico, não acham? E recordar todas as magníficas brincadeiras da minha Mãe? Questionar a minha Irmã, os meus sobrinhos? Encontrar um padrão e já está!

Da minha Mãe a Brincar recordo uma brincadeira  especial, “Era uma vez uma casinha”. Uma brincadeira carregada de afeto, carinho e toque, sentada no colo olhando a minha Mãe, ela dizia “Era uma vez uma casinha…com telhado, e passava as mãos no meu cabelo, com uma janela, outra janela, e passava a mão nos meus olhos, uma cortina, outra cortina, e fechava as minhas pálpebras. Descia para o meu queixo e simulando que subia uma escada com os dedos subia até à boca dizendo, – com umas escadas, uma porta, e passava a mão pelos meus lábios. E aí, a apoteose acontecia, – e uma campainha! E energicamente tocava na ponta do meu nariz, Triimmm! Delicioso, e cada repetição era como se fosse a primeira vez!

Claro que, quando fui Mãe, a Brincar repeti esta brincadeira vezes sem conta com os meus filhos e mesmo em contexto de trabalho é garantido este momento de relação, toque e afeto.

Da minha Mãe a Brincar recordo os imensos livros que sempre me deu, cheios de moral e como carinhosamente plantou em mim a enorme vontade de Saber, de ler, de procurar respostas para todas as minhas dúvidas.

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Ser Mãe a Brincar

Da minha Mãe a Brincar, recordo de estar sempre a cantar “O Mar enrola na Areia”, com a sua voz não muito afinada e que acompanhávamos em coro alegremente.

Da minha Mãe a Brincar recordo os jogos de memória visual, as estratégias de memorização que mais tarde, em tempo de estudos me foram tão úteis.

Memórias partilhadas, o quanto é bom termos irmãos, ficaram o rebolar na relva, as inúmeras idas ao Parque, os jogos durante as viagens longas, os jogos de tabuleiro, o MasterMind, os Quatro em linha.

E  fiquei a pensar o quanto eu transportei para eu, a Brincar de Ser Mãe. Sem dúvida o gosto pelos livros, as brincadeiras na rua, a estimulação do pensamento. Obrigado Mãe, por seres a melhor Mãe a brincar!

Mãe que ainda brinca com os netos, abre e fecha a porta do elevador vezes sem conta quando vão embora, fingindo que fecha, mas não….

Quantos aos netos… o meu filho recorda as brincadeiras do Avião, deitada no chão equilibrando-o na planta dos pés, fizemos grandes viagens e a minha filha recorda os “ovos Praia”, brincadeira inventada numas férias em que recusava comer…

Será possível? Uma brincalhona como eu? Uma Mãe a Brincar com tanto esmero?

Fica-me a esperança que, talvez daqui a vinte anos, recordem as histórias contadas todas as noites, os fins de tarde depois da escola em que chegávamos, ligávamos a música e dançávamos até cair, as aventuras na praia e na floresta, as noites deitadas na relva lá de casa a contar estrelas e esperando uma estrela cadente para pedir Um Desejo…

Ser Mãe a Brincar é mesmo o melhor…
Feliz Dia Mãe e aproveite para recordar a sua Mãe a Brincar!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
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helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
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Aroeira Shopping area Lj 18
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Fotografias: D.R.

 

Familia

QUER O SEU FILHO FELIZ? DÊ-LHE MAIS EXPERIÊNCIAS E MENOS COISAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana deparei-me com um artigo que enumerava todas as vantagens de “viver” em vez de “ter”. Uma equipa de investigadores da Universidade de Toronto debruçou-se sobre esta temática e concluiu que, também as crianças são mais felizes com as experiências que vivenciam do que com a última novidade dos brinquedos.

Os resultados das  investigações são claros  se você quer ser Feliz, deverá gastar mais dinheiro em experiências e não em coisas.
Cindy Chan, professora auxiliar na Universidade de  Toronto e principal responsável por esta investigação, concluiu que as “expeirências –presente” tem uma maior probabilidade de construir memórias de longa duração para os miúdos devido às conexões emocionais  que são ativadas quando fazemos alguma atividade em vez de possuirmos alguma coisa. “ Uma “experiência- presente ativa uma resposta emocional forte a quem a recebe – como o medo numa descida de rappel, a excitação de um concerto de música ao vivo ou a calma desencadeada por uma experiência num spa – e é bem mais intenso emocionalmente do que a possessão material “ – afirma Chan.

E porque serão tão importantes estas memórias de infância? Elas ajudam a construir alicerces emocionais fortes aos quais as crianças podem recorrer ao longo da sua vida sempre  que se sentem tristes , stressados, ansiosos ou preocupados. Segundo a psicoterapeuta infantil Dr. Margot Sunderland, as memórias positivas ajudam as crianças a regular o stress, aumentam o tempo de atenção, estimulam a concentração e desenvolvem de forma global a saúde física e mental. As memórias felizes servem como “âncoras”que dão conforto aos miúdos quando as suas vidas atravessam uma fase menos boa.
Não só as experiências ajudam as crianças a construir uma base sólida de memórias felizes, mas também ajudam a promover o desenvolvimento do cérebro. “Um ambiente enriquecido oferece novas experiências que são fortes na interação social, física, cognitiva e sensorial combinada”, disse Sunderland. Cada vez que você faz algo que está fora das suas atividades habituais, você dá aos seus filhos a hipótese de ver, cheirar, ouvir e tocar coisas diferentes que irão adicionar às suas experiências globais e desta forma ajudar a enriquecer os seus cérebros.

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Não será por acaso que as grandes personalidades quando são entrevistadas sobre a sua infância partilham memórias de experiências vividas e não de tudo aquilo que possuíram.
E será que importa para onde se vai?
A investigação deixa-nos uma  questão: será que o tipo ou tamanho da experiência importa?

Será que uma saída em família à gelataria local constrói uma memória tão forte como umas férias em família na Eurodisney?
Você ficará feliz em saber que isso não importa. Na verdade, as crianças são mais propensas a ter uma memória forte e reconfortante de uma saída especial para comer um gelado em que a sua família estava animada e envolvida  do que de uma viagem emocionante, mas estressante para o “lugar mais feliz na Terra”.

A minha amiga Maria teve essa mesma experiência na primeira pessoa quando levou as duas filhas à Eurodisney e a única coisa que elas queriam fazer era aproveitar e nadar na piscina do Hotel. Eu própria – já com filhos adolescentes – sei que eles muitas vezes falam dos passeios de Verão em que nos molhávamos nos aspersores de relva dos jardins de Belém  como uma das suas memórias inesquecíveis.
Na verdade, eu acredito que o segredo  está na forma como os pais encaram estas aventuras, e que quanto mais relaxados estivermos melhor correrá, com toda a certeza. Viagens sem agenda e sem stress são aquelas que os miúdos mais se divertem.
Na verdade, quando eles crescem as “coisas” acabam por se deitar fora, já as memórias, essas, ficam connosco para sempre.
Como tal, aproveite e lembre-se, invista o seu dinheiro em experiências memoráveis com quem mais gosta. Vai ver que vai valer a pena!

Helena Gonçalves Rocha

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