Artigos

Screen Shot 2018-09-28 at 12.52.11

O INFERNO MATINAL – COMO TRANSFORMÁ-LO EM PARAÍSO

ASSINATURA 2 1

Para mim, o mês de Setembro tem quase o mesmo significado de uma passagem de ano. Todo um novo ciclo se inicia. Os miúdos num novo ano escolar, este ano em novas escolas, são as atividades fora de escola que têm que se coordenar com os nossos horários, são os avós sempre disponíveis para novas funções e sempre prontinhos a ajudar. E somos nós que depois de uma semanas de férias habitualmente temos mais trabalho à nossa espera.

Por outro lado, todos os anos eu faço grandes propostas de mudança., vou começar no ginásio, vou levantar mais cedo para ir correr, vou ser mais criativa e organizada para não entrar em parafuso logo no primeiro mês… Enfim, quase como comer as 12 passas e formular desejos.

Este ano não foi excepção, mas posso dizer-vos, baixinho para não agoirar, que as mudanças estão mesmo a dar resultado e que quase como que naturalmente tudo se está a encaixar, sem stress durante este mês de Outubro.  As manhãs têm sido tranquilas, com caras sorridentes e sem 2 adultos exaustos a sair de casa para o trabalho.

E então quais são os truques, que dicas poderei eu partilhar convosco?

1. Primeiro tu!

Se te deitaste muito tarde, se estás exausta logo pela manhã, como pode haver boa disposição e paciência para organizar tudo de manhã? As manhãs exigem energia e criatividade da tua parte! Sugestão: dormir o máximo que consigas (e para isso não podemos querer fazer tudo durante a semana de trabalho!); acorda mais cedo que eles para te poderes arranjar e respirar fundo antes de os ajudares; envolve a/o tua/teu companheira/o se os horários o permitirem (alterna quem leva à escola ou distribui as tarefas de ajuda pelos dois); cuida de ti durante o dia (arranja um momento, nem que sejam 10 minutos, para respirar fundo!). A minha descoberta deste mês foi: tentar dar uma arrumação geral à casa e deixar semi-preparada as rotinas de regresso a casa. De manhã temos muito mais energia e quando chegamos a casa parece que passou por lá uma fada, divinal!

2. Cria o teu momento com as crianças!

Como te sentes se quando chegas ao teu trabalho o teu chefe está logo maldisposto e mal te diz bom dia? É difícil ficar bem-disposta assim, certo? Aproveita a manhã, nem que sejam 2 minutos, para criar “aquele momento” com o(s) teu(s) filho(s). Um abraço na cama, um acordar carinhoso, o “autocarro” que espera por eles para os levar às cavalitas para a casa de banho, uma pequena conversa, um “bom dia” bem-disposto (mesmo que não seja imediatamente retribuído!) é muitas vezes o suficiente para acordar mais tranquilo e começar melhor o dia.

3. Prepara as coisas no dia anterior!

As mochilas, as roupas, as lancheiras – tudo o que puder ser preparado no dia anterior, prepara! E envolve-os nas escolhas e na preparação, conforme a idade maior envolvimento haverá, porém quanto mais cedo começarem a responsabilizar-se por esta organização prévia, tanto melhor.

4. Respeita a individualidade de cada criança!

Sabemos que existem crianças (e adultos!) que acordam cheios de energia e boa disposição pela manhã. E outras em que parece que começam a “funcionar” perto da hora de almoço. Algumas que começam logo a conversar e outras que preferem que não lhes digas nada. A minha mãezinha sempre respeitou o “monstro” que vagueava lá por casa logo pela manhã e muito lhe agradeço por essa generosidade. Alguns miúdos acordam cheios de fome e outros  ficam maldispostos só de pensar em comida de manhã. Sê flexível e criativa! Não forces muita conversa se o teu filho não quer conversar; não faz mal de vez em quando só comer no carro durante a viagem para a escola ou reforçar o lanche a meio da manhã. Simplifica, palavra essencial para utilizar logo de manhã. Escolhe as tuas batalhas, há umas que não valem mesmo a pena.

5. Dá opções!

“Mãe, não quero vestir isto!! Não gosto destes sapatos! Não quero comer cereais!” Dá opções de escolha! Como exemplo: dá algumas opções de roupa, mas permite que ele escolha entre elas; deixa-o escolher o que quer vestir desde que leve um casaco; deixa-o escolher o que comer, desde que sejam opções que consideres saudáveis ou desde que seja ele a preparar o pequeno almoço. Acima de tudo respeita os teus limites e os deles.

Dia-a-dia

6. Envolve-os!

O balanço entre a autonomia, a responsabilidade e a ajuda necessária é fundamental. Conta que precisem da tua ajuda para passar a difícil rotina matinal. Mas de acordo com a idade, vai-lhes dando autonomia e responsabilidade (no toque do despertador, na preparação do pequeno almoço, etc). Queremos que cooperem, mais do que “obedeçam”. Conversa e planeia em família (com as crianças também!) como podem organizar melhor as manhãs, de modo a ser mais fácil para todos.

7. Uma coisa de cada vez!

“Põe a roupa suja no cesto, lava os dentes, calça-te e depois vem tomar o pequeno almoço. Mas não esqueças a mochila!” Ordens! Ordens! Ordens!!! Uma sequência que entra por um ouvido e às vezes sai pelo outro, porque não só cria maior tensão e stress, como são demasiadas coisas para decorar e fazer ao mesmo tempo. Experimenta dizer uma coisa de cada vez. Ou criar uma lista de coisas a não esquecer de manhã.

