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Birras

7 ESTRATÉGIAS PARA LIDAR COM AS BIRRAS DO FINAL DO DIA. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

As crianças muitas vezes desfazem-se em birras ao final do dia quando vêm para casa. Aqui fica o porquê e como lidar.

Prepare-se!! O seu filho pode vir da escola ou do jardim de infância e assim que chega a casa desfaz-se em birra aos seus pés! Eu chamo-lhe o “Rebentar da Bolha”! E que explosão que é…

Na verdade, este fenómeno pode também ser observado no seu companheiro ou em si mesma. Durante o dia você dirige, orienta, produz, sorri, empatiza, pensa e retém alguns pensamentos no seu cérebro interior que adoraria dizer em alta voz, porém, assim que passa a porta de casa transforma-se numa pessoa impaciente, antipática e nada apetecível.

E qual a razão para que isto aconteça?

Mantermo-nos mentalmente motivadas, com contenção emocional e com controlo físico suficiente para nos apresentarmos no nosso melhor quer no nosso local de trabalho, quer seja no jardim de infância ou na escola, requer uma energia inigualável

Fazemos um esforço enorme para não perdermos o controlo, não discutirmos com o colega de trabalho ou com os clientes, com o risco de perdermos o nosso emprego. Os miúdos tentam “portar-se bem” de modo a não serem postos de castigo, perderem o tempo de recreio ou levarem falta disciplinar. Quantas vezes durante o dia você tem vontade de gentilmente enviar alguém para “aquela parte” ou fugir para a casa de banho a chorar? Mas não o fazemos – não o fazemos porque temos de continuar a ser boas pessoas e manter um ambiente pacífico.

Depois de um dia inteiro a controlar todos estes impulsos e emoções, chegamos a um ponto que a nossa “Bolha “ enche de tal forma que de alguma forma terá de rebentar.

A minha filha adorava a escola e tudo o que lá fazia, mas houve uma determinada altura em que raro era o dia em que não se desfazia em lágrimas assim que chegava ao carro. Ela não fazia ideia donde vinham as lágrimas e porque chorava, mas eu sabia…o esforço para fazer tudo bem, corresponder às expectativas era tanto, que assim que se apanhava comigo e se sentia segura e confortada, descomprimia e chorava e depois passava.

Existem algumas estratégias que podemos ensinar aos nossos filhos para que possam lentamente ir esvaziando a Bolha que habitualmente rebenta assim que chegam a casa. Poderá também experimentar estas 7 estratégias com o seu companheiro.

#1 Faça conexões positivas
Receba a sua criança com um sorriso e um abraço em vez de, “Tens trabalhos de casa?” ou “Já soube que hoje te meteste em sarilhos”. Tal como é escusado perguntar “ Como correu o teu dia?”. Ninguém, mas ninguém, quer responder a estas perguntas.

#2 Arranje espaço
Dê tempo ao seu filho para ouvir os seus próprios pensamentos logo após o momento em que o vai buscar. Se for a conduzir ligue o radio e permaneça em silêncio. Se for a caminhar fale pouco ou comente as pequenas coisas que vão observando “Olha, viste aquele passarinho amarelo tão pequenino?”. Esta não é a melhor altura para grandes conversas.

#3 Dê-lhe comida
Muitas crianças reagem melhor se não lhes perguntarmos “Tens fome?” Assuma que o depósito do seu filho está vazio quando chega a casa. Reabasteça o depósito disponibilizando-lhe a comida sem dizer nada. Alimentos do “bem”, fruta fresca, queijo ou uma mão cheia de frutos secos irão dar-lhe o impulso de energia que precisam.

#4 Reduza a desordem da casa e o barulho
As pessoas são habitualmente condicionadas pelo ambiente – umas mais do que outras. Eu sei que as manhãs com crianças são habitualmente caóticas, mas chegar a casa e encontrar uma casa que parece que foi “assaltada”, não ajuda a retornar à calma. Assim, desde há uns tempos para cá, decidi instalar novas rotinas, que me permitam organizar tudo à noite, pequenos almoços, roupas, ou então levantar-me mais cedo para que possa haver alguma ordem no período da manhã e no final do dia.   Há tempos dediquei um post a este tema,  “ O Inferno Matinal como transformá-lo em Paraíso” .

Isto porque ao chegar a casa vinda do trabalho ou da escola, aspirar a casa não me parece o melhor programa!

Birra

#5 Mantenha-se conectado durante o dia
Utilize uma estratégia adequada à personalidade e idade de cada um de modo a manter-se conectado com a sua criança. Podem ser post-its na lancheira, um SMS de boa sorte, enfim o que a sua criatividade mandar. (Esta estratégia também é bastante eficaz com o seu companheiro(a), EVITE mesmo, os questionários: Onde estás? O que estás a fazer? É só para lembrar que existem pontes entre nós! “Gostei muito da nossa conversa de ontem. Estou orgulhosa de Ti! “)

#6 Providencie Tempo De Descompressão
Dependendo da personalidade do seu filho, providencie uma forma de descomprimir ao fim do dia. Dê a oportunidade ao seu filho para que seja ele a iniciar a conversa quando estiver pronto para isso. Quando isso acontecer, poderá aí perguntar-lhe se houve algum momento mais intenso emocionalmente durante o dia.

