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9 DICAS PARA PÔR AS CRIANÇAS A ESCREVER. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Escrever faz muito sentido para as crianças, principalmente se o fizerem com um objetivo. Por vezes, algumas crianças são bastantes resistentes para escrever e para elas é extremamente importante integrar a escrita na sua vida diária utilizando também o jogo como forma de a motivar a pegar no lápis e deixar a sua marca. Quando a escrita adquire um objetivo prático e específico, as crianças começam a entender a importância da alfabetização e rapidamente embarcam em todas as diversões que vão surgindo ao longo do caminho.
Aqui estão dez idéias práticas para que as crianças gostem de escrever com um propósito.

9 DICAS PARA PÔR AS CRIANÇAS A ESCREVER

#1 Peça aos seus filhos que escrevam a sua lista de compras e depois responsabilize-os por marcarem os itens à medida que os vão comprando.

#2 Quando você está a planear a festa de aniversário do seu filho, coloque-o no comando. Deixe-o escrever a lista de convidados e enviar os convites.

#3 Faça um calendário de festas. Seja qual for a temporada (advento e Natal, férias da Páscoa, férias grandes…) arranje um grande pedaço de papel e crie seu próprio calendário de eventos. Coloque as crianças responsáveis ​​pelo desenho e escrita e deixe-os sugerir algumas ideias divertidas para incluir no cronograma, não se esqueça de incluir os aniversários dos familiares e amigos, eles adoram!

#4 Receber uma carta manuscrita da vida real através do correio é emocionante em qualquer idade. Se calhar posso dizer que talvez mais na nossa idade, uma vez que ainda somos do tempo de trocar correspondência (eu pelo menos, já sou muito antiga) com os primos e os pais durante as férias onde se relatavam todas as aventuras. Agora, tristemente, as cartas que recebemos maioritariamente têm números e habitualmente são para nós pagarmos… No entanto, ainda este verão, assisti ao entusiasmo e inabilidade dos meus adolescentes ao enviarem postais dos locais de férias.
Então…tente encontrar um amigo com quem o seu filho possa trocar correspondência, ou então incentive-o a faze-lo com os avós, de certo ambos irão adorar.

#5 Sirva-se da porta do frigorífico e deixe recados ou perguntas e desafios que requeiram resposta. Vai ver a excitação, sendo que aumenta a adrenalina se os mensageiros não puderem ser descobertos no momento de colocar a mensagem no frigorífico.

9 dicas

#6 Quando for de férias, não esqueça de envolver os miúdos na escolha criteriosa dos cartões postais para enviar para alguém ou para vocês mesmos, para ver quem chega primeiro.

#7 Faça um livro das férias em conjunto com os seus filhos, muitos desenhos, colagens e algumas escritas espontâneas que vão acabar por aparecer.

#8 Faça seus próprios cartões de aniversário  e peça ao seu filho que escreva o texto dentro e o endereço no envelope. Em seguida, compre o selo e coloquem a carta em conjunto, de preferência num marco de correio vermelho.

#9 Com crianças mais ativas, use um lápis e papel ou um giz na parede lá fora, sempre que estiver a jogar um jogo com ele para que possa anotar as pontuações. Esta é uma ótima maneira das crianças competitivas escreverem!

E por aí? Você também encoraja o seu filho a escrever com um objetivo? Partilhe connosco uma das suas dicas.

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografia: D.R.

Helena

A PÁSCOA E OS RITUAIS FAMILIARES, por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não havia nada mais certo, assim que se iniciavam as férias escolares aí íamos nós rumo ao alto Minho, para a “terra” dos pais, usufruir de todas as tradições da Páscoa.