8. Vive cada momento!

Respira fundo, dá um bom dia ao Mundo! No teu banho, no abraço ao teu filho, no primeiro olhar do dia pela janela, na cor da roupa que escolhes para vestir, na música que escolhes ouvir de manhã, na condução até à escola (já agora, se tiveres hipótese de ir a pé, nem que seja parte do percurso, caminha!!!! Faz milagres ;)). Vive cada manhã com mente de principiante. Não é fácil. Mas é gratificante!

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

Fotografias: D.R.

 

venta-de-estampas-sueltas-del-rusia-2018-D_NQ_NP_881251-MLM27041259625_032018-F

JÁ CHEGOU O MUNDIAL E A CADERNETA DE CROMOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

É verdade cá temos novamente uma maratona de Futebol, senão é o Euro é o Mundial, não há como negar a cultura futebolística, mesmo para os que não apreciam, dia em que joga Portugal, o país pára e sustém a respiração…

Invariavelmente com cada Campeonato de Futebol vem também a sua própria caderneta de cromos, com folhas reservadas às equipas de cada país. E confesso que por vezes vejo “cada cromo da bola”!

Mas por que raio é que estou eu a falar do Mundial e da caderneta de cromos? É que esta é mais uma oportunidade de aprendizagem a vários níveis. E, se for como eu, que não é grande fã do futebol, aproveite algumas destas dicas para que esta coleção valha mesmo a pena:

# Literacia financeira

– Organize em conjunto com o seu filho um orçamento para a aquisição de cromos semanal (somente um x de pacotes de cromos por semana). Tudo o resto será ele que terá de conquistar, realizando pequenas tarefas para angariar fundos, trocando com os amigos, haja criatividade… (por favor pais, não vale facilitar, nem batotas nem fazer por eles. Se estiver assim tão entusiasmado, compre uma caderneta para si!

# Classificação e organização

– Ajude a organizar os cromos por número, por países. Oriente o seu filho para que vá marcando na lista global que acompanha a caderneta, os cromos que já tem.
– Ajude-o a criar uma nova lista de cromos que estão em falta e oriente-o para organizar os cromos repetidos.

# Motricidade fina

– Oriente o seu filho para que seja ele a descolar os cromos e a colá-los diretamente na caderneta (pode não ficar perfeito, mas é o trabalho dele. Se quiser uma caderneta perfeita, volto a dizer, compre uma caderneta para si!

# Relações interpessoais

– Promova a troca de cromos com os amigos, já existem grupos organizados e tudo. Mais uma vez contenha-se, quem deverá efetivar as trocas serão as crianças e não os pais. Recordo-me há alguns anos quando também tive cadernetas de cromos cá em casa que no bairro próximo de nós se organizavam grupos de trocas aos domingos de manhã e como o meu filho tentava que fosse eu a efetivar as trocas sem sucesso. Foi uma aprendizagem importante e devemos incentivá-los a fazê-lo. Mais uma vez, se quiser trocar cromos no emprego, via net para que a coleção acabe depressa, compre uma caderneta para si!

# Conhecimento do Mundo ( Geografia e cultura)

– Aproveite  para localizar no mapa as diferentes equipas que vão colecionando, fale um pouco sobre a sua cultura.  Saber onde fica a Argentina, quais são as suas tradições, que tipo de clima têm por lá, vai com certeza aumentar a curiosidade do seu filho sobre todos os países que participam no Mundial de Futebol 2018.

# Promover a leitura e a escrita

– De acordo com o nível de escolaridade do seu filho pode solicitar-lhe que elabore listas, por exemplo, ou que identifique todos os países que começam com determinada letra ou quem são os jogadores que têm no nome a letra L. Só tem que puxar um pouco pela sua criatividade.

# Promover os conceitos matemáticos

– Regularmente podem quantificar todos os cromos e fazer o cálculo de quantos faltam para terminar. Podem organizar os cromos por ordem crescente ou decrescente.

Afinal uma coleção de cromos, não é só uma coleção de cromos pode mesmo conter infinitas oportunidades de aprendizagem.
Experimente e ficaria mesmo muito contente de saber quais as atividades que conseguiu fazer e reinventar. E lembre-se, se quiser aquela coleção de cromos mesmo perfeitinha, compre uma para si!

Bom Mundial de futebol 2018 e que ganhe Portugal!

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

Foto:D.R

 

 

Helena Gonçalves Rocha

AS BOAS MÃES E AS MÃES BOAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Aproxima-se mais um Dia da Mãe e torna-se inevitável abordar a questão: Afunal o que é uma Boa Mãe ou, o que torna uma Mãe Boa?

Nos dias que correm a pressão é imensa, uma “Boa Mãe” deverá despender de tempo de qualidade com os seus filhos, nutri-los adequadamente, pouco açúcar, sem alimentos processados e cheio de super alimentos o mais biológico possível. Deverá também exercer uma parentalidade positiva, evitar elevar a voz e respeitar os seus filhos em todas as suas diferenças. Nunca deverá esquecer de proporcionar a devida diversidade cultural, um pouco de música, dança, museus e muitas exposições. Para que tudo possa correr na perfeição deverá praticar o mindfulness com os seus filhos e manter abertos os canais de comunicação.

Nos tempos que correm não esquecer que também deverá ser uma “Mãe Boa”, ou seja, praticar desporto, manter-se o mais fitness possível, apresentando os melhores glúteos das redondezas e abdominais de betão.

Irra!!! Jamais me recordo da minha querida Mãe falar sobre parentalidade positiva, ou de ouvir falar em diversidade cultural aos fins de semana que não tivessem a ver com o interesse dos adultos. Nem sequer tínhamos hipótese de escolha, íamos e apreciávamos se quiséssemos e senão quiséssemos, íamos na mesma e incomodávamos o menos possível.