Lembre-se também de usar a “terapia da brincadeira” com o seu filho, mesmo que já seja um adolescente! As pessoas descomprimem muito pela brincadeira, pois ajuda a processar todos os acontecimentos do dia. Providencie também tempo para que possam não fazer nada, descansar ou brincar lá fora. As crianças mais novas gostam muitas vezes de brincar às lutas, correr, ou fazer uma Guerra de cócegas. Já os mais velhos apreciam ir dar um passeio de bicicleta ou tocar um instrumento.

Cá para mim a melhor maneira de descomprimir com os miúdos sempre foi pôr a música aos berros e dançar como se ninguém nos tivesse a ver.

#7 Divirtam-Se
“O riso liberta a mesma tensão que as lágrimas”. Divertir-se é uma forma esplêndida para libertar a tensão.

E agora confesse lá, a sua criança também rebenta a bolha e se desfaz em birra quando chega a casa?
Que estratégias utiliza? Precisamos todos de novas ideias neste momento que por vezes é tão difícil.

Helena Gonçalves Rocha

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Helena Gonçalves Rocha

MAIS AUTONOMIA TORNA AS CRIANÇAS MAIS RESILIENTES. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não há volta a dar, iniciou-se um novo ano, tempo em que procuramos rever atitudes e fazer mudanças.

O meu grande objetivo continua a ser o desacelerar e o simplificar, para além da conjugação de um outro verbo: Respirar! Lembram-se no último post que vos falei da importância de respirar?  Em momentos de maior inquietude e aflição ajuda imenso. Huumm…Phhhhh…

Mas na verdade cada vez me inquieta mais a falta de autonomia que providenciamos às nossas crianças E nada melhor que aproveitar este momento do reinício escolar para traçarmos metas e nelas investir.

Que tal investir em estimular a capacidade de lidar melhor com as adversidades e superá-las, ou seja, estimular a nossa resiliência?

A promoção da autonomia é uma das formas privilegiadas de estimular a resiliência.

Falemos por exemplo das deslocações para a escola. Quantas crianças entre os 8 e os 13 anos se deslocam de forma autónoma para a sua escola?
Em 2013 , a Faculdade de Motricidade Humana realizou um estudo sobre a mobilidade independente em Portugal, questionando os pais sobre quais as razões que os levavam a transportar os seus filhos para a escola, a razão invocada com maior percentagem relacionava-se com o trânsito, logo seguida do medo dos adultos.

Recordo-me claramente do dia em que me foi dada permissão de ir a pé sozinha para a escola, teria uns 7 anos. Era supervisionada para atravessar a estrada e de seguida lá ia eu, orgulhosamente SOZINHA. (Anos mais tarde, o meu pai confessou que me acompanhava durante todo o trajecto bem de longe). Recordo-me também da sensação que estes pequenos passos me transmitiam, Sou Capaz, Sou Crescida, Sou de Confiança!

Pequenos passos com os quais podemos ajudar as nossas crianças a crescerem, ir fazer uma compra ao mini-mercado, pedir um gelado no café mais próximo, deixá-los fazer pequenos trajetos a pé.

Já dizia João dos Santos, o maior pedopsiquiatra e psicopedagogo português, educar é um vai e vem entre dar proximidade para dar segurança e dar distanciamento para dar autonomia. Quando precisam de segurança damos afectos, quando precisam de autonomia damos distância.

Acho mesmo vergonhosos que cada vez mais as crianças e adolescentes sejam deixados diretamente no portão. Assistimos atualmente a uma parada de automóveis às portas dos colégios e escolas secundárias nas horas de entradas e saídas que não permitem que os miúdos logo de manhã dêem mais de 50 passos. Para além das questões da autonomia, falamos também das questões da mobilidade, do sedentarismo que progressivamente se instala nas novas gerações.

Antes de iniciar o seu trabalho de atenção e foco do período escolar, a criança beneficia de realizar alguma atividade física, que pode bem ser uma caminhada, que lhe permita ativar o seu estado de alerta e facilite a manutenção da atenção no período de tempo que se segue.

Como tal, se aceita o desafio de estabelecer novas metas e contrariar as tendências, deixe o seu carro mais longe e faça uma caminhada matinal, se ele já tiver idade (10/12 anos) incentive-o a utilizar os transportes públicos, deixe-o fazer “coisas” sozinho. Tudo isto irá promover a sua Autonomia e aumentar a sua capacidade de resiliência, ou seja, a sua capacidade de resolução de problemas.

autonomia nas crianças

E afinal não é isso que todos desejamos para os nossos filhos? Que sejam autónomos, que consigam encontrar soluções para os seus problemas?

Se assim for, é altura de definir novas metas e fazer do seu filho uma criança mais autónoma. Acredite nele, ele é mesmo capaz!