A mais apreciada, era sem dúvida, o beijar da cruz. De casa em casa, lá íamos, o grupo de primos e amigos, receber o Sr. Padre e toda a sua comitiva que alegremente entravam na casa de cada um, anunciando “Aleluia, Aleluia, Aleluia”, acompanhado de salpicos de água benta. De seguida, a Cruz de Cristo era oferecida a cada um dos presentes para que a beijasse, recordo-me como se fosse hoje, como a Cruz era enorme para mim e como gentilmente se baixavam para que eu escolhesse onde iria beijar, nos pés, nas mãos (era uma decisão difícil, numa altura em que pouco se pensava em doenças e questões de higiene). O ritual terminava com o dono da casa a oferecer um ovo, que era depositado e transportado num requintado balde de prata.

Os miúdos, de seguida lançavam-se para a mesa dos doces, enchendo os bolsos de amêndoas, provando as especialidades da casa, desde o Pão de Ló, à Rosca Mulata da Tia. Os mais afoitos ainda conseguiam bebericar um cálice de vinho do Porto e fugir rapidamente para a casa seguinte, onde todo o ritual se voltava a repetir. No final, faziam-se contas, quem conseguiu beijar mais, que doces comemos e o relato de todas as peripécias vividas.

Pascoe

Os rituais familiares são momentos que nos permitem viver e fortalecer ligações afetivas, servindo como recurso fundamental para a manutenção e fortalecimento da família. Os rituais são expressos de forma diferente em cada família, com cada uma a descobrir e a construir os seus, moldando-os à sua imagem.

Devido ao seu carácter repetitivo, os rituais constituem um elemento estabilizador e reconfortante para os membros das famílias, contribuindo para o estabelecimento e a preservação de um sentido coletivo, ou seja, da identidade familiar.

Todas as Páscoas eu sabia o que iria acontecer… e a segurança que isto me trazia…

Assistimos atualmente a uma perda progressiva das rotinas e rituais familiares, estando muitas vezes as famílias desprovidas de um fio condutor, afastadas dos elementos da família alargada.

O reatar de rituais familiares, ou mesmo a criação de novos rituais que façam sentido à família podem inverter esta situação e voltar a dar o fio condutor abalado, tornando-a mais coesa e autónoma.

Confesso que adoro rituais e adequá-los à minha família já quase se tornou um vício. Todos sabem o que acontece nas manhãs de Domingo. Todos sabem que na Noite de Natal se joga o jogo da Cadeira, os mais novos e os mais velhos. Todos sabem como os aniversariantes são acordados logo pela manhã. Enfim, são muitos os rituais já criados, mas muitos mais podemos inventar, na certeza que são estas memórias, estas certezas, esta segurança que podemos transmitir aos nossos filhos e quem sabe possam transmitir aos netos.

Os rituais são parte essencial da vida familiar, permitem apaziguar ansiedades, permitem tratar a sua Família como única e criam História e Memória.

Que tal aproveitar esta época festiva e iniciar uma nova tradição? Quem sabe, esconder ovos pela casa ou pelos caminhos circundantes, e partirem todos à Caça dos Ovos?

Para todos Vós uma Santa Páscoa e gozem a companhia uns dos outros!
Helena Gonçalves Rocha

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SINAIS DE PRIMAVERA…CAÇA AO TESOURO Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Vivemos num país com um clima maravilhoso. A nossa Lisbon South Bay tem variadíssimos locais fantásticos para podermos explorar a natureza com os nossos filhotes. Desde os extensos areais, que nesta época ganham outra luz e outro encanto, até às matas, pinhais, serras, o que mais poderemos nós desejar?

A única coisa que não poderemos fazer, é mesmo ficarmos em casa.

Recordo sempre o meu querido adolescente quando tinha ¾ anos…”ó mãe…sempre rua, sempre rua…”. É verdade, foi sempre sacrificado a ir para a praia no inverno, fazer percursos de bicicleta nos pinhais, apanhar flores…

A natureza proporciona aprendizagens espetaculares e momentos fantásticos. Daqueles que deixam memória. Não me recordo de alguma vez ter ouvido falar do memorável dia passado no sofá a ver televisão. Mas na minha memória ficaram os inúmeros piqueniques feitos em família na mata da Lagoa de Albufeira, onde trepávamos as árvores e improvisávamos cabanas.

