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Brincar ao ar livre

BRINCAR AO AR LIVRE É PRECISO!

Helena

Vivemos num país com um clima fabuloso, no Verão chegamos a ter mais de 12 horas de luz solar e mesmo no Inverno o clima permite-nos estar na rua sem problemas de maior.

O Verão começou na segunda-feira e com ele toda a mudança de rotinas. Os miúdos já estão de férias e o brincar lá fora é inevitável. As brincadeiras estendem-se até mais tarde, conseguimos jantar ainda com a luz do dia e ir para a cama cedo começa a ser uma dificuldade. “Para a cama? Mas ainda é dia…”

A verdade é que, infelizmente, assistimos a um maior número de casos em que as crianças preferem não sair de casa. Porquê? Normalmente porque o pequeno ecrã, seja ele a TV, o tablet, o computador ou o telemóvel, lhes permitem ter acesso a todo um Mundo que só por si os satisfaz. Batalhas invencíveis, conversas com os amigos, jogos intermináveis, aplicações miraculosas, enfim, é verdade que é uma luta desigual. Mas também é verdade que não teremos de desistir de um em detrimento de outro. Como em tudo, o equilíbrio é a chave do sucesso.

A verdade também, é que cada vez mais, temos crianças com dificuldades psicomotoras graves, com baixa auto-estima, inseguras, impulsivas e com dificuldades ao nível das competências sociais.

Na minha prática clínica uma das recomendações habituais, ou chamemos-lhe antes, prescrições, pois é feita com objetivos terapêuticos, é a frequência trissemanal de um parque infantil. Com a devida exploração de cada um dos equipamentos, desde que lhes permita desenvolver as competências de equilíbrio, planeamento motor, força, destreza, coordenação bimanual, enfim, uma infinidade de objetivos que podemos desenvolver com uma simples ida ao parque.

E perguntam vocês, mas qual parque? E eu agradavelmente vos respondo que qualquer um pode satisfazer alguns dos objetivos previstos, mas há de certo, uns melhor do que outros.  E como falamos da Lisbon South Bay, irei tentar apresentar-vos alguns dos equipamentos de qualidade que por aqui podemos encontrar e desafio-vos também para que possam enviar fotos dos parques infantis da vossa eleição.

Comecemos pelo Parque Infantil da Marisol (freguesia da Charneca da Caparica, concelho de Almada) recentemente remodelado, fica bem no centro de uma zona residencial e de serviços, o que permite que os pais possam sempre estar por perto e atentos à atividade dos seus filhos.

O parque tem equipamentos para uma faixa etária alargada o que permite uma utilização diferenciada mediante a idade do utilizador. Os percursos de equilíbrio apresentam alguma dificuldade para os mais pequenos, mas são um desafio para os mais velhos.

Brincar ao ar livre

O baloiço é excelente, permite a utilização simultânea por vários utilizadores, promovendo a cooperação e a partilha entre eles. Tem também outra vantagem, permite que uma criança com mobilidade reduzida o possa utilizar sem problema, mesmo que não tenha a capacidade de se agarrar às cordas. Os baloiços são ótimos para desenvolver o equilíbrio, a força e o planeamento motor.

Brincar ao ar livre

Existe um equipamento super engraçado que vai fazer os encantos de muitos miúdos. Aqui eles podem comparar pesos e quantidades, familiarizarem-se com o sistema de roldanas, pôr e tirar, encher e esvaziar (brincadeira preferida em algumas etapas de desenvolvimento) e mais do que tudo, brincar ao faz de conta.

Brincar ao ar livre

Para além destes equipamentos mais diferenciados, podemos aproveitar a parede escalada, um escorrega invulgar, e as magníficas “monkey bars”, onde os miúdos se podem pendurar e desenvolver o planeamento motor, a força, e a coordenação bimanual.

Mais importante do que tudo isto, com uma simples ida ao parque infantil estamos a promover o desenvolvimento infantil, fazendo com que os miúdos aprendam brincando!