Helena Gonçalves Rocha

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Helena Gonçalves Rocha

MIÚDOS SUJOS, SÃO MIÚDOS FELIZES! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Não vás para aí que ficas todo sujo! Sacode as calças, olha que porcaria!

A comer com as mãos, que horror…. Põe-lhe um babete e limpa-lhe as mãozinhas!

Já ouvimos estes comentários e outros do género inúmeras vezes, verdade?

Pois bem, parece que é mesmo preferível estar exposto aos micróbios, à terra e a outras porcarias do que desinfectar constantemente o mundo em que o bebé e a criança se movimentam. Porquê? Porque esta é uma forma de adquirir imunidade e prevenir as doenças, nomeadamente as de foro alérgico.

O que não se sabia até agora é que, além de fazer bem para a saúde do organismo, pode fazer bem também para a saúde da mente. Crescer num ambiente limpinho demais, sem contato algum com germes e micróbios (que evoluíram anos e mais com anos connosco)  deixa-nos mais propensos a ter doenças como alergias, problemas respiratórios e autoimunes -aliás, após o mundo ter ficado tão asséptico, essas doenças só aumentaram.
A novidade que os cientistas descobriram é que essa hipótese de excesso de limpeza explicaria também o aumento de certos problemas de saúde mental.  No estudo encontrado, o aumento das mesmas doenças foi também ligado à depressão e à ansiedade. E segundo a pesquisa, o aumento das doenças inflamatórias, como no intestino, aumentam também o risco de desenvolver depressão.

Perante isto parece que temos suficientes motivos para que aprecie as suas crianças a brincar na terra, numa boa lama, sem restrições…

Quando o seu filho chegar a casa todo sujo da escola ou de brincar com os amigos, lembre-se como vai ter saudades deste tempo, em que o único objetivo era brincar. Pegue no seu melhor detergente e atire a roupa para a máquina, sai tudo… Só não saem as boas recordações das brincadeiras!

Helena Gonçalves Rocha

Para além disso, nos primeiros anos de vida o bebé conhece o mundo através da sua cavidade oral (a boca, de forma mais simples), por isso passa a vida a pôr os objetos na boca, pois esta é uma das formas de os conhecer melhor ( a culpa não é só dos dentes) .

Na rotina da alimentação é essencial que deixemos as crianças experimentarem de forma autónoma os alimentos, que os explorem e por vezes que brinquem com eles. Mas que grande porcaria, dirão muitos de vocês. Cozinha suja, miúdo sujo, mas vejamos melhor…miúdo muito satisfeito.

E convenhamos, esta fase passa a correr, a cozinha limpa-se num instante e ganhamos um miúdo feliz e com um apetite e paladar apurado.

E perguntarão vocês, e a boa educação? O saber comportar-se à mesa da refeição?

Como em tudo, reina o bom senso e acreditem esta fase passa e eles aprendem na perfeição e tornam-se uns exímios apreciadores de comida.

Aproveite estas férias para os deixar fazerem todas estas experiências e por favor, brinquem muito e sujem-se muito também!

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PRÓXIMO ANO, AUMENTA O TEMPO DE RECREIO E DIMINUI O TEMPO EM SALA DE AULA. IUPI!!! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana a grande novidade divulgada pelo Ministério de Educação é que, no próximo ano letivo, os alunos do 1º ciclo terão mais meia hora de intervalo diária, ou seja, menos duas horas e meia semanais em sala de aula.

Finalmente foi reconhecida a importância do Brincar no desenvolvimento da Criança e na sua capacidade de aprender. Todos sabemos que o tempo de atenção de uma criança é reduzido e que a diversidade e variabilidade de contextos e conteúdos são promotores de uma melhor capacidade de aprender.

Aliás não há muito tempo, escrevia sobre a importância dos intervalos, quer para o desenvolvimento psicomotor, quer como promotor de desenvolvimento de competências sociais, que tantas vezes ficam esquecidas no processo de formação pessoal do “Aluno”.

Fui a primeira a ficar exultante com esta notícia, finalmente as crianças podem brincar e pôr em prática tudo aquilo que vão aprendendo. Definitivamente o tempo de recreio é um tempo de excelência para que o próprio professor observe e interaja com os seus alunos e retire informação pertinente sobre as dinâmicas entre os pares, capacidade de resolução de problemas e possa também ter oportunidade de pôr em prática os conteúdos aprendidos em sala de aula.

É tão importante que as crianças nesta etapa de desenvolvimento tenham oportunidades de brincar num espaço desafiante, não é só importante “correr para libertar energias”, é importante brincar ao faz de conta, é importante testar novas competências motoras: saltar, trepar, balancear, equilibrar-se, ter oportunidade de correr alguns riscos controlados. Para tal é urgente que se repensem os espaços de recreio, dotá-los de materiais móveis que permitam a construção e criatividade ( tipo arcos, bolas, blocos de construção, material simbólico), de equipamentos de desafio motor ( traves de equilíbrio, barras para se pendurarem ). A verdade é que quando olhamos para a grande maioria dos recreios escolares vemo-los desprovidos de materiais e completamente “almofadados”, retirando toda a oportunidade de risco e desafio, componentes essenciais para o desenvolvimento da auto-estima das crianças.

brincar

Segundo o Professor Carlos Neto, afirmava ainda esta semana sobre esta temática:

“As crianças que mais brincam no recreio e que mais socialização fazem, também aprendem mais na sala de aula. Ou seja, este tempo maior no recreio pode ter uma contribuição fundamental nas aprendizagens escolares.”