Desde cedo podemos ajudar os nossos filhos a contemplar o que a natureza nos traz, sem pressas, deixá-los procurar, sentir, cheirar, ouvir tudo o que os rodeia.

Nem sempre é fácil estarem atentos a todos os subtis sinais que vão aparecendo aqui e ali.

Deixo-vos uma sugestão de atividade possível de organizar para todas as idades: “Caça ao Tesouro : sinais de primavera”

Não há miúdo que não adore uma caça ao tesouro, ser um explorador, um investigador.

Previamente elabore uma lista daquilo que pretendem encontrar e que, obviamente, se relacione com a chegada da primavera.

Os mais velhos podem levar os seus telefones e registar as fotos das provas, os mais novos podem riscar na lista os tesouros encontrados, ou até mesmo munirem-se de um saquinho para ir guardando os tesouros encontrados.

Esta atividade, para além da diversão inevitável que irá proporcionar, irá também permitir desenvolver nas crianças a percepção das estações e as mudanças que ocorrem na natureza.

Desenvolver a discriminação auditiva, quando tentarem perceber que tipo de canto de pássaros conseguem ouvir.

Desenvolver a atenção, a organização e o planeamento. Desenvolver as suas competências verbais, quando no final puderem recontar tudo aquilo que viram.

Enfim, um infindável número de competências, que lhes irão facilitar a aquisição das competências académicas. E tudo isto, sem estar sentado numa cadeira frente a uma ficha, ou mesmo um tablet. Bem mais divertido, não acham?

FLORES

Aqui fica uma proposta de Sinais de Primavera:
– as nuvens
– a sombra
– pássaro
– botão de flor
– borboleta
– joaninha
– folhas molhadas
– flores
– abelha
– ninho de passarinho
– alguma coisa a crescer
– pétalas de flor
-….

Experimentem já este fim de semana e depois partilhem connosco as fotos. Por favor…
Divirtam-se e descubram os tesouros da natureza nesta época do ano.

Até para a semana, aproveitem o Sol!
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Helena Gonçalves Rocha

O CORPO, O MELHOR BRINQUEDO Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Desde cedo, ou antes desde sempre, nos relacionamos com o Exterior, com o Outro através do Corpo. O Bebé aconchega-se no colo da Mãe, molda-se ao corpo do Pai e a cada dia vai descobrindo novas potencialidades neste Seu brinquedo.
Primeiro são as Mãos, têm dedos e mexem… uau, e que belo efeito quando a luz passa entre os dedos!
Depois os Pés, ups…cá estão eles ao pé da boca .  Ui, o que é isto? Ticl, ticl, coceguinha, que sensação boa…Mais Mamã, mais..
Olá…e consigo rebolar? Vamos lá experimentar outra vez, força na perna e tcharamm…aqui estou de barriga para baixo.

Aos poucos o Bebé vai experimentando todas as potencialidades do seu Corpo, o que lhe permite fazer, o que lhe permite alcançar. O adulto, habitualmente, nas primeiras idades privilegia as brincadeiras corporais, consegue ir para o chão com o bebé e Brincar, brincar, brincar. Porém, depressa demais, colocamos os brinquedos físicos entre nós, colocamos puzzles, colocamos cadeiras e mesas, deixamos de brincar no chão.

Brincar no chão, brincar com o Corpo, olhar nos Olhos, continua  a ser necessário até muito, muito tarde.  As vivências corporais aproximam-nos das crianças, não tenhamos receio de descer ao chão, experimentar, também nós, as potencialidades do nosso Corpo. Será que ainda sabemos rebolar? Será que nos lembramos como é bom brincar estendido no chão?

