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PRÓXIMO ANO, AUMENTA O TEMPO DE RECREIO E DIMINUI O TEMPO EM SALA DE AULA. IUPI!!! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Esta semana a grande novidade divulgada pelo Ministério de Educação é que, no próximo ano letivo, os alunos do 1º ciclo terão mais meia hora de intervalo diária, ou seja, menos duas horas e meia semanais em sala de aula.

Finalmente foi reconhecida a importância do Brincar no desenvolvimento da Criança e na sua capacidade de aprender. Todos sabemos que o tempo de atenção de uma criança é reduzido e que a diversidade e variabilidade de contextos e conteúdos são promotores de uma melhor capacidade de aprender.

Aliás não há muito tempo, escrevia sobre a importância dos intervalos, quer para o desenvolvimento psicomotor, quer como promotor de desenvolvimento de competências sociais, que tantas vezes ficam esquecidas no processo de formação pessoal do “Aluno”.

Fui a primeira a ficar exultante com esta notícia, finalmente as crianças podem brincar e pôr em prática tudo aquilo que vão aprendendo. Definitivamente o tempo de recreio é um tempo de excelência para que o próprio professor observe e interaja com os seus alunos e retire informação pertinente sobre as dinâmicas entre os pares, capacidade de resolução de problemas e possa também ter oportunidade de pôr em prática os conteúdos aprendidos em sala de aula.

É tão importante que as crianças nesta etapa de desenvolvimento tenham oportunidades de brincar num espaço desafiante, não é só importante “correr para libertar energias”, é importante brincar ao faz de conta, é importante testar novas competências motoras: saltar, trepar, balancear, equilibrar-se, ter oportunidade de correr alguns riscos controlados. Para tal é urgente que se repensem os espaços de recreio, dotá-los de materiais móveis que permitam a construção e criatividade ( tipo arcos, bolas, blocos de construção, material simbólico), de equipamentos de desafio motor ( traves de equilíbrio, barras para se pendurarem ). A verdade é que quando olhamos para a grande maioria dos recreios escolares vemo-los desprovidos de materiais e completamente “almofadados”, retirando toda a oportunidade de risco e desafio, componentes essenciais para o desenvolvimento da auto-estima das crianças.

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Segundo o Professor Carlos Neto, afirmava ainda esta semana sobre esta temática:

“As crianças que mais brincam no recreio e que mais socialização fazem, também aprendem mais na sala de aula. Ou seja, este tempo maior no recreio pode ter uma contribuição fundamental nas aprendizagens escolares.”

 E segundo os nossos parceiros do Norte da Europa, dos quais já muito se falou sobre o êxito do seu modelo educativo, são os primeiros a prolongar, privilegiar e valorizar os tempos de recreio e brincadeira. Não tenhamos receio de seguir os bons exemplos ao mesmo tempo que combatemos um dos maiores flagelos atuais, o sedentarismo infantil.

Os pais têm de ser exigentes na promoção da qualidade dos espaços exteriores das escolas dos vossos filhos, acreditem que aí se aprende melhor. No entanto, ainda há muito por fazer e podem ser os pais os primeiros a solicitar essa priorização e a envolverem-se em projetos conjuntos com a comunidade educativa de forma a melhorar a qualidade dos recreios escolares.

Uma criança que Brinca, que gasta as suas energias, que improvisa com os seus pares, que socializa, será, sem dúvida alguma, uma Criança mais disponível para aprender!

Helena Gonçalves Rocha

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

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JOGO DA MACACA

O INTERVALO NÃO É UM PRIVILÉGIO! Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

O intervalo não é um privilégio! Porque é que o meu filho não deve ficar sem intervalo?

Acredito que nunca se falou tanto sobre educação, estratégias educativas, métodos inovadores para garantir o sucesso, enfim, um número ilimitado de estudos, investigações, livros editados, workshops, pais preocupados com as questões da parentalidade e do sucesso e felicidade dos seus filhos. Estamos sem dúvida na década da parentalidade consciente, na reflexão sobre a Educação que temos e a Educação que desejamos. No entanto, ainda se regista com demasiada frequência a desvalorização dos Intervalos como componente crucial no processo de Ensino- Aprendizagem.