Deixo-vos mais uma vez o desafio: enviem-nos fotografias dos vossos parques preferidos na Lisbon South Bay, ou identifiquem-nos e dêem-nos a sua localização, para que possamos ir até lá e dar a conhecer o que melhor temos para as nossas crianças na  Lisbon South Bay.

Brincar ao ar livre

Helena Gonçalves Rocha

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Irmão 1

CHEGOU O BEBÉ, COMO AJUDAR O IRMÃO MAIS VELHO?

Helena

Já lá vão doze anos desde que passei por esta experiência, recordo-me de viver com ansiedade as reações que o meu filho teria perante a chegada da mana. As dúvidas e incertezas que me assaltaram de imediato, será que iria conseguir dar conta do recado? Como conseguiria minimizar o impacto no mais velho? Conseguiria amar o segundo filho tanto como o primeiro? Seria isto possível?

E assim foi, amar cada um deles imensamente e conseguir amar os dois infinitamente. Cada um diferente e tão especial. Ter um segundo filho não é, sem dúvida, repetir a mesma experiência pela segunda vez. Para nós Pais é um desafio e para o irmão mais velho também.

Para os irmãos a chegada de um bebé não significa só terem de partilhar a atenção do Pai e da Mãe, significa também a alteração de rotinas e a alteração no próprio espaço físico da casa.  No meu caso, o Mais Velho já não dormia a sesta e tivemos de nos readaptar às rotinas do Bebé, o que nos permitiu grandes brincadeiras durante os sonos do Bebé.

Irmão 2

Os Pais estarão provavelmente cansados e sem paciência, ou excessivamente sensíveis ou emocionais. Para além  de todas estas alterações,  tem ainda de aprender a desempenhar o seu novo papel de Irmão mais Velho.

Sou uma pessoa de Livros, como outro dia uma amiga me dizia, eu acho sempre que existe um livro que nos pode dar uma boa resposta. Talvez não seja a resposta exata, mas ajuda-nos a refletir e encontrar novas soluções, as Nossas soluções. E nesta etapa não foi diferente, “Três Sapatos e uma Peúga”, de Rebecca Adams, trouxe-me algumas ideias para poder adaptar à situação da chegada de um segundo filho.

Aqui ficam algumas das estratégias que considerámos úteis para o irmão mais velho (na altura com 4 anos ) se adaptar ao facto de ter uma mana.

  1. Dê atenção e carinho ao filho Mais Velho. O Bebé não se importa com quem trata dele, mas o Mais Velho quer que seja você.
  2. Encoraje as visitas a darem tanta atenção ao Mais Velho como ao Bebé. Sugira que tragam algo para as duas crianças e não apenas para o recém-nascido. (desde esta altura que quando visito recém nascidos dou o dobro da atenção aos irmãos e acrescento sempre que são quase tão bonitos quanto eles e muito, mas muito parecidos).
  3. Peça por favor, para não dizerem ao Mais Velho que o tempo dele acabou, agora já não és o Rei, agora tens de te portar bem e ser um Homenzinho. E outros comentários do género que só aumentam o receio e pavor do Mais Velho com a chegada do Bebé, e em nada beneficiam a adaptação.
  4. Deixe o Mais Velho “ajudá-la “ com o Bebé, indo buscar fraldas ou roupa. Não seja muito rigorosa.
  5. Esteja à espera das “reações” do Mais Velho. Essas coisas são normais.
  6. Ignore as tolices durante as primeiras semanas.
  7. Mostre ao seu filho Mais Velho como o mais novo gosta dele, olha para ele, lhe sorri, se acalma por causa dele, tem saudades dele. No meu caso isto não foi mesmo nada forçado, assim que via a cara do irmão ou a voz, parecia que tinha visto o Sol, era mágico!
  8. Seja “extra-tolerante” com birras, teimosias e outros comportamentos desagradáveis.
  9. Tente reconhecer os sentimentos do seu filho Mais Velho. Se ele diz que odeia o Bebé, é isso que sente. Sem criticar nem julgar, traduza-lhe o que ele está a exprimir: “Parece que estás zangado por o Bebé te estar a roubar a minha atenção”. “Parece que estás zangado por eu já não brincar tanto contigo” Exprimir os sentimentos da criança desta maneira vai ajudar a compreendê-los e a não se sentir tão esmagada por eles.
  10. Arranje tempo para fazer coisas a sós com o Mais Velho; ele precisa de atenção individual e vai apreciá-la.
  11. Encoraje desde cedo os seus filhos a comunicarem um com o outro. Peça ao Mais Velho que sirva de intérprete – “O que achas que ele quer dizer?” – e explique-lhe o que o Bebé sente: “Ele gosta que lhe cantes”; “Estás a ver como ele presta atenção quando lhe falas?”
  12. Encoraje a identificação entre eles, dizendo ao Mais Velho as coisas que ele fazia na mesma idade, ou mostrando-lhe imagens de quando ele tinha a mesma idade.
  13. Veja bem se tem expetativas corretas quanto ao Mais Velho. Não espere que ele cresça do dia para a noite.
  14. Dê pelo menos um ano para que o Mais Velho se adapte ao irmão.