Cada vez mais encontro crianças já mais velhas (8, 9 anos) que têm muita falta de experiências corporais, de brincar no chão, de experimentar todas as potencialidades do seu corpo e que invariavelmente se reflectem em dificuldades na relação e nas aprendizagens. E aqui vos confesso, que é reconfortante, maravilhoso, voltar com eles e com as suas Famílias a estas experiências que ficaram incompletas, voltar aos balancés no chão, ao barquinho, ao avião e depois ouvir as Famílias dizerem: “ Está mais confiante! Agora as letras saem-lhe melhor…” Parece quase Magia, mas não, não é, é o Corpo a poder falar com a Cabeça, é a Psicomotricidade  em acção.

Também é verdade que cada vez mais encontro crianças cansadas, se é que é possível uma criança cansar-se. Lembro-me sempre da minha mãe que me dizia quando eu ia buscar o meu filho: “ Ele hoje brincou tanto, mas tanto, tem que estar muito cansado” e eu invariavelmente questionava “E há limite para brincar? É possível uma criança se cansar de brincar?”

Helena Gonçalves Rocha

A verdade é que hoje em dia, muitas são as crianças que negam o movimento. “Não quero ir… isso cansa”, “ Helena, vai mais devagar, já estou cansado!” Depois de meia hora a andar? Não é possível, algo vai mal… É urgente despertar os miúdos para o seu maior e melhor brinquedo, o seu Corpo. Nas sessões de Psicomotricidade que desenvolvo, muitas delas em contexto de Natureza, é muito interessante observar que progressivamente os miúdos passam de muito cansados a excessivamente enérgicos, interessados e atentos.

Cada vez mais cedo nos afastamos do Chão, nos afastamos do movimento livre, cada vez mais passamos horas sentados em cadeiras ou sofás estáticos . Incontornavelmente, isto trará problemas associados à falta de movimento, as dores nas costas, as dores nas ancas, enfim, vocês saberão com certeza ao que me refiro.

Helena Gonçalves Rocha

Temos de esgotar as vivências corporais com os nossos miúdos pequenos e habituarmo-nos a estar mais tempo no chão. Reparem que o chão nos obriga a estarmos em contantes alterações de postura e o movimento é nutritivo, traz-nos aquilo que o nosso corpo precisa para funcionar em pleno.

Como tal, não esqueça, abandone o sofá e vá brincar para o chão com o seu filho. Fazer aviões, balancés, ler um livro deitado de barriga para baixo, fazer um desenho em conjunto.

Enfim, não esquecendo que o Corpo é o seu melhor brinquedo!

Bom Fim de semana!
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Fotografias: D.R.

criança interromper

ESTRATÉGIA SIMPLES PARA QUE O SEU FILHO NÃO INTERROMPA!

Helena

Recordo-me bem, quando os meus filhos eram pequenos de interromperem qualquer conversa em que eu estivesse envolvida, unicamente porque lhes apetecia. O que tinham feito ontem, de que cor era aquele bicho, quando íamos embora…Enfim, um sem número de situações urgentes e inadiáveis que justificavam a interrupção.

Interrompiam até certa altura.

Ou seja, antes de eu descobrir uma pequena estratégia mágica.

Certo dia, estava a conversar com uma amiga quando o seu filho (na altura com 3 anos) quis dizer qualquer coisa.  Em vez de interromper a mãe, ele agarrou-se ao seu pulso e esperou. A minha amiga colocou a mão por cima da dele e continuamos a conversar.

Assim que acabou aquilo que estava a dizer, ela virou-se para ele. Tão simples. Tão terno. Tão respeitador de ambos, da criança e do adulto. O seu filho só teve esperar alguns segundos para que a minha amiga acabasse a frase. E assim que o fez, ela deu-lhe a completa atenção.

Cá em casa começámos de imediato a aplicar esta estratégia. Explicámos ao G. e à M. que se quisessem falar e alguém já o estivesse a fazer, deveriam colocar a sua mão no nosso pulso e esperar. Foi necessário algum treino e alguns puxões nos nossos pulsos como lembrete necessário, mas garanto-vos que as interrupções acabaram!