Relativamente à alimentação, recordo-me das iscas duas vezes por semana porque faziam bem, comer sopa a todas as refeições, sim porque: “O teu mal é fome!” e não tocar em refrigerantes nem em pastilhas que são muito prejudiciais à saúde.

Quanto a ser uma mãe fit, recordo-me da minha Mãe fazer ginástica e nos incentivar a praticar desporto. Sempre por uma questão de saúde e não para ficar a Mãe mais gira lá da rua.

Helena Gonçalves Rocha

Acredito que a minha Mãe nunca se debateu com dúvidas existenciais sobre se estaria a educar-nos na Perfeição, fazia o melhor possível e sei hoje, que fez um excelente trabalho. Muito amor e carinho, sempre a fazer-nos sentir muito especiais! Com muitas regras e limites, mas hoje aprecio e invejo, com uma tolerância fora do normal!

Muitas vezes tento perceber, para conseguir imitar nesta altura que sou mãe de adolescentes, como é que ela conseguia ser tão tolerante e paciente. Como conseguia dar-nos sempre uma mensagem positiva e de esperança nas nossas adversidades?

Hoje, todas nós Mães, sofremos uma grande pressão social para sermos as Mães Perfeitas, verdade que não me parece existir tal conceito. Até porque ser Mãe passa muito por uma grande dose de intuição e confiança, cada filho ensina-nos a ser Mãe à nossa maneira.

Está na hora de lermos menos, ouvirmos menos tantos conselhos acertados e está na hora de libertar-nos a verdadeira intuição, ouvirmos as nossas próprias emoções e lembramo-nos que para além de Boas Mães somos também Boas Pessoas.

E Boas Pessoas educam Boas Pessoas!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

Foto:D.R

criança perdida

O QUE ENSINAR AO SEU FILHO PARA QUANDO SE PERDER. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

De repente está uma em vez de duas crianças. Começo a entrar em pânico à medida que vou olhando em volta. Eu ainda agora o vi, há um segundo atrás. Caminho rapidamente e ele não está em lado nenhum. Será que o meu maior medo se tornou realidade? Perdi o meu filho?

Infelizmente quase todos os pais de crianças pequenas já vivenciaram estes segundos de pânico, que parecem horas intermináveis. No supermercado, na praia, no meio da multidão ou no meu caso, no meio de uma pacata e espaçosa loja, quando a minha filha de 3 anos decidiu esconder-se entre as roupas penduradas e aguardar calmamente que fosse encontrada.

É importante que os pais percam, e mais tarde ganhem, algum tempo a pensar o que deverão ensinar aos seus filhos no caso de se perderem.

perder criança

Dependendo da idade do seu filho, poderá adequar a informação que quer que o seu filho detenha quando efetivamente estiver perdido.

Ele precisa saber o nosso número de telefone
Aprender o nosso número de telefone para que nos possa ligar ou pedir a um adulto para o fazer. Algumas crianças são demasiado pequenas para conseguirem decorar o número, mas podemos sempre arranjar uma pulseira onde pode estar inscrito o número.

Ele precisa saber o nosso primeiro e último nome
Muitas crianças quando se perdem são interpeladas por um adulto, “ Como se chama a tua Mamã?” e a criança responde “Mamã”. Como tal deveremos insistir para que saiba o nosso nome e apelido.

Estas são as minhas sugestões para ensinar a uma criança em caso de se perder:

1. Fica onde estás
Andar às voltas pode levar-te para longe do sítio onde te vimos a última vez. Quanto mais te afastares mais difícil será encontrar-te.

2. Procura um pai ou mãe com filhos.
Encontrar um pai com filhos é importante. Um adulto sem crianças pode não ter o mesmo sentido de urgência. Também não terão a mesma experiência com crianças pequenas aflitas ( para além de que, nem todos os adultos são de confiança). As meninas têm mais tendência para procurar uma mãe mas convém sempre lembrar que um pai com crianças também pode ser muito útil.

3. Grita o nosso nome
Gritar pelo nosso nome, ou nome completo, não é Mamã, nem Papá, vai ajudar a chamar a nossa atenção. Nós normalmente identificamos as vozes dos nossos filhos, mas ouvir chamar o nosso nome tornará as coisas mais fáceis num ambiente ruidoso ou cheio de gente.

Sempre que vá a um local novo ou cheio de gente, convém rever as regras com os seus filhos. Se estiver num sítio tipo EuroDisney, deverá rever estas regras todos os dias antes de entrar.

Espero que ninguém se perca, mas ficamos todos mais confiantes quando já sabemos o que fazer.
Partilhe connosco as suas experiências. Já lhe aconteceu? Quais são as suas estratégias?

Uma boa semana para vocês e bons passeios,
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

helena

A PÁSCOA E OS RITUAIS FAMILIARES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não havia nada mais certo, assim que se iniciavam as férias escolares aí íamos nós rumo ao alto Minho, para a “terra” dos pais, usufruir de todas as tradições da Páscoa.

A mais apreciada, era sem dúvida, o beijar da cruz. De casa em casa, lá íamos, o grupo de primos e amigos, receber o Sr. Padre e toda a sua comitiva que alegremente entravam na casa de cada um, anunciando “Aleluia, Aleluia, Aleluia”, acompanhado de salpicos de água benta. De seguida, a Cruz de Cristo era oferecida a cada um dos presentes para que a beijasse, recordo-me como se fosse hoje, como a Cruz era enorme para mim e como gentilmente se baixavam para que eu escolhesse onde iria beijar, nos pés, nas mãos (era uma decisão difícil, numa altura em que pouco se pensava em doenças e questões de higiene). O ritual terminava com o dono da casa a oferecer um ovo, que era depositado e transportado num requintado balde de prata.