 E segundo os nossos parceiros do Norte da Europa, dos quais já muito se falou sobre o êxito do seu modelo educativo, são os primeiros a prolongar, privilegiar e valorizar os tempos de recreio e brincadeira. Não tenhamos receio de seguir os bons exemplos ao mesmo tempo que combatemos um dos maiores flagelos atuais, o sedentarismo infantil.

Os pais têm de ser exigentes na promoção da qualidade dos espaços exteriores das escolas dos vossos filhos, acreditem que aí se aprende melhor. No entanto, ainda há muito por fazer e podem ser os pais os primeiros a solicitar essa priorização e a envolverem-se em projetos conjuntos com a comunidade educativa de forma a melhorar a qualidade dos recreios escolares.

Uma criança que Brinca, que gasta as suas energias, que improvisa com os seus pares, que socializa, será, sem dúvida alguma, uma Criança mais disponível para aprender!

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BURNOUT PARENTAL

BURNOUT PARENTAL. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Nesta altura do ano tudo nos parece Demais… Demasiado barulho, Demasiado movimento, Demasiado calor, Demasiado trabalho e as férias começam a surgir como uma ténue luzinha bem longe, lá longe ao fundo do túnel…

Quem tem filhos pequenos sabe que esta sensação de que tudo é demasiado, não surge unicamente nesta altura do ano.

O síndrome de Burnout  Parental  não está relacionado com a interação dos pais com os filhos, mas sim com tudo aquilo que se traduz com o trabalho em educá-los, mantê-los nos seus horários, transportá-los  para as suas atividades, supervisionar os trabalhos de casa, garantir que têm uma boa alimentação. A síndrome de burnout parental surge muitas vezes nos primeiros anos de vida da criança por toda a exigência física e social e mais tarde na transição para a adolescência em que as exigências parentais mudam radicalmente quase de minuto a minuto.

Na sociedade atual a exigência é extrema, terás de ser uma Mãe exemplar, uma profissional de sucesso, uma dona de casa exímia e uma esposa dedicada e disponível, será que alguém aguenta?

A verdade é que na maioria das vezes acreditamos que sim e dedicamo-nos a cada uma destas áreas com o mesmo empenho e dedicação e…estranho, muito estranho mesmo, como há poucas Super Mulheres, começamos a acusar sinais de extremo cansaço, falta de paciência e acima de tudo uma sensação de frustração porque parece que seria expectável que fizéssemos tudo de forma exemplar.

Os pais sentem que não cumprem os seus objetivos, não estão a fazer o que é suposto, as exigências profissionais não se compadecem da exaustão física e emocional sentidas, a casa deixa de estar arrumada na perfeição e a paciência de repente desaparece…

A verdade é que a pressão social é muita para que Eduquemos na perfeição e quando começamos a acusar este cansaço, a frustração aumenta e o Burnout Parental instala-se.

BURNOUT PARENTAL

Existem no entanto algumas estratégias que podem prevenir este Burnout Parental.
Quando se tem filhos o perfeccionismo tem que ser banido das nossas vidas, “feito é bem melhor do que perfeito”.

Peça ajuda
Delegue tarefas no pai, no avós, nos tios. ( sim , não fica tão bem feito como se você fizesse, mas fica feito). Podem ser tarefas domésticas ou mesmo o baby sitting.

Pense em si
Planeie uma atividade semanal para fazer o que mais gosta, cuide de si, só assim estará apta a cuidar dos seus filhos.

Simplifique e priorize
O que será mais importante, a cozinha a brilhar ou uns momentos de verdadeiro riso e brincadeira com o seu filho?
Não complique, reconheça os seus limites, não consegue mesmo chegar a tudo aquilo que idealizou.

Estabeleça uma rotina
Com filhos pequenos  as rotinas são algo que trazem muita segurança e simplificação do dia a dia.

Priorize o tempo de casal
Quando os miúdos estiverem na cama, aproveite para conversar e namorar. Restabeleça a intimidade. Faça planos em conjunto, planos a dois, organizem um programa semanal a dois (mesmo que seja em casa, uma massagem conjunta, um jantar à luz das velas)

Divirta-se em família
Aproveite os pequenos momentos e solte umas gargalhadas, afinal não tarda nada e eles já cresceram. E isto é tão verdade..aproveite o momento, concentre-se na relação com os seus filhos e não no “embrulho”. Estão sujos? Mas estiveram todos a rir e rebolar na relva? Viva a sujidade e os momentos bons!