Irmão 3

É uma verdadeira história de amor, vê-los brincar juntos é a melhor sensação que um Pai ou Mãe pode ter. Dão um trabalho incrível! Mas nunca deixam de nos surpreender, mesmo agora já na adolescência, vê-los a rir juntos e divertidos pela companhia um de outro, é um prazer incalculável. A cumplicidade entre irmãos é uma aprendizagem para a vida.
Helena Gonçalves Rocha

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OS MENINOS NÃO BRINCAM COM BONECAS! OU BRINCAM?

OS MENINOS NÃO BRINCAM COM BONECAS! OU BRINCAM?

Helena

“Os meninos não brincam com bonecas, onde já se viu?”

Foi desta forma que foi recebida a minha ideia de dar um bebé com fralda ao meu filho de 2 anos. Na altura todos os nossos amigos tinham filhos rapazes e a oportunidade de brincar com bonecas era quase nula. Era uma ternura ver como ele adormecia o bebé e o punha gentilmente para dormir. Mais ainda, quando o queria levar para a praia e pô-lo debaixo do chapéu para não apanhar Sol. Mais tarde teve um carrinho de passeio para o seu bebé, adorava passear perto de casa e verificar que adormecia depois de um bocadinho.

OS MENINOS NÃO BRINCAM COM BONECAS! OU BRINCAM?

O meu filho teve muitos bonecos, ursos, tropas, carros, camiões e jogos de construção, mas porque não um bebé como os de verdade?

Embora já se apregoe a livre escolha e a tentativa de não estereotipar, ainda entramos nos hipermercados em época de Natal e encontramos os corredores cor de rosa, da Menina, e os corredores azuis do Menino.

Pois eu, com a minha filha nunca saí do corredor Azul. Carros, jogos de construção, bolas, enfim um cem número de hipóteses que lhe permitiram ter opção de escolha e diversão, enquanto se acumulavam os bebés e bonecas no canto do quarto.

Como eu os compreendo…a minha infância foi muito “brincada” com o meu grande amigo e vizinho Nuno. O momento alto das nossas brincadeiras resumia-se à troca secreta de brinquedos. Ele podia brincar com a minha Tucha Mergulhadora e as suas roupas (impecáveis, pois eu nunca brincava com elas) e ele deixava-me brincar com os seus inúmeros carros de corrida. Que satisfação! Resta dizer que o meu brinquedo eternamente recordado foi um carro de bombeiros com uma escada elevatória .

No entanto parece mais fácil aceitar que uma menina goste de carros e bola, do que naturalmente oferecer uma boneca a um menino.