Os miúdos, de seguida lançavam-se para a mesa dos doces, enchendo os bolsos de amêndoas, provando as especialidades da casa, desde o Pão de Ló, à Rosca Mulata da Tia. Os mais afoitos ainda conseguiam bebericar um cálice de vinho do Porto e fugir rapidamente para a casa seguinte, onde todo o ritual se voltava a repetir. No final, faziam-se contas, quem conseguiu beijar mais, que doces comemos e o relato de todas as peripécias vividas.

helena páscoa

Os rituais familiares são momentos que nos permitem viver e fortalecer ligações afetivas, servindo como recurso fundamental para a manutenção e fortalecimento da família. Os rituais são expressos de forma diferente em cada família, com cada uma a descobrir e a construir os seus, moldando-os à sua imagem.

Devido ao seu carácter repetitivo, os rituais constituem um elemento estabilizador e reconfortante para os membros das famílias, contribuindo para o estabelecimento e a preservação de um sentido coletivo, ou seja, da identidade familiar.

Todas as Páscoas eu sabia o que iria acontecer… e a segurança que isto me trazia…

Assistimos atualmente a uma perda progressiva das rotinas e rituais familiares, estando muitas vezes as famílias desprovidas de um fio condutor, afastadas dos elementos da família alargada.

O reatar de rituais familiares, ou mesmo a criação de novos rituais que façam sentido à família podem inverter esta situação e voltar a dar o fio condutor abalado, tornando-a mais coesa e autónoma.

Confesso que adoro rituais e adequá-los à minha família já quase se tornou um vício. Todos sabem o que acontece nas manhãs de Domingo. Todos sabem que na Noite de Natal se joga o jogo da Cadeira, os mais novos e os mais velhos. Todos sabem como os aniversariantes são acordados logo pela manhã. Enfim, são muitos os rituais já criados, mas muitos mais podemos inventar, na certeza que são estas memórias, estas certezas, esta segurança que podemos transmitir aos nossos filhos e quem sabe possam transmitir aos netos.

Os rituais são parte essencial da vida familiar, permitem apaziguar ansiedades, permitem tratar a sua Família como única e criam História e Memória.

Que tal aproveitar esta época festiva e iniciar uma nova tradição? Quem sabe, esconder ovos pela casa ou pelos caminhos circundantes, e partirem todos à Caça dos Ovos?

Para todos Vós uma Santa Páscoa e gozem a companhia uns dos outros!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

helena

DIETA 4 PASSOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

4 Tempos sem ecrã = 4 Passos para melhorar
Lançamos hoje um desafio, a dieta 4 passos, 4 Tempos sem Ecrã = 4 Passos para melhorar.

Mas afinal, que ideia é esta? Ao longo dos anos e com um agravamento excessivo no último ano, as famílias recorrem ao tempo de ecrã de uma forma abusiva, trazendo esta utilização abusiva um grande impacto negativo no desenvolvimento das crianças, quer ao nível do desenvolvimento da linguagem, como também na regulação emocional e no desenvolvimento cognitivo.

Acredito que todas as famílias o fazem sem qualquer noção do enorme impacto negativo que possa causar no desenvolvimento dos seus filhos, fazem-no porque os miúdos pedem, porque muitas vezes no final do dia é tão mais fácil entretê-los deste modo, fazem-no porque muitas vezes os próprios adultos já permanecem horas infindáveis em tempo de ecrã sem terem qualquer percepção deste fenómeno.

Lanço este desafio nesta altura porque começa a ser demasiado o número de crianças que apresenta forte impacto no seu desenvolvimento em consequência desta utilização abusiva do ecrã. Lanço este desafio também porque já o fiz anteriormente com algumas dezenas de famílias cujos filhos apresentavam alterações de comportamento e dificuldades na regulação emocional e que após terem aceite este difícil desafio ( as primeiras semanas são duras), descobriram outras crianças lá em casa, capazes de se auto-regularem, colaborarem com os adultos e descobrirem novos focos de interesse.

DIETA 4 PASSOS – 4 Tempos sem ecrã = 4 Passos para melhorar!

#1 Sem ecrã logo de manhã

#2 Sem ecrã durante o horário das refeições

#3 Sem ecrã antes de dormir

#4 Sem ecrã dentro do quarto de dormir

 

#1 Sem ecrã logo de manhã

Os ecrãs (TV, telemóvel, tablete, jogos de computador) são captadores de atenção. A atenção é essencial para as aprendizagens escolares. Os ecrãs hiper-estimulam a atenção involuntária. A criança fica desperta pelos estímulos sonoros e visuais ultra-rápidos que se vão alterando no ecrã. Ao fim de 15 minutos a sua atenção esgota-se.

Uma criança que veja televisão (ou outro tipo de ecrã) logo de manhã esgota o seu sistema de atenção antes de ir para as aulas. Ora uma criança que já “esgotou” a sua atenção, é uma criança que se apresenta irrequieta, faladora, que deixa cair as suas coisas e que…já não se consegue concentrar.

Este mecanismo dificulta o desenvolvimento da sua atenção voluntária, condição essencial para o desenvolvimento das tarefas escolares.

Não resisto a partilhar uma experiência pessoal, por volta dos 3 anos, eu, como muitas outras mães, deixava o meu filho ver um bocadinho de desenhos animados enquanto eu me arranjava, posso dizer-vos que a rotina matinal não era nada fácil, pois os meus de transição eram guerras pegadas, o vestir era difícil, o pequeno almoço era difícil, a saída de casa era difícil…tudo era muito esforçado. Até ao dia que eu decidi experimentar acabar com a TV pela manhã e posso dizer-vos que o milagre aconteceu, deixamos de ter guerras e tudo passou a correr de forma muito mais fluida. Desde esse episódio que esta estratégia de, TV de manhã Não, é uma das que partilho primeiro com as famílias e amigos, porque efetivamente a testei exaustivamente.

