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Helena Rocha

QUAL O TEMPO DE ECRÃ RECOMENDADO PARA CADA IDADE? Por Helena Gonçalves Rocha

Helena

Diariamente sou confrontada com pais confusos na forma como gerem e lidam com os telemóveis, os tablets e a televisão. Será que é bom para o desenvolvimento das crianças? Será que deverão limitar a sua utilização?
Há uns anos tínhamos só a televisão para gerir, que pelo menos não nos acompanhava para todo lado como hoje em dia os telemóveis têm a capacidade de o fazer. Por isso quando os pais de um bebé me mostram eufóricos a forma como ele já consegue dominar o YouTube, sou forçada a causar-lhes uma grande desilusão quando afirmo que esta utilização tão precoce é prejudicial para o seu desenvolvimento.

Sobre este tema muito podemos escrever, hoje limitei-me a procurar as últimas recomendações da Academia Americana de Pediatria e divulgá-las para que possamos começar a reflectir sobre as nossas práticas e sobr o que queremos afinal para o Futuro dos nossos filhos.
Segundo a Academia Americana de Pediatria o tempo de exposição aos media digitais deverá ser limitado em todas as idades.

As novas orientações da Academia Americana de Pediatria identificam o “tempo de ecrã” como o tempo passado nos media digitais com objetivo de entretenimento. A utilização dos media digitais com outros fins, como por exemplo na realização de trabalhos da escola, não são considerados “tempos de ecrã”.

A Academia recomenda que se limite a uma hora por dia para as crianças entre os 2 e os 5 anos de idade. Para as crianças de 6 anos ou mais velhas os pais deverão estabelecer limites de utilização do “tempo de ecrã”, assim como monitorizar o tipo de media digital que as suas crianças utilizam.
Os bebés, no entanto, são altamente vulneráveis aos ecrãs. A Academia volta a defender que as crianças antes dos 18 meses não deverão ser expostas a qualquer tipo de estímulo dos media digitais.

Bebés com 18 meses e mais novos: Tempo de ecrã=zero

HELENA GONÇALVES ROCHA

Sabemos que não é fácil para os pais com bebés pôr completamente de parte as tecnologias. Sabemos que pode ser um grande desafio. Mas também sabemos que retirar este tipo de estímulo da vida dos bebés é crucial para um adequado desenvolvimento cerebral e para reforçar e estabelecer  uma boa interação entre pais e filhos.

O barulho e atividade do ecrã são fontes de distração para a criança. Mesmo se o bebé não estiver diretamente a olhar para o ecrã – por exemplo quando a mãe amamenta na sala com a TV ligada _ o bebé pode ficar hiperestimulado pelas luzes e sons, o que lhe poderá causar algum stresse e distúrbios do sono.

Quando a mãe alimenta o seu bebé, é um tempo privilegiado de interação. Quanto mais contacto face a face houver entre o bebé e os seus pais ou outros adultos, nomeadamente com contacto visual, mais potenciamos o seu desenvolvimento neurológico.

Se os pais estão “fixos” na TV ou no ecrã do telemóvel, os bebés ficam privados da sua atenção, se este tipo de comportamento ocorrer repetidamente estes bebés poderão desenvolver problemas de comportamento e atenção no futuro.

Os ecrãs, sejam eles a TV, os telemóveis ou os tablets, não deveriam ser utilizados como babysitters. Será sempre preferível conversar com eles ou ler-lhes um livro, ou fornecer-lhes algum tipo de brinquedo adequado ao seu desenvolvimento.

Crianças dos 2 aos 5 anos: 1 hora por dia

HELENA GONÇALVES ROCHA

A Academia Americana de Pediatria recomenda que os “pais priorizem a criatividade e as brincadeiras não estruturadas para esta faixa etária”

Os pais deverão monitorizar os conteúdos que as crianças assistem. Hoje em dia, muitos são os pais que relatam a forma expedita com que os seus pequenos filhos navegam pela net e pelo YouTube, saltando de um para outros, sem nunca ficarem muito tempo no mesmo conteúdo.

Existem alguns conteúdos didáticos  que deverão ser controlados pelos adultos. Para além disso a utilização dos media digitais para comunicar com familiares ou amigos que estão distantes, Facetime ou Skipe para conversar com a avó, poderão ser promotores do desenvolvimento das crianças. Depois da conversa acabar é sempre um bom motivo para motivar as crianças a relatarem aquilo que estiveram a ouvir e conversar.

Crianças de 6 anos e mais velhas: Limitar os media digitais

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Os pais deverão estabelecer regras e limites para a utilização dos media digitais com crianças de 6 anos até à adolescência, esta é outra das recomendações da Academia Americana de Pediatria.

A quantidade de tempo de ecrã depende da criança e da sua família, no entanto as crianças deverão priorizar o tempo produtivo em detrimento do tempo de entretenimento.

Para uma criança saudável, um dia típico deveria incluir “escola, trabalhos de casa, pelo menos uma hora de atividade física, contactos sociais e dormir – o que nesta fase de desenvolvimento se situa entre as 8 e as 12 horas. O que sobrar desta equação poderá ser ocupado com tempo de ecrã.

A academia recomenda que os media digitais nunca deverão tomar o lugar das atividades saudáveis, especificamente as horas de sono, as interações sociais e a atividade física.

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Estratégias para os pais utilizarem os media digitais de forma saudável

Os pais são os modelos dos seus filhos, como tal, deverão ter o cuidado de desligar os telefones, desligar a Tv e os tablets à noite.
“As crianças pequenas já reclamam a atenção, pois os pais estão sempre com as cabeças enfiadas nos telemóveis”
Esta falta de interação visual dos pais pode agravar em muito os comportamentos irritáveis das crianças.

A Academia de Pediatria recomenda que as famílias estabeleçam “ tempos juntos sem ecrãs, como por exemplo as horas das refeições ou as viagens, assim como locais da casa livres de ecrãs, como por exemplo os quartos de dormir.
Quando não existem telemóveis nas mesas de refeições , as famílias poderão usufruir de conversas cara-a-cara, o que promove as relações entre os elementos da família.

Os quartos sem tecnologias também promovem uma melhor qualidade de sono e é também uma boa forma dos pais poderem monitorizar a atividade digital das crianças. A utilização dos tablets ou computadores na sala ou em espaços comuns, assegura que as crianças possam terminar os seus trabalhos de casa antes de iniciar uma atividade de entretenimento.

Prometo que em breve retomaremos esta temática, fico no entanto a aguardar os vossos comentários e sugestões que de certo irá enriquecer esta nossa reflexão.

Até lá, desliguem todos os equipamentos, olhem uns para os outros, apreciem-se e construam memórias em conjunto, de preferência lá fora, aproveitando o que a Natureza nos oferece!

Nós aqui educamos para isto.
Nós aqui temos isto!

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