Acabou o  “espera”, “a mãe está a falar”, “não interrompas, se faz favor”. Com um simples gesto, um pequeno toque no pulso. E é Só.
Experimente.
Vai ver que dá resultado.
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SEREI UM PAI HELICÓPTERO?

Helena

No outro dia estava junto a um parque infantil a conversar com uma amiga, quando a certa altura comecei a ouvir uma voz masculina que frequentemente gritava “Maria! Maria!”. Ao início parecia somente o barulho de fundo característico de um parque infantil, mas aos poucos comecei a ficar curiosa com o que estaria a passar. Foquei a minha atenção no dono da voz que gritava e naquela que eu presumi que seria a sua filha, Maria. Assim que comecei a tomar mais atenção começou a soar-me mais assim:

Maria! Aqui, aqui! Por aqui! Maria, olha, olha! Vira para este lado, Maria! Agora para o outro lado. Olha para aqui! Anda cá! Senta. Escorrega agora! Boa, linda menina!”

Esta é uma típica situação de “Pai helicóptero”, que neste caso estaria altamente empenhado em liderar e orientar a brincadeira da criança. Infelizmente, com tanta orientação do seu pai, a criança parecia não estar a usufruir muito da brincadeira. Este homem estaria claramente muito bem intencionado, mas seria importante analisarmos este comportamento pela perspetiva da criança.

Na literatura internacional já encontramos a descrição dos “Pais Helicópteros” como: “Pais que pairam sobre os seus filhos, independentemente das suas necessidades ou desejos. Pais super protetores que não querem que os seus filhos enfrentem qualquer dificuldade sem a ajuda dos pais

Se, por algum acaso, se identificar com algum dos exemplos descritos, saiba que ainda é tempo para repensar a sua prática e ajudar o seu filho a crescer. Sim, porque este fenómeno de pais helicópteros quando se prolonga pela adolescência e idade adulta, acarreta consequências bem graves. Os filhos dos pais “helicóptero” são crianças, adolescentes e adultos que, cresceram sob a capa protetora dos pais, desenvolvem uma personalidade frágil, imatura, muitas vezes infantil, e com fracas competências sociais. Como têm medo de errar, não arriscam, não desenvolvem ferramentas para lidar com a adversidade, com a perda ou com a frustração. Não conseguem ser independentes.
Mas o que podemos tentar fazer para corrigir esta tendência?

1) Deixe que seja o seu filho a liderar a brincadeira
 No início falei-vos do pai que orientava a filha no parque infantil. Na verdade, a única coisa que precisa fazer é seguir a criança, ou saber onde ela está, dependendo da idade. O brincar surge espontânea e naturalmente, especialmente em idades mais baixas, em que tudo é novidade. Eles não precisam que nós lhe digamos como têm de brincar. Deixamo-los trepar às superfícies mais altas (esperando para os amparar se necessário), subindo todos os degraus do escorrega e esperando por eles no final do túnel.

2) Ampare o seu filho, mas não o segure
Isto é tão, mas tão importante…muitas vezes pensamos que as crianças pequenas são descoordenadas e instáveis, o que não se afasta muito da verdade. E têm tendência a permanecer durante mais tempo nesta fase quando nós constantemente as seguramos para que trepem, as levantamos do chão quando caem. Deste modo, nunca experimentam a sensação de desequilíbrio ou aperfeiçoam o seu reportório de movimentos necessários para as tornar fortes, seguras e coordenadas com os seus movimentos.