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Helena Gonçalves Rocha

EU E AS CRIANÇAS. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

 

Ontem celebrou-se mais um Dia da Criança e era ver as redes sociais cheias de crianças, as nossas, as dos outros, crianças a brincar, notícias sobre a importância do Brincar. E levada por esta imensa onda eu própria pus-me a pensar sobre a importância das crianças na minha vida.

Pois é, tenho a imensa sorte de trabalhar naquilo que adoro, o que facilita muito quando temos de enfrentar aqueles dias que daríamos tudo para não ter de sair de casa. Pois é nesses dias, em que me arrasto até ao meu local de trabalho e tomo o meu frasco de vitaminas e rapidamente me transformo novamente em alguém animada e bem disposta.

As minhas vitaminas mágicas são as crianças que habitam o meu dia. Tenho a imensa sorte de conviver com uma grande diversidade de crianças, desde os meses de idade até aos 12 anos. Cada idade tem a sua magia, cada etapa de desenvolvimento traz novas pérolas para serem exploradas e não há dia nenhum que eu não me espante com os seus feitos.

Os miúdos têm algo muito especial, são genuínos e espontâneos como só eles sabem ser. Nos primeiros anos de vida estão em permanente descoberta, primeiro enamorados pela mãe e pelo pai, depois descobrem as maravilhas do seu próprio corpo. Umas mãos para brincar, uns pés que conseguem chegar à boca, depois vão descobrindo as potencialidades do movimento  e da relação. Olha, acham graça ao que eu faço, vou fazer outra vez! A repetição é algo tão securizante, mas que é tão difícil de tolerar pelos adultos, os miúdos precisam de fazer o mesmo vezes sem conta, por vezes o adulto não consegue aguentar e muda-lhes a atividade, mas acreditem, a repetição securiza e favorece a aprendizagem nos primeiros anos de vida. Quando estou com eles volto a ser criança, e embora não perca os meus objetivos terapêuticos, divirto-me imenso a brincar com eles. Mesmo quando ouço da boca de um amigo de 6 anos “ Afinal que idade é que tu tens?”.

Helena Gonçalves Rocha

Sinto cada vez mais que os miúdos procuram muito a disponibilidade do adulto para brincar, para descer ao seu nível, para aceitarem ver o mundo pelos seus olhos, para aprenderem o que eles têm para ensinar. Por vezes coisas tão simples e que facilitam tanto a relação, como baixarmo-nos ao seu nível, indagarmos com genuinidade pelos seus interesses. Temos tanto a aprender com eles…

Sei que todos os dias aprendo, todos os dias me ensinam novas coisas. Mesmo quando eu os levo ao limite para depois fazer com eles a viagem da auto-regulação, orientando-os na forma como lidam com as suas emoções e os seus impulsos.

Já alguns anos quando visitava um jardim de infância um menino me perguntava: “A tua profissão é brincadora não é?”. Gosto de pensar que sim, que ensinar a brincar é sem dúvida uma grande sorte.

crianças

Gosto mesmo de explorar o mundo através dos seus olhos, descobrir outra vez, rir até não mais poder.

As minhas crianças lá de casa, que assustadoramente estão a deixar de ser crianças, por vezes chamam-me a atenção “Ó mãe, que disparate, comporta-te!…” Só me inibo, porque sei que estão naquela idade em que ficam muito embaraçados com tudo o que possa ser um pouco diferente, mas ao mesmo tempo sei que tenho de continuar a chamar a criança que ainda habita lá dentro, para que nunca se esqueçam como é bom Brincar!

Brincar é coisa de criança, mas também deveria ser coisa de Adulto! Um adulto que brinca é alguém que não esqueceu a genuinidade da infância, alguém que acredita que há sempre algo novo para descobrir!

Eu Brinco e vou continuar a Brincar, e você já brincou hoje?

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descansar em familia

FIM DE SEMANA OUTRA VEZ… DESACELERAR POR FAVOR. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Fim de semana outra vez… desacelerar por favor. Dicas para conseguir descansar!

A maioria de nós associa o fim de semana a dois dias de descanso, alegria, euforia e divertimento. Muitos de nós não têm filhos… deitam-se tarde depois de uma jantarada com os amigos, no dia seguinte aproveitam para dormir até mais tarde e “preguiçar” durante todo o domingo.

Muitos de nós têm este cenário como uma memória longíqua, longe, longe, quando ainda não existiam crianças, nem festas de aniversários nem idas à natação e ao ballet.

Pois é, admitam lá, por vezes a aproximação do fim de semana significa uma grande canseira. Por vezes até vos passa pela cabeça que mais valia estar a trabalhar…

E isto porquê? Porque muitas das vezes não sabemos gerir as nossas prioridades e colocamos a vida social dos nossos filhos muito à frente das nossas.

Senão vejamos, sábado de manhã natação, mãe na bancada a registar todos os momentos enquanto elabora lista de supermercado. Almoço tardio, entre deitar uma a duas máquinas de roupa a secar, festa do Luisinho, antes disso passar no centro comercial para comprar o presente desejado, deixar a Maria na festa e ir num instante fazer as compras da semana. Banhos, jantar e estudar? Adormecer no sofá?