#2  Sem ecrã durante o horário das refeições

A televisão ligada durante as refeições familiares impede que fale com os seus filhos e que eles falem consigo. Uma criança que cresce com a televisão ligada permanentemente terá um vocabulário mais pobre, uma linguagem menos rica. Nas crianças com idades entre os 15 meses e os 2 anos  a TV ligada diariamente multiplica por 3 a probabilidade de aparecimento de atrasos no desenvolvimento da linguagem.

O conteúdo ansiogénico de certos programas televisivos ( as notícias em particular) têm repercussões no comportamento e na regulação das emoções das crianças, pois muitas vezes são demasiado jovens para os entender, mesmo que o adulto lhe explique as suas emoções não se irão modificar. Todos os sabemos as imagens de guerra, violência e miséria que quotidianamente passam na televisão.

 #3  Sem ecrã antes de dormir

O sono que resulta após uma criança  estar exposta a imagens animadas, mesmo que adaptadas, caso das Baby TVs  e outras do género, será um sono de pouca qualidade uma vez que esta atividade não é calmante para o cérebro. É demasiado estimulante emocionalmente. O ecrã difunde uma luz azul (LED) que inibe a melatonina, hormona reguladora do sono, impedindo a criança de adormecer naturalmente.

Como tal, terminar com os ecrãs duas horas antes de ir para a cama.

#4  Sem ecrã dentro do quarto de dormir

A presença de ecrãs dentro do quarto de dormir diminui o tempo de sono da criança. Com a televisão, o computador, o tablete, o telemóvel, dentro do quarto de dormir, os pais deixam de ter a oportunidade de controlar o que o seu filho vê. Mesmo que verbalmente lhe dê orientações para que não aceda a determinados conteúdos, a verdade é que as crianças não têm maturidade suficiente para não o fazerem.

Sem ecrãs no quarto, a criança aprende a desenvolver competências essenciais: atividades sensório-motoras, jogos de regras, leitura, jogo simbólico, grafismos, todas estas atividades são necessárias e essenciais para o desenvolvimento do pensamento, da atenção e da socialização.

Por outro lado, o facto de terem estes factores distrateis junto a si durante toda a noite é altamente perturbador, e impede-os de conquistarem uma noite de sono com qualidade. São imensos os relatos de pais que a meio da noite vêem uma luz que irradia do quarto dos filhos, e verificam que os filhos permanecem em comunicação durante toda a noite. Ou mesmo quando ainda pequenos, acordam a meio da noite e sem capacidade de se auto-regularem para voltarem a adormecer, optam por acender a televisão?

Retire os ecrãs dos quartos de dormir, deixe os telemóveis a carregar fora dos quartos, institua regras, a qualidade de sono de todos os elementos da família irá agradecer.

Perante estes 4 passos aceita o desafio?
Por onde irá começar?
Qual será o passo mais fácil?

Garanto-lhe que vai valer muito a pena, também lhe garanto que não vai ser nada fácil!
Se precisar de ajuda, estamos por cá para ajudar, partilhe connosco!

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

helena

E QUANDO ELES NÃO QUEREM SABER DO PAPEL E DO LÁPIS? Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

O seu filho não quer saber de desenhos, pintar ou escrever? Diz que não gosta, não sabe ou arma uma birra quando lhe propõem uma atividade de papel e caneta?

Pois…não está sozinho. Cada vez existem mais crianças que rejeitam este tipo de atividade, os pais dizem “eu também não tinha jeitinho nenhum” ou “está tudo muito bem desde que não lhe dêem uma folha e um lápis”. Reconhece este discurso?

Os motivos que levam a que estas situações aconteçam podem ser múltiplos e variados, desde as dificuldades manipulativas, ou seja, uma dificuldade real na coordenação dos movimentos finos exigidos para a realização deste tipo de tarefa, até uma auto-crítica muito elevada que faz com que a criança tenha receio de arriscar com medo que fique pior do que imaginou ou muito diferente dos seus colegas.

A primeira causa requer a intervenção e apoio de um profissional especializado que o poderá apoiar e recomendar as atividades e exercícios mais adequados a cada caso de forma a ultrapassar a dificuldade observada. A segunda causa é por vezes a mais difícil de ultrapassar pois quando a criança receia tentar a escrita, habitualmente não aceita ajuda para o poder fazer e então?

Quem por aqui costuma passar já reparou que raramente me detenho nos problemas e que aprecio bem mais o enfoque nas soluções. Assim sendo como poderemos ajudar estas crianças “resistentes à escrita”?

Antes de mais, habitualmente pegamos no papel e no lápis com um propósito, apreciar as cores que se unem e se afastam, que se misturam e que separadas ou unidas formam uma bela obra de arte.

Esta fase é fundamental, apreciar o movimento das cores, o movimento dos lápis, apenas para brincar com o papel, com as cores, em papéis grandes, em superfícies grandes, quadros, papéis gigantes. É muito errado quando precocemente restringimos os movimentos amplos das crianças no papel, cada vez mais cedo observo pais e educadores a exigirem aos miúdos de 2, 3, 4 anos, “pinta por dentro, não saias do risco”. Antes da criança poder controlar os seus movimentos finos e precisos da mão tem que experimentar a amplitude, o chegar mais longe, mais alto, mais largo. Por isso, tantas e tantas vezes, quando me pedem que ajude estas crianças começamos sempre por este movimento amplo e exploratório.

De seguida passamos à fase da representação do concreto e surgem os primeiros desenhos da figura humana, desenho este que se vai desenvolvendo e pormenorizando ao longo das diferentes fases do desenvolvimento da criança.