Mas então porque será tão importante, permitir que os meninos também brinquem com bonecas?

OS MENINOS NÃO BRINCAM COM BONECAS! OU BRINCAM?

Os meninos brincam com bonecas porque é importante que as crianças imitem os papéis que vêem os adultos desempenhar. Porque muitos homens desempenham um  papel ativo no cuidado e educação das crianças.

Os meninos brincam com bonecas porque é importante a aprendizagem e prática de competências sociais através do jogo simbólico cooperativo.

Os meninos brincam com bonecas para que um dia mais tarde possam ser um pai, tio, irmão mais velho, amigo ou companheiro,carinhoso, afetuoso e confiante.

Os meninos brincam com bonecas para que sejam capazes de expressar os seus sentimentos sem receios, demonstrar os seus afetos e mostrar que se preocupam e sabem cuidar.

Os meninos brincam com bonecas porque eles podem ser aquilo que quiserem. Porque podem escolher livremente e com confiança a sua profissão, os seus hobbies, o seu percurso de vida.

Os meninos brincam com bonecas porque gostam. Porque é divertido!.

Da próxima vez que tiver que oferecer um presente a um menino, pense bem…
Helena Gonçalves Rocha

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crianças 1

HIPERATIVIDADE OU BICHO CARPINTEIRO

Helena

“Não pára quieto um bocadinho…”, “Senta-te, se faz favor! “, “ Pára de correr!”

Esta semana foi notícia recorrente a medicação excessiva tomada pelas crianças portuguesas. A hiperatividade e défice de atenção será a entidade culpada por esta toma excessiva de medicação. Esta semana fomos obrigados a pensar um pouco sobre este assunto, afinal o que se passa? Será esta a doença do século? Será a medicação a única saída para conseguirmos aumentar os tempos de concentração das crianças e diminuir a sua atividade?

Antes da medicação será que podemos tentar descobrir a causa deste movimento louco e desenfreado?

Os miúdos muito ativos  fazem-no sem sentido, correndo sem destino, parando quando encontram um obstáculo e esbarrando com ele.

As crianças de hoje têm muito pouco tempo para se mexerem, constantemente lhes é solicitado que permanecem quietos. E o mais inquietante é que esta exigência é feita desde muito cedo. Ouço pais de crianças com 3 anos a dizerem-me que ele não se concentra ou que só pára quando tem o tablet ou telefone.

Esta concentração/atenção é uma concentração falsa, digamos que os seus cérebros estão em modo Stand by, não lhes é exigido que pensem, que interajam, apenas que sejam recetores de imensos estímulos contínuos que os mantêm aparentemente despertos.

Aquilo que  desejamos é que consigam parar sem os ditos aparelhos e que consigam organizar este movimento desenfreado.

A Hiperatividade com défice de Atenção existe e requer um diagnóstico cuidado. Quanto aos hiperativos carecem de uma análise cuidada e deverá procurar ajuda assim que suspeite dessa situação, porque antes da medicação muito pode haver para fazer. E nalguns casos a medicação poderá ajudar temporariamente a permitir que o seu filho adquira estratégias de organização e contenção.

Nem todos os miúdos muito ativos são Hiperativos, há que ter bastante cuidado nesta distinção.

A sociedade obriga a que os miúdos controlem o seu nível de atividade cedo demais, têm muito pouco tempo para se expressarem livremente. Teremos de admitir que cada vez mais cedo exigimos às crianças que estejam quietas e se saibam comportar, que aprendam tudo antes de tempo.

criancas

O desenvolvimento infantil tem uma cadência, uma sequência, antes de correr, tenho de saber andar, antes de pintar dentro dos contornos, tenho de borrar e aprender as cores. Então porque queremos que façam tudo antes do tempo? É essencial, para que mais tarde consigam ter um movimento controlado e planeado que anteriormente tenham experimentado todo o tipo de movimento, caído e levantado.