Quando falamos de Intervalos e falamos da importância do Brincar e da atividade física, constatamos que demasiadas escolas ignoram os resultados obtidos nas mais recentes investigações. Em vez de encararem o Intervalo como algo importante, diria mesmo crucial no decorrer do dia de um estudante, algumas escolas ainda encaram o Intervalo como um privilégio, uma recompensa para alunos bem-comportados. Utilizam o Intervalo como instrumento de negociação ou muitas vezes retirando o acesso ao Intervalo como forma de punição.

Como pais temos a tendência para aceitarmos isto. Afinal, todos nós guardamos memória de perder o direito ao intervalo por não termos completado uma tarefa ou por termos falado demasiado durante a aula. Claro que odiávamos perder o intervalo, mas a verdade é que sobrevivemos. Então porquê esta preocupação por os nossos filhos perderem o direito ao intervalo uma vez por outra? A grande diferença é que nós tínhamos intervalos enormes e depois da escola brincávamos ainda mais com os nossos amigos, corríamos na rua, conversávamos e corríamos até ser hora de voltar para casa. Hoje em dia são muitos os miúdos que têm a sorte de fazer alguma atividade não dirigida durante 30 minutos.

Os resultados das investigações são claros. De acordo com a Academia Americana de Pediatria, o Intervalo desempenha um papel vital no desenvolvimento da criança, trazendo benefícios emocionais, sociais, físicos e académicos.  A Academia Americana de Pediatria acredita que o Intervalo é uma componente crucial e necessária para um adequado desenvolvimento da criança, e como tal, não deverá ser retirado como castigo ou por razões académicas. Por outras palavras, as crianças precisam dos Intervalos, e os Intervalos não deverão ser retirados como forma de punição por mau comportamento ou como forma de punição por não completar ou completar incorretamente as tarefas propostas em sala de aula.

O Intervalo não é um privilégio. Não é uma recompensa. As crianças não deverão ter de conquistar o Intervalo, assim como não o podem perder como castigo.

Helena gonçalves rocha

O Intervalo é uma parte fundamental do desenvolvimento diário de um estudante, retirá-lo faz tanto sentido como retirar a matemática e a leitura. Não fará deles melhores estudantes nem melhores pessoas. Então porque será que ainda existem tantas escolas que utilizam esta forma de punição?

Talvez porque parece uma solução fácil para inibir os comportamentos indesejados. O problema é que este castigo é muito menos eficaz a corrigir comportamentos relativamente a outros métodos de disciplina. A verdade é que são os miúdos mais agitados e irrequietos que necessitam mais do tempo de Intervalo. Neste período eles conseguem libertar as suas energias, socializar e organizarem-se novamente para outro período de atenção na sala de aula.

Outra razão possível para as escolas retirarem os Intervalos  será o facto dos professores terem programas demasiado extensos com opções e tempo muito limitados.

Bom, mas não serve de muito falarmos só nos problemas e não falarmos em soluções.

Então, como podem os professores alterar ou melhorar o comportamento dos alunos sem retirarem o Intervalo?

Não existem soluções simples, mas uma das chaves para os problemas será o apoio da direcção escolar e dos pais. Os diretores poderão trabalhar com os professores no sentido de encontrarem formas alternativas de disciplina e formas de melhorarem o comportamento dos alunos (talvez oferecendo Intervalos mais frequentes, diversidade e variabilidade no contexto das aprendizagens). As escolas deveriam manter os canais de comunicação com os pais bem abertos. Ou seja, quando os pais conhecem as expectativas dos professores e de que forma o seu filho está a corresponder, poderão sugerir e encontrar algumas soluções em conjunto.

Retirar o Intervalo não vai de encontro ao supremo interesse da criança. Poderá levar anos a atribuir o devido lugar e importância aos Intervalos, mas o primeiro passo para que tal aconteça, passa pela consciencialização de que o Intervalo não é uma recompensa reservada só para aqueles que se portam bem.

A infância passa a correr e o tempo que as crianças dispõem para brincar hoje em dia, diminuiu drasticamente nos últimos anos.

Uma criança que Brinca, que gasta as suas energias, que improvisa com os seus pares, que socializa, será, sem dúvida alguma, uma Criança mais disponível para aprender!
Helena Gonçalves Rocha

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