E aqui como poderemos novamente apoiar e ajudar? Pois bem, nós só representamos aquilo que conhecemos. Como tal é imprescindível que a criança conheça o seu corpo e as diferentes partes que o constituem. Como? Agindo sobre ele e fazendo-o agir. Brincando, dando cambalhotas, enrolando a cabeça e as pernas, dando abraços com os seus braços compridos, pontapeando bolas com as pernas e pés e depois, de seguida estamos prontos a representar isso tudo no papel. Outra forma de podermos apoiar a criança na sua representação gráfica do corpo é utilizando o espelho e gradualmente e em conjunto desenharmos as diferentes partes “Olha, na cabeça eu tenho dois olhos, eu desenho um e tu podes desenhar o outro? E orelhas, quantas temos? Eu ponho aqui uma, tu pões a outra?” E por aí fora até chegarmos aos pés.

Essencialmente mesmo será o adulto deixar a crítica bem longe, não são permitidos “ Não é assim , é assim!” “Cabelo verde que grande disparate, não vês que é castanho?” A criatividade e a fantasia estão em fase de desenvolvimento e a criança que receia tentar, precisa de experimentar sem julgamento. O perfeccionismo e o hiperrealismo virão mais tarde, temos muito tempo!

Se estas dificuldades surgem na fase em que a criança é apresentada às letras e à escrita, aí teremos mesmo de utilizar a nossa grande criatividade e apelar à diversificação de materiais de escrita e de superfícies. Ou seja, é válido escrever na areia, na terra, na lama, com paus, com pedras. Construir letras com diferentes materiais flores, folhas, lã, enfim o que a nossa imaginação ditar e para onde a criança nos orientar. O facto de seguirmos a ideia original da criança será, com toda a certeza, garantia de possível sucesso.

brincadeira-com-tinta

Nesta fase é muito importante que a escrita não esteja unicamente relacionada com objetivos académicos, ou seja, preferencialmente deve entrar nas brincadeiras (quando brincamos ás casinhas podemos fazer uma lista de compras, podemos ajudar lá em casa a fazer a lista das faltas, deixar recados) e principalmente suscitar uma grande motivação para a escrita, os miúdos adoram decifrar mensagens secretas e deixarem mensagens secretas para os próprios adultos decifrarem.

Surpreenda os seus filhos e deixe mensagens escritas a giz no passeio lá de casa, vai ver que vão querer retribuir!

giz-e-arte-do-passeio-24469315

Se tiver dúvidas relativamente a este tema não hesite em consultar um profissional especializado, na área da Psicomotricidade, que terá com certeza todo o gosto em esclarecê-lo e apoiá-lo nas suas dúvidas e dificuldades.

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

Fotografias: D.R.

 

CRIANÇAS

EXERCÍCIOS PARA MANTER AS CRIANÇAS COM ATENÇÃO E FOCADAS. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

“Mas como é que este miúdo pode estar com atenção senão pára quieto?”

“Como não parou quieto durante toda a aula, vai ficar o intervalo na sala para poder acabar o trabalho!”

Estas são frases que costumamos ouvir com frequência da boca de professores e pais, como tal, é com uma boa dose de espanto e incredulidade que me ouvem dizer:

“Os miúdos precisam de movimento, mais mexidos” não conseguem estar com atenção se estiverem completamente parados!”

As crianças precisam de movimento! O sistema vestibular é o sistema sensorial que processa e controla o movimento. O “painel de controlo” que ajuda as crianças a compreenderem o equilíbrio, a postura, o posicionamento vertical e o alerta necessário para uma resposta adequada ao movimento está localizado no ouvido interno. E agora adivinhem lá como é que este sistema se ativa? Através do movimento, é claro!

Tal como os adultos, as crianças começam a distrair-se quando têm de permanecer quietos durante um período de tempo mais longo. Como é que você se mantém alerta quando tem de estar sentado numa reunião ou a ouvir uma conferência durante um largo período de tempo? Ao início, estamos despertos e atentos, mas passado algum tempo de estarmos sentados quietos a nossa atenção começa a dispersar-se.

De modo a mantermos o foco, talvez nos endireitemos na cadeira, cruzemos e descruzemos os braços, cruzamos as pernas ou rodamos o pescoço. Só estes pequenos movimentos são suficientes para estimular o sistema vestibular, dando-nos feedback da nossa postura e do nosso estado de alerta e auxiliando-nos a retomar o foco de atenção.

Então, imaginem se nós formos capazes de dar mais oportunidades às nossas crianças de se levantarem e de movimentarem ao longo do dia de escola. Talvez consigam manter a atenção para o professor durante maiores períodos de tempo. Talvez se mostrem mais calmos e com um comportamento mais adequado para a sala de aula. E talvez participem mais e estejam mais envolvidos nas aprendizagens, mostrando aos professores aquilo que sabem! Para algumas crianças, isto poderá fazer toda a diferença!

E ficam algumas ideias simples de movimentos de alerta e foco:

1# Levantar e esticar!
2# Levantar-se e ir beber água. Um pouco de movimento combinado com uma experiencia sensorial oral pode ser o suficiente para voltar a captar a atenção da criança após um longo período sentada.
3# Deixe os miúdos terem um tempo para saltar na Fisioball…rolar, saltar, deitar de estômago.
4# Anunciar: “Em pé por 5 minutos!” – informe os miúdos que deverão trabalhar de pé durante 5 minutos.
5# Providencie muitas oportunidades aos estudantes de trabalharem em posições alternativas, como por exemplo deitado no chão, em pufs, encostados à parede.
6# Providencie intervalos extra!
7# Faça intervalos de movimento ou intervalos de dança. Ligue a música e toca a dançar, escolha músicas com coreografias que lhe permitam para além de reativar o sistema de alerta, desenvolver conteúdos (partes do corpo, números, letras)

CRIANÇAS

Não esqueça que associando movimento aos conteúdos que pretende ensinar, a criança conseguirá manter a atenção e aprenderá e reterá a informação com mais facilidade.

