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UMA MANHÃ NA APCAS. Por Catarina Laborinho

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Muitos de nós certamente já nos questionámos sobre o dia-a-dia de quem tem Paralisia Cerebral, nós aqui fomos à procura de respostas junto da APCAS na passada manhã de sábado e ficámos impressionados :)

Chegámos à APCAS – Associação de Paralisia Cerebral Almada Seixal a convite da Fertagus onde fomos gentilmente recebidos por Carlos Teixeira, Vice-Presidente e um dos fundadores da APCAS.

Vivendo com esta realidade na sua própria família, fundou a Instituição com outros pais que queriam o melhor para os seus filhos. Já lá vão 15 anos e o trabalho desenvolvido é de se lhes tirar o chapéu.

Quando falamos em Paralisia Cerebral achamos que estes miúdos, crianças, adolescentes e adultos são 100% dependentes. Desenganem-se, pois conhecemos um Eng.º e futuro Eng.º Informático, uma quase, quase Doutorada, um Advogado e muitos estudantes. Conhecemos também o poeta Miguel Pires (Tartaruga para os amigos), mas este sim, só gosta mesmo é de jogar Boccia e recitar “sabão” às miúdas giras dos hotéis por onde passa quando vai a competições.

É verdade, estes miúdos e graúdos jogam Boccia 3x por semana e já andam em campeonatos internacionais.

O Boccia tem influências do jogo tradicional Petanca, oriundo das civilizações gregas e romanas, e tornou-se uma modalidade Paralímpica em 1984, nos jogos de Nova Iorque.

Dos atletas que encontrámos no Pavilhão da Escola Básica Dr. António Augusto Louro no Seixal, não estava o André Ramos. O André estava a representar a modalidade e o seu país no Open mundial e já em estágio para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, mas estava o Rodrigo Celestino, o futuro promissor Eng.º Informático e a nova aposta da APCAS na modalidade de Boccia.

O Rodrigo é um atleta que está na APCAS desde os 4 anos, hoje com 18 é um adolescente igual a tantos outros (aluno da Secundária da Amora, onde inclusive até para a “rua” já foi – gargalhada geral), com a diferença que anda de cadeira de rodas, fala pelo computador, vai para os copos com os amigos e tem a alcunha de “Rodas”, ah, e já tem um afilhado onde fez questão de nos dizer que “quando fui convidado para ser padrinho, fiquei muito comovido e honroso pelo convite”. Deficiente o Rodrigo?! Seria irónico dizer que não é, mas junto de outros adolescentes da mesma idade num jogo de quem é quem vamos ver quem vence.

O crescimento do Rodrigo no Boccia foi grande, e tendo em conta o grau de deficiência física o Rodrigo só consegue praticar esta modalidade com uma rampa em acrílico* específica e eis que não quando aparece a Fertagus para proporcionar isso mesmo.

Numa entrega de prémios, a APCAS foi abordada pela Fertagus afim de os patrocinar. O objetivo do patrocínio não era promoção em massa, mas sim apostar num atleta que estivesse em crescimento na modalidade. Os holofotes apontaram para o Rodrigo e o patrocínio foi para ele.

E ainda bem que assim foi, é maravilhoso ver este miúdo a jogar. O Pai, José Celestino, é o seu maior compincha, é ele que lhe posiciona a rampa acrílica, que lhe coloca a bola e onde, através de troca de olhares, sabe o que o Rodrigo quer. Impressionante. A minha vênia a este PAI e ao Jorge Vicente, Pai do Guilherme, que mesmo com os seus tenros 11 anos já treina com o Rodrigo, e faz igualmente as suas traquinices montado numa TT que é a sua cadeira.

A manhã na APCAS foi um verdadeiro murro no estômago. Aquele que todos nós devíamos levar volta e meia. Vim de lá bem mais rica e a querer voltar, mas desta vez com os meus filhos!

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É maravilhoso sentir a energia destes grande Guerreiros.

Aprendemos MUITO, soubemos coisas cujas quais não fazíamos a mínima ideia que eram assim. O abre-olhos foi dado pelo Luís Isidorinho, muitas das vezes tratado carinhosamente de “Mola Partida”, ele também com paralisia cerebral, (Eng.º Informático numa consultora onde desenvolve soluções de gestão empresarial) que quando nos disse que tinha a doença PC não queríamos acreditar. É um miúdo normal que apenas coxeia um pouco e que nos sensibilizou com tanta coisa…

Tivemos também a oportunidade de falar com a Rita Patrício, quase mestre e futura Doutorada pela faculdade de Letras de Lisboa, com o Tiago Pedro, futuro Advogado e  político, Filipe Amigo, que não gosta da escola como tantos outros miúdos da mesma idade, com a Lucinda Moreno, mais conhecida como Piolho Elétrico (alcunha que odeia mas que encaixa na perfeição) e Miguel Gapo que vai para Lisboa todos os dias no comboio da Fertagus mas a horas diferentes de mim… Conhecemos uma quantidade de guerreiros, essa é que é essa!

E hoje viemos aqui felicitar a APCAS, os seus heróicos atletas, Pais, treinadores e a Fertagus, por este extraordinário projeto. Um muito obrigado ao Carlos Teixeira por nos ter feito “sentir em casa” e ao Luís Isidorinho (sem ti os nomes e as alcunhas iam acabar todos enganados).

Iremos querer voltar em breve para aprofundar o trabalho desenvolvido pela APCAS no desporto escolar e na transversalidade do mesmo a todos os adolescentes dos concelhos de Seixal e Almada.

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Jorge e Guilherme Vicente, Catarina, José e Rodrigo Celestino, Carlos Teixeira e Tiago.

 

*A Rampa em Acrílico faz parte do equipamento na classe BC3 de competições de Boccia.
Construída em acrílico (fenólico), possui 3 partes removíveis para aumentar ou diminuir o seu comprimento de acordo com o jogador.
Fácil de montar e desmontar, esta rampa permite visibilidade total do campo de jogo e tem um suporte especial em uma das extremidades para segurar a bola. No caso do Rodrigo, ele “lança” a bola com a cabeça através de um “capacete” com uma “antena” onde dá o balanço à bola.

Obrigada APCAS, nós aqui ficámos muito gratos pela experiência.
Obrigada Fertagus, foi sem dúvida uma manhã que irá ficar para sempre marcada no nosso coração.

Bem Haja

Texto e Fotos: Catarina Laborinho

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