EURO, Festejos

VER OS JOGOS NA MARGEM SUL DEU-NOS O TÍTULO DE CAMPEÃO?

parabenizamos ISTO desporto 1

Superstição ou não, para nós ver os jogos do europeu na margem sul, deu-nos o título de campeão. E alguns de vocês dizem “mas eu não vi aí e fomos campeões”. Verdade, mas as superstições são de cada um e para cada um. As nossas superstições não são as vossas! Respect.

Ainda estamos a viver o momento, ainda estamos numa fase irracional de euforia e descompensação. Ainda estamos embriagadas com os últimos acontecimentos, mas com uma ressaca boa e não daquelas que nos deixam arrasadas. Essa, ficou para os franceses. Não, não encaramos esta vitória como uma vingança, mas como uma lição. Uma lição para eles, mas sobretudo para nós, nós portugueses.

#1 – Em primeiro lugar, sabemos o que é estar no lugar deles. Recordemos 2004 onde fomos anfitriões e vivemos uma tragédia grega, depois de acreditar que seríamos campeões. Felizmente não somos chauvinistas e não humilhámos o adversário. Pois vendo bem, o que ganharam os franceses com isso? Enfiaram a viola no saco e engoliram um sapo, desculpem, um galo, perante a assistência de milhões de pessoas.

#2 – Em segundo lugar, aprendemos o que é ter personalidade. Ter personalidade não é agradar a todos, é ter a frieza e objetividade de fazer o que for preciso para a realização de um sonho. Fernando Santos não teve um percurso fácil. Criticado pelas suas escolhas, pelas suas decisões táticas, por não jogar bonito e até por parecer estar zangado com o mundo (sim, foi preciso chegar ao último segundo do jogo da final para esboçar um sorriso daquela carantonha). Faço aqui o meu acto de contrição. Calou-nos! Li algures que ele é “o único engenheiro a cumprir prazos” e piadas à parte, dizer quando tudo corre mal, que “eu só volto no dia 11 de julho e com a taça”, é de quem “os tem no sítio”. Por muito que quiséssemos acreditar nisso, duvidámos. Apostou em Éder que passou do jogo particular da goleada visto como “o até o Éder marca” à final em que “só o Éder marca”. Quem ri por último, ri melhor e o que interessa não é como começa. É como acaba.

Nós aqui, também fizemos um “statement” no nosso blog – ao anunciar os jogos da seleção no início do euro. Utilizámos o título “Até os comemos”. Pensámos, #QSFD, vamos puxar pelo otimismo, mas o nosso #QSFD foi um #QSFD “à Moutinho”, um bocadinho a medos. Não foi um #QSFD à Ronaldo. E, o #QSFD do Ronaldo não foi um “estou-me nas tintas para o que vier”, não. Foi um #QSFD de “vamos dar o nosso melhor, porque o que será, será”. É diferente. É um #QSFD responsável e não descomprometido.

3# – Em terceiro lugar, deixamos de ser a equipa do “somos quase campeões”. Morrer na praia é doloroso, mas cria endurance. Em 2004 criou-se um espírito de união dos portugueses como nunca se assistiu. O orgulho de ser português voltou. Em boa medida até soubemos perder. Foi um duro golpe, foi uma desilusão, mas tivemos dignidade. “Morrer na praia” ensinou-nos a não desfocar e a valorizar as conquistas. Mas tão importante como saber perder, é saber ganhar. O jogo de ontem era um filme de suspense digno de Hollywood. Poucos minutos depois de começar, temos uma cena carregada de drama que abana a fé e inquieta 11 milhões de portugueses. Mas quis uma equipa e um Éder valentes trazer o caneco . Ouviram o capitão, que mostrou que não é preciso estar dentro das quatro linhas para ajudar a equipa. Lutaram, lutaram até ao último suspiro para termos um final feliz. E tivemos.

O nosso percurso permitiu saber saborear com fair-play e savoir-faîre esta conquista. Sim, fair-play e savoir-faîre. Uma palavra inglesa e outra francesa, em homenagem aos nossos dois últimos adversários ao maior impacto que têm pronunciadas nas suas línguas maternas.

portuguesesegauleses

Nós aqui, já fomos ultrajadas e condenadas por o nome do nosso blog não ser em português. Somos antipatriotas e não gostamos da nossa língua porque optámos por um nome internacional? Não. O Cédric e o Adrien não amam a sua nação por causa dos seus nomes? Não. E o Raphael entregou-se menos na final porque o seu nome se escreve com “ph”? Não. Aqui, estou como o Ronaldo e #QSFD essas opiniões.

Obrigada Portugal. 10 de julho – o dia inesquecível – campeões europeus de atletismo, campeões europeus de triplo salto, campeões europeus de futebol.  Vocês são enormes. Obrigada é curto para o que fizeram, mas é verdadeiramente sentido. Bem-hajam.

Texto da inteira responsabilidade do meu coração que ao contrário do Moutinho, não bate bem. Ainda está a recuperar.

Nós aqui fazemos parte de uma nação valente.
Nós aqui temos isto.

Texto: Campeã europeia, Marlene Gaspar.

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