E por favor, pare de mandar os miúdos estarem quietos, os miúdos precisam mesmo de mais movimento, precisam de brincar no recreio para depois quando voltarem à sala poderem manter-se com mais atenção.

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

Fotografias: D.R.

Mother Smiling at Son --- Image by © Image Source/Corbis

A CRIANÇA E OS OUTROS – COMO PROMOVER A EMPATIA. Por Helena Gonçalves Rocha

ASSINATURA 2 1

Mas afinal o que está a acontecer?

Passamos indiferentes perante alguém que precisa de ajuda? Um idoso carregado de sacos? Alguém que tropeça e cai mesmo na nossa frente?

Ou, e foi com certeza este episódio que me trouxe até aqui, derrubo um café a ferver por cima da mão, dou um grito, acusando a queimadura, a mesa fica toda suja, escorrendo café. Tentando diminuir o estrago, vou limpando a mesa, ao mesmo tempo que seguro a trela da cadela na outra mão. Não queria acreditar, eu sozinha, e as mesas circundantes todas ocupadas, ninguém levantou a cabeça, ninguém prestou ajuda…mais…quando regressei com novo café, que fizeram questão que voltasse a pagar, a minha mesa já estava ocupada, por pessoas que assistiram placidamente a toda a situação. O que se passa? Fazemos parte de planetas diferentes? Somos só nós e o nosso umbigo  que importam?

Rapidamente penso nas crianças de hoje e reflito se será esta mensagem que queremos passar aos adultos de amanhã. Deixa lá, finge que não vês, o que interessa é que tu consigas. Que medo…

A verdade é que as crianças aprendem essencialmente por imitação, e os adultos são os seus principais modelos. Criança vê os pais fazerem, criança tentará imitar na primeira oportunidade.

Pois bem, fui educada com o lema de “Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti e não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem”, tão simples quanto isto!

Falamos de EMPATIA! Segundo o dicionário de língua portuguesa é a faculdade de compreender emocionalmente (pessoa, objeto); capacidade de se identificar com outra pessoa.

Pode ser difícil ajudar as crianças a aprenderem sobre a Empatia. Não é algo que elas aprendam sem qualquer orientação – especialmente nesta sociedade autocentrada em que vivemos. Mas vai com certeza valer a pena orientarmos as nossas crianças nesse sentido.

Mas afinal como podemos ensinar a criança a ter Empatia?

Ensinar uma criança a ter empatia envolve a capacidade de esta se preocupar com os sentimentos dos outros e conseguir analisar as situações através da perspetiva das outras pessoas. No fundo, implica calçar os sapatos do outro…A Empatia é uma caraterística complexa para se ensinar a uma criança, mas através do nosso modelo e com os incentivos adequados, esta caraterística poderá desenvolver-se ao longo do tempo.

Aqui ficam alguns exercícios / estratégias que poderá experimentar:

Elogie o seu filho quando ele mostrar empatia.

  • “ Que simpático da tua parte teres deixado o menino andar no baloiço. Ele ficou muito contente. Eu reparei, ele estava a sorrir.”
  • Recompensar o seu filho pelo seu comportamento empático poderá ajudá-lo a desenvolver uma Empatia natural. 

Pergunte ao seu filho como acha que os outros pensam ou se sentem perante determinada situação.

  • Se virem algo de mal acontecer com outra pessoa, aproveite para perguntar como é que ele acha que essa pessoa se sente. Por exemplo, um menino está a comer um gelado e deixa-o cair no chão, pergunte:” Como é que tu te sentias se isto acontecesse contigo?”

Ajude o seu filho a desenvolver um sentimento de preocupação.

  • Por exemplo, se ele mencionar que um colega da sua turma tem muitas dificuldades, faça perguntas sobre isto. Pergunte: “ Porque achas que tem dificuldades? Não consegue estar atento? Não está a perceber esta matéria?”
  • Poderá sugerir ao seu filho que tente ajudá-lo na aula ou depois da aula. Atividades como esta ensinarão o seu filho a demonstrar carinho e interesse pelas outras pessoas. 

Dê o modelo, demonstre empatia para com o seu filho.

Se você só falar sobre empatia, e não a praticar, dificilmente ele irá aprender. É recomendável que você ensine pelo exemplo e mostre o que é ser empático, na prática.

  • Demonstre empatia com o seu filho, expressando preocupação e simpatia quando ele se magoar ou estiver triste. Pode dizer qualquer coisa como: “ Por favor, anima-te. Eu fico triste ao ver-te assim.”
  • Se ele vir este tipo de comportamento em si, ele será mais propenso em ser empático com os outros, primeiro pela força do hábito e depois como manifestação de emoção genuína.

1000018383

Ensine o seu filho a ver as coisas do ponto de vista das outras pessoas.

  • Por exemplo, se estiver uma menina a brincar sozinha no recreio, peça ao seu filho para imaginar como ele se sentiria se estivesse no seu lugar. Será que gostaria que alguém o convidasse para brincar?

Incentive o seu filho a fazer algo de bom para alguém.

Pode ser algo bem simples, como telefonar para os avós, ajudar a levar as compras do vizinho, dar um elogio à irmã.

  • Este tipo de atividade vão ajudar o seu filho a desenvolver um senso de responsabilidade para com os outros e a ganhar um sentimento de satisfação cada vez que ajuda alguém.