Domingo quase tudo se repete, nova festa, T.P.C., arrumar a casa,  almoço de família, arrumar a casa, preparar a semana, mochilas, lanches e almoços.

OHH! STOP!

É urgente desacelerar, é verdade que não somos super-heróis e que necessitamos de tempo de descanso e lazer. É verdade que, mais do que cumprir tarefas, temos de ter tempo para usufruir das relações com os nossos filhos e construir memórias conjuntas.

E depois de alguma análise do que nos rodeia, depois de algumas tentativas e erro, chegámos a algumas sugestões /desafios que nos permitirão abrandar um pouco o ritmo alucinante do fim de semana.

descansar em familia

As casas perfeitas existem nos catálogos de decoração

Viver numa casa perfeita, sempre limpa e arrumada é coisa de IKEA. Passar os sábados de manhã de aspirador numa mão e pano de pó na outra é o suficiente para estragar o nosso humor durante o resto do dia. Sugestão: dividir as tarefas domésticas pelos diferentes elementos da família e pelos diversos dias da semana. Um dia para lavar casas de banho, outro para aspirar a sala, outro para mudar lençóis. Devidamente distribuídas as tarefas por todos os elementos e dias da semana vai ver como ao fim de semana tudo parecerá mais fácil.

Compras de supermercado e passeios pelo shopping ao fim de semana, nem pensar!

Mais vale sacrificar a hora de almoço durante a semana, ou levar as compras ao final do dia quando regressa do trabalho, do que ir em excursão para um supermercado cheio de gente com miúdos que habitualmente se portam mal, fugindo ou pedindo tudo aquilo que vêem. As compras ao fim de semana, domingos, noites ou feriados, é uma moda relativamente recente, moda esta que me faz questionar a qualidade de vida das famílias dos funcionários destes mesmos supermercados. Crianças que não estão com os pais aos fins de semana para que nós comodamente possamos fazer as compras dos guardanapos e detergentes às oito da noite de um sábado.

Sugiro que apreciem e promovam o comércio local, visitem as feiras e mercados com os vossos filhos, para que compreendam que existe a relação direta entre o produtor e o consumidor.

Não precisamos de aceitar todos os convites

É verdade, muitas vezes o fim de semana é distribuído entre 3 e 4 festas de aniversário, muitas vezes distantes umas das outras, uma num sítio mais espetacular do que o outro. Mas será que esta azáfama compensa? Será que não devemos ajudar os nossos filhos a priorizarem, a que festa devemos ir? Qual o amigo que faz mais questão e com o qual nos identificamos mais?

Afinal conseguimos passar um fim de semana inteiro a fazer de UBERpapá, distribuindo-os de festa em festa e sem ter oportunidade de conviver com os nossos próprios filhos.  Onde está o tempo para estarmos uns com os outros, ouvirmo-nos sem ter a pressão do horário semanal?

Um dia sem T’s

Aqui está um desafio bem difícil, mas possível. Um dia inteiro sem telemóvel, sem televisão, sem tablets, um dia sem T’s.

Sem partilhar fotografias, sem saber onde anda toda a gente, sem tirar fotos para postar, apenas a viver cada momento com todos os nossos sentidos presentes.

Hoje em dia este é um real desafio, mas cada vez mais necessário, experimente esta sensação de liberdade e depois conte-nos com foi.

Passear sem rumo pelo mundo

Sair de casa e observar o que nos rodeia, sem pressa, tudo o que a natureza nos proporciona, tão incrível que todos os dias são diferentes, a flor que nasceu, o novo cantar de pássaro, as nuvens no céu que mudam a cada instante.

Estar sem pressa nem horário para nada, para mesmo nada. Apenas aproveitar a companhia e o contacto uns com os outros.

Construir a nossa identidade enquanto família, os nossos momentos, aqueles momentos que a família do lado não faz nem ideia. Tudo o que nos torna diferente dos outros. E para isso é preciso tempo, e para isso é preciso oportunidade de estarmos uns com os outros.

Tentem aproveitar estes dois maravilhosos dias a fazerem coisas que vos dê prazer e a estar com quem mais gostam.

Se tiverem mais dicas para partilhar, façam-no por favor! Esta mãe exausta e à beira de um ataque de nervos agradeceria eternamente!

Helena Gonçalves Rocha

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bullying

10 SINAIS DE QUE O SEU FILHO É VÍTIMA DE BULLYING. Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Em  1994 iniciei a minha monografia de fim de licenciatura para a qual escolhi o tema “ Bullying – agressividade no espaço escolar” sob a orientação do Professor Carlos Neto na Faculdade de Motricidade  Humana. Na altura sempre que me perguntavam sobre o que versava a tese, tinha de repetir e explicar várias vezes o conceito. Recordo como foi desafiante este projeto desenvolvido nas escolas problemáticas da Grande Lisboa com cerca de 700 estudantes. Davam-se os primeiros passos neste alerta que vinte anos mais tarde é sobejamente conhecido por todos, pais e alunos.