Por vezes é difícil para nós adultos assistir a tanto movimento, chegamos a ficar cansados só de os ver. Chega a ser uma coisa aflitiva. Temos duas hipóteses para encarar a situação:

  • Inibimos o movimento e exigimos a imobilidade. E parece que acabamos de ativar uma bomba relógio.
  • Acompanhamos o movimento dando-lhe sentido. E o que é isto? Se uma criança corre sem rumo, podemos solicitar-lhe que nos diga quantas vezes vai correr até aquela parede. Outra vez poderemos pedir-lhe que nos diga de que modo o vai fazer, saltando, passos à gigante, pontas dos pés? Este tipo de solicitação obrigará a criança a parar, pensar e planear e no final poderá ainda relatar como executou a tarefa.

Estudos recentes da Universidade de Groningen na Holanda, referem que as crianças aprendem melhor quando em movimento. Aprender matemática dando saltos, ou soletrar as letras do seu nome à medida que dá passos de gigante, permitem uma melhor acomodação dos conhecimentos. Quando todo o corpo está em movimento, os níveis de atenção estão aumentados e as memórias visuais e quinestésicas (palavra difícil que diz respeito às sensações do corpo) ficam retidas na memória muito facilmente.

Na minha prática clínica é habitual andar de skate para alcançar letras, fazer jogos de palavras com bola enquanto corremos incessantemente e garanto-vos que os resultados são garantidos e temos miúdos motivados.

Conclusão:
Dê sentido ao movimento do seu filho, estimule-o a praticar desporto, a aventurar-se na Natureza. Temos que os deixar ser ativos, muito ativos!

Ter como prioridade diária Brincar, Brincar e Brincar!
Helena Gonçalves Rocha

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criança interromper

ESTRATÉGIA SIMPLES PARA QUE O SEU FILHO NÃO INTERROMPA!

Helena

Recordo-me bem, quando os meus filhos eram pequenos de interromperem qualquer conversa em que eu estivesse envolvida, unicamente porque lhes apetecia. O que tinham feito ontem, de que cor era aquele bicho, quando íamos embora…Enfim, um sem número de situações urgentes e inadiáveis que justificavam a interrupção.

Interrompiam até certa altura.

Ou seja, antes de eu descobrir uma pequena estratégia mágica.

Certo dia, estava a conversar com uma amiga quando o seu filho (na altura com 3 anos) quis dizer qualquer coisa.  Em vez de interromper a mãe, ele agarrou-se ao seu pulso e esperou. A minha amiga colocou a mão por cima da dele e continuamos a conversar.

Assim que acabou aquilo que estava a dizer, ela virou-se para ele. Tão simples. Tão terno. Tão respeitador de ambos, da criança e do adulto. O seu filho só teve esperar alguns segundos para que a minha amiga acabasse a frase. E assim que o fez, ela deu-lhe a completa atenção.

Cá em casa começámos de imediato a aplicar esta estratégia. Explicámos ao G. e à M. que se quisessem falar e alguém já o estivesse a fazer, deveriam colocar a sua mão no nosso pulso e esperar. Foi necessário algum treino e alguns puxões nos nossos pulsos como lembrete necessário, mas garanto-vos que as interrupções acabaram!

Acabou o  “espera”, “a mãe está a falar”, “não interrompas, se faz favor”. Com um simples gesto, um pequeno toque no pulso. E é Só.
Experimente.
Vai ver que dá resultado.
Helena Gonçalves Rocha

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SEREI UM PAI HELICÓPTERO?

Helena

No outro dia estava junto a um parque infantil a conversar com uma amiga, quando a certa altura comecei a ouvir uma voz masculina que frequentemente gritava “Maria! Maria!”. Ao início parecia somente o barulho de fundo característico de um parque infantil, mas aos poucos comecei a ficar curiosa com o que estaria a passar. Foquei a minha atenção no dono da voz que gritava e naquela que eu presumi que seria a sua filha, Maria. Assim que comecei a tomar mais atenção começou a soar-me mais assim:

Maria! Aqui, aqui! Por aqui! Maria, olha, olha! Vira para este lado, Maria! Agora para o outro lado. Olha para aqui! Anda cá! Senta. Escorrega agora! Boa, linda menina!”