Experimentem e comentem, por favor!
E mais, lanço-vos o desafio de propor aos vossos filhos (e quem sabe a vós mesmos), de fazer alguém sorrir todos os dias com uma das suas ações.

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

Fotografias: D.R.

 

caixa papelão

OS 5 MELHORES BRINQUEDOS DE TODOS OS TEMPOS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Ho Ho Ho! Impossível escapar…é Natal, é Natal, é Natal!

Este ano a nostalgia apoderou-se de mim…já não tenho crianças para oferecer brinquedos, ups…o que aconteceu? Cresceram tão depressa! Mas recordo bem a azáfama que iniciava logo no princípio de Dezembro, parecia quase uma caça ao tesouro ( o jogo da moda, a boneca que faz mil coisas, o livro fantástico). Este ano não é excepção, é ver os inúmeros catálogos dos hipermercados que se acumulam nas caixas de correio, os anúncios da TV que não param de nos bombardear com as últimas novidades e por outro lado, os orçamentos familiares que tentam atender às extensas listas das crianças mas que, definitivamente não esticam.

Pensando nisso, elaborei uma lista de 5 brinquedos que nenhuma criança deveria ser privada. Estes 5 brinquedos estão ao alcance de qualquer carteira e são adequados para um extenso intervalo de idades. São brinquedos que foram testados ao longo dos anos e certificados e aprovados pelas crianças. Como bónus, estes 5 brinquedos podem ser combinados para garantirem um tempo ultra-mega-super-divertido!

HELENA GONCALVES ROCHA

1# Pau

1# Pau

Este brinquedo versátil é um verdadeiro clássico. O mais provável é que os vossos tetra-avós também tenham brincado com paus, e os seus filhos descobriram-nos sem precisarem da vossa ajuda.

Os paus existem numa enorme variedade de formas e tamanhos, podendo fazer uma  coleção completa sem fazer qualquer investimento.

E um Pau pode ser tudo aquilo que uma criança imaginar, uma fada de condão, uma espada, uma pistola. Quando faço as minhas sessões com crianças em ambiente de natureza, rara é aquela que não procura imediatamente um Pau para fazer a caminhada connosco, um Pau mágico, um Pau para nos defendermos.

Confesso que sempre gostei deste brinquedo, com os devidos cuidados para que não se magoem, este é um objeto que desperta a imaginação de todas as crianças. Recordo-me quando o meu filho era pequeno adorar os “cacaus”, vulgo casca de pinheiro, com eles construía as mais variadas histórias desde walkie-talkies, espadas e pistolas.

CAIXA

2# Caixa

2# Caixa

Outro brinquedo muito versátil. As caixas também se encontram nas mais variadas formas e tamanhos. Dependendo da quantidade e tamanho das caixas que tenha, as caixas podem transformar-se em mobiliário de cozinha, camiões, túneis, barcos, armaduras invencíveis.

Num período em que estava a trabalhar com um grupo de crianças pequenas especializei-me em reaproveitar as caixas de grandes dimensões (Frigoríficos, Televisões), desde construirmos uma cidade, a aproveitar a caixa e desenhar nela um mapa de estradas para os carrinhos, até utilizarmos as luzes de Natal para fazermos um túnel encantado. Tudo foi possível e principalmente muito divertido!

Cordas e fios

3# Cordas ou Fios

3# Cordas ou Fios

Os miúdos adoram cordas. Começo já por dizer que os fios ou cordas não são adequados para os bebés ou crianças pequenas pois podem ser motivo de estrangulamento quando se lembram de os colocar à volta do pescoço. No entanto quando utilizado devidamente, o seu manuseio pode ser fonte de um grande divertimento .

A utilização mais usual das cordas será para juntar coisas. Pendurá-las nos troncos, fazer uma trela para o urso de estimação, fazer armadilhas, amarrar o irmão mais novo à cadeira. Usem um fio para fazer um telefone com dois copos, ou juntem um pau e construam uma cana de pesca.

Tubos

4# Rolo de papelão

4# Rolo de papelão

Ah, os rolos de papelão. Eles conseguem-se de forma gratuita assim que acaba o rolo de papel higiénico ou o papel de cozinha, estes são os mais comuns, mas ainda existem os rolos grandes de papel de embrulho ou os rolos dos posters, verdadeiros tesouros que duram muito tempo. Tivemos um em casa que durou 3 anos, era um telescópio, de onde se avistava a Lua quase todas as noites. Com os rolos pequenos construíram-se uns binóculos de explorador. Os rolos de papelão também são fantásticos para servir de garagem para os carrinhos ou fazer passar coisas por dentro deles.

Terra

5# Terra

5# Terra

Quando era pequena bem me recordo de fazer bolos de terra, que com um pouquinho de água, ficavam deliciosos bolos de lama, de ficar toda suja e de gostar, gostar muito…As minhas tias por sinal, não achavam assim tão divertido.

É verdade que hoje em dia cada vez mais investigações apontam para que as crianças que se sujam fortalecem o seu sistema imunitário, ao contrário das crianças que não têm oportunidade de se sujarem. Não será este o melhor argumento para deixar a sua criança sujar-se e brincar com a terra? Se à terra lhe juntar um pau, temos montes de terra a ser empilhada e destruída com o pau, a terra é o local ideal para brincar com os carrinhos e construir estradas.

Ficam estas ideias do TOP 5 dos brinquedos, ecológico, grátis e garantidamente muito divertido!

Feliz Natal!
Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

Contactos
helenagoncalvesrocha@gmail.com
Miúdos e Graúdos, Clínica Médica
Av. Pinhal da Aroeira, Lt 562
Aroeira Shopping area Lj 18
Herdade da Aroeira
2820-566 Charneca da Caparica
TEL.: 212 977 481

1420840749_facebook-512

Fotografias: D.R.