No entanto, creio não ser demais lembrar a importância que deveremos dar ao bem estar dos nossos filhos no território escolar. Será que algum dos sinais de alarme que listo abaixo se enquadra no seu filho? Se assim for, o seu  filho pode estar a ser vítima de bullying. Todos nós temos esperança que os nossos filhos nunca sejam vítimas de bullying ou Bullies, ou seja agressores, porém este fenómeno está cada vez mais presente nas nossas escolas. E é também verdade que muitas das crianças vítimas de bullying não pedem ajuda, como tal é muito importante conhecermos os sinais de alarme.

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10 Sinais de que o seu filho é vítima de bullying na escola

#1  Dificuldade em explicar ( ou não consegue mesmo explicar) lesões ou o aparecimento de lesões ou feridas recorrentes;
#2  Desaparecimento de pertences ou aparecerem estragados ( inclui peças de vestuário, livros, brinquedos, equipamento eletrónico, etc);
#3  Sentir-se frequentemente doente ou fingir-se doente ( exemplo: dores de cabeça frequentes ou dores de barriga);
#4  Alteração dos hábitos alimentares ( inclui “saltar” refeições, comer compulsivamente, regressar da escola cheio de fome porque não comeu o almoço, etc);
#5  Pesadelos frequentes ou outro tipo de alteração do sono;
#6  Não querer ir à escola ou apanhar o autocarro, perda de interesse nos trabalhos escolares ou tirar notas abaixo do habitual;
#7  Evitamento de situações sociais repentinamente ou perda de amigos;
#8  Começar a fazer bullying com um irmão mais novo ou miúdos mais novos ( muitas das vezes começam por imitar e mimetizar aquilo que está a acontecer com eles próprios);
#9  Sentir-se inseguro, diminuição da auto-estima ou outro tipo de alteração de personalidade ( incluindo ficar mais reservado ou triste);
#10  Apresentar comportamentos auto-destrutivos ( exemplo: auto-mutilação, julgarem-se culpados de tudo, tentar fugir de casa ou falarem em suicídio).

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Estratégias para lidar com o Bullying
É importante referir que nem todas as crianças vítimas de bullying irão revelar estes sinais específicos. Lembre-se que o seu filho pode não lhe querer dizer que está a ser vítima de bullying. Porém se você  acha que isso está a acontecer, não ignore a situação e  aja!

Quer ache que a sua criança está a ser vítima de bullying quer não ache, o melhor mesmo é conversarem sobre este assunto. A comunicação é o pilar da relação e é muito importante que o seu filho perceba que está ali para o ouvir, incondicionalmente. Conforme o vai ouvindo, a confiança entre vós vai crescendo e ele perceberá que tem em si um Aliado com o qual pode contar.

Helena Gonçalves Rocha

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Fotografias: D.R.

FIDGET SPINNER

SABE O QUE É O FIDGET SPINNER? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena
Conheça o brinquedo que já foi proibido em algumas escolas
Os fidget, ou brinquedos anti-stress, foram originalmente utilizados para ajudar crianças com alterações de desenvolvimento, desde o autismo, à hiperatividade e défice de atenção.  Porém, parece que estamos perante uma nova modamania, em que toda a criança e jovem tem mesmo de possuir e controlar um fidget spinner.

Mas afinal do que se trata? É um simples dispositivo, pequeno, com três pontas cujo objetivo é… fazê-lo girar. Este é o “Fidget Spinner”, um brinquedo que não é novo, mas que parece estar a substituir tablets e telemóveis  das crianças em diversas escolas nos Estados Unidos e no Reino Unido.

O “fidget spinner” possui um círculo giratório no centro, sendo que, ao colocar os dedos nas pontas, com um movimento rápido dos mesmos é possível girá-lo, criando uma rotação veloz, com um efeito visual dinâmico, dada a sua variedade de cores. A minha filha adora e já consegue fazer alguns truques, já existem vídeos no YouTube onde os utilizadores demonstram os seus truques.

FIDGET SPINNER

A Origem do brinquedo e sua utilização terapêutica

Confesso que nunca imaginei que os fidget toys virassem moda. Aos longos dos anos já prescrevi vários tipos de Fidgets, entenda-se “fidget como um objeto pequeno que mantém as mãos ocupadas de modo a que a criança consiga focar a atenção no professor.

O aluno pode mantê-lo na mão, senti-lo, mexer-lhe, brincar com ele, tudo isso enquanto se mantém focado no professor. Estes brinquedos são extremamente úteis nos alunos que têm dificuldade em manter a atenção  e em alunos que passam todo o seu tempo a tocar em coisas e pessoas.

Já experimentei vários tipos de objetos desde as bolas anti-stress, balões cheios de farinha ou arroz, borrachas. Se for pequeno, não fizer barulho e couber na mão, temos um Fidget.

bola anti stress

Manter as mãos ocupadas e em movimento, permite uma regulação sensorial necessária para que estes alunos consigam manter-se calmos, focados e com atenção.

Um problema nas escolas
No entanto há um problema com os fidget toys, rapidamente se transformam em distração para toda a sala de aula.
A ascensão dos níveis de popularidade do “spinner” tem sido tão elevada, que algumas escolas proibiram os alunos de os trazer, com receio de que estes possam distraí-los das aulas.