Um exemplo que observo frequentemente nos parques infantis (que por sinal não são tantos quantos os desejáveis..), são os bem intencionados pais que acompanham os seus filhos pequeninos bem de perto e que quando eles necessitam de escalar uma parede ou subir uma escada, rápida e eficazmente os colocam lá em cima. A verdade é que nesta etapa de desenvolvimento, as crianças estão a aprender novos movimentos e a experimentar as várias soluções possíveis para alcançarem o objetivo que traçaram. Parece demasiado ambicioso para uma criança de dois anos? Claro que não…Tem oportunidade de planear e executar, aprender com o erro… Se o deixarem…

Como podemos fazer? Estar perto para amparar se necessário e incentivar para que experimente e arrisque. E se ele cai? Teremos de avaliar se é uma boa ou uma má queda. Porque também é muito importante saber cair e mais importante ainda, saber como se levantar e prosseguir…

3) Dê oportunidade à criança de resolver problemas à sua maneira (sim, mesmo as crianças mais pequeninas)
A forma mais comum de ser um pai helicóptero é na intervenção parental em situações de conflito. Isto revela a nossa falta de confiança nas competências das crianças para resolução de problemas. Quantas vezes já assisti, nomeadamente em festas infantis, a uma das crianças avançar rapidamente para outra e tirar-lhe o seu brinquedo preferido e quando o “lesado” se prepara para retaliar, surgir um adulto com o discurso de “Também tens de partilhar…”. Eu queria ver se algum de vocês estivesse no seu telemóvel entretido e daí surgisse alguém que lho arrancasse da mão, não reagiam? É preciso partilhar?

Temos de dar oportunidade à criança de tentar resolver os seus problemas. Por vezes os desfechos, sem intervenção do adulto, são inacreditáveis e favoráveis.

Outro exemplo, que assisto diariamente, em idades bem mais precoces, a criança que está em aquisição das etapas básicas de desenvolvimento motor e que está rodeado de todos os brinquedos e não tem necessidade de se mexer para os poder alcançar. Temos mesmo de deixar que as crianças se frustrem um pouco e tentem encontrar soluções para os seus problemas. A criança que tem tudo disponível, e ao seu alcance não estimula as suas competências de resolução de problemas, atrasa o seu desenvolvimento motor e não treina as suas capacidades de generalização de resolução de problemas.

4) Dê hipóteses de escolha, não ordens
Aparecem-me tantos, mas tantos meninos que são “manipulados” ao longo do dia. Agora veste o casaco, agora calça o sapato, agora o outro. Vai para a esquerda, por aí não…

Não me levem a mal, mas as crianças perdem o hábito de pensar. Não precisam…Alguém lhes há-de dizer qual o próximo passo a tomar. Eu sei que não é por mal, eu sei que é com a melhor das intenções, mas os miúdos vão se desenvolvendo com uma crescente insegurança que podemos perfeitamente contrariar. E como?

Dê-lhes hipóteses de escolha. Obrigue-os a pensar. Hipóteses razoáveis e concretizáveis, continuamos a manter tudo sobre controlo, mas obrigamo-los a pensar, a fazer escolhas, a planear.

-O que vais vestir primeiro? As calças ou a camisola?
-Que meias vais calçar? As azuis ou as vermelhas?
-Queres brincar com o loto ou com o puzzle?

A possibilidade de escolher, de assumir o controlo, aumenta enormemente a auto-estima da criança. Tudo hipóteses possíveis e viáveis, mas que fazem maravilhas pela organização do pensamento das nossas crianças.

5) Dê tempo ao seu filho e confie nele
As crianças precisam de tempo para encontrar as suas soluções, esteja sempre por lá, mas confie que irá lá chegar. Não tem de ser aqui agora, pode ser mais logo e por outro caminho diferente do meu…

Não é nada fácil, admitirmos que o nosso filho sabe mais do que aquilo nós ensinámos e que sabe coisas diferentes, mas também importantes.

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Já alguma vez tinha pensado nisto? O que lhe parece? Aceita mais este desafio?
Fico à espera dos vossos testemunhos.
Até lá, tenham uma excelente semana.
Helena Gonçalves Rocha

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