Esta é uma típica situação de “Pai helicóptero”, que neste caso estaria altamente empenhado em liderar e orientar a brincadeira da criança. Infelizmente, com tanta orientação do seu pai, a criança parecia não estar a usufruir muito da brincadeira. Este homem estaria claramente muito bem intencionado, mas seria importante analisarmos este comportamento pela perspetiva da criança.

Na literatura internacional já encontramos a descrição dos “Pais Helicópteros” como: “Pais que pairam sobre os seus filhos, independentemente das suas necessidades ou desejos. Pais super protetores que não querem que os seus filhos enfrentem qualquer dificuldade sem a ajuda dos pais

Se, por algum acaso, se identificar com algum dos exemplos descritos, saiba que ainda é tempo para repensar a sua prática e ajudar o seu filho a crescer. Sim, porque este fenómeno de pais helicópteros quando se prolonga pela adolescência e idade adulta, acarreta consequências bem graves. Os filhos dos pais “helicóptero” são crianças, adolescentes e adultos que, cresceram sob a capa protetora dos pais, desenvolvem uma personalidade frágil, imatura, muitas vezes infantil, e com fracas competências sociais. Como têm medo de errar, não arriscam, não desenvolvem ferramentas para lidar com a adversidade, com a perda ou com a frustração. Não conseguem ser independentes.
Mas o que podemos tentar fazer para corrigir esta tendência?

1) Deixe que seja o seu filho a liderar a brincadeira
 No início falei-vos do pai que orientava a filha no parque infantil. Na verdade, a única coisa que precisa fazer é seguir a criança, ou saber onde ela está, dependendo da idade. O brincar surge espontânea e naturalmente, especialmente em idades mais baixas, em que tudo é novidade. Eles não precisam que nós lhe digamos como têm de brincar. Deixamo-los trepar às superfícies mais altas (esperando para os amparar se necessário), subindo todos os degraus do escorrega e esperando por eles no final do túnel.

2) Ampare o seu filho, mas não o segure
Isto é tão, mas tão importante…muitas vezes pensamos que as crianças pequenas são descoordenadas e instáveis, o que não se afasta muito da verdade. E têm tendência a permanecer durante mais tempo nesta fase quando nós constantemente as seguramos para que trepem, as levantamos do chão quando caem. Deste modo, nunca experimentam a sensação de desequilíbrio ou aperfeiçoam o seu reportório de movimentos necessários para as tornar fortes, seguras e coordenadas com os seus movimentos.

Um exemplo que observo frequentemente nos parques infantis (que por sinal não são tantos quantos os desejáveis..), são os bem intencionados pais que acompanham os seus filhos pequeninos bem de perto e que quando eles necessitam de escalar uma parede ou subir uma escada, rápida e eficazmente os colocam lá em cima. A verdade é que nesta etapa de desenvolvimento, as crianças estão a aprender novos movimentos e a experimentar as várias soluções possíveis para alcançarem o objetivo que traçaram. Parece demasiado ambicioso para uma criança de dois anos? Claro que não…Tem oportunidade de planear e executar, aprender com o erro… Se o deixarem…

Como podemos fazer? Estar perto para amparar se necessário e incentivar para que experimente e arrisque. E se ele cai? Teremos de avaliar se é uma boa ou uma má queda. Porque também é muito importante saber cair e mais importante ainda, saber como se levantar e prosseguir…

3) Dê oportunidade à criança de resolver problemas à sua maneira (sim, mesmo as crianças mais pequeninas)
A forma mais comum de ser um pai helicóptero é na intervenção parental em situações de conflito. Isto revela a nossa falta de confiança nas competências das crianças para resolução de problemas. Quantas vezes já assisti, nomeadamente em festas infantis, a uma das crianças avançar rapidamente para outra e tirar-lhe o seu brinquedo preferido e quando o “lesado” se prepara para retaliar, surgir um adulto com o discurso de “Também tens de partilhar…”. Eu queria ver se algum de vocês estivesse no seu telemóvel entretido e daí surgisse alguém que lho arrancasse da mão, não reagiam? É preciso partilhar?

Temos de dar oportunidade à criança de tentar resolver os seus problemas. Por vezes os desfechos, sem intervenção do adulto, são inacreditáveis e favoráveis.

Outro exemplo, que assisto diariamente, em idades bem mais precoces, a criança que está em aquisição das etapas básicas de desenvolvimento motor e que está rodeado de todos os brinquedos e não tem necessidade de se mexer para os poder alcançar. Temos mesmo de deixar que as crianças se frustrem um pouco e tentem encontrar soluções para os seus problemas. A criança que tem tudo disponível, e ao seu alcance não estimula as suas competências de resolução de problemas, atrasa o seu desenvolvimento motor e não treina as suas capacidades de generalização de resolução de problemas.

4) Dê hipóteses de escolha, não ordens
Aparecem-me tantos, mas tantos meninos que são “manipulados” ao longo do dia. Agora veste o casaco, agora calça o sapato, agora o outro. Vai para a esquerda, por aí não…

Não me levem a mal, mas as crianças perdem o hábito de pensar. Não precisam…Alguém lhes há-de dizer qual o próximo passo a tomar. Eu sei que não é por mal, eu sei que é com a melhor das intenções, mas os miúdos vão se desenvolvendo com uma crescente insegurança que podemos perfeitamente contrariar. E como?

Dê-lhes hipóteses de escolha. Obrigue-os a pensar. Hipóteses razoáveis e concretizáveis, continuamos a manter tudo sobre controlo, mas obrigamo-los a pensar, a fazer escolhas, a planear.

-O que vais vestir primeiro? As calças ou a camisola?
-Que meias vais calçar? As azuis ou as vermelhas?
-Queres brincar com o loto ou com o puzzle?

A possibilidade de escolher, de assumir o controlo, aumenta enormemente a auto-estima da criança. Tudo hipóteses possíveis e viáveis, mas que fazem maravilhas pela organização do pensamento das nossas crianças.

5) Dê tempo ao seu filho e confie nele
As crianças precisam de tempo para encontrar as suas soluções, esteja sempre por lá, mas confie que irá lá chegar. Não tem de ser aqui agora, pode ser mais logo e por outro caminho diferente do meu…

Não é nada fácil, admitirmos que o nosso filho sabe mais do que aquilo nós ensinámos e que sabe coisas diferentes, mas também importantes.

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Já alguma vez tinha pensado nisto? O que lhe parece? Aceita mais este desafio?
Fico à espera dos vossos testemunhos.
Até lá, tenham uma excelente semana.
Helena Gonçalves Rocha

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PAI E FILHO

BRINCADEIRAS DE PAI.

Helena

Sendo que me considero uma Mãe que sempre brincou muito à Pai e, uma vez que no sábado celebramos mais um Dia do Pai, pareceu-me oportuno escrever um pouco sobre a real importância das Brincadeiras de Pai.

Na minha memória guardo com ternura a ansiedade com que esperava que o Meu Pai chegasse a casa para que nos estendêssemos os dois no chão a jogar berlindes, driblando a esquina do corredor ou o móvel da sala e como era transportada na suas cavalitas, saltitando cheia de emoção. Ai que saudades!… E como eu gostava de ser transportada em cima dos seus pés, devagar, depressa, dançando…E por último, mas não menos importante, as futeboladas no pinhal. Esta última brincadeira, deixei-a como herança à minha filha, que acredito ser das brincadeiras preferidas que faz com o Seu Pai.

As brincadeiras brutas, mais físicas ou mais loucas são tipicamente conotadas como Brincadeiras de Pai. Estes tipos de brincadeiras são essenciais para um desenvolvimento harmonioso das crianças.

Andar às cavalitas, ser atirado ao ar, brincar no chão, girar e andar à roda preso pelas mãos, de certo detêm memórias deste tipo de brincadeiras. As brincadeiras com o risco controlado, que desafiam a gravidade, fazendo funcionar todo o sistema relacionado com o equilíbrio, faz com que muitas vezes peça aos pais que ousem arriscar com os seus filhos, que não se inibam de os fazer girar e que brinquem muito no chão.

PAI E FILHO

As brincadeiras de chão são essenciais para que as crianças desenvolvam a sua segurança no espaço, um melhor conhecimento do seu corpo e desenvolvam também a proximidade com o outro.

Por outro lado, as brincadeiras mais físicas, de toque, de luta, são deixadas muitas vezes só para os Meninos. As Meninas também precisam, apreciam e derretem-se nos braços dos Seus Pais. Mães, por favor, não tenham medo, eles não caem, os gritos são de alegria, excitação , medo e confiança em quem as segura.

Assim se cresce, assim se constroem memórias inesquecíveis!

Um Bom Dia do Pai e vamos lá construir Memórias!
Helena Gonçalves Rocha

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“ELE NÃO ME CONTA NADA…”

ASSINATURA 2 1

Dez perguntas mágicas para saber tudo

Eu sei…você tem um genuíno interesse em saber o que se passou na escola, mas ambos sabemos como decorre a conversa:

“Então, como correu a escola hoje?”
“Foi boa.”
“Então o que fizeste?”
“Nada, brinquei…”

Ou seja…não funciona.

A verdade é que o tempo de transporte, confinado ao espaço do carro, é ideal para estabelecer conversa e acompanharmos a rotina da escola. Como?

Com dez perguntas mágicas:

  1. Qual foi a coisa mais engraçada que aconteceu hoje na escola?
  2. Se pudesses escolher, quem se sentava ao teu lado, quem escolhias? Porquê? E quem não gostavas que se sentasse ao teu lado?
  3. Hoje ajudaste alguém?
  4. Ensina-me uma coisa que aprendeste hoje, pode ser? ( pode sempre incentivar a conversa com uns : “como assim?”; “não acredito!…”; “explica lá melhor…”). A alegria de nos ensinar algo é memorável.
  5. Qual é a palavra preferida da tua professora? Uma daquelas que ela esteja sempre a dizer… ( Sabes, eu tenho uma colega no trabalho que começa sempre as frases por “ Bolas, eu…”)

É importante partilhar também as suas próprias vivências.

  1. Quem é a pessoa mais engraçada da tua sala? Conta-me lá o que fez hoje?
  2. Se amanhã fosses tu o professor durante todo o dia, o que farias?
  3. De tudo o que tens dentro do estojo qual o que trabalha mais? Porquê?
  4. Qual foi a parte mais aborrecida do teu dia?
  5. Conta-me lá uma coisa boa que te aconteceu hoje?

Enfim, nada disto é muito científico, eu sei, mas que vai dando resultado, lá isso vai.

Um pouco de fantasia, evitar as perguntas diretas, tipo interrogatório e partilhar um pouco do seu próprio dia, são algumas das dicas mágicas para conseguir manter uma conversa com o seu filho.

O facto de estarem fechados dentro de um carro, deve ser aproveitado com sabedoria, claro que sem outras distrações, nomeadamente os equipamentos eletrónicos que são bloqueadores de qualquer hipótese de conversa.

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Esta técnica revela-se eficaz durante alguns anos, mas a abordagem precisa de evoluir e ficar mais subtil e inteligente.

Se tem outras perguntas mágicas que habitualmente resultam, partilhe connosco nos comentários. Ajude outros pais a construírem grandes conversas e grandes memórias.

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
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