Como tal, existem regras importantes a cumprir quando se utilizam os fidget dentro da sala de aula com objetivo terapêutico:

Não precisas de olhar para o fidget, olhos no professor.
Não deverás chamar a atenção dos teus colegas com o teu fidget.
O fidget deve manter-se nas tuas mãos ou na secretária.

A verdade é que poderão ser utilizados no recreio sem restrições, aliás é uma alternativa bem melhor à utilização dos equipamentos eletrónicos, uma vez que podem desenvolver as competências de motricidade fina e destreza manual.

Atualmente, tal como outra moda que já aqui falei, o Botle Flip, esta é uma brincadeira que promove a interação entre pares e uma saudável competição entre eles. E tal como o Botle Flip, rapidamente irá deixar de ser furor. Mas até lá, aproveite e tente girar sem parar e aprender alguns truques com os seus filhos.

Helena Gonçalves Rocha

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brincadeiras

SER MÃE A BRINCAR Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Ser Mãe a Brincar ou Brincar de Ser Mãe?

Esta semana senti pela primeira vez a pressão para escrever algo associado ao Dia da Mãe, ser Mãe! Foi a primeira vez que percebi que liam aquilo que escrevia e que haveria alguma expetativa relativamente ao conteúdo. Uiii, pressão para mim é quase sinónimo de bloqueio. Brincadeiras de Pai e agora teriam de ser as Brincadeiras de Mãe.

Arrisquei um plano, uma estratégia. Adoro Brincar, sempre adorei e tenho o privilégio de o poder fazer todos os dias. Sou Mãe e claro está, sou Filha da Mãe. Logo, que tal perguntar aos meus filhos o que mais gostavam e recordavam das brincadeiras com a Mãe? Magnífico, não acham? E recordar todas as magníficas brincadeiras da minha Mãe? Questionar a minha Irmã, os meus sobrinhos? Encontrar um padrão e já está!

Da minha Mãe a Brincar recordo uma brincadeira  especial, “Era uma vez uma casinha”. Uma brincadeira carregada de afeto, carinho e toque, sentada no colo olhando a minha Mãe, ela dizia “Era uma vez uma casinha…com telhado, e passava as mãos no meu cabelo, com uma janela, outra janela, e passava a mão nos meus olhos, uma cortina, outra cortina, e fechava as minhas pálpebras. Descia para o meu queixo e simulando que subia uma escada com os dedos subia até à boca dizendo, – com umas escadas, uma porta, e passava a mão pelos meus lábios. E aí, a apoteose acontecia, – e uma campainha! E energicamente tocava na ponta do meu nariz, Triimmm! Delicioso, e cada repetição era como se fosse a primeira vez!

Claro que, quando fui Mãe, a Brincar repeti esta brincadeira vezes sem conta com os meus filhos e mesmo em contexto de trabalho é garantido este momento de relação, toque e afeto.

Da minha Mãe a Brincar recordo os imensos livros que sempre me deu, cheios de moral e como carinhosamente plantou em mim a enorme vontade de Saber, de ler, de procurar respostas para todas as minhas dúvidas.

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Ser Mãe a Brincar

Da minha Mãe a Brincar, recordo de estar sempre a cantar “O Mar enrola na Areia”, com a sua voz não muito afinada e que acompanhávamos em coro alegremente.

Da minha Mãe a Brincar recordo os jogos de memória visual, as estratégias de memorização que mais tarde, em tempo de estudos me foram tão úteis.

Memórias partilhadas, o quanto é bom termos irmãos, ficaram o rebolar na relva, as inúmeras idas ao Parque, os jogos durante as viagens longas, os jogos de tabuleiro, o MasterMind, os Quatro em linha.

E  fiquei a pensar o quanto eu transportei para eu, a Brincar de Ser Mãe. Sem dúvida o gosto pelos livros, as brincadeiras na rua, a estimulação do pensamento. Obrigado Mãe, por seres a melhor Mãe a brincar!

Mãe que ainda brinca com os netos, abre e fecha a porta do elevador vezes sem conta quando vão embora, fingindo que fecha, mas não….

Quantos aos netos… o meu filho recorda as brincadeiras do Avião, deitada no chão equilibrando-o na planta dos pés, fizemos grandes viagens e a minha filha recorda os “ovos Praia”, brincadeira inventada numas férias em que recusava comer…

Será possível? Uma brincalhona como eu? Uma Mãe a Brincar com tanto esmero?

Fica-me a esperança que, talvez daqui a vinte anos, recordem as histórias contadas todas as noites, os fins de tarde depois da escola em que chegávamos, ligávamos a música e dançávamos até cair, as aventuras na praia e na floresta, as noites deitadas na relva lá de casa a contar estrelas e esperando uma estrela cadente para pedir Um Desejo…

Ser Mãe a Brincar é mesmo o melhor…
Feliz Dia Mãe e aproveite para recordar a sua Mãe a Brincar!
Helena Gonçalves